{"id":28784,"date":"2014-08-07T01:47:56","date_gmt":"2014-08-07T01:47:56","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=28784"},"modified":"2015-08-30T22:00:19","modified_gmt":"2015-08-30T22:00:19","slug":"o-ataque-ao-sindicato-dos-jornalistas-do-rio-de-janeiro-e-os-riscos-a-liberdade-de-expressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=28784","title":{"rendered":"O ataque ao Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro e os riscos \u00e0 liberdade de express\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><b>Por Jonas Valente*<\/b><\/p>\n<p>Desde a semana passada, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Munic\u00edpio do Rio de Janeiro (SJPMRJ) \u00e9 alvo de uma s\u00e9rie de ataques. A pol\u00eamica vai muito al\u00e9m de uma disputa sindical e envolve riscos para a pr\u00f3pria atividade jornal\u00edstica pela cria\u00e7\u00e3o de um discurso de \u00f3dio que prega a divis\u00e3o da categoria e tenta desqualificar n\u00e3o apenas os diretores, mas parte dos jornalistas.<\/p>\n<p>O movimento que pede a destitui\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o nasceu a partir de uma coletiva de imprensa realizada no dia 25\/7, com parentes de manifestantes presos, organizada pelas organiza\u00e7\u00f5es Justi\u00e7a Global e Grupo Tortura Nunca Mais, no audit\u00f3rio do sindicato. Houve clima tenso e ativistas presentes criticaram de forma dura os jornalistas que compareceram. A presidente do SJPMRJ, Paula M\u00e1iran, interveio e defendeu os profissionais de imprensa.<\/p>\n<p>No entanto, relatos do epis\u00f3dio pelas redes sociais e at\u00e9 mesmo em mat\u00e9rias de ve\u00edculos de grande circula\u00e7\u00e3o, como o jornal O Globo, distorceram o ocorrido, inclusive chegando ao ponto de trazer informa\u00e7\u00f5es mentirosas, como a f\u00e1bula de que rep\u00f3rteres teriam sido expulsos da coletiva pelos manifestantes. \u00c2ncoras de telejornais utilizaram o espa\u00e7o de seus programas para atacar de forma virulenta a dire\u00e7\u00e3o, em especial a presidente da entidade, Paula M\u00e1iran. Entre as cr\u00edticas, o fato de a dire\u00e7\u00e3o ter mantido a coletiva, sendo que na v\u00e9spera dois jornalistas haviam sido agredidos por manifestantes em Bangu. Dias depois, um grupo de jornalistas, comandado por integrantes de chapas derrotadas na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o e por figuras proeminentes de grandes reda\u00e7\u00f5es comerciais, criou o movimento que pede a sa\u00edda da diretoria.<\/p>\n<p>Parte dos jornalistas tamb\u00e9m apresentou cr\u00edticas, o que \u00e9 leg\u00edtimo. Mas a ofensiva do grupo golpista, com ataques e acusa\u00e7\u00f5es mentirosas, \u00e9 um ind\u00edcio muito preocupante para uma categoria que \u00e9 respons\u00e1vel por ter a serenidade de traduzir os acontecimentos de forma equilibrada para garantir o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>O alerta \u00e9 maior porque a atua\u00e7\u00e3o do grupo traz n\u00e3o apenas uma tentativa de golpe, o que por si s\u00f3 seria grave. O grupo visa desqualificar toda e qualquer vis\u00e3o que n\u00e3o seja a de condena\u00e7\u00e3o irrestrita e autom\u00e1tica de qualquer tipo de manifestante. O foco \u00e9 a divis\u00e3o da pr\u00f3pria categoria. Quem n\u00e3o segue a cartilha, acusam, estaria tergiversando na defesa dos colegas ou, mais grave, seria \u201cc\u00famplice da viol\u00eancia contra jornalistas\u201d, como diz o manifesto elaborado por alguns profissionais.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia tenta distorcer o debate, tirando o foco dos atos de viol\u00eancia, que devem ser sim condenados, e passando para a demoniza\u00e7\u00e3o dos manifestantes (independentemente de toda a diversidade envolvida nesta massa). De tabela, coloca no grupo dos \u201chereges\u201d todos os jornalistas e\u00a0comunicadores populares que atuam com midiativismo e com movimentos sociais. Filiados ao PSOL tamb\u00e9m s\u00e3o criticados pelo simples fato de serem associados ao partido, em um claro constrangimento p\u00fablico contra o direito de livre filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>A diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Munic\u00edpio do Rio divulgou comunicado afirmando que \u00e9 contr\u00e1ria a qualquer tipo de viol\u00eancia contra jornalistas, venha de onde vier. A entidade promoveu diversas a\u00e7\u00f5es neste sentido, condenando agress\u00f5es e cobrando a garantia da seguran\u00e7a dos profissionais nas coberturas,\u00a0inclusive com acompanhamento jur\u00eddico e conquistas junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico. Para discutir o tema, a dire\u00e7\u00e3o convocou uma plen\u00e1ria inicialmente agendada para o dia 4 de agosto e depois remarcada para o dia 7 de agosto, em raz\u00e3o da morte de uma colunista do jornal Extra.<\/p>\n<p>No dia 6 de agosto, a dire\u00e7\u00e3o do SJPMRJ divulgou nota na qual \u201cpede desculpas e reconhece que deveria, naquelas circunst\u00e2ncias, ter solicitado aos organizadores do evento a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o da atividade dentro do sindicato\u201d. Mas \u00e9 clara na defesa contra o golpe ao afirmar que \u201cos fatos, no entanto, n\u00e3o justificam a ren\u00fancia nem a destitui\u00e7\u00e3o da diretoria\u201d. Na plen\u00e1ria, a dire\u00e7\u00e3o vai convidar os jornalistas do Rio ao debate sobre como as pautas e as lutas j\u00e1 iniciadas pela garantia da seguran\u00e7a podem ser impulsionadas.<\/p>\n<p>Se o movimento golpista for bem sucedido, a consequ\u00eancia ser\u00e1 mais do que a sa\u00edda da atual diretoria. Para al\u00e9m do fortalecimento de um grupo formado por diversos chefes,\u00a0ser\u00e1 a vit\u00f3ria, em uma importante cidade e na qual h\u00e1 ve\u00edculos de alcance nacional, de uma concep\u00e7\u00e3o perigosa. Ao tratar todo e qualquer manifestante como um criminoso e uma amea\u00e7a, ela afasta o jornalista da sociedade, quebrando o la\u00e7o de uma categoria e de suas entidades representativas com a sociedade e indo de encontro a alian\u00e7as hist\u00f3ricas com as lutas de movimentos sociais de reivindica\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra a categoria deve ser condenada, seja de onde vier, e com medidas de seguran\u00e7a objetivas. Curiosamente, entre os cr\u00edticos do sindicato, agora h\u00e1 quem inclusive reclame da entidade ter cobrado das empresas o \u00f3bvio, que \u00e9 a garantia a seus empregados de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPIs) e de outras medidas. Para alguns cr\u00edticos, se os manifestantes forem todos criminalizados, parece que a viol\u00eancia vai desaparecer. Esquecem ou omitem intencionalmente que os agentes do Estado s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 80% dos casos de agress\u00e3o contra profissionais de imprensa, como mostram dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo. Isso n\u00e3o exime os outros 20%, mas deixa claro que a condena\u00e7\u00e3o dos manifestantes tamb\u00e9m n\u00e3o resolve os 80%. Ao atacar uma entidade que exemplarmente acionou autoridades e empresas para garantir a seguran\u00e7a da categoria (sem deixar de cobrar dos movimentos sociais o respeito ao trabalho da imprensa), o movimento golpista corre o risco de, inclusive, debelar uma frente fundamental de defesa do que traz como bandeira: a seguran\u00e7a do jornalista.<\/p>\n<p><i>*Jonas Valente \u00e9 jornalista, intergrante do Intervozes e da coordena\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal.<\/i><\/p>\n<p><em>Texto originalmente publicado no Blog do Intervozes na Carta Capital.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Munic\u00edpio do Rio de Janeiro \u00e9 alvo de ataques. 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