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Congresso e governo começam a debater marco regulatório

Três projetos de lei tramitam na Câmara dos Deputados com o objetivo de introduzir mudanças na atual legislação de comunicação.

Os três são motivados pelo cenário caótico de nossa legislação. TV aberta e rádio são regulados pelo Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT), do distante ano de 1962. As telecomunicações estão amparadas na Lei Geral de Telecomunicações (LGT), de 1997, que, ao retalhar o país em monopólios regionais e propor uma regulação por tecnologias, já nasceu na contramão das tendências mundiais. Já as TVs pagas são reguladas por uma miríade de leis, decretos, portarias e normas que muitas vezes, inclusive, se contradizem.

Com o cenário de convergência tecnológica e de concentração empresarial era óbvio que a legislação brasileira teria que mudar e as primeiras iniciativas partiram justamente dos principais interesses econômicos envolvidos.

O Projeto de Lei (PL) de autoria do deputado Paulo Bornhausen (PFL-SC) não deixa dúvidas sobre seus interesses ao afirmar que "é livre a programação, o provimento e a comercialização de conteúdo eletrônico por e para qualquer prestadora de serviços de telecomunicações, nos termos desta Lei, para posterior distribuição ao usuário final".

Já o PL do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) afirma que conteúdo nacional é aquele "direcionado originalmente aos brasileiros, independentemente do idioma utilizado, de dublagem ou legendação para a língua portuguesa" e que "a produção e a programação e provimento de conteúdo nacional a ser distribuído por qualquer meio eletrônico e independentemente das tecnologias de que faça uso, somente poderão ser explorados por brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou por pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras, nas quais ao menos 70% do capital total e do capital votante deverão pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos".

Ambos são projetos curtos que não tocam nos principais efeitos da convergência e procuram apenas defender, respectivamente, os interesses de empresas de telecomunicações e de radiodifusores.

O terceiro PL, de autoria de Walter Pinheiro (PT-BA) e Paulo Teixeira (PT-SP), tem mais fôlego, mas se contenta em introduzir salvaguardas democráticas na atual legislação do setor.

Por outro lado, segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa, o governo deverá criar nos próximos dias um grupo interministerial para discutir a proposta de um novo marco regulatório para as comunicações. Ainda segundo Costa, em reunião com representantes da sociedade civil, o seu ministério pretende constituir um conselho consultivo (com representantes de diversos setores) para auxiliar a tarefa do governo. Se for levado a sério, uma iniciativa como esta teria que rever toda a legislação brasileira no campo das comunicações.

Resta saber como convergirão as iniciativas do Congresso e do governo e qual o real poder de influência que a sociedade civil terá nesse processo. E, por fim, como o governo Lula, famoso por se paralisar nas grandes disputas, se comportará diante da guerra que se avizinha entre radiodifusores, operadoras de telecomunicações e, num terceiro flanco, as entidades que lutam pelo direito humano à comunicação.

Retardando a discussão

Ao que tudo indica, os radiodifusores ficaram descontentes com a escolha do relator dos três projetos de lei, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), e pediram ao presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que os projetos tramitem antes na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio. Normalmente, os projetos deveriam tramitar apenas nas comissões de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) e Constituição e Justiça.

>> Os três PLs podem ser encontrados em site do Indecs e no Observatório do Direito à Comunicação.

 

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Teles fixas vão oferecer plano alternativo para internet discada

O Ministro Hélio Costa, das Comunicações, anunciou nesta segunda feira, 7, um acordo com as concessionárias de STFC (Serviço Telefônico Fixo Comutado) para aumentar o acesso por linha discada à internet. Por R$ 7,50 (com impostos) incluído no Plano Básico da Telefonia Fixa, o usuário terá direito a uma franquia de 600 minutos mensais de acesso à internet. Este tempo não inclui o período de tarifação reduzida em que cada acesso à internet custa um pulso e depois da conversão pulso-minuto, o equivalente a dois minutos de conversação. Na avaliação do ministério o tempo diário médio (30 minutos se contados apenas os dias úteis) são suficientes para resolver muitas questões pela internet. Ainda de acordo com a avaliação do Minicom, de 2 a 3 milhões de pessoas podem ser incluídas na internet com este novo plano. O preço não inclui o provedor de internet.

O que as empresas ganham

A previsão é que a nova modalidade de acesso seja oferecida a partir de julho próximo. Como se trata de um plano alternativo, as empresas devem apresentar suas propostas à Anatel. Quando estas forem aprovadas, os usuários já poderão solicitar o serviço. Segundo representantes das concessionárias, a vantagem das empresas está em criar um mercado de acesso à internet pois o usuário de linha discada é um potencial usuário de banda larga em futuro breve. Na prática estes R$ 4,88 por mês (valor sem o ICMS de 35% em média) hoje não fazem parte da renda das empresas porque os usuários de internet discada migraram para os horários noturnos com raras exceções. Na pior das hipóteses (2 milhões de usuários) serão Ou seja: R$ 9,7 milhões/mês ou R$ 116 milhões por ano.

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Rádio é condenada por trocar nomes em notícia policial

Uma rádio e um radialista foram condenados a pagar, em conjunto, R$ 7 mil reais por trocar os nomes de pai e filho em uma notícia de infração de trânsito. A decisão é da 1ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Para os desembargadores, ficaram comprovados os danos sofridos pelo pai do infrator. Em abril de 2005, o radialista, em seu programa, divulgou a notícia de que Nivaldo havia sido preso por dirigir embriagado. Entretanto, quem foi detido em flagrante pela polícia foi seu filho, Norivaldo. Com a repercussão da notícia em Lauro Müller (SC), cidade com menos de 15 mil habitantes, Nivaldo passou por constrangimentos e foi alvo de piadas e brincadeiras.

O radialista foi condenado, junto com a rádio, por ter se referido ao caso de modo pejorativo. “Não bastasse a culpa grave consistente na falsa imputação de crime, quepor si só já seria suficiente para a configuração do dano moral, verifica-se que o locutor da rádio em muito excedeu o limite (…), proferindo expressões de cunho desqualificativo, de forma a denegrir a imagem do autor”, afirmou o relator do processo, desembargador Marcus Tulio Sartorato.

A emissora admitiu o erro, mas culpou um policial militar pela informação equivocada. Para o PM, foi a rádio que trocou os nomes, garantindo que o boletim de ocorrência policial citava o nome do filho. De acordo com o relator, não há como responsabilizar o PM, já que não ficou comprovada a troca de nomes por ele.

OAB cobra punição de envolvidos em assassinato

O presidente nacional da OAB, Cezar Britto, cobrou das autoridadesa investigação da morte do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho e a punição dos envolvidos. O jornalista foi assassinado no sábado (5/6) em Porto Ferreira, no interior de São Paulo.

Há três anos, ele denunciou um esquema de aliciamento de menores envolvendo políticos e donos de empresas dePorto Ferreira. As informações são da agência de notícias G1 .

Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (7/5), Cezar Britto classificou a morte do profissional como um “crime de lesa-democracia”. “Toda vez que um jornalista sofre qualquer tipo de violência e constrangimento em face do exercício de sua profissão, a vítima não é apenas ele: é a sociedade e o Estado democrático de Direito”, declarou.

A reportagem em que denunciou o esquema de exploração sexual de meninas adolescentes por pessoas influentes na cidade, publicadas no Jornal Realidadede Porto Ferreira, valeu para Barbon a indicação para a final do Prêmio Esso de Jornalismo, categoria Interior, em 2003.

A polícia, que não tem pistas dos assassinos, acredita que a morte do jornalista pode ter sido encomendada. Mesmo estando acompanhado de amigos, no bar, Barbonfoi o único atingido pelos tiros.

Leia a íntegra da nota da OAB

Toda vez que um jornalista sofre qualquer tipo de violência ou constrangimento em face do exercício de sua profissão, a vítima não é apenas ele: é a sociedade e o Estado democrático de Direito.

No casodo jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, executado covardemente no último sábado, em São Paulo, há claros sinais de que sofreu retaliação em face de denúncias que veiculou pela imprensa.

É, portanto, crime de lesa-democracia, que precisa ser apurado e punido.

Cezar Britto Presidente do Conselho Federal da OAB

 

Telefone para surdos cresce em vendas

A Lei de Cotas (nº 8.213/91) e outras leis que tratam de inclusão de deficientes de todos os tipos, e o aumento da conscientização da responsabilidade social das empresas, que buscam cada vez mais tratar igualmente todos os seus consumidores e clientes, podem impulsionar o mercado de produtos de telefonia específicos para este público. Segundo o último censo do IBGE, de 2000, 14,5% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, o que equivale a 24,6 milhões de pessoas.

Um exemplo de mercado direcionado é a Koller, empresa especializada em tecnologia da comunicação para a comunidade surda e pessoas com deficiência auditiva. Fundada há 11 anos, a empresa fabrica terminais de telefones públicos e comerciais/residenciais para portadores de deficiência auditiva. Chamados de TPS (Telefones Para Surdos), os terminais, que custam cerca de R$ 2 mil, possuem um teclado e visor acoplado, de modo que a comunicação telefônica possa se dar por meio de textos – que são lidos por uma operadora, no caso da ligação ser dirigida a alguém que escute, ou reproduzidos diretamente a outros terminais com a mesma tecnologia, para serem lidos.

A empresa também fabrica orelhões com estatecnologia, denominados TTS (Terminais Telefônicos para Surdos). Segundo Paulo Farah, gerente comercial da Koeller, a estimativa de vendas para 2007 é de 4 mil unidades de TTS e de 15 mil TPS. Ele avalia que o tamanho do mercado seja de 6 milhões de pessoas, de acordo com o IBGE, mas “a FNEIS (Federação Nacional de Estudo e Integração do surdo) acredita que este número pode chegar a mais de 10 milhões, pois muitas pessoas que perderam a audição ao longo da vida não entram no censo, pelo menos até o próximo censo ou outra medição mais específica”, diz.

Sem informar números, Farah afirma que a expectativa é aumentar o faturamento em 80% neste ano, em grande parte devido à venda de dispositivos como despertadores que vibram e centrais de atendimento aos surdos, chamadas de CAS. Este aparelho permite que o deficiente consiga se comunicar com centrais de atendimento ao consumidor das empresas que possuam o dispositivo, utilizando TTS ou um TPS. Mais de 50 centrais de atendimento ao consumidor de todo o país possuem o aparelho, cujo preço varia de R$ 75 mil até R$ 350 mil, dependendo do tamanho e necessidade da empresa.

A pessoa que recebe as ligações recebe umtreinamento sobre cultura, linguagem e gramática específicas para atendimento a deficientes. Como deficientes auditivos têm dificuldades em distinguir perfeitamente alguns fonemas, raramente são usados artigos e preposições, e, para evitar confusões, palavras como cheque sem fundo, são substituídas por “cheque sem dinheiro”.

 

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