{"id":27683,"date":"2014-04-01T11:46:38","date_gmt":"2014-04-01T11:46:38","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27683"},"modified":"2014-04-01T11:46:38","modified_gmt":"2014-04-01T11:46:38","slug":"jornais-vem-a-publico-confessar-apoio-a-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27683","title":{"rendered":"Jornais v\u00eam \u00e0 publico confessar apoio \u00e0 Ditadura"},"content":{"rendered":"<p>&ldquo;N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que, aos olhos de hoje, aquele apoio foi um erro&rdquo;. Assim a Folha de S&atilde;o Paulo abre a semana em que se completam os 50 anos do golpe que instalou uma brutal ditadura civil-militar no Brasil: buscando justificativa para o seu apoio &agrave; repress&atilde;o do Estado no que considera uma posi&ccedil;&atilde;o pertinente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es da &eacute;poca. O editorial do jornal, publicado no dia 30 de mar&ccedil;o (domingo), segue linha parecida com a opini&atilde;o do Estad&atilde;o publicada nos dias 28 e 31 e com o mea culpa feito pelo O Globo no dia 31 de agosto do ano anterior.<\/p>\n<p>No sum&aacute;rio t&iacute;tulo escolhido para o texto &ldquo;Editorial: 1964&rdquo;, a Folha opta por evitar qualquer posicionamento ou men&ccedil;&atilde;o diante do fato hist&oacute;rico de que apoiou a Ditadura Militar no Brasil. Se inicia a reda&ccedil;&atilde;o criticando &ldquo;a viol&ecirc;ncia que a ditadura representou&rdquo;, logo em seguida faz quest&atilde;o de distribuir &ldquo;a responsabilidade pela espiral de viol&ecirc;ncia&rdquo; entre os &ldquo;dois extremos&rdquo; (direita e esquerda). Depois de compartilhar a responsabilidade da viol&ecirc;ncia entre carrascos e v&iacute;timas, chega ao centro do seu argumento: &ldquo;Isso n&atilde;o significa que todas as cr&iacute;ticas &agrave; ditadura tenham fundamento&rdquo;. A defesa aberta da Ditadura Militar vem em seguida. <\/p>\n<p>A Folha destaca as &ldquo;realiza&ccedil;&otilde;es&rdquo; do regime, para negar a ideia de que teria sido um per&iacute;odo de &ldquo;estagna&ccedil;&atilde;o ou retrocesso&rdquo;. Tece elogios ao crescimento econ&ocirc;mico promovido pela ditadura, &agrave; moderniza&ccedil;&atilde;o, e &ldquo;revela&rdquo; o que seria o seu principal avan&ccedil;o social: a queda da mortalidade infantil. Para concluir afirma que se tratou de um per&iacute;odo de &ldquo;aprendizado&rdquo; e que &ldquo;&eacute; f&aacute;cil, at&eacute; pusil&acirc;nime, por&eacute;m, condenar agora os respons&aacute;veis pelas op&ccedil;&otilde;es daqueles tempos, exercidas em condi&ccedil;&otilde;es t&atilde;o mais adversas e angustiosas que as atuais. Agiram como lhes pareceu melhor ou inevit&aacute;vel naquelas circunst&acirc;ncias&rdquo;.<\/p>\n<p>O Estado de S&atilde;o Paulo conta que o seu diretor J&uacute;lio Mesquita Filho foi um dos conspiradores do golpe, mas tenta expiar sua culpa destacando o seu rompimento com a Ditadura ap&oacute;s o &ldquo;desvio&rdquo; que teria sido a edi&ccedil;&atilde;o do AI-2. Busca justificar o &ldquo;inevit&aacute;vel&rdquo; apoio pelo temor de que o presidente Jango, correligion&aacute;rio de Get&uacute;lio Vargas, instaurasse uma &ldquo;rep&uacute;blica sindicalista em alian&ccedil;a com os comunistas&rdquo;. <\/p>\n<p>O Globo admite que as manifesta&ccedil;&otilde;es das ruas de 2013 arrancaram da empresa uma declara&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre a &ldquo;verdade dura&rdquo; de que o grupo de empresas da fam&iacute;lia apoiou a Ditadura. Reconhece explicitamente como erro o apoio prestado, afirmando que &ldquo;a democracia &eacute; um valor absoluto e, quando em risco, ela s&oacute; pode ser salva por si mesma&rdquo;, embora se preocupe na maior parte do texto em salvar a imagem do ve&iacute;culo e de Roberto Marinho que sempre teria estado &ldquo;ao lado da legalidade&rdquo; &ndash; esquecendo que o golpe de Estado n&atilde;o coube nesse conceito.<\/p>\n<p><strong>Redu&ccedil;&atilde;o de danos e interesses<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Com o objetivo de produzir novas mem&oacute;rias sobre a ditadura civil-militar na ocasi&atilde;o dos 50 anos do golpe de 1964, a Folha insiste em relativizar o pr&oacute;prio golpe&rdquo;, critica Igor Sacramento, doutor pela Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECA\/UFRJ) e um dos organizadores do livro &ldquo;Jornalismo e o golpe de 1964&rdquo;, ainda por ser lan&ccedil;ado.<\/p>\n<p>Sacramento se diz indignado com o editorial da Folha, no qual o golpe &ldquo; n&atilde;o &eacute; visto como um golpe de Estado conduzido pelos militares e apoiado por diversos setores da sociedade civil, como pela maior parte das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, por exemplo, mas como meramente uma rea&ccedil;&atilde;o ao pretenso avan&ccedil;o do comunismo na pol&iacute;tica nacional&rdquo;. &ldquo;Novamente, 50 anos depois, a ret&oacute;rica do &quot;perigo vermelho&quot; &eacute; retomada como justificativa para aquele golpe de Estado&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>Os interesses econ&ocirc;micos e comerciais, al&eacute;m dos ideol&oacute;gicos, s&atilde;o considerados pelo pesquisador como pontos fundamentais para entender o apoio das empresas de jornalismo &agrave; Ditadura. &ldquo;&Eacute; interessante observar que o grupo Folha, al&eacute;m dos benef&iacute;cios do governo, tamb&eacute;m recebeu um tratamento especial de empresas nacionais e multinacionais, no que diz respeito &agrave; publicidade.&nbsp; Em 1965, aproveitando-se de mais duas oportunidades oferecidas pelo golpe, o grupo adquiriu os jornais &Uacute;ltima Hora e o Not&iacute;cias Populares&rdquo;, afirma. Segundo ele, os jornais teriam se beneficiado tamb&eacute;m com facilidades na compra de papel, mat&eacute;ria-prima do setor.<\/p>\n<p>A mem&oacute;ria da ditadura a associa hoje a algo negativo e a internet torna mais dif&iacute;cil esconder algumas informa&ccedil;&otilde;es. Como ficou imposs&iacute;vel negar o apoio prestado no passado, as grandes empresas jornal&iacute;sticas resolveram no cinqueten&aacute;rio do golpe minimizar os danos e&nbsp; apresentar sua vers&atilde;o. Assim explica M&ocirc;nica Mour&atilde;o, que em sua pesquisa de doutorado no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal Fluminense (UFF) aborda o trabalho de comunistas nas reda&ccedil;&otilde;es de jornal. <\/p>\n<p>&ldquo;A sele&ccedil;&atilde;o que esses ve&iacute;culos est&atilde;o fazendo tenta minimizar os danos de suas liga&ccedil;&otilde;es com a Ditadura&rdquo;, explica Mour&atilde;o, que tamb&eacute;m &eacute; militante do Intervozes. Segundo ela, a tese de rea&ccedil;&atilde;o &agrave; radicaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se sustenta. &ldquo;Existiam v&aacute;rios grupos de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; ditadura que n&atilde;o eram necessariamente &ldquo;radicais&quot;, como o pr&oacute;prio PCB. Era imposs&iacute;vel que algu&eacute;m que trabalhasse no jornal n&atilde;o entendesse que se tratava de um regime de exce&ccedil;&atilde;o. Eles est&atilde;o tentando esquecer o que &eacute; desconfort&aacute;vel&rdquo;, explica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Principais jornais do pa&iacute;s tentam justificar seu apoio &agrave; Ditadura Civil-Militar. Pesquisadores v&ecirc;em com desconfian&ccedil;a o que seria uma tentativa de recontar a pr&oacute;pria hist&oacute;ria.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1792],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27683"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27683"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27683\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}