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Estudo do Ipea diz que Estado é vital para qualificar cenário das telecomunicações

Aumentar e qualificar a participação do Estado na condução do setor de telecomunicações são recomendações centrais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para melhorar a qualidade e ampliar o acesso a estes serviços. A conclusão é oriunda de recente estudo intitulado “Desafios e Oportunidades do Setor de Telecomunicações no Brasil”.

O comunicado do Ipea diz que a liberalização dos serviços ocorrida na década de 90 deixou o país num posição intermediária em termos de difusão dos serviços. O cenário soma predomínio do capital estrangeiro, oligopólio nacional, monopólios e disparidades regionais, problemas ambientais e baixo nível de apropriação social das tecnologias. 

Para reverter tal situação, o estudo aponta diversas recomendações relacionadas a políticas públicas. Entre as principais estão: sinergia entre as ações dos ministérios e dos três entes federativos acompanhada de melhor aproveitamento dos altos tributos do setor; a articulação com as políticas educacionais e a modernização do marco regulatório e aumento da competição, o que inclui investimento estatal. Porém, o estudo é tímido na defesa da universalização da banda larga e prefere o termo massificação.

Desarticulação

Projetos como Gesac (programa de inclusão digital), Cultura Viva, Casa Brasil e Territórios Digitais do Governo Federal representam a existência de política setorial nas telecomunicações. Entretanto, todas elas coexistem sem articulação entre diversos ministérios, como de Ciência e Tecnologia, Planejamento Orçamento e Gestão, Desenvolvimento Indústria e Comércio, Casa Civil e Cultura. Para o o Ipea, o quadro se intensifica nas relação com estados e municípios. Segundo o estudo, atualmente, há nove programas públicos regionais, 23 estaduais e 38 municipais, que podem estar em execução com princípios contraditórios.

A situação poderia ser contornada pelo Ministério das Comunicações (Minicom), caso suas verbas não fossem limitadas e progressivamente contingenciadas. A privatização é considerada o maior vetor para o Minicom abarcar menos de 0,5% do orçamento total da União no últimos seis anos. Em 2003, 39% da dotação inicial prevista foi contingenciada, percentual que em 2008 chegou a 74%.

Tributos

Quanto ao mal aproveitamento da arrecadação, o comunicado repete constantemente as potencialidades do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicação (Fust). As limitações na Lei Geral e Telecomunicações (LGT) é o primeiro obstáculo apontado, por só enquadrar a telefonia fixa como passível de universalização. Por isso, o estudo apenas sugere uma avaliação para o incremento da banda larga nesta categoria. Na telefonia fixa, a avaliação é de que as regras para a aplicação do Fust são incongruentes, pois as prestadores já deveriam cobrir as áreas e populações deficitárias devido ao fato de estarem comprometidas com a universalização por força de contrato, além de a LGT impedir subsídios para o atendimento da população de baixa renda.

Ainda em âmbito federal, o comunicado critica os desvios nos recursos do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), o que tem comprometido a qualidade dos serviços no país. Já no âmbito estadual o problema está no Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), apontado como o maior responsável pela tributação corresponder entre 42% e 60% do valor total dos serviços.

O Ipea aponta que há alíquotas de ICMS díspares entre os estados e costumeiramente superiores a mercadorias supérfluas, como bebidas alcoólicas, fumo, cosméticos e até armamento. Os recursos do ICMS são revertidos para diversas responsabilidades dos governadores, em especial saúde, educação e segurança pública. Porém, o instituto insinua a diminuição do tributo e não redirecionamento para políticas estaduais de comunicação, mesmo que envolva mudanças legislativas nos estados.  

Educação e Comunicação

O preço alto dos serviços está entre as principais razões para que 54% da população com renda familiar inferior a 3 salários mínimos tenha pouco acesso ao ambiente de convergência tecnológica. No acesso à internet, por exemplo, o estudo demonstra que a média domiciliar nacional não ultrapassa os 20%.

Se os custos impedem o consumo, o fator educacional ajuda diminuir a demanda nas telecomunicações. O fato de o analfabetismo funcional afetar quase um terço da população é um dos elementos que torna o nível de habilidade com as tecnologias de informação e comunicação (TICs) relativamento baixo para o Ipea. A mensuração do CETIC.br é de que a população com nível médio de escolaridade alcance apenas 40% de habilidade com a internet e menos de 30% com o computador.

Concentração

A modernização do marco regulatório para o Ipea se faz necessária para evitar o afunilamento dos mercados. As empresas responsáveis pelo investimento na infraestrutura têm lucros maiores e avançam para acumular a operação das redes e o provimento de plataformas, conteúdos e aplicações.

No caso da telefonia móvel, quatro empresas (Oi, Tim, Vivo e Claro) compõe um quadro de oligopólio e predomínio do capital estrangeiro. Somente a Oi tem capital nacional. O Ipea avalia esta concorrência como equilibrada, situação diferente da telefonia fixa. Neste setor, o estudo aponta a existência de monopólios regionais, com pouca viabilidade de reversão, devidos ao alto custo de investimentos iniciais, que impedem a entrada de novos concorrentes. Estes monopólios iniciam com a privatização da empresas estaduais no fim da década de 1990, com contratos de 15 anos renováveis por mais 15.

Esses monopólios regionais na telefonia fixa refletem diretamente sobre o acesso à internet, já que a Oi e a Telefônica abocanham uma fatia de 64% deste mercado e são majoritárias na exploração da telefonia fixa. Ou seja, na maioria dos lares o acesso a internet, em especial a banda larga, é feito por empresas de telefonia fixa, que monopolizam o mercado e cobram valores elevados.

Desafios

Com a privatização da Telebrás e o fim do monopólio estatal, o setor privado passou a investir na infraestrutura e exploração de serviços, sob concessão do estado, que por sua vez, teoricamente, investe de forma complementar para atenuar as disparidades.

No comunicado, fica claro que, entre 1996 e 2005, os investidores (majoritariamente estrangeiros) aplicaram R$ 129,2 bilhões em valor corrente. O ápice foi em 2001, exatamente quando os contratos com o governo exigiam cumprimentos de metas em telefona fixa e pública, como contrapartida imposta às empresas para expandirem suas áreas de abrangência. O pico recente foi em 2008, com as concessões de 3G. Ou seja, a oscilação dos investimentos é relacionada com as ações do Estado.

Os investimentos do Estado na infraestrutura ficaram na casa dos 18% entre 1999 e 2008, feitos basicamente via empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). O valor é considerado baixo pelo Ipea, que afirma que isso representa uma barreira para o poder público competir no setor, somado ao fato de o ambiente industrial estar consolidado com apenas dois ou três grandes operadores de rede.

O instituto também critica o fato de os R$ 5 bilhões arrecadados com a privatização terem sido direcionados para o Tesouro, mas não avalia se a somatória foi justa para o potencial do setor que influencia indústrias vitais como portuária, petróleo e gás, elétrica, ferroviária, etanol e biocombustíveis, aeroportuária.

Audiência da Copa desaba na Globo; novelas também seguem em baixa

Ao que tudo indica, nem a Copa do Mundo — evento de maior audiência no mundo — conseguirá impulsionar a periclitante audiência da TV Globo. O jogo de abertura do Mundial 2010, entre África do Sul e México, rendeu apenas 22 pontos à emissora na Grande São Paulo, de acordo com dados preliminares do Ibope.

A audiência foi 27% menor quando comparada com a abertura da Copa de 2006, que foi transmitida com exclusividade pela Globo na TV aberta. A emissora conquistou 30 pontos com Alemanha x Costa Rica, o jogo inaugural. Cada ponto no Ibope da Grande São Paulo equivale a cerca de 60 mil domicílios.

Já nesta sexta-feira (11), o empate por 1 a 1 entre sul-africanos e mexicanos também foi transmitida pela Band, que alcançou média de cinco pontos na prévia do Ibope, com a bola rolando. A soma de Globo e Band dá 27 pontos, três a menos do que a abertura da Copa de 2006.

Há quatro anos, o jogo de abertura começou às 13 horas, duas horas mais tarde do que hoje. Mas o número de televisores ligados não foi muito diferente. Em 2006, 46% dos televisores da Grande SP estavam ligados no horário do jogo da abertura do Mundial. Hoje, eram 45%. Ou seja, a Globo teve uma queda real de audiência.

Novelas fora dos trilhos

Mesmo a audiência das novelas assusta os executivos da emissora da família Marinho. Hoje, a salvação da dramaturgia da Globo é a novela das seis. É a única que está dentro do ibope esperado — em torno dos 25 e 30 pontos. A das sete, cujo ibope ambicionado pela Globo é de 35 pontos em média, está em 26 pontos. Já a novela das oito, Passione, cujo trilho é de 40 pontos para cima, patina numa média de 30 pontos.

Não bastassem os problemas de audiência, a Globo enfrenta, ainda, a lei. Advertida formalmente pelo Ministério da Justiça, a Globo resolveu reclassificar Passione, indicando que a novela é imprópria para menores de 12 anos — inadequada, portanto, para antes das 20 horas. Até esta semana, aparecia o selo de 10 anos, o que a habilitava a ser transmitida em qualquer horário.

O Ministério da Justiça informou à emissora que o conteúdo da produção, principalmente as cenas sensuais de Maitê Proença, estavam em desacordo com a classificação de 10 anos. O ministério também mostrou descontentamento com cenas de consumo de drogras (aparentemente, anfetaminas e ecstasy) pelo personagem Danilo (Cauã Reymond).

Se a Globo não resolvesse, ela própria, reclassificar Passione, o ministério faria isso. E poderia ser pior para a emissora. A reclassificação do governo poderia ser para 14 anos (21 horas). Em nota oficial, a Globo disse que "a avaliação inicial da emissora fora feita a partir da sinopse e, com o desenvolvimento dos capítulos, decidiu-se por esta adequação [para 12 anos]".

*com agências.

Abraço diz que Anatel reprime rádios comunitárias a pedido das emissoras comerciais

O coordenador-executivo da Abraço (Associação  Brasileira de Radiodifusão Comunitária), José Sóter, fez graves denúncias sobre a fiscalização da Anatel nas rádios comunitárias, em reunião do Conselho Consultivo da agência, realizada na manhã desta segunda-feira (14). Segundo ele, a averiguação dos fiscais normalmente é provocada a pedido das emissoras comerciais e que há um caso comprovado de que os fiscais em São Paulo foram até as rádios em carros alugados pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e de Televisão), denuncia enviada ao Ministério das Comunicações e que não foi apurada.

Além disso, Sóter informou que fiscais da Anatel lacraram e apreenderam transmissores de rádios comunitárias em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, alegando falta de homologação dos equipamentos, apesar de estarem regularizados. “Não somos contra a fiscalização, mas não podemos aceitar que as emissoras mercantis se utilizem da Anatel para reprimir as rádios comunitárias”, disse.

Sóter disse que não acredita que a repressão às rádios comunitárias seja uma política da Anatel e atribui os conflitos à falta de capacitação dos fiscais, que não são treinados para tratar desigualmente os desiguais. Ele reclamou também da falta de apresentação pelos fiscais do laudo técnico de interferência que justifique a averiguação de irregularidades. “A fiscalização da agência é um leão para as rádios comunitárias e um ratinho para as emissoras comerciais”, comparou.

O coordenador-executivo da Abraço também não poupou críticas ao departamento de outorgas do Ministério das Comunicações, que, segundo ele, trata as rádios comunitárias como um estorvo, enquanto atende a todas reivindicações das emissoras comerciais. “Há vários governos esse departamento persegue e dificulta a democratização das comunicações”, disse.

Sóter também reclamou da elaboração do plano de referência das rádios comunitárias pela Anatel, que limita a propagação das rádios comunitárias deixando uma faixa de dois quilômetros sem acesso ao sinal das emissoras comunitárias. Ele informou que a Anatel baseia o plano em determinação do Minicom, que não corresponde ao que está na lei de criação do serviço.

O gerente-geral de Administração de Planos de Radiofrequência da Anatel, Yapir Marotta, reconheceu que, com o plano atual, as emissoras comunitárias atingem apenas 6% da população que deveria atender. Mas disse que o plano é feito com base na lei de criação do serviço, que traz amarras à pluralidade de acesso dessas rádios.

Os integrantes do Conselho Consultivo consideraram as denúncias feitas pela Abraço como “graves” e solicitaram cópia dos documentos enviados ao Minicom para tomar as providências cabíveis para apuração das irregularidades. Por sugestão do conselheiro José Zunga, deverá ser criado um grupo de trabalho para encaminhar os conflitos entre a agência e as rádios comunitárias.

Detentas produzem programa de TV em Votorantim (SP)

A cinco minutos do início da gravação, o clima é de agitação no "estúdio". Tudo conferido. A diretora grita para um homem alto, vestindo jaqueta preta: "Pode soltar". O carcereiro abre a porta de ferro da Cadeia Pública de Votorantim, no interior de São Paulo, e libera a equipe de reportagem da TV Cela.

Primeiro programa de TV feito por detentas no país, é um misto de talk show e documentário. Cada edição dura 30 minutos e tem um entrevistado. Entre os blocos, cenas da rotina da cadeia e depoimentos de presas.

A produção, desde a escolha dos convidados até a seleção das perguntas, é responsabilidade de cinco detentas. Todas respondem por tráfico de drogas ou associação ao tráfico.

Gravado em um espaço semelhante a uma gaiola com três metros de comprimento por dois de largura, o programa mobiliza a carceragem. Quando a produtora-detenta pede silêncio, a cantoria –ora pagode, ora sertanejo– cessa imediatamente.

As 150 mulheres, mantidas em um espaço projetado para 48, se veem representadas por Iara Fernanda de Mello, 25, a apresentadora. Sempre de unhas feitas e maquiagem preparada por um profissional –voluntário, como o resto da equipe externa.

Edicleusa Gomes, 30, opera as três câmeras emprestadas pelo Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio). Concentrada, ela mira detalhadamente o convidado da vez, o advogado Hélio Bicudo.

Ele é recebido como estrela na cadeia. Antes de gravar, cumprimenta as presas. Uma delas chora. "Ele me lembra o meu vozinho", sussurra.

Celebridades

O projeto começou em outubro de 2009 com o objetivo de ressocializar as presas (há condenadas, algumas aguardando julgamento ou recorrendo da sentença).

Treze convidados já passaram pelo TV Cela desde a estreia. Os assuntos abordados vão de direitos humanos a saúde pública e outros temas ligados à rotina das detentas. As presas participantes devem mudar periodicamente, em sistema de rodízio.

O TV Cela é transmitido pela TV Votorantim, canal local do município (105 km de SP), e por outros 48 canais comunitários do Estado. No resto do país, chega via parabólica e internet.

A repercussão transformou as mulheres do TV Cela em celebridades carcerárias. Dezenas de cartas parabenizando chegam de presídios de todo o Brasil. Pela internet, as mensagens de apoio, que chegam até elas impressas, também se multiplicam.

"Receber um elogio vindo de tão longe faz muito bem", diz a apresentadora Iara.

Na cadeia há quatro meses, a produtora do programa, Alessandra Laquima, 38, emociona-se. "Quem está lá fora pensa que na cadeia só tem gente sem instrução e ignorante. Nós estamos mostrando que não é assim."

Os quatro filhos dela mostraram o programa a amigos e até para professores. Mesma reação da filha de Suzana Maria Braga Ramos, 26, que também participa.

Coordenador do programa, o jornalista Werinton Kermes disse que o objetivo do projeto não é formar profissionais, mas resgatar a autoestima. "É para exercitar a individualidade. Ocupar o tempo delas."

As detentas, porém, não descartam seguir carreira no jornalismo. "Se tiver oportunidade, seria maravilhoso. Eu me identifiquei com a comunicação", fala Iara.

Primeiro debate político online pretende atingir 94% dos internautas brasileiros

O primeiro debate online da internet brasileira com presidenciáveis deverá atingir 94% dos internautas brasileiros, reunindo quatro dos maiores portais em audiência do País, iG, MSN, Terra e Yahoo!.

O encontro será realizado no dia 31/08 e transmitido pelos quatro portais simultaneamente. A organização do debate está a cargo de três agências do Grupo TV1: TV1 RP, TV1.Com e TV1 Vídeo.

“A ideia surgiu este ano. Hoje a internet é uma mídia de massa no Brasil. Reunidos nós teremos 94% da audiência da internet brasileira. Temos uma grande expectativa, é uma belíssima oportunidade de conhecer melhor esse tipo de debate online”, comemora Andre Izay, presidente do Yahoo Brasil.

Para o diretor-geral do iG, Fábio Coelho, o debate terá sucesso. “O brasileiro tem mais interatividade que em muitos países. Esperamos uma grande mobilização na internet e um altíssimo nível de adesão dos candidatos”.

O diretor-geral do MSN Brasil, Oswaldo Barbosa, citou a campanha de Barack Obama como inspiração. “É bom lembrar a experiência do Obama. No Brasil, que tem um uso maior da internet, um debate como esse vai marcar a história”, declarou.

Como primeiro debate online no Brasil, os portais terão um desafio no uso da web para esse tipo de discussão. “O principal desafio será compatibilizar a interatividade e liberdade que a internet tem com as regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Vamos seguir a legalidade”, ressaltou o diretor-geral do Terra Brasil, Paulo Castro.

Castro disse que os portais procuraram as assessorias dos candidatos à Presidência da República e que a proposta foi muito bem recebida. “Os candidatos entendem a importância da internet. A proposta foi muito bem recebida”.

A organização do debate ainda define o formato da discussão, que contará com a participação dos internautas pelo Twitter @debateonlinebr.