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Abraji, Transparência Brasil e Artigo XIX cobram posição de candidatos quanto à Lei de Acesso a Info

Desde a semana passada, Abraji e Artigo 19 se juntaram à iniciativa da Transparência Brasil e procuram saber qual a posição dos principais candidatos ao Senado diante do projeto de lei de acesso a informação que tramita naquela Casa.

Nos dias 30 e 31 de agosto, a Transparência Brasil encaminhou ofício a 93 postulantes ao cargo de senador de todas as unidades da federação. Até o dia 13 deste mês, apenas 10 candidatos tinham respondido o documento.

As perguntas encaminhadas aos políticos são bastante simples: 1. Caso V. S. vença a eleição de outubro e o PLC 41/2010 necessite vossa apreciação, qual será a posição a ser tomada? a.Apoiará integralmente o presente texto; b.Fará alterações no texto (se esta for a alternativa escolhida, pede-se anotar quais serão as alterações sugeridas); ou c.Desaprovará o texto. E 2. V. S. tomará alguma providência no sentido de acelerar a tramitação do PLC 41/2010? a.Sim (se for esta a alternativa selecionada, pede-se indicar qual procedimento será adotado); b.Não.

O resultado deste levantamento será tornado público de maneira a ajudar o eleitor a realizar suas escolhas no pleito do próximo dia 3 no que diz respeito ao comprometimento de seus eventuais representantes com a transparência pública.

O projeto de lei em questão é resultado de discussão iniciada em 2005 pela Transparência Brasil no Conselho de Transparência Pública e Combate à Corrupção da Controladoria-Geral da União (CGU). Em 2006, como resultado de negociações conduzidas pela Transparência Brasil, o então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva transformou o projeto de lei de acesso à informação em promessa de governo.

Em maio de 2009, por iniciativa do Executivo federal e após pressões exercidas pela Transparência Brasil e pelo Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, cuja coordenação está a cargo da Abraji, o projeto de lei regulamentando o acesso a informações públicas foi enviado ao Congresso. A Câmara dos Deputados aprovou o PLC 41/2010 em regime de urgência. A tramitação no Senado, entretanto, apresenta-se lenta.

Candidatos assumem compromisso com democratização da comunicação

Nove candidatos a deputado estadual e federal assumiram, em debate realizado no auditório da Biblioteca Municipal de Barra Mansa na noite da última sexta-feira, dia 10, compromisso com as propostas da Plataforma por uma Comunicação Democrática e com a criação da Frente Parlamentar pela Democratização da Comunicação tanto na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro como na Câmara dos Deputados. O evento foi realizado pelo Fórum de Comunicação Democrática do Sul Fluminense em parceria com o curso de Comunicação Social do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM).

Participaram do debate os candidatos a deputado estadual Inês Pandeló (PT), Isabel Fraga (PSTU) e Tião Santos (PT) e a deputado federal Paulo Eduardo Gomes (PSOL), Bill (PT), Jair Nogueira Filho (PV) e Taffarel (PT). Os candidatos a deputado estadual Roosevelt Brasil (PMDB) e a deputado federal Paulo César Baltazar (PRTB) justificaram ausência mas enviaram cartas através de seus assessores assumindo compromisso com a Plataforma por uma Comunicação Democrática. Mais de cem pessoas compareceram ao evento.

Compromisso


O texto da carta compromisso afirma que “nós, candidatos e candidatas abaixo relacionados e assinados, manifestamos publicamente o nosso compromisso favorável em relação às propostas da Plataforma por uma Comunicação Democrática, elaborada pelo Fórum de Comunicação Democrática do Sul Fluminense com referência nas deliberações da Conferência de Comunicação do Sul Fluminense e da I Conferência Nacional de Comunicação (I Confecom), bem como com a criação de Frente Parlamentar em Defesa da Democratização da Comunicação nas nossas respectivas Casas Legislativas, importante instrumento de promoção de debate permanente do tema e de interlocução privilegiada com a sociedade organizada.”

Entre as propostas da Plataforma estão a criação de conselhos municipais, Estadual e Nacional de Comunicação; a regionalização e presença da produção independente no rádio e na TV; regulamentação da publicidade infantil e de bebidas alcoólicas; restrição ao monopólio dos meios de comunicação; a defesa dos direitos humanos; e o restabelecimento da obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão de jornalista, entre outras.

Os coordenadores do Fórum por uma Comunicação Democrática do Sul Fluminense anunciaram que a Carta Compromisso permanecerá aberta a novas adesões de candidatos que não puderam comparecer ao debate. Contatos e informações pelo e-mail sulflu.com@gmail.com. A próxima reunião do Fórum será realizada no dia 18 de setembro, sábado, às 14 horas, na Cúria Diocesana de Volta Redonda, na Vila Santa Cecília.

Projeto de lei sobre TV paga é foco de discussão no 8º CBC

A necessidade de aprovação do Projeto de Lei nº116, de 2010, (antigo PL 29/2007) pelo Senado foi um dos temas balizadores do 8º Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual, realizado entre os dias 12 e 15 de setembro, em Porto Alegre. Além do projeto, o fortalecimento do sistema público de televisão e a regulamentação do artigo 221 da Constituição foram endossados como mecanimos de ampliar a participação da produção independente e regional na TV nacional.

O PLC 116/2010, em tramitação no Senado, prevê abertura das outorgas da TV's por assinatura – majoritariamente controladas pela Net e Sky – para as empresas de telefonia, o que pode significar expansão do alcance do serviço, que hoje só atinge cerca de 10% da população. Além disso, o projeto institui cotas na programação para produção independente e nacional e ampliação no redirecionamento das verbas do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) para administração da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancine), subordinada ao Ministério da Cultura (Minc)

Glauber Piva, diretor da Ancine, destacou durante o 8º CBC a posição favorável do Minc ao PLC 116. Piva argumenta que haverá maior estruturação para o desenvolvimento do produtor, bem como ampliação das mesas de negociações entre os agentes do setor. As modificações são tamanhas que está sendo previsto a necessidade de revisão das tarefas regulatórias da Ancine. Somente no incremento na arrecadação via Fistel são esperados mais R$ 400 milhões por ano para ser administrado pelo Minc, segundo Piva.

Já o presidente do Congresso Brasileiro de Cinema, Rosemberg Cariry, ressaltou que o antigo PL 29 foi a matéria legislativa que "concentrou mais esforços" no encontro de Porto Alegre. A defesa pela aprovação imediata conseguiu unir todos os segmentos do audiovisual nacional, por estimular a regionalização e diversidade da produção, na opinião de Cariry.

Entraves

Um dos pontos de maior entrave para aprovação no momento é o fato de o PLC 116 tornar as empresas de radiodifusão impossibilitadas de assumir mais de 30% do capital societário das produtoras e programadoras nacionais e vice-versa. A possibilidade de modificações no projeto ainda ronda os grupos favoráveis a aprovação. Durante a tramitação no Congresso Nacional, o PL 29 diminuiu as cotas de veiculação da produção nacional nos canais de TV pagos identificados como qualificados. Inicialmente a reserva era de sete horas semanais e despencou para três horas e meia, ao mínimo, sendo que metade do tempo é reservado para as produtoras independentes.

Sob interesses empresariais, em especial da Net e Sky, vinculadas às Organizações Globo, nos espaços qualificados foram excluídos conteúdos religiosos, televendas, eventos esportivos, publicidade, jornalismo e até programas de auditórios. Apesar das perdas, Rosemberg acha que os termos atuais da PLC 116 são "resultados de amplo processo de negociação possível, nesse momento".

A Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas (ABD Nacional), presente em 27 estados, tirou como resolução em assembleia o desenvolvimento de propostas para futuras instruções normativas do PLC 116 em relação a produção independente. "Nós estamos nos mobilizando para aprovação imediata, sem novas emendas, ainda em 2010", afirmou Carla Osório, presidente da ABD Capixaba.

TV pública e audiovisual

O diretor da Gerência-Executiva de Articulação Internacional, Aquisições e Licenciamentos da TV Brasil, Silvio Da-Rin, fez um resgaste histórico elencando pontos nos quais as relações entre o cinema e a televisão nacional foram distanciadas. A reativação dos laços entre ambos foi enfatizada por Da-Rin no papel do sistema público no escoamento da produção na ainda predominante TV aberta.

Silvio, que também é diretor de cinema, citou levantamento da Ancine, no qual constatou que as emissoras do campo público são as que mais dão valor aos produtos audiovisuais brasileiros. Em 2009, quase todos os filmes exibidos (95,7%) pela TV Brasil eram nacionais. Em segundo lugar a TV Cultura atingiu 49,9% de sua grade. Por sua vez, a Globo, maior televisão do país, quase não deu vazão a produção brasileira: 82% dos filmes eram estrangeiros.

No encerramento do Congresso, a diretora da TV Brasil, Tereza Cruvinel, fez um discurso relevando a importância da parceria com a produção audiovisual independente nacional, o que foi considerado uma sinalização positiva de reaproximação da emissora com o CBC.

Nas resoluções finais do 8º CBC foi mencionado apoio as emissoras públicas regionais terem um operador de rede digital próprio, a fim de desenvolver mais canais regionais com qualidade de transmissão parelha. Ainda sobre a regionalização, o Congresso solicitou entre suas resoluções a regulamentação do Artigo 221 da Constituição, pleiteando reserva de 30% do conteúdo da televisão aberta para produção independente e regional.

MPF acusa Globo e Clube dos Treze por prática de cartel

O Ministério Público Federal (MPF) divulgou nesta terça-feira (14) parecer emitido contra a TV Globo e o Clube dos Treze por prática de cartel em processo que tramita no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para o MPF, a emissora deve ser condenada por se unir a TV Bandeirantes para cobrir proposta do SBT, além de exercer influência direta sobre o formato de venda dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Já o Clube dos Treze é acusado de executar contratos sob regime de exclusividade.

Em defesa a emissora alega que a preferência é competitivamente neutra, uma vez que não impede o acirramento da concorrência a cada fase de renovação de contrato. Já o Clube defende que a exclusividade não implicaria dano à concorrência, mas apenas uma garantia da transmissão a quem compra o produto.

Segundo a Secretaria de Direito Econômico (SDE), responsável pela investigação de práticas anticoncorrenciais, os direitos de transmissão devem ser vendidos em três pacotes separados, evitando a venda conjunta. Além disso, a SDE sugere que seja proibida a cláusula de direito de preferência na renovação em todos os contratos.

Para o MPF, a emissora e o clube de futebol compactuaram na venda da transmissão de partidas com exclusividade. A Globo Comunicações teria atuado de maneira anticompetitiva junto ao Clube ao exigir a preferência na hora de renovar os contratos.

"A prática teve efeitos anicompetitivos. O Clube dos Treze e a Globo limitaram e prejudicaram a livre concorrência ao usar a cláusula de preferência”, explicou procurador regional da República e representante substituto do MPF junto ao Cade, Marcus da Penha Souza Lima.

A TV Globo ainda teria desrespeitado a Constituição Federal, que determina que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. A emissora e os clubes são acusados de impedir o acesso de novas empresas no mercado e criar dificuldades ao desenvolvimento de concorrentes.

O MPF pede que seja instaurado novo processo administrativo para investigar e avaliar melhor as condutas de venda de transmissão e os possíveis efeitos anticompetitivos.

Apenas 20% da população mundial acessa a internet, diz fundador da web

LONDRES – Apenas 20% da população mundial de 6,9 bilhões de pessoas usa a internet, enquanto os 80% restantes tem acesso ao sinal, mas não conseguem utilizá-lo, afirmou nesta quarta-feira o fundador da web, Tim Berners-Lee.

Isso significa dizer que 1,38 bilhão de pessoas estão conectadas, ao passo que 5,52 bilhões estão de fora da rede mesmo em localidades com algum tipo de sinal, capaz de ser acessado por telefone celular ou computador.

"Existem bilhões de pessoas no mundo com necessidade de acesso a água, vacinas e uma lista de outras assistências em saúde. A internet tem um papel instrumental muito importante e pode ser uma ferramenta chave para manter essas pessoas informadas", disse durante o Nokia World, evento da fabricante finlandesa que acontece nesta semana em Londres.

No ano passado, Berners-Lee criou a World Wide Web Foundation, uma organização não-governamental destinada a disseminar o acesso à internet pelo mundo. Entre os programas está auxiliar operadoras de telefonia celular ou provedores de acesso a desenvolver pacotes de acesso a internet viáveis para populações carentes.

Ao mesmo tempo, os esforços envolvem discussões com fabricantes de telefones celulares para a criação de aparelhos de baixo custo e com navegadores de internet para facilitar o acesso.

"É importante que se criem programas de acesso baratos, especialmente em telefones celulares que devem ser os principais vetores de acesso à rede", disse.

A criação de alternativas de conexão baratas, especialmente para os países emergentes, foi um dos temas do evento, que termina nesta quarta. Um dos exemplos apresentados foi o da operadora Telkomsel, da Indonésia.

"O país tem uma base de telefones pré-pagos grande e a alternativa foi criar pacotes diários e baratos de acesso a dados para quem precisar de conexão", disse a Folha Rachel Goh, vice-presidente de produtos. Os pacotes de dados diários custam a partir de US$ 0,05 e podem variar até US$ 0,20. Já o pacote mensal custa em média US$ 5.

A alternativa já existe no Brasil, onde algumas operadoras já oferecem o modelo de internet pré-pago, embora o serviço diário a partir de 10 vezes o valor cobrado na Indonésia por modelos de conexão semelhantes. Parte da explicação está na carga tributária de 44% incidente sobre o serviço. O volume de impostos no Brasil é o segundo maior do mundo, atrás apenas da África do Sul, com 49%.