{"id":29480,"date":"2016-04-25T10:06:08","date_gmt":"2016-04-25T10:06:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29480"},"modified":"2016-06-14T12:43:38","modified_gmt":"2016-06-14T12:43:38","slug":"governo-e-pt-pagam-a-conta-por-nao-investir-em-agencia-de-noticias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=29480","title":{"rendered":"Governo e PT pagam a conta por n\u00e3o investir em ag\u00eancia de not\u00edcias"},"content":{"rendered":"<p>Aus\u00eancia de ag\u00eancia que informe a imprensa estrangeira sobre o Brasil deixa a narrativa nas m\u00e3os de grupos privados<\/p>\n<p><em>A crise pol\u00edtica que o Brasil vive virou manchete na imprensa internacional. Mas como essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o produzidas e qual rela\u00e7\u00e3o existe entre esse processo e a arquitetura do sistema de comunica\u00e7\u00e3o brasileiro? Para compreender essas quest\u00f5es, o Intervozes convidou o jornalista e pesquisador Pedro Aguiar para abordar a situa\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias de not\u00edcias em nosso pa\u00eds e em outras na\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><strong>Por Pedro Aguiar*<\/strong><\/p>\n<p>Os correspondentes que cobrem a crise pol\u00edtica brasileira agora j\u00e1 entendem um pouco melhor os meandros do nosso sistema pol\u00edtico. Quando come\u00e7aram a mandar mat\u00e9ria, no segundo semestre do ano passado, sobre a crise em curso, a maioria estava bastante perdida.<\/p>\n<p>Mesmo alguns que j\u00e1 est\u00e3o baseados no Pa\u00eds h\u00e1 anos tiveram certa dificuldade para explicar como \u00e9 que uma presidenta sabidamente ilesa de qualquer acusa\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o estava sofrendo impeachment por uma tecnicalidade cont\u00e1bil e n\u00e3o por acusa\u00e7\u00e3o objetivamente relacionada ao esc\u00e2ndalo da investiga\u00e7\u00e3o <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/cartacapital.com.br\/especiais\/operacao-lava-jato\" target=\"_blank\">Lava Jato<\/a>.<\/p>\n<p>Rep\u00f3rteres estrangeiros expatriados no Brasil vivem o que chamo de \u201cS\u00edndrome de Magu\u201d, em refer\u00eancia ao antol\u00f3gico personagem criado por Fritz Utzeri (1944-2013).<\/p>\n<p>Com seu humor sarc\u00e1stico, o premiado jornalista inventou, em suas cr\u00f4nicas, o infeliz Harald Magnussen, o \u201cMagu\u201d, correspondente do fict\u00edcio jornal sueco <i>Montbl\u00e4at<\/i>, que sofria de descr\u00e9dito junto ao editor para quem mandava mat\u00e9rias do Brasil. Da long\u00ednqua e perfeitinha Su\u00e9cia, o chefe n\u00e3o conseguia acreditar nas rocambolescas, por\u00e9m reais, tramas da pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Certa vez, o editor deu a Magu o prazo de 24 horas para desmentir a exist\u00eancia do PMDB. \u201cComo \u00e9 poss\u00edvel que exista um partido que seja, ao mesmo tempo, da oposi\u00e7\u00e3o e do governo? Isso \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel! Ou voc\u00ea para de beber ou vai para o olho da rua!\u201d, vociferava o chefe sueco contra o pobre correspondente, numa cr\u00f4nica de julho de 2005.<\/p>\n<p>\u00c9, no entanto, exatamente essa a fun\u00e7\u00e3o dos correspondentes. Eles precisam n\u00e3o s\u00f3 explicar, mas frequentemente convencer os seus superiores e colegas nos pa\u00edses de origem de que estamos, sim, \u00e0 beira de um impeachment sem crime, ref\u00e9ns de um<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/cartacapital.com.br\/politica\/eduardo-cunha-e-primeiro-reu-da-lava-jato-no-stf\" target=\"_blank\">parlamento cujo presidente da c\u00e2mara baixa \u00e9 r\u00e9u por corrup\u00e7\u00e3o<\/a>, mas campe\u00e3o da moralidade, em que setores da social-democracia pedem a volta do autoritarismo e em que a esquerda corteja o apoio do partido da ditadura militar para tentar se sustentar no poder.<\/p>\n<p>E essa tarefa seria bem menos \u00e1rdua se o Pa\u00eds contasse com um aparato institucional de distribui\u00e7\u00e3o de not\u00edcias sobre n\u00f3s mesmos e que fossem escritas pelos nossos pr\u00f3prios jornalistas, nas l\u00ednguas estrangeiras.\u00a0Isso seria feito com uma ag\u00eancia de not\u00edcias internacional. Mas n\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil fez uma op\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica por n\u00e3o ter uma ag\u00eancia de not\u00edcias voltada para fora, publicando em ingl\u00eas e em espanhol, dada a nossa inser\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, e <i>enviando<\/i>\u2013 n\u00e3o s\u00f3 publicando, mas fazendo a log\u00edstica da informa\u00e7\u00e3o da fonte at\u00e9 o cliente, at\u00e9 que chegue nas m\u00e3os dos jornalistas estrangeiros \u2013 esse tipo de conte\u00fado.<\/p>\n<p>Fizeram essa op\u00e7\u00e3o tanto o governo, que em 13 anos de PT abdicou de construir uma pol\u00edtica nacional de comunica\u00e7\u00e3o, confiando na docilidade da m\u00eddia privada nacional, quanto os empres\u00e1rios dessa pr\u00f3pria m\u00eddia, que nunca articularam uma ag\u00eancia cooperativa formada por <i>joint-venture<\/i> entre os principais jornais brasileiros, como s\u00e3o a<em>Associated Press<\/em> norte-americana, a <em>Ansa<\/em> italiana, a <em>DPA<\/em> alem\u00e3 e a <em>Kyodo<\/em> japonesa, entre muitas outras.<\/p>\n<p>Todas essas ag\u00eancias s\u00e3o resultado da associa\u00e7\u00e3o entre os jornais, revistas e emissoras de seus respectivos pa\u00edses, que deixam de lado a concorr\u00eancia setorial para montar um servi\u00e7o que beneficie a todos, compartilhando custos de cobertura e de distribui\u00e7\u00e3o externa de seu material original (sem abrir, \u00e9 claro, m\u00e3o do material exclusivo nem dos furos).<\/p>\n<p>Em vez disso, temos basicamente dois tipos de \u201cag\u00eancias\u201d brasileiras: ou a dos conglomerados (<em>Ag\u00eancia Estado<\/em>, <em>Folhapress<\/em>, <em>Ag\u00eancia O Globo<\/em>), que s\u00e3o balc\u00f5es de revenda de fotos e textos j\u00e1 produzidos pelas equipes dos jornais de cada grupo; ou nossa \u00fanica ag\u00eancia de not\u00edcias estatal federal**, a <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/\" target=\"_blank\">Ag\u00eancia Brasil<\/a>, a qual produz uma quantidade \u00ednfima de quatro ou cinco mat\u00e9rias em ingl\u00eas e espanhol por dia (ainda que o trabalho, conduzido pela jornalista Olga Bardawil, seja admir\u00e1vel, respeit\u00e1vel e melhor que nada, j\u00e1 que era rigorosamente nada at\u00e9 2012).<\/p>\n<p>Nos dois casos, essas ag\u00eancias produzem not\u00edcias brasileiras para brasileiros. Para os gringos, de fato, ningu\u00e9m escreve nada.<\/p>\n<p>Mas a \u201cintrospec\u00e7\u00e3o\u201d da <em>Ag\u00eancia Brasil<\/em> n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica causa, e sim um ponto entre uma s\u00e9rie de escolhas pol\u00edticas feitas pelos governos Lula e Dilma. N\u00e3o aderir \u00e0 <em>Telesur<\/em>, criada em 2005 com participa\u00e7\u00e3o de Venezuela, Argentina, Uruguai e Equador, foi uma escolha. Acabar com o Canal Integraci\u00f3n, que produzia conte\u00fado audiovisual em espanhol para a Am\u00e9rica Latina, em 2010, foi outra escolha.<\/p>\n<p>N\u00e3o redistribuir a verba publicit\u00e1ria federal, atribu\u00edda pela Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social (Secom), levando ao sufocamento financeiro de m\u00eddias independentes, inclusive algumas hist\u00f3ricas que tamb\u00e9m tinham edi\u00e7\u00f5es internacionais em outros idiomas, como a<i>Cadernos do Terceiro Mundo<\/i>, foi mais uma escolha.<\/p>\n<p>Tudo isso contribuiu para a manuten\u00e7\u00e3o do isolamento midi\u00e1tico do Pa\u00eds, a despeito de espor\u00e1dicas capas da <em>The Economist<\/em><i>. <\/i>Esse tipo de aus\u00eancia faz o Estado brasileiro pagar caro por n\u00e3o ter quase ningu\u00e9m que entenda de Brasil publicando na imprensa internacional.<\/p>\n<p>No fim de mar\u00e7o, o jornalista Glenn Greenwald notou, <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/theintercept.com\/2016\/03\/18\/o-brasil-esta-sendo-engolido-pela-corrupcao-da-classe-dominante-e-por-uma-perigosa-subversao-da-democracia\/\" target=\"_blank\">em artigo<\/a>, que grande parte da cobertura estrangeira sobre o Brasil \u00e9 feita citando a m\u00eddia corporativa privada brasileira, que tem partido tomado na crise e est\u00e1 longe de tentar isen\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de abril, na TV Brasil, o professor Laurindo Leal Filho, especialista em comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica, <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=APh93jFukXw&amp;feature=youtu.be&amp;t=27m36s\" target=\"_blank\">elogiou o trabalho dos correspondentes<\/a> baseados por aqui, mas notou a dificuldade em manter a soberania informativa sobre as informa\u00e7\u00f5es a respeito do Pa\u00eds e que saem deste.<\/p>\n<p><strong>Brasil est\u00e1 isolado no cen\u00e1rio mundial da produ\u00e7\u00e3o de not\u00edcias<\/strong><\/p>\n<p>Em outros pa\u00edses de mesmo grau de desenvolvimento que o Brasil, como os que comp\u00f5em os BRICS, h\u00e1 alguma ag\u00eancia de not\u00edcias que distribui, de forma permanente, not\u00edcias em ingl\u00eas. Os modelos e arranjos institucionais s\u00e3o variados, mas os exemplos servem para ilustrar as possibilidades de organiza\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias.<\/p>\n<p>A China sustenta a gigantesca <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.xinhuanet.com\/english\/\" target=\"_blank\">Xinhua<\/a>, que presta servi\u00e7o noticioso em dez idiomas, emprega 8 mil jornalistas e tem 138 escrit\u00f3rios espalhados pelo mundo.<\/p>\n<p>A R\u00fassia mant\u00e9m duas ag\u00eancias distintas \u2013 a <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/tass.ru\/\" target=\"_blank\">TASS<\/a>, desde os tempos sovi\u00e9ticos, e a rec\u00e9m-criada <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/br.sputniknews.com\/\" target=\"_blank\">Sputnik<\/a>, que produz conte\u00fado para r\u00e1dio em cinco idiomas e web em 31 idiomas, al\u00e9m de enviar 790 mat\u00e9rias por dia, em m\u00e9dia. A <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.ptinews.com\/\" target=\"_blank\">PTI<\/a>, da \u00cdndia, \u00e9 outro colosso formado pela coopera\u00e7\u00e3o entre jornais concorrentes indianos, com 400 jornalistas que produzem 2 mil mat\u00e9rias por dia.<\/p>\n<p>Para ficarmos s\u00f3 em nossa regi\u00e3o, a Argentina mant\u00e9m a <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.telam.com.ar\/\" target=\"_blank\">T\u00e9lam <\/a>(Telenoticiosa Americana) desde a primeira \u00e9poca de Per\u00f3n. Embora amea\u00e7ada pelos cortes or\u00e7ament\u00e1rios do governo Mauricio Macri, segue como um canal de refer\u00eancia nacional e internacional para bom jornalismo \u2013 e para cobrir as not\u00edcias argentinas.<\/p>\n<p>Os governos da guinada \u00e0 esquerda latino-americana entenderam o potencial multiplicador das ag\u00eancias e, por isso, investiram no setor.<\/p>\n<p>A Venezuela de Ch\u00e1vez remodelou sua antiga Venpress como a <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.avn.info.ve\/\" target=\"_blank\">AVN <\/a>(Agencia Venezolana de Noticias), enquanto o Equador de Rafael Correa estabeleceu a <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/andes.info.ec\/\" target=\"_blank\">Andes\u00a0<\/a>(Agencia de Not\u00edcias del Ecuador y Sudam\u00e9rica), a Bol\u00edvia de Evo Morales criou a <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.abi.bo\/\" target=\"_blank\">ABI <\/a>(Agencia Boliviana de Informaci\u00f3n) e o Paraguai de Fernando Lugo fundou a <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.ip.gov.py\/ip\" target=\"_blank\">IP<\/a>-Paraguay.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses sul-americanos que n\u00e3o t\u00eam ag\u00eancias p\u00fablicas de not\u00edcias s\u00e3o Col\u00f4mbia e Chile, justamente os dois geopoliticamente mais pr\u00f3ximos dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Nenhuma dessas empresas \u00e9 s\u00f3 \u201cum site\u201d, como ocorre com a nossa <em>Ag\u00eancia Brasil<\/em>. Ao contr\u00e1rio desta, as demais contam com estrutura de transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o at\u00e9 os destinat\u00e1rios finais, seja por linha dedicada, intranet ou conex\u00e3o via sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o da ABI e da IP-P, elas operam em mais de um idioma (em geral, pelo menos o nativo e o ingl\u00eas), fazendo da tradu\u00e7\u00e3o parte central de sua rotina produtiva. E, com isso, conseguem tornar-se refer\u00eancia mundial na cobertura do notici\u00e1rio sobre seus respectivos pa\u00edses, especialmente garantindo que os jornalistas estrangeiros tenham acesso aos pormenores do dia a dia.<\/p>\n<p>Mesmo que s\u00f3 publiquem uma pequena fra\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, eles pelo menos recebem e leem conte\u00fados mais completos. Assim, na hora de cobrir uma crise, n\u00e3o partem do zero, mas de uma base informativa constru\u00edda paulatinamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esperar que os jornalistas l\u00e1 fora aprendam portugu\u00eas para nos cobrir com propriedade, factualidade, apura\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e checagem minuciosa. N\u00e3o podemos contar com a boa vontade deles em vir buscar informa\u00e7\u00f5es ver\u00eddicas e de fonte confi\u00e1vel sobre nossa realidade, nosso contexto e nossos processos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos confiar na imparcialidade j\u00e1 h\u00e1 muito abandonada da nossa imprensa privada para ser refer\u00eancia junto aos rep\u00f3rteres e editores do exterior.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio s\u00f3 ser\u00e1 alterado quando o Estado brasileiro contar com uma ag\u00eancia de not\u00edcias voltada para fora, com servi\u00e7o permanente em l\u00edngua estrangeira e volume significativo de<em>output<\/em>, com entrega garantida por canais de distribui\u00e7\u00e3o e log\u00edstica de transmiss\u00e3o pr\u00f3pria e soberana.<\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o ocorre, continuamos largamente ignorados e vistos como ex\u00f3ticos pela cobertura estrangeira \u2013 que, na falta do fluxo cont\u00ednuo de not\u00edcias em l\u00edngua estrangeira, s\u00f3 fala do Pa\u00eds na excepcionalidade de crises ou do pitoresco \u2013, deixando que os outros contem para o mundo os acontecimentos que definem a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><em>*Pedro Aguiar \u00e9 jornalista e doutorando em Comunica\u00e7\u00e3o Social na UERJ.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>** O Intervozes trabalha com o conceito de comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica ao referir-se \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, mas manteve, no texto, o termo apresentado pelo autor que, como convidado do nosso blog, manifestou livremente sua opini\u00e3o sobre os assuntos abordados.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aus\u00eancia de ag\u00eancia que informe a imprensa estrangeira sobre o Brasil deixa a narrativa nas m\u00e3os de grupos privados A crise pol\u00edtica que o Brasil vive virou manchete na imprensa internacional. 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