{"id":28967,"date":"2014-04-22T21:26:41","date_gmt":"2014-04-22T21:26:41","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=28967"},"modified":"2015-08-30T01:41:58","modified_gmt":"2015-08-30T01:41:58","slug":"criancas-e-redes-sociais-estudo-indica-novas-relacoes-e-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=28967","title":{"rendered":"Crian\u00e7as e redes sociais: estudo indica novas rela\u00e7\u00f5es e desafios"},"content":{"rendered":"<p>A professora N\u00e9lia Mara defendeu, em fevereiro deste ano, sua tese de doutorado, em Educa\u00e7\u00e3o, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Com o t\u00edtulo <em>Voc\u00ea tem face?<\/em>, o estudo pesquisou as experi\u00eancias infantis com as redes sociais online, tendo como plataformas de investiga\u00e7\u00e3o o Orkut e o Facebook.<\/p>\n<p>\u201cEm 2009, meus alunos de seis anos, na classe alfabetiza\u00e7\u00e3o, perguntavam frequentemente se eu tinha Orkut e revelavam, com frequ\u00eancia, novidades sobre seus perfis. Enquanto isso, o grupo de pesquisa do qual fa\u00e7o parte desde 2005, Grupo de Pesquisa Inf\u00e2ncia e Cultura Contempor\u00e2nea, coordenado pela professora Rita Ribes, na UERJ, voltava seu foco de estudos para a rela\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com as m\u00eddias digitais, oportunizando a sistematiza\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e metodol\u00f3gica das minhas quest\u00f5es nascidas na escola. Buscava entender porque as crian\u00e7as estavam no Orkut, como acessavam e o que gostavam de fazer nas redes sociais online. Dois anos depois, as crian\u00e7as migraram para o Facebook e, em pouco tempo, muitas tinham suas primeiras experi\u00eancias com as redes sociais nele. Por isso, os dois sites foram as principais plataformas de an\u00e1lise\u201d, conta.<\/p>\n<p>Segundo N\u00e9lia, o grande desafio foi conseguir construir uma metodologia que n\u00e3o desprezasse a dimens\u00e3o t\u00e9cnica do fen\u00f4meno que pretendia estudar e que conseguisse captar, de alguma forma, a fugacidade das rela\u00e7\u00f5es online e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a din\u00e2mica da cultura contempor\u00e2nea. \u201cFoi assim que nasceu uma pesquisa online, em que eu conversei com crian\u00e7as entre oito e onze anos atrav\u00e9s dos chats, al\u00e9m de observar constantemente todas as atualiza\u00e7\u00f5es nos perfis infantis\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 revistapontocom, N\u00e9lia conta detalhes do estudo e suas principais conclus\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com as redes sociais online. \u201cDesejo que a entrevista seja o come\u00e7o de uma conversa com quem se interesse pelo tema e que traduza tamb\u00e9m num convite para a leitura da tese\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>O que leva as crian\u00e7as a participarem, cada vez mais, das redes sociais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e9lia Mara \u2013<\/strong> As redes sociais despontam na fase atual da cibercultura como uma pot\u00eancia que inaugura novas experi\u00eancias nas formas de se relacionar, aprender, conviver, se expressar\u2026 Quando me interessei pelo tema, busquei selecionar os sites que as crian\u00e7as mais acessavam, como forma de conhecer suas experi\u00eancias e prefer\u00eancias na internet. Queria ir onde elas estivessem. E apesar de, em 2009, \u00e9poca em que surgiram os primeiros movimentos da pesquisa, eu ter conhecido alguns sites de rede social voltados especialmente para crian\u00e7as, estes n\u00e3o eram sequer citados pelas crian\u00e7as quando as indagava sobre o que faziam na internet. Talvez esse seja um bom exemplo para pensar que as crian\u00e7as n\u00e3o vivem num mundo apartado dos adultos, mas est\u00e3o inseridas na cultura e dela participam ativamente. As crian\u00e7as querem estar onde todos est\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como podemos definir as crian\u00e7as que participam das redes sociais? <\/strong><\/p>\n<p><strong>N.M. \u2013<\/strong> S\u00e3o crian\u00e7as que inauguram experi\u00eancias que situam a inf\u00e2ncia em um lugar social in\u00e9dito na cultura. A pesquisa me permite afirmar que a presen\u00e7a e a participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as nas redes sociais online possibilitam que as vozes das crian\u00e7as habitem o ciberespa\u00e7o numa rela\u00e7\u00e3o de horizontalidade com as vozes dos adultos. Est\u00e3o todos l\u00e1, convivendo, interagindo, comunicando. Isto quer dizer que a possibilidade de as crian\u00e7as serem emissoras de conte\u00fado guarda uma pot\u00eancia que liberta a inf\u00e2ncia dos estatutos modernos calcados na ideia de menoridade e inferioriza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao adulto. S\u00e3o crian\u00e7as que burlam os protocolos dos sites \u2013 que \u00e9 bom lembrar, ostentam uma proibi\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita, visto que atraem as crian\u00e7as de forma velada \u2013, criam e se apropriam cada vez mais de novas linguagens, novas formas de ser crian\u00e7a e de viver a inf\u00e2ncia. Para essas crian\u00e7as, as redes sociais representam hoje, sobretudo, novas formas de intera\u00e7\u00e3o e sociabiliza\u00e7\u00e3o. Elas jogam, brincam, conversam, assistem a v\u00eddeos, produzem v\u00eddeos, se informam, aprendem coisas novas, consomem. No entanto, \u00e9 importante n\u00e3o perder de vista que a cibercultura, essa cultura em rede que vivemos hoje, nos afeta n\u00e3o s\u00f3 materialmente, mas, sobretudo, simbolicamente. Est\u00e1 em jogo a produ\u00e7\u00e3o de novas linguagens, subjetividades, de novas formas de aprender, de se relacionar, novas rela\u00e7\u00f5es com o tempo e com o espa\u00e7o, o que \u00e9 tamb\u00e9m vivido por quem n\u00e3o tem, necessariamente, um perfil no Facebook.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o grandes as diferen\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o, oportunidade, experi\u00eancia e conhecimento entre crian\u00e7as que acessam e as que n\u00e3o acessam as redes? <\/strong><\/p>\n<p><strong>N.M. \u2013<\/strong> Pesquisas oficiais de cunho quantitativo sobre crian\u00e7as e internet, como as realizadas pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e da Comunica\u00e7\u00e3o (CETIC) em todo o territ\u00f3rio nacional, t\u00eam demonstrado o quanto a condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica \u00e9 fator que determina o acesso \u00e0 internet, a frequ\u00eancia com que ocorre, bem como a posse de aparatos t\u00e9cnicos. Renda familiar, classe social e regi\u00e3o do pa\u00eds \u2013 dada desigualdade no investimento das condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para a distribui\u00e7\u00e3o da conex\u00e3o, se compararmos os dados da regi\u00e3o norte com a sudeste, por exemplo \u2013 s\u00e3o elementos que interferem de maneira decisiva para a participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as nas redes sociais. No caso espec\u00edfico da pesquisa que realizei, \u00e9 importante dizer que n\u00e3o se adotou um recorte de classe, pois se buscou, inicialmente, dialogar com crian\u00e7as que j\u00e1 possu\u00edam perfis em sites de redes sociais e, num segundo momento, crian\u00e7as que fizessem parte da minha rede de contatos. Dito isto, a pesquisa que realizei n\u00e3o se debru\u00e7ou sobre um estudo comparativo entre as crian\u00e7as que t\u00eam acesso e as que n\u00e3o t\u00eam. No entanto, se aceitamos a ideia de que a cibercultura nos afeta simbolicamente, a quest\u00e3o se complexifica e exige aprofundamento. Mas \u00e9 ineg\u00e1vel que a oportunidade de entrar em contato com o mundo atrav\u00e9s do seu pr\u00f3prio celular posiciona a crian\u00e7a no mundo de maneira diferente daquela que, sequer, tem o que comer. S\u00e3o, sem d\u00favida, experi\u00eancias de inf\u00e2ncia distintas qualitativamente. Penso que autonomia e criatividade est\u00e3o no centro da participa\u00e7\u00e3o nas redes sociais online. Inclusive, as crian\u00e7as precisam, muitas vezes, criar datas de nascimento fict\u00edcias para terem acesso a uma conta no site. Precisam criar um perfil com in\u00fameras informa\u00e7\u00f5es sobre si. O pr\u00f3prio ato de apenas \u201ccurtir\u201d, no Facebook, alguma postagem, j\u00e1 evidencia uma express\u00e3o. Solidariedade e \u00e9tica s\u00e3o no\u00e7\u00f5es por demais subjetivas para serem definidas aqui como algo propiciado pelas redes sociais. As crian\u00e7as que est\u00e3o nas redes sociais est\u00e3o em di\u00e1logo com o mundo \u2013 elas t\u00eam acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o encorajadas a se mostrar, a emitir opini\u00f5es, a compartilhar o que gostam, a conversar. Mas a forma\u00e7\u00e3o se d\u00e1 a todo momento: para a leitura, para a escrita, para a rela\u00e7\u00e3o com o outro, para a constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade, para a constru\u00e7\u00e3o das no\u00e7\u00f5es de privacidade, forma\u00e7\u00e3o para o consumo\u2026 Por isso, ao mesmo tempo em que \u00e9 indiscut\u00edvel reconhecer a centralidade que ocupam hoje as redes sociais na vida de muitas crian\u00e7as, \u00e9 indispens\u00e1vel pensar em formas articuladas de oferecer uma media\u00e7\u00e3o que possam amplificar e qualificar todas estas fontes de in(forma\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>Quando falamos de media\u00e7\u00e3o pensamos no papel dos adultos. As crian\u00e7as est\u00e3o sozinhas na rede? <\/strong><\/p>\n<p><strong>N.M. \u2013<\/strong> N\u00e3o, elas n\u00e3o est\u00e3o sozinhas, ainda que acessem a internet sem ningu\u00e9m por perto fisicamente. Penso que o grande desafio, hoje, para pais, professores e pesquisadores \u00e9 pensar em novas formas de media\u00e7\u00e3o online. Dado o car\u00e1ter diferenciado das tecnologias digitais, a media\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser pensada sobre as mesmas bases, j\u00e1 consolidadas, das m\u00eddias eletr\u00f4nicas. A mobilidade, por exemplo, \u00e9 uma realidade e uma tend\u00eancia tamb\u00e9m entre as crian\u00e7as, j\u00e1 que a miniaturiza\u00e7\u00e3o dos aparelhos produz tamb\u00e9m condi\u00e7\u00f5es para um uso mais individualizado. Se, por um lado, a impossibilidade de acompanhar fisicamente os acessos das crian\u00e7as \u00e0 rede pode sugerir menos possibilidade de acompanhamento dos adultos ao que as crian\u00e7as acessam, h\u00e1 que se compreender que, online, as crian\u00e7as nunca est\u00e3o sozinhas. Estar nas redes sociais pressup\u00f5e estar em di\u00e1logo com algu\u00e9m, seja um amigo, um familiar, um estranho ou mesmo uma empresa. O \u201cestar com\u201d \u00e9 a ess\u00eancia do \u201cestar em rede\u201d. Por isso, friso, nosso papel enquanto adultos \u00e9 buscar o di\u00e1logo com as crian\u00e7as tamb\u00e9m online, fazendo-se presente tamb\u00e9m nas redes sociais. H\u00e1 respons\u00e1veis que, sim, marcam sua presen\u00e7a de diferentes formas nos perfis de seus filhos; outros n\u00e3o. H\u00e1 uma diversidade nas formas como a permiss\u00e3o do acesso \u00e0s redes sociais acontece nas casas das crian\u00e7as: h\u00e1 pais que criam os perfis dos filhos, incentivando que coexistam em rede; tamb\u00e9m h\u00e1 filhos que criam contas para seus pais, em busca de \u201catualiz\u00e1-los\u201d. H\u00e1 fam\u00edlias, por exemplo, que imp\u00f5em uma idade m\u00ednima para que a crian\u00e7a conquiste o direito de estar numa rede social online, entendendo que \u00e9 preciso crescer para ganhar novas responsabilidades, mesmo que n\u00e3o seja uma idade inferior \u00e0 recomendada por sites como o Facebook ou o Orkut. H\u00e1 pais que usam seus perfis com os filhos, um uso compartilhado. Em outros casos, e aqui j\u00e1 me posiciono como forma de dizer que penso ser a postura mais interessante, cada indiv\u00edduo da fam\u00edlia possui um perfil, mas os pais e demais adultos interagem online com a crian\u00e7a frequentemente, al\u00e9m de conversarem em casa sobre o assunto. \u00c9 uma forma de estar junto em rede, de acompanhar o que a crian\u00e7a faz, com quem interage, o que comunica, mas permitindo que ela tenha seu espa\u00e7o, que ela construa seu perfil com suas caracter\u00edsticas, prefer\u00eancias, fotos que gosta, podendo expressar a singularidade da sua identidade na internet.<\/p>\n<p><strong>E quanto \u00e0 escola? <\/strong><\/p>\n<p><strong>N.M. \u2013<\/strong> A escola, de maneira geral, ainda n\u00e3o consegue ocupar o espa\u00e7o de quem pode e deve colocar esse assunto como quest\u00e3o curricular porque ainda se baseia na l\u00f3gica da vigil\u00e2ncia, da proibi\u00e7\u00e3o ou mesmo da didatiza\u00e7\u00e3o das tecnologias sob um vi\u00e9s, algumas vezes, empobrecedor e distante dos usos que as crian\u00e7as fazem fora das salas de aula. H\u00e1 institui\u00e7\u00f5es que, inclusive, pro\u00edbem o uso de aparelhos em suas depend\u00eancias, parecendo fechar-se a uma realidade que est\u00e1 posta. Em paralelo, crian\u00e7as postam, em seus perfis, fotos na escola em tempo real, o que denuncia que, a despeito de normas meramente burocr\u00e1ticas, as crian\u00e7as est\u00e3o em rede, se conectam de seus dispositivos m\u00f3veis e, na maioria das vezes, a escola n\u00e3o se oferece para o di\u00e1logo.<\/p>\n<p><strong>E ao contr\u00e1rio do que se pensa, as crian\u00e7as t\u00eam conhecimento dos perigos da internet, n\u00e3o \u00e9 isso? <\/strong><\/p>\n<p><strong>N.M. \u2013<\/strong> As crian\u00e7as demonstram ter muita informa\u00e7\u00e3o sobre os perigos a que, possivelmente, estamos todos expostos na internet e nas redes sociais. Essas informa\u00e7\u00f5es e ressalvas chegam de variadas fontes: a fam\u00edlia conversa e instrui, a televis\u00e3o noticia casos variados sobre o assunto e, mais timidamente, mas progressivamente, a escola tamb\u00e9m vai se envolvendo neste debate, ainda que o uso de sites de redes sociais seja comumente proibido em seus espa\u00e7os. As crian\u00e7as mostraram que elegem crit\u00e9rios para aceitar ou recusar pedidos de amizade e eu fui, inclusive, recusada por muitas quando busquei realizar a pesquisa com crian\u00e7as indicadas por amigos, desconhecidas para mim. As recusas me obrigaram a redesenhar os crit\u00e9rios de escolha dos interlocutores e foram fundamentais no percurso da pesquisa. Ao longo do processo, tamb\u00e9m me dei conta, em di\u00e1logo com outras pesquisas a que fui tendo acesso, que as redes sociais s\u00e3o espa\u00e7os de encontro entre pessoas que t\u00eam ou j\u00e1 tiveram algum tipo de rela\u00e7\u00e3o face a face. Assim, sob esta l\u00f3gica, as recomenda\u00e7\u00f5es dos pais aos filhos sobre os perigos de dar aten\u00e7\u00e3o a pessoas estranhas \u00e9 incorporada tamb\u00e9m para a vida online. \u00c9 poss\u00edvel que esta constata\u00e7\u00e3o na minha tese, que nem sempre emerge em outros estudos, tenha a ver com a abordagem te\u00f3rico-metodol\u00f3gica que adotei na pesquisa. A minha premissa foi de que as crian\u00e7as est\u00e3o de forma ativa e aut\u00f4noma nos sites de redes sociais e me interessou ver o que fazem, como usam, por que usam e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o que comunicam sobre suas experi\u00eancias quando est\u00e3o em rede, enquanto sujeitos criativos e produtores de cultura que s\u00e3o. H\u00e1 outros estudos que, embora se detenham em tem\u00e1tica similar, se fundamentam em concep\u00e7\u00f5es de inf\u00e2ncia que remetem aos pilares modernos de vulnerabilidade, inabilidade e menoridade, j\u00e1 elencando como premissa que h\u00e1 perigos, h\u00e1 uma proibi\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e, portanto, as crian\u00e7as n\u00e3o deveriam estar l\u00e1. Penso que falamos, portanto, de lugares distintos; logo, nos posicionamos de formas diferentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as e \u00e0s experi\u00eancias de inf\u00e2ncia, conduzindo as pesquisas por caminhos que, nem sempre, se encontram. \u00c9 preciso enfatizar aqui que reconhecer que as crian\u00e7as entendem os perigos a que estamos expostos na internet n\u00e3o representa ignorar a import\u00e2ncia do adulto no que diz respeito ao seu papel de prote\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. Friso que \u00e9 fundamental que o adulto assuma o seu lugar de quem se oferece ao di\u00e1logo e aponta o caminho seguro. No entanto, me preocupa observar como essa rela\u00e7\u00e3o se traveste, muitas vezes, em controle e vigil\u00e2ncia por parte dos pais. Se \u00e9 certo admitir que estamos todos, adultos e crian\u00e7as, aprendendo a viver em rede, tamb\u00e9m \u00e9 preciso compreender que a produ\u00e7\u00e3o compartilhada de sentidos sobre o que nos desafia \u00e9 um processo que se d\u00e1 em di\u00e1logo.<\/p>\n<p><strong>A participa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adultos no ambiente online vem estabelecendo um novo tipo de relacionamento? <\/strong><\/p>\n<p><strong>N.M. \u2013<\/strong> Essa pergunta conduz ao debate pertinente em torno da quest\u00e3o geracional que marca os estudos sobre crian\u00e7as e tecnologias digitais. Quando nos espantamos com a intimidade dos beb\u00eas com um tablet nas m\u00e3os, evidenciamos que a quest\u00e3o geracional est\u00e1 posta. Mas \u00e9 importante n\u00e3o perder de vista que a rela\u00e7\u00e3o com as m\u00eddias sempre esteve atravessada por essa tens\u00e3o. O que parece complexificar a quest\u00e3o no contexto cibercultura \u00e9 que a velocidade das transforma\u00e7\u00f5es e a obsolesc\u00eancia como marca dessa era nos coloca, enquanto adultos, num lugar fr\u00e1gil de quem tamb\u00e9m se v\u00ea inseguro e rendido pelas constantes novidades, t\u00e3o bem recebidas e incorporadas pelas crian\u00e7as. Elas lidam com os aparatos de forma l\u00fadica, criativa e desbravadora, enquanto o adulto, com um olhar mais cristalizado para a realidade, se relaciona de forma menos espont\u00e2nea. Mas, se as redes sociais podem ser concebidas como lugares de encontro, podemos perceb\u00ea-las na pot\u00eancia do encontro entre adultos e crian\u00e7as, e n\u00e3o como algo que produz algum tipo de impacto negativo, ou que gera um abismo geracional.<\/p>\n<p><em>Entrevista concedida a Marcus Tavares, publicada na revistapontocom e reproduzida do Observat\u00f3rio da Imprensa &#8211; www.observatoriodaimprensa.com.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professora N\u00e9lia Mara pesquisou as experi\u00eancias infantis com as redes sociais online, tendo como plataformas de investiga\u00e7\u00e3o o Orkut e o Facebook.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[542,465],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28967"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28967"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28967\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28969,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28967\/revisions\/28969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}