{"id":27724,"date":"2014-06-03T10:20:07","date_gmt":"2014-06-03T10:20:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27724"},"modified":"2015-08-30T22:19:04","modified_gmt":"2015-08-30T22:19:04","slug":"o-que-a-imprensa-do-recife-nao-conta-sobre-o-estelita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27724","title":{"rendered":"O que a imprensa do Recife n\u00e3o conta sobre o Estelita"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Mariana Martins e Mariana Moreira*<\/strong><\/p>\n<p>Um dos professores mais antigos do curso de comunica\u00e7\u00e3o social da Universidade Federal de Pernambuco, Paulo Cunha, postou em sua p\u00e1gina no Facebook: \u201cAcho que amanh\u00e3 vou no cemit\u00e9rio de Santo Amaro, fazer uma visita ao t\u00famulo do jornalismo pernambucano\u201d. Esta frase, escrita ainda no dia 22 de maio, pela manh\u00e3, dizia muito sobre o sil\u00eancio da imprensa de Pernambuco a respeito do in\u00edcio da demoli\u00e7\u00e3o do Cais Jos\u00e9 Estelita, \u00e1rea hist\u00f3rica e um dos principais cart\u00f5es-postais do Recife, e da ocupa\u00e7\u00e3o feita por manifestantes, que impediram a demoli\u00e7\u00e3o completa dos armaz\u00e9ns de a\u00e7\u00facar, no fim da noite do dia 21. Atividades est\u00e3o sendo realizadas e, \u00faltimo no fim de semana, a ocupa\u00e7\u00e3o recebeu visitas e manifesta\u00e7\u00f5es de apoio de recifenses ilustres.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que a postagem de Cunha foi tamb\u00e9m um press\u00e1gio do que viria. A ocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 entra no seu s\u00e9timo dia, e o comportamento da maior parte da m\u00eddia local \u00e9 o de ignorar a mobiliza\u00e7\u00e3o social contra o projeto Novo Recife e o acampamento permanente de dezenas de pessoas na \u00e1rea. Apenas um dos tr\u00eas jornais da capital noticiou linhas descontextualizadas sobre o fato. Nenhuma das mat\u00e9rias passava de seis par\u00e1grafos, insuficientes para contextualizar a hist\u00f3ria que existe desde 2008, e que em 2012 tomou novos rumos e ganhou novos atores.<\/p>\n<p><strong>Breve contextualiza\u00e7\u00e3o (tentando dar conta do que a m\u00eddia n\u00e3o conta)<\/strong><\/p>\n<p>O Recife est\u00e1 entre as cidades do Brasil em que houve maior valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria nos \u00faltimos cinco anos. Esta valoriza\u00e7\u00e3o fez com que \u00e1reas antes \u201cdesvalorizadas\u201d, do ponto de vista imobili\u00e1rio, fossem alvo de especula\u00e7\u00f5es, principalmente \u00e1reas hist\u00f3ricas e de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, como o Cais Jos\u00e9 Estelita e as poucas \u00e1reas de mangue que ainda sobreviviam na cidade.<\/p>\n<p>O Projeto Novo Recife prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de 12 torres de at\u00e9 40 pavimentos no Cais Jos\u00e9 Estelita. O empreendimento \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de um cons\u00f3rcio de grandes construtoras do estado, tamb\u00e9m chamado Cons\u00f3rcio Novo Recife, formado pelas empresas Moura Dubeux, Queiroz Galv\u00e3o, G.L. Empreendimentos e Ara Empreendimentos. Assim como v\u00e1rios outros empreendimentos de grande impacto na capital pernambucana, o Projeto Novo Recife n\u00e3o foi antecedido do Estudo de Impacto de Vizinhan\u00e7a (EIV), que, ap\u00f3s feito, deve ser apresentado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, para que possibilite o exerc\u00edcio da gest\u00e3o democr\u00e1tica, como manda o Estatuto da Cidade (Lei 10.257, de 10 de Julho de 2001.).<\/p>\n<p>Quando o Projeto Novo Recife chegou a conhecimento p\u00fablico, pessoas e organiza\u00e7\u00f5es sociais passaram a se mobilizar para discutir formas de interven\u00e7\u00f5es populares na discuss\u00e3o dos rumos e nos processos de ocupa\u00e7\u00e3o da cidade. Desde 2012, o grupo \u201cDireitos Urbanos \u2013 Recife\u201d, de car\u00e1ter n\u00e3o partid\u00e1rio, tem aglutinado e mobilizado manifesta\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es, audi\u00eancias p\u00fablicas, den\u00fancias ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, dentre outras atividades para defender a \u00e1rea do Cais Jos\u00e9 Estelita. A \u00e1rea toda, al\u00e9m de sua beleza est\u00e9tica e de representar parte da identidade visual da cidade, tem grande valor hist\u00f3rico por permitir, ainda hoje, uma percep\u00e7\u00e3o de qual foi o padr\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o da cidade que se consolidou ao longo do tempo. Em poucas palavras, o Cais Jos\u00e9 Estelita, sejamos contra ou a favor da sua demoli\u00e7\u00e3o, \u00e9 parte da hist\u00f3ria do Recife e uma discuss\u00e3o sobre os seus rumos n\u00e3o pode ser tangenciada exclusivamente pelos interesses do capital imobili\u00e1rio e sem a devida transpar\u00eancia p\u00fablica e participa\u00e7\u00e3o social. Isso pode at\u00e9 soar d\u00e9mod\u00e9, mas ficou conhecido como democracia.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da sociedade organizada, Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, Estadual, Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN) e alguns parlamentares tamb\u00e9m fazem parte da luta para que o poder do capital imobili\u00e1rio n\u00e3o atropele os direitos urbanos da capital pernambucana, e defendem a amplia\u00e7\u00e3o do debate do entre poder p\u00fablico e sociedade na decis\u00e3o dos rumos da cidade. Mesmo com uma constante mobiliza\u00e7\u00e3o social e com o projeto sendo questionado social e judicialmente, o Projeto Novo Recife avan\u00e7ou sombreado pelos interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos dos diversos atores envolvidos no processo e sob o sil\u00eancio c\u00famplice e conivente da m\u00eddia local.<\/p>\n<p>Na noite do \u00faltimo dia 21, foi iniciada a demoli\u00e7\u00e3o dos armaz\u00e9ns de a\u00e7\u00facar do Cais Jos\u00e9 Estelita. Imediatamente, manifestantes foram para o local e impediram a continuidade da demoli\u00e7\u00e3o. No dia seguinte, a demoli\u00e7\u00e3o foi oficialmente embargada por for\u00e7a de uma liminar do IPHAN, que alega descumprimento da celebra\u00e7\u00e3o do Termo de Ajuste de Conduta entre o empreendedor e o instituto, que tenta garantir a prote\u00e7\u00e3o dos registros referentes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a \u00e1rea em quest\u00e3o. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, por sua vez, questiona a validade do leil\u00e3o que deu ao cons\u00f3rcio a propriedade da referida \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>Cobertura on-line dos principais jornais locais<\/strong><\/p>\n<p>Seguindo a linha da falta de informa\u00e7\u00e3o dos jornais locais, nacionalmente as not\u00edcias sobre os manifestantes que montaram acampamento na \u00e1rea a ser demolida foram insignificantes, para n\u00e3o dizer inexistentes \u2013 visto que n\u00e3o houve, a princ\u00edpio, um monitoramento dos ve\u00edculos, mas tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcias de que o fato foi noticiado nacionalmente pelos principais ve\u00edculos tradicionais. Dentro e fora do Recife, com exce\u00e7\u00e3o das redes sociais e blogs da imprensa alternativa, as pessoas seguem desinformadas sobre o que acontece em uma das \u00e1reas mais emblem\u00e1ticas da cidade.<\/p>\n<p>Vale tamb\u00e9m uma contextualiza\u00e7\u00e3o sobre os principais ve\u00edculos de m\u00eddia do Recife, e da for\u00e7a pol\u00edtica que esta capital tem para a estrutura de comunica\u00e7\u00e3o regional de grandes emissoras do pa\u00eds. \u00c9 no Recife que se encontra a sede da Rede Globo Nordeste, que \u00e9 uma das cinco concess\u00f5es da Rede Globo de Televis\u00e3o no pa\u00eds, a \u00fanica na regi\u00e3o. S\u00e3o tr\u00eas os principais jornais locais: Jornal do Commercio, ligado ao grupo Jo\u00e3o Carlos Paes Mendon\u00e7a (JCPM), um dos maiores grupos econ\u00f4micos do Estado; Di\u00e1rio de Pernambuco, ligado aos Di\u00e1rios Associados; e a Folha de Pernambuco, ligada ao grupo EQM, que tem suas bases no setor sucroalcooleiro.<\/p>\n<p>O Jornal do Commercio, \u00fanico dos tr\u00eas principais jornais locais a noticiar o fato em sua vers\u00e3o eletr\u00f4nica, deu ao todo, desde o \u00faltimo dia 21, cinco mat\u00e9rias em sua p\u00e1gina na internet, sendo uma no dia 21, tr\u00eas no dia 22 e uma no dia 23.<\/p>\n<p>Nas edi\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas dos jornais Di\u00e1rio de Pernambuco e Folha de Pernambuco, as buscas pelas palavras-chave \u201cEstelita\u201d, \u201cCais Jos\u00e9 Estelita\u201d e \u201cOcupe Estelita\u201d n\u00e3o obtiveram como respostas mat\u00e9rias entre os dias 21 e 27 de maio.<\/p>\n<p>As \u00fanicas cinco mat\u00e9rias do Jornal do Commercio, por sua vez, passam longe de informar sobre o que est\u00e1 acontecendo no Cais Jos\u00e9 Estelita e a mobiliza\u00e7\u00e3o contra o projeto Novo Recife. Apenas uma mat\u00e9ria tem um v\u00eddeo que mostra pessoas que est\u00e3o no movimento \u201cOcupe Estelita\u201d, mas o texto n\u00e3o traz uma declara\u00e7\u00e3o sequer de qualquer integrante do movimento. Uma das mat\u00e9rias afirma que os manifestantes n\u00e3o quiseram dar entrevista. Contudo, mat\u00e9rias do mesmo dia no site do G1 Pernambuco trazia declara\u00e7\u00f5es e documentos publicados pelo grupo. De uma forma geral, as mat\u00e9rias do JC s\u00e3o curtas e citam apenas o IPHAN, a exposi\u00e7\u00e3o de motivos do \u00f3rg\u00e3o para suspender as obras, e o Cons\u00f3rcio Novo Recife por meio de notas emitidas pelo grupo. O mesmo n\u00e3o foi feito com as notas divulgadas pelo outro lado.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter sido pauta de nenhum dos jornais locais, no domingo o Cais foi ocupado por dezenas de pessoas e foram organizadas atividades l\u00fadicas e shows com apoiadores da ocupa\u00e7\u00e3o. Outro fato importante ignorado pelos jornais foi a campanha que artistas locais est\u00e3o promovendo nas redes sociais, com cartazes em apoio ao movimento e em defesa do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><strong>A cobertura da Globo Nordeste e seus ve\u00edculos<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos jornais locais, o G1 Pernambuco foi o site com mat\u00e9rias mais contextualizadas, trazendo depoimentos e a exposi\u00e7\u00e3o de motivos dos manifestantes do Ocupe Estelita. Contudo, a postura da TV n\u00e3o foi a mesma.<\/p>\n<p>Uma das mat\u00e9rias mais question\u00e1veis do ponto de vista jornal\u00edstico foi a exibida no NE TV 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o do dia 24 de maio, com o t\u00edtulo Arquitetos do Novo Recife mostram vantagens do projeto para o Recife. A mat\u00e9ria \u00e9 uma propaganda do projeto, em que somente os arquitetos do cons\u00f3rcio falam sem que nenhuma opini\u00e3o divergente tenha sido ouvida. In\u00fameros arquitetos e urbanistas tamb\u00e9m j\u00e1 se manifestaram publicamente contra a interven\u00e7\u00e3o. Depois de tr\u00eas dias sem mat\u00e9rias sobre o fato, na tarde do dia 27, o NE TV 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o trouxe not\u00edcias das manifesta\u00e7\u00f5es que ocorreram na v\u00e9spera no acampamento. O foco da cobertura foi o engarrafamento causado pela mobiliza\u00e7\u00e3o na avenida em que fica o Cais.<\/p>\n<p><strong>O direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e o lucro dos jornais<\/strong><\/p>\n<p>Uma breve an\u00e1lise sobre a infeliz constata\u00e7\u00e3o da morte do jornalismo pernambucano passa, logicamente, por uma leitura pol\u00edtica dos fatos, mas, sobretudo, por uma leitura econ\u00f4mica do modelo de neg\u00f3cio do jornalismo. Esse modelo, que j\u00e1 dava sinal de inani\u00e7\u00e3o, deu sinal de fal\u00eancia, perdeu por completo a linha e sobrep\u00f4s desmedidamente o financiamento \u00e0 atividade fim dos ve\u00edculos, que \u00e9 a not\u00edcia. Aqui, vale ressaltar, que n\u00e3o apenas o jornalismo pernambucano sofre desse mal, \u00e9 verdade, mas este epis\u00f3dio foi capaz de revelar um amadorismo e uma subservi\u00eancia inaceit\u00e1veis at\u00e9 mesmo ao que se pode chamar de padr\u00f5es m\u00ednimos (se \u00e9 que isso existe) do jornalismo.<\/p>\n<p>N\u00e3o dar nenhuma linha sobre o ocorrido em suas p\u00e1ginas na internet (pois nesse ve\u00edculo n\u00e3o se tem sequer a desculpa do espa\u00e7o), como aconteceu em dois jornais citados, \u00e9 deliberadamente o maior vexame que um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o pode acumular em sua hist\u00f3ria (vide contos da ditadura). Veicular descontextualizada e propagandisticamente a not\u00edcia, como fizeram dois outros ve\u00edculos, \u00e9 o segundo maior vexame que um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o pode dar. Nem mesmo a sofistica\u00e7\u00e3o da censura de outrora foi reivindicada por estes m\u00edseros e submissos ve\u00edculos de propagada. A cobertura foi t\u00e3o amadora que uma abordagem parcial passou a ser quase que louv\u00e1vel diante do sil\u00eancio. Constrangedor at\u00e9 para quem admite tal feito.<\/p>\n<p>Felizmente, muitos comunicadores e jornalistas, censurados e mutilados nos ve\u00edculos em que trabalham, est\u00e3o bravamente apoiando a ocupa\u00e7\u00e3o nas redes sociais e produzindo para sites alternativos. E, para al\u00e9m dos jornalistas, cidad\u00e3os\/as do Recife que apoiam a causa tornaram-se cada um e cada uma produtores e difusores de informa\u00e7\u00e3o em uma escala de dignidade incalcul\u00e1vel pela m\u00eddia tradicional.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o sil\u00eancio dos ve\u00edculos da capital pernambucana segue diretamente proporcional \u00e0 quantidade de an\u00fancios das imobili\u00e1rias nos classificados e por todos os lados, cantos e recantos dos folhetins do Recife.<\/p>\n<p><em>* Mariana Martins \u00e9 jornalista recifense e membro do Intervozes; Mariana Moreira \u00e9 jornalista recifense.<\/em><\/p>\n<p><em>Texto originalmente publicado no Blog do Intervozes na Carta Capital.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grande parte dos ve&iacute;culos estaduais ignora a mobiliza&ccedil;&atilde;o social contra o projeto Novo Recife e a ocupa&ccedil;&atilde;o nos armaz&eacute;ns do Cais Jos&eacute; Estelita. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1772],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27724"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27724"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27724\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29196,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27724\/revisions\/29196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}