{"id":28983,"date":"2014-07-11T22:56:45","date_gmt":"2014-07-11T22:56:45","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=28983"},"modified":"2015-08-29T23:11:08","modified_gmt":"2015-08-29T23:11:08","slug":"para-que-usar-o-controle-remoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=28983","title":{"rendered":"&#8220;Para que usar o controle remoto?&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouco mais de oito anos, o jornalista e soci\u00f3logo Laurindo Lalo Leal Filho est\u00e1, desde a estreia, \u00e0 frente do programa VerTV, uma produ\u00e7\u00e3o da TV Brasil, que discute, com especialistas, os conte\u00fados apresentados pela televis\u00e3o brasileira, trazendo uma boa dose de reflex\u00e3o para os telespectadores.<\/p>\n<p>Pesquisador na \u00e1rea de Pol\u00edticas da Comunica\u00e7\u00e3o e professor da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo (ECA-USP), Lalo acompanha as tend\u00eancias e novas abordagens da televis\u00e3o brasileira. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que j\u00e1 escreveu quatro livros sobre a sociedade e a televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 revistapontocom, o apresentador faz uma breve an\u00e1lise da atual programa\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o brasileira. Na opini\u00e3o dele, a audi\u00eancia est\u00e1 mais exigente, mas ainda h\u00e1 muito a se fazer. \u201cInfelizmente o p\u00fablico brasileiro, pela hist\u00f3ria de nossa TV, dificilmente tem a oportunidade de conhecer outros tipos de programas e programa\u00e7\u00f5es. Fica dif\u00edcil para o telespectador exigir n\u00edveis melhores de qualidade sem que ele conhe\u00e7a um referencial desse tipo. S\u00e3o v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es educadas para acreditar que esse modelo de TV \u00e9 o \u00fanico poss\u00edvel de existir\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Acompanhe a entrevista:<\/p>\n<p><strong>Na avalia\u00e7\u00e3o do senhor, qual \u00e9 o m\u00e9rito do VerTV?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Laurindo Lalo Leal Filho \u2013<\/strong> O programa estreou no dia 16 de fevereiro de 2006. Est\u00e1 portanto h\u00e1 mais de oito anos no ar. Acredito que o m\u00e9rito principal tem sido o de colocar em debate o papel da televis\u00e3o na sociedade brasileira sobre a qual ela exerce grande influ\u00eancia. Costumo dizer que a TV no Brasil trata, bem ou mal, de uma gama praticamente universalizada de assuntos, s\u00f3 n\u00e3o trata dela mesma. O VerTV procura, na medida do poss\u00edvel, realizar esse trabalho.<\/p>\n<p><strong>E de que forma isso acontece na pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L.L.L.F. \u2013<\/strong> O programa procura levar ao p\u00fablico an\u00e1lises cr\u00edticas sobre a televis\u00e3o brasileira e, a partir da\u00ed, mostra, com exemplos nacionais e internacionais bem sucedidos, que um outro tipo de televis\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Infelizmente o p\u00fablico brasileiro, pela hist\u00f3ria de nossa TV, dificilmente tem a oportunidade de conhecer outros tipos de programas e programa\u00e7\u00f5es. Fica dif\u00edcil para o telespectador exigir n\u00edveis melhores de qualidade sem que ele conhe\u00e7a um referencial desse tipo. S\u00e3o v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es educadas para acreditar que esse modelo de TV \u00e9 o \u00fanico poss\u00edvel de existir. Uma outra contribui\u00e7\u00e3o do VerTV para esse debate \u00e9 dada pela sua reprodu\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise realizadas por professores em diferentes cursos no pa\u00eds. O programa acabou se tornando um importante instrumento did\u00e1tico, utilizado em salas de aula.<\/p>\n<p><strong>O senhor acabou de falar sobre o p\u00fablico que n\u00e3o tem outras refer\u00eancias de TV. Mas o senhor n\u00e3o acha que essa \u2018audi\u00eancia brasileira\u2019 est\u00e1 mais exigente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L.L.L.F. \u2013<\/strong> Acredito que sim. J\u00e1 houve momentos piores em nossa TV. Basta lembrar o que ocorria nos audit\u00f3rios na d\u00e9cada de 1990. Nessa \u00e9poca surgiu a Ong Tver e depois a campanha \u201cQuem financia a baixaria \u00e9 contra a cidadania\u201d como tentativas de enfrentar aquela situa\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio programa VerTV \u00e9 resultado daquele momento. Essas iniciativas contribu\u00edram para ampliar a vis\u00e3o critica da sociedade sobre os produtos oferecidos pela televis\u00e3o. As coisas mudaram um pouco. J\u00e1 n\u00e3o se v\u00ea, por exemplo, \u201cteste de DNA\u201d nos palcos ou ataques homof\u00f3bicos desferidos por apresentadores. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o exista ainda muito a fazer. A explora\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia como espet\u00e1culo segue revelando os n\u00edveis ainda rasteiros de nossa TV. Mas creio que o principal fator do aumento das exig\u00eancias do p\u00fablico esteja sendo o grande crescimento dos n\u00edveis de escolaridade registrados no Brasil nos \u00faltimos anos. Pessoas mais ilustradas tendem a se tornar mais exigentes em termos de informa\u00e7\u00e3o e entretenimento, dos quais a TV \u00e9 parte importante.<\/p>\n<p><strong>E, por outro lado, o senhor acredita que os canais est\u00e3o mais preocupados em oferecer qualidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L.L.L.F. \u2013<\/strong> Isso n\u00e3o. Infelizmente o referencial \u00fanico dos canais comerciais s\u00e3o os \u00edndices de audi\u00eancia cujo resultado determina a obten\u00e7\u00e3o maior ou menor de receitas publicit\u00e1rias. Ent\u00e3o as mudan\u00e7as s\u00f3 ocorrem quando o p\u00fablico come\u00e7a a se afastar deste ou daquele programa. As mudan\u00e7as s\u00e3o realizadas apenas para fazer com que a audi\u00eancia n\u00e3o caia. O crit\u00e9rio qualidade \u00e9 secund\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>E o que seria um programa de qualidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L.L.L.F. \u2013<\/strong> S\u00e3o programas que despertem o esp\u00edrito cr\u00edtico do telespectador. Que elevem a sua sensibilidade em rela\u00e7\u00e3o ao mundo e \u00e0 vida. Ou numa s\u00edntese feliz de alguns fundadores da televis\u00e3o p\u00fablica europeia: que tornem os temas simples respeit\u00e1veis e os complexos agradavelmente simples. Vou dar um exemplo de um programa de qualidade que vi h\u00e1 alguns anos na TV Globo: a Paix\u00e3o de Cristo, encenada pelo Grupo Galp\u00e3o nas ruas de Ouro Preto. Excepcional. Reuniu a compet\u00eancia t\u00e9cnica da emissora e o alto n\u00edvel de qualidade art\u00edstica do grupo teatral mineiro na abordagem de um tema de f\u00e1cil assimila\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico. Pena que tenha sido apenas um raro exemplo de qualidade e n\u00e3o uma constante.<\/p>\n<p><strong>O senhor citou uma TV comercial e o seu foco na audi\u00eancia. E o que dizer dos outros tipos de TVs, a p\u00fablica e a estatal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L.L.L.F. \u2013<\/strong> Essa divis\u00e3o ainda \u00e9 muito prec\u00e1ria. Na verdade n\u00f3s temos uma televis\u00e3o comercial hegem\u00f4nica, ditando os padr\u00f5es da TV brasileira, ao lado de um grupo pequeno de emissoras estatais e de outro, ainda mais reduzido, de emissoras que podem ser consideradas p\u00fablicas. A programa\u00e7\u00e3o das comerciais apresenta padr\u00f5es muito semelhantes, todas reproduzindo as mesmas formas que consideram eficazes na luta pela audi\u00eancia. \u00c9 por isso que torna-se falaciosa a frase \u201co melhor controle \u00e9 o controle remoto\u201d. Para qu\u00ea usar o controle remoto se ao trocar de canal se v\u00ea a mesma coisa? Mudam os cen\u00e1rios, os apresentadores, mas os conte\u00fados s\u00e3o os mesmos. As poucas experi\u00eancias em busca daqueles padr\u00f5es de qualidade que mencionei anteriormente v\u00eam das emissoras n\u00e3o comerciais. Experi\u00eancias que, quase sempre, n\u00e3o t\u00eam continuidade pelos eternos problemas de recursos e de gest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O que podemos apontar, hoje, como avan\u00e7os e desafios na TV brasileira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>L.L.L.F. \u2013<\/strong> A diversidade de ofertas atrav\u00e9s das TVs por assinatura (para uma parcela privilegiada economicamente da popula\u00e7\u00e3o) e da prolifera\u00e7\u00e3o das antenas parab\u00f3licas t\u00eam sido fatores positivos na medida em que oferecem a um p\u00fablico maior canais n\u00e3o comerciais, cuja refer\u00eancia principal n\u00e3o \u00e9 a busca de elevados \u00edndices de audi\u00eancia. Alguns desses canais, dentro de suas limita\u00e7\u00f5es, t\u00eam oferecido programas de melhor qualidade, inexistentes nas emissoras comerciais. O desafio maior neste momento \u00e9 aprovar uma Lei de Meios semelhante a que est\u00e1 em vigor na Argentina. \u00c9 a \u00fanica forma de ampliar o n\u00famero de vozes na televis\u00e3o brasileira, dividindo o espectro eletromagn\u00e9tico em partes iguais para que emissoras p\u00fablicas, comunit\u00e1rias e comerciais. S\u00f3 assim, a riqueza e a diversidade cultural existente no pais poder\u00e1 ser vista e assimilada por todo o p\u00fablico brasileiro por meio da TV.<\/p>\n<p><em>Entrevista concedida a Marcus Tavares, publicada em revistapontocom e reproduzida de Observat\u00f3rio da Imprensa &#8211; www.observatoriodaimprensa.com.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o jornalista e soci\u00f3logo Laurindo Leal \u00e9 dif\u00edcil para o telespectador exigir n\u00edveis melhores de qualidade na tv quando ele n\u00e3o tem acesso a outros tipos de programa\u00e7\u00e3o como referencial.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[327,373],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28983"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28983"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28983\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28988,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28983\/revisions\/28988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}