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Parecer da Procuradoria da Anatel referenda fim do limite de licenças de TV a cabo

[Título original: Procuradoria da Anatel acha legal o fim ao limite de licenças de TV a cabo]

A procuradoria da Anatel já emitiu seu parecer jurídico sobre a intenção da agência de acabar com o limite de outorgas de TV a cabo, referendando a iniciativa, que deverá se concretizar com a aprovação final do novo planejamento de licenças de TV paga no país. “A retomada da discussão por parte da agência pode ajudar a acelerar a aprovação do PL-29”, afirmou o procurador Marcelo Bechara.

Em seu parecer, (arquivo anexo à matéria), conforme antecipou na semana passada o Tele.Síntese Análise, Bechara contextualiza o serviço de TV paga a partir de seu surgimento no Brasil para, então, analisar as duas leis que tratam do serviço: a Lei do Cabo, propriamente dita, de 1995, e a lei geral de telecomunicações, de 1997, e concluir que a LGT tem precedência sobre a lei do cabo, por ser mais recente. “Todas as questões atinentes ao STVC (Serviço de TV a Cabo) devem partir da harmonização entre a Lei do Cabo e os padrões regulatórios da LGT”, afirma.

Para ele, então, a Anatel tem os poderes conferidos pela lei para estabelecer as regras das outorgas: “ a sistemática de número ilimitado de outorgas, desde que atendidos os demais condicionantes da legislação em vigor, é juridicamente admissível”. Ele salienta ainda que a própria Lei do Cabo não estabelece se deve haver números máximos de licenças.

Ingresso das teles

Ao considerar legal o número indeterminado de licenças, Bechara conclui, então, que a Anatel também pode liberar o ingresso das concessionárias de telecom, visto que o artigo 15 da lei do cabo estabelece que as concessionárias podem ingressar no mercado, desde que haja manifesto “desinteresse” de outras empresas.

Para Bechara, o desinteresse já foi confirmado pela Anatel, quando autorizou a compra da operadora mineira Way TV pela Oi. Ali se caracterizou o “desinteresse relativo”, apoiado em em sua avaliação jurídica. Segundo ele, o desinteresse absoluto se daria se ele fosse voltado  para a área de prestação do serviço, o que não faria sentido.

Para o procurador, o maior interesse pelo serviço de TV paga – hoje ele está presente em 8 milhões de domícilios – se deve não apenas à possibilidade de ser um instrumento de massificação da banda larga, seguindo, assim, a orientação da política de governo, como também ao crescimento da renda do brasileiro e o fortalecimento da classe C, que passa a querer consumir também este novo serviço.

“Entre todos os serviços da agência, o de TV por assinatura não demandava tanta atenção como os serviços com muito mais usuários, como o SMP. Mas a própria tramitação do PL-29, como seus altos e baixos, no Congresso Nacional, fez com que o tema retomasse com vigor", concluiu.   

Leia a íntegra do parecer aqui

Serviços de telecom somam mais de 134 mil queixas em 2009

No ano passado, a Anatel recebeu 17,7 mil reclamações de clientes sobre os serviços de internet em banda larga das operadoras, o que o coloca o serviço em terceiro lugar entre os mais queixas receberam. Na liderança da lista estão os serviços de telefonia móvel, com mais de 62 mil denúncias, seguido pela área de telefonia fixa, com mais de 49 mil. Os serviços de TV por assinatura ficaram na quarta posição, somando 5,3 mil reclamações em 2009.

Desse modo, os serviços de telecomunicações registraram, no total, mais de 134 mil queixas dos consumidores no ano passado junto à agência reguladora. Para a telefonia móvel e a TV paga, os maiores problemas referem-se a erros na cobrança, enquanto que no caso da telefonia fixa e da banda larga, o maior número de queixas diz respeito a problemas no reparo.

Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), as demandas enviadas à Anatel precisam ser resolvidas individualmente, mas é fundamental que a agência regladora tenha uma perspectiva coletiva sobre esse conjunto de denúncias. "Diversos problemas individuais que se repetem são indício de que há uma violação sistemática de um direito ou uma norma por parte de uma empresa", alega Estela Guerrini, advogada do Idec.

Filipinas adere e padrão nipo-brasileiro de TV digital atinge perto de meio bilhão de pessoas

Filipinas é o novo país a adotar o sistema nipo-brasileiro de TV digital. Com a adesão, a população com acesso ao ISDB-Tb (Integrated Service Digital Broadcasting) chega perto de meio bilhão de pessoas, sem contar com a população do Japão, de 130 milhões de pessoas, inventor do padrão original, mas que ainda não incorporou as melhorias introduzidas pelo Brasil.

Segundo o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, o padrão ganha escala o que beneficiará a indústria não só de aparelhos de televisão, mas também de septop box. Este é o principal argumento que ele levará à reunião da reunião da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), na próxima segunda-feira (21). A intenção é traçar uma estratégia de barateamento de conversores para TV digital.

Barbosa informa ainda que, na próxima semana, uma comitiva brasileira segue para a Nicarágua para apresentar as vantagens da adesão daquele país ao padrão nipo-brasileiro de TV digital. A expectativa é de que o acordo seja assinado até o início de julho, quando o presidente nicaragüense, Daniel Ortega, visita o Brasil.

Filipinas se une ao Brasil, Peru, Argentina, Chile, Venezuela, Equador, Costa Rica e Paraguai que optaram pela versão do ISDB-T com os avanços incorporados pelo Brasil. Sem contar com o Japão, que originalmente desenvolveu o sistema.

Em Julho, a comitiva brasileira que negocia a disseminação do padrão nipo-brasileiro estará na África, intensificando as negociações com países daquele continente. Serão visitados os países Guiné Equatorial,  Zaire, Tanzânia, Zâmbia e África do Sul. Há ainda negociações com Angola, Botsuana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagascar, Malaui, Ilhas Maurício, Moçambique e Namíbia. Há ainda conversas com outros países da América Central como El Salvador.

Definição sobre faixa de 2,5 GHz volta ao conselho em julho

Espera-se para meados de julho uma decisão da Anatel sobre o futuro do espectro de 2,5 GHz, decisão esta fundamental para operadores de MMDS e operadoras de telefonia celular. O assunto, que está sob a relatoria do conselheiro João Rezende, deveria ser colocado em pauta ainda este mês, mas deve-se aguardar mais algumas semanas até que o embaixador Ronaldo Sardenberg retorne do período de férias, no começo de julho. Trata-se de uma das mais complicadas decisões da agência, pois não há consenso entre os conselheiros sobre que solução dar.

A posição do relator, segundo apurou este noticiário, tende a ser pela manutenção da proposta da consulta pública (50 MHz para o MMDS), eventualmente com a ampliação da faixa para 60 MHz, mas em hipótese alguma uma divisão dos 190 MHz da faixa de 2,5 GHz ao meio entre MMDS e SMP, como querem algumas empresas. Outra dúvida é se a redução da faixa do MMDS será acompanhado por uma licença automática para o serviço de dados (SCM) e se haverá, no futuro, a possibilidade de que operadores de MMDS busquem também uma outorga de SMP, para telefonia móvel, dentro da mesma faixa. Mas existem ainda outros complicadores: essa visão não é única dentro do conselho; o governo pediu 10 MHz para a faixa para programas de inclusão digital; e ainda é necessário estabelecer um preço para a faixa.

Preço

Vale lembrar que quando a Anatel prorrogou a autorização de MMDS e uso da faixa de 2,5 GHz de 11 operadoras do serviço, em fevereiro de 2009, não houve a cobrança adequada pelo espectro. Recentemente, a Anatel disse que o preço seria estabelecido juntamente com o regulamento de uso da faixa. Mas vale lembrar que a Sky, por exemplo, que controla licenças de MMDS em cidades como Brasília, Goiânia e Belém, tem uma decisão de primeira instância na Justiça de Brasília que assegura o pagamento do Preço Pública pelo Direito de Uso de Radiofrequência (PPDUR), que não passa de R$ 18 mil. Existe uma proposta para que a cobrança se dê pelo faturamento das empresas, mas o assunto ainda é polêmico.

Revisão da Lei de Direito Autoral entra em consulta pública

Desde a manhã desta segunda-feira (14), a sociedade pode opinar sobre a proposta de projeto de lei organizada pelo Ministério da Cultura (MinC) que altera a Lei de Direitos Autorais (9.610/98). O governo federal vem estudando mudanças nesse tema desde 2007 e só agora conseguiu tornar pública uma proposta de anteprojeto, que ficará em consulta pública até 28 de julho. A iniciativa da revisão legal por parte do MinC vem do entendimento de que a atual lei é uma das mais restritivas do mundo e de que é preciso equilibrar os interesses dos autores e artistas, com o acesso do cidadão ao conhecimento e a segurança jurídica dos investidores da área cultural.

Como adiantou este Observatório, a proposta de anteprojeto altera pontos importantes na atual lei, como a criação de um tempo máximo de cinco anos de um contrato entre o autor e uma gravadora; a permissão de reprodução de uma obra de publicação esgotada e que não se encontra à venda; a autorização de cópias para uso privado sem finalidade comercial e a supervisão estatal das entidades arrecadadoras de direitos autorais. Depois de terminada a consulta pública, o governo formulará um projeto de lei a partir das contribuições da sociedade e o enviará ao Congresso Nacional.

O jabá (pagamento a rádios e televisões para que aumentem a execução de certas músicas) será alvo de punição, caraterizado como infração à ordem econômica e ao direito de acesso à diversidade cultural. “Ele distorce a concorrência e as sanções são as previstas na lei de ordem econômica”, diz Marcos Alves de Souza , diretor de Direitos Intelectuais do MinC.

Uma das inovações previstas que está sendo criticada por setores ligados à industria de arrecadação é a ideia de o Estado, por meio do MinC, supervisionar as entidades de gestão coletiva. O principal alvo da medida é o Escritório de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais (Ecad). O ministério aponta que essas organizações devem reduzir custos administrativos e prazos de distribuição dos valores aos titulares de direitos, dar publicidade de todos os atos da instituição, manter atualizados e disponíveis o relatório anual de suas atividades e o relatório anual de auditoria externa de suas contas, entre outras previsões.

O ministro Juca Ferreira frisou, em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (14), que há um descontentamento muito grande dos artistas em relação à forma como é feita a arrecadação de direitos autorais no país. “É um modelo de como não fazer”, criticou. Para ele, o sistema de direito autoral vigente no país é parte do entulho autoritário criado pelos anos de ditadura militar. Segundo aponta o Ministério da Cultura, o Brasil é o único caso da América Latina e no grupo de países com os 20 maiores mercados de música do mundo que não possui estruturas administrativas estatais para a regulação das associações de gestão coletiva.

Algumas organizações sociais criticaram a demora do governo em disponibilizar a proposta de anteprojeto de revisão da Lei de Direito Autoral. Um dos argumentos é que o calendário eleitoral pode dificultar o avanço da proposta dentro da Câmara e do Senado. Por sua vez, o ministro Juca Ferreira afirmou que o Ministério quis trabalhar com responsabilidade. Segundo ele, foi preciso convencer todo o governo da importância de tal medida, assim como estabelecer diálogo com a sociedade e estudar leis de outros países. “É um tempo político e tecnicamente necessário”, justificou.

Algumas mudanças apresentadas no anteprojeto:

Situação atual: Arrecadação e distribuição feita por entidades privadas
Proposta: Arrecadação e distribuição continua sendo feita por entidades privadas.

Situação atual: Ausência de supervisão, regulação e promoção da gestão coletiva de direitos, o que gera percepção de abuso na arrecadação e nebulosidade na distribuição
Proposta: O Estado, por meio do Ministério da Cultura, passará a supervisionar a atuação dessas entidades

Situação atual: Ausência de associações representativas dos diversos setores autorais
Proposta: Os setores do livro e do audiovisual deverão se organizar para fazerem as gestões dos direitos reprográficos e de exibição pública

Situação atual: Risco permanente de painéis contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio pelo potencial não repasse dos valores arrecadados para titulares estrangeiros
Proposta: Os sistemas brasileiros de Defesa da Concorrência e de Defesa do Consumidor poderão ser acionados caso haja irregularidades

Situação atual: Fragilidade do poder negociador dos autores
Proposta: As entidades deverão manter atualizados e disponíveis informações que permitam seu controle social.

Situação atual: Proliferação de ações judiciais no campo dos direitos autorais
Proposta: Criação de uma instância administrativa de mediação de conflitos e arbitragem na área autoral