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Ministério Público cobra governo por ceder a TVs

O Ministério Público Federal irá se reunir com o Ministério da Justiça (MJ) amanhã a fim de questionar por que o órgão cedeu à pressão das TVs e adiou a obrigatoriedade do respeito aos fusos horários do país.

Portaria de classificação de programas de TV, assinada pelo MJ em julho de 2007, deu 180 dias para que as redes adequassem a programação em locais que têm de uma a três horas de atraso em relação a Brasília (somado o horário de verão). O "Big Brother", por exemplo, classificado para 22h (impróprio a menores de 16 anos), não poderia entrar às 19h no Acre e em parte do AM.

O prazo se encerrou na última quarta-feira, dia 9, mas em reunião realizada na véspera, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., concordou em dar mais 90 dias às TVs.

Amanhã, ele receberá um grupo de procuradores de vários Estados coordenado por Ela Wiecko, chefe da Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos. Segundo Marcus Vinicius Aguiar Macedo, procurador-chefe da República no Estado do Acre, que estará no encontro, a intenção é pedir a Tuma Jr. "esclarecimentos" sobre a prorrogação do prazo. "Queremos que o adiamento seja revisto ou, ao menos, garantias de que será o último."

Sem censura

O novo prazo dura aproximadamente o tempo do "BBB", o que livrou a Globo de mudar sua programação regionalmente para exibir o reality às 22h em todo o país. Enquanto isso, a oitava edição mal começou e já está "fervendo". Anteontem, a Globo mostrou participantes, bêbados com cervejas fornecidas pela produção, em danças que tornam "santa" a polêmica "pole dancing" de "Duas Caras". A câmera deu um close na passada de mão que Fernando deu na "namorada" Natália, como mostra a imagem abaixo.

Anatel defende mais empresas que consumidor e está em crise, diz ouvidor

A Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações ainda não encontrou um equilíbrio entre a defesa dos interesses dos consumidores e das empresas concessionárias dos serviços de telecomunicações. Após dez anos da privatização do setor, esta é a avaliação de Aristóteles dos Santos, ouvidor da agência, que divulgou nesta segunda-feira, 14, relatório com duras críticas a atuação da autarquia federal. A ouvidoria afirma que o órgão prioriza defender as empresas em detrimento da sociedade e não cumpre suas obrigações no âmbito da regulamentação das políticas setoriais.

O relatório foi entregue ao presidente Lula na última sexta-feira, 12.  No texto, o ouvidor afirma que a agência está em crise e que é "completa a distância da Anatel dos interesses dos cidadãos". Segundo Santos, a agência não tem correspondido ao seu papel legal e precisa ser revista com urgência. "A Anatel, por não cumprir ou não fazer cumprir integralmente os propósitos que justificam a sua criação, vive, a nosso ver, uma relevante crise existencial".

O texto do ouvidor não chega a dizer diretamente que a agência foi capturada pelas empresas, mas suas declarações não deixam dúvidas de que, na sua opinião, a Anatel estaria defendendo apenas o interesse dos investidores. "Desestatizado o setor e instituída a Anatel, o seu corpo técnico absorveu o discurso oficial e incorporou dentre as suas atividades a prioridade de assegurar às prestadoras o prometido retorno do capital. Dessa forma, a agência, tendo absorvido tal obrigação como prioritária, acabou por colocar em risco a sua independência, risco este posteriormente agravado diante do extraordinário poder de influência dos novos concessionários".

De acordo com Aristóteles Santos, a agência reguladora "não conseguiu ter a desenvoltura suficiente para manter uma relação isonômica com os regulados” e os efeitos da opção feita pela Anatel estariam sendo sofridos atualmente pela sociedade: falta de competição; alto custo da assinatura básica do STFC (telefonia fixa); nenhuma iniciativa concreta em viabilizar o Aice – Acesso Individual Classe Especial e a telefonia rural; e o descaso no atendimento aos cidadãos.

Nem o conselho diretor da agência foi poupado e foi considerado por Santos insensível às políticas sociais. "Só podemos inferir que o Conselho Diretor da agência, com a composição de então, tendo uma conhecida predominância conservadora, por mais que se esforçasse, não conseguiria se revestir de sensibilidade social” afirma o relatório. Ele salientou que a agência foi fragilizada conceitualmente e que só agora o conselho está formado de integralmente por conselheiros indicados pelo presidente Lula.

Segundo o relatório, um exemplo da falta de foco na defesa dos interesses dos consumidores foi o trabalho na regulamentação do Aice. Fracassado em sua implantação, o pacote de telefonia para a baixa renda seria a demonstração da "incapacidade da Anatel em estabelecer os regulamentos que assegurassem a implementação das políticas públicas determinadas pelo atual governo".

Atendimento precário

O atendimento ao cidadão é, segundo o relatório, a maior fragilidade da Anatel. “Tal fragilidade começa pela própria estrutura organizacional, onde as gerências, ‘protegidas’ por esta estrutura organizacional, somente se responsabilizam pelas suas atividades institucionais, não respondendo por nada que diga respeito ao usuário”. Com isso, o imenso número de reclamações que chegam através da Central de Atendimento, as quais deveriam servir para orientar o planejamento estratégico “se perdem em um amontoado de arquivos eletrônicos”.

As “Salas do Cidadão”, desconhecidas pela maioria dos consumidores, também receberam duras críticas. “Mal localizadas, sem infra-estrutura, sem gerenciamento, sem vinculações administrativas, somente reforçam o conceito de desprestígio do usuário frente à Agência”, relata o texto da ouvidoria.

Além disso, o relatório aponta que há excesso de tempo nas respostas aos cidadãos, sendo que novos questionamentos não são sequer apreciados pelas empresas; que existe “retrabalho” gerado pela baixa qualidade das informações prestadas e; que mesmo quando os questionamentos são feitos à própria Anatel, a agência normalmente não responde ao cidadão.

Tarifas elevadas

O ouvidor também responsabiliza a Anatel pela alta dos preços da telefonia, sugerindo que o faturamento das companhias tem sido protegido pelo discurso de que o setor ainda é deficitário. "Parece que não há consistência nessa análise da área técnica", afirmou Santos, que deve apresentar um novo relatório apenas sobre este tema.

Ele fez críticas aos valores cobrados pela assinatura básica da telefonia fixa, cujo valor gira em torno de R$ 40,00 e são pagos mensalmente. Ele lembrou que, em 1998, ano em que o setor de telefonia fixa foi privatizado, a assinatura custava R$ 13,00. Isso significa um aumento de mais de 200% desde então para uma inflação de 83%. Segundo ele, 50% do faturamento das fixas são garantidos pela cobrança da assinatura e já estaria no momento do setor compartilhar esses ganhos com a sociedade. “A assinatura mensal retira da sociedade brasileira algo em torno de R$ 1,6 bilhão todo o mês”, afirma o ouvidor.

O ouvidor também criticou a Anatel pelo fato da agência estar deixando o monopólio da telefonia fixa se ampliar para a banda larga. “Não se pode negar que, a cada dia que se passa sem competição nestes serviços, as concessionárias usufruem financeiramente dos seus monopólios, em detrimento da sociedade”, afirma Santos. E defende que seja implementada, efetivamente, a desagregação das redes, para quebrar os monopólios privados regionais.

Aristóteles Santos reserva uma pequena parte elogiosa às iniciativas da Anatel, quando o tema é a incorporação dos preceitos do Código de Defesa do Consumidor nos novos regulamentos do STFC e do SMP (telefonia móvel), afirmando que hoje, diferentemente de períodos anteriores, a agência “mostrou-se capaz de assimilar os avanços propostos pelo Governo atual”, demonstrando disposição e vontade de cumprir seu papel.

Sugestões e desafios

Em suas considerações finais, o relatório da ouvidoria sugere que a Anatel aproveite a sua reestruturação para repensar seu papel mais amplamente e que tal mudança não vise apenas a agilidade dos processos administrativos. "Acho que a Anatel vive uma crise de crescimento, relacionada à adolescência", afirmou Santos na apresentação do relatório.

Uma das propostas apresentadas é que a agência se envolva mais no Programa Nacional de Banda Larga, encabeçado pela Casa Civil, inclusive com propostas de uso do Fust – Fundo para a Universalização dos Serviços de Telecomunicações para estimular a criação de uma infra-estrutura pública para o tráfego de dados.

Para ter acesso ao relatório, clique aqui.

* Com informações da Tela Viva News, do Portal Imprensa e da TeleSíntese.

Anúncio do fim da publicidade nas TVs públicas causa apreensão

"A telenovela da televisão pública está apenas começando." Foi com esta frase que o jornal Libération terminou, na sexta-feira (11/1), o editorial assinado por Didier Pourquery sobre o principal assunto do dia: a supressão da publicidade nas televisões públicas francesas, reunidas na holding France Télévisions.

A notícia deixou os jornalistas dos vários canais públicos perplexos, apesar das explicações dadas pelo presidente para a medida, que deve entrar em vigor em 2009. A supressão da publicidade é justificada por um pacote de boas intenções: libertar os canais públicos da ditadura do ibope e, conseqüentemente, melhorar o nível dos programas. O problema é que os 800 milhões de euros que entram por ano de publicidade serão substituídos por uma nova fonte ainda por vir : um imposto sobre as TVs e sobre as teles privadas.

Há quem veja nessa medida, que reflete tão-somente a vontade do presidente Nicolas Sarkozy – o ministro da Cultura e o presidente de France Télévisions disfarçaram o fato de não terem monitorado o projeto –, um presente real feito a seu grande amigo Martin Bouygues, proprietário da maior rede privada do país, a TF1, privatizada em 1987, e que já é, por acaso, o canal de maior receita publicitária e que deverá ser o maior beneficiário de um fluxo de publicidade que tenderá a migrar para seus programas campeões de audiência.

Condição necessária

Jornalistas que trabalham nos canais públicos fizeram assembléias gerais para discutir o tema que preocupa a todos. Seria um primeiro passo para mais privatizações? A preocupação não é delírio paranóico de alguns "retrógrados esquerdistas" defensores do serviço público, como poderia parecer. Principalmente quando se sabe que o presidente do partido do presidente, Patrick Devedjian, se perguntava se não haveria "canais demais" públicos e defendia abertamente "algumas privatizações".

O mais surpreendente de todo esse novo espetáculo do sarkoshow (a medida foi anunciada com uma mise-en-scène digna de um grande espetáculo) é que o ex-primeiro-ministro socialista Michel Rocard veio em defesa do projeto de Sarkozy. Rocard disse que a decisão é uma batalha de longa data travada por ele durante o governo Mitterrand, que preferiu não aplicar a medida que suprimiria a publicidade das emissoras públicas de TV na França. Hoje, há mais de seis canais públicos, sem contar Arte, a supercult TV pública franco-alemã, um verdadeiro oásis de bom-gosto e programas de altíssimo nível num panorama audiovisual que prima pela corrida para conquistar audiência a qualquer custo.

"Depois de termos consultado os sindicatos e as associações de pais de alunos, recomendaremos também a supressão da publicidade no serviço público, pois essa é uma condição necessária para a revalorização das missões de educação e de informação que são próprias desse serviço", declarou Rocard ao jornal Le Monde. O ex-primeiro-ministro é membro da comissão designada pelo governo para estudar a evolução do trabalho dos professores e da educação pública como um todo na França.

Fusão de operadoras exigirá mudanças no Plano Geral de Outorga, diz especialista

Brasília – A possível fusão da Telemar Participações, que controla a operadora Oi, com a Brasil Telecom Participações S.A, anunciada em carta aos acionistas nesta semana, exigirá mudanças no Plano Geral de Outorga. Criado com a privatização das empresas de telecomunicações, o plano visa a impedir a concentração de mercado nas mãos de poucas operadoras, o que caracterizaria monopólio. Essa mudança poderá ocorrer através de um decreto presidencial.

Monopólio é uma situação em que não há concorrência entre as empresas. Por causa disso, as operadoras podem praticar os preços que quiserem pelos bens ou serviços oferecidos aos usuários, o que é ruim para o consumidor.

O especialista e professor do Departamento de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, Marcos Dantas, disse que as empresas privadas podem fazer negócios e cabe aos órgãos de regulamentação e de controle examinarem se as transações estão de acordo com a legislação em vigor.

“Eles não iriam fazer isso, se já não existisse um encaminhamento político dessa questão. Provavelmente já há uma grande negociação com o governo; há interesse de setores do governo para que essa fusão ocorra; até o ministro das Comunicações [Hélio Costa] um ano atrás falou nisso. Então se eles estão falando isso agora é porque já existe um encaminhamento político dessa questão junto às esferas governamentais”.

Para Dantas, que foi secretário de Planejamento e Orçamento do Ministério das Comunicações e fez parte do Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a fusão é vantajosa para o país, que não tem uma grande empresa de telecomunicações que possa operar nacional e internacionalmente. Além disso, ele acredita que a transação vai possibilitar que a Telemar tenha maior atuação no mercado das Regiões Norte e Nordeste, o que “vai beneficiar as populações mais pobres do Brasil”.

A Anatel, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Ministério das Comunicações não quiseram se manifestar sem uma decisão oficial sobre a negociação. A Comissão de Valores Imobiliários (CVM) informou, por e-mail encaminhado à Agência Brasil, que “a CVM está atuando para que as companhias envolvidas prestem ao mercado o melhor esclarecimento possível sobre negócios eventualmente em andamento.

MPF e PF investigam emissora de filho de Edison Lobão

O Ministério Público Federal no Maranhão investiga se uma emissora de TV de Edison Lobão Filho – filho e primeiro suplente do senador Edison Lobão (PMDB-MA), cotado para assumir o Ministério de Minas e Energia – foi irregularmente arrendada para uma ONG do Rio de Janeiro.

Na esfera criminal, a Polícia Federal apura se houve crime de atividade ilegal de serviço de telecomunicação com o suposto arrendamento da TV Difusora, que retransmite a programação do SBT.

A investigação começou a partir de representação do Sindicato dos Jornalistas de Imperatriz, que consultou a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) sobre a legalidade da possível operação. Segundo um diretor do sindicato, a resposta foi que a ONG Idetec (Instituto de Desenvolvimento Tecnológico) não tem a concessão da TV, e, portanto, não detinha o direito de gerenciá-la.

A Anatel informou ontem que não tinha de condições de avaliar a regularidade da suposta negociação sem ter acesso a detalhes do contrato.

A direção do Sistema Difusora em São Luís disse ontem desconhecer as investigações e negou o arrendamento. O que ocorreu, afirmou, foi que o empresário Ernani Ferraz -responsável pela ONG, segundo a Procuradoria – assumiu o setor comercial da emissora em 2006. A experiência não deu certo e Ferraz foi afastado da emissora no ano passado, informou a direção.

Para a Procuradoria, há indícios de que houve o arrendamento da emissora. Entre eles está a exibição, na programação da TV, de vinhetas sobre a 'nova administração' Ernani Ferraz. A imprensa local também noticiou mudança de comando na TV Difusora, cuja razão social é Rádio Curimã Ltda..

A Procuradoria também apura possíveis fraudes no seguro-desemprego de servidores durante o período que a TV foi supostamente administrada por Ferraz. Houve denúncia de que os funcionários teriam sido demitidos da TV Difusora e readmitidos na nova empresa gestora, mas sem carteira assinada. Com isso, os funcionários estariam acumulando seguro-desemprego e salário.

Em dezembro de 2007, Edison Lobão Filho assinou um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público do Trabalho, em Imperatriz (MA), no qual se comprometeu a registrar todos os servidores.

Lobão Filho é sócio-majoritário da TV Difusora, em Imperatriz, e sócio dos irmãos Márcio e Luciano Lobão no Sistema Difusora de São Luís, segundo maior grupo de comunicação do Estado, atrás apenas do Sistema Mirante, da família Sarney. Em São Luís, além da TV, o Sistema Difusora tem uma rádio AM e uma FM.

Outro lado

A Folha não conseguiu contato com Lobão Filho ontem. Na sede do Sistema Difusora em São Luís, a informação era de que ele estava viajando sem celular e que não poderia ser localizado.

O diretor-geral da emissora em Imperatriz, José Coelho Júnior, disse que só cuidada parte comercial da emissora e que só Lobão Filho poderia comentar as investigações.

O empresário Ernani Ferraz também não foi localizado. A secretária dele informou que ele estava nos Estados Unidos.