{"id":27642,"date":"2014-01-21T08:25:23","date_gmt":"2014-01-21T08:25:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27642"},"modified":"2015-08-30T22:56:32","modified_gmt":"2015-08-30T22:56:32","slug":"o-jornalismo-tambem-precisa-de-acoes-afirmativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27642","title":{"rendered":"O jornalismo tamb\u00e9m precisa de a\u00e7\u00f5es afirmativas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Aida Feitosa e Isabela Vieira*<\/strong><\/p>\n<p>Em novembro passado, o governo brasileiro enviou ao Congresso Nacional a proposta de cotas para negros e negras nos concursos p\u00fablicos promovidos pelo poder Executivo. A proposta, pauta antiga de reivindica\u00e7\u00e3o do movimento negro, tamb\u00e9m possibilita a reflex\u00e3o do quadro organizativo dos \u00f3rg\u00e3os federais no que se refere \u00e0 representa\u00e7\u00e3o de negros e mulheres. O artigo de Aida Feitosa e Isabela Vieira, integrantes da Comiss\u00e3o de Jornalistas pela Igualdade Racial do DF e do RJ, respectivamente, mostra que os empregados e empregadas da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC) sa\u00edram na frente. Com a proposi\u00e7\u00e3o de que os cargos de chefia e dire\u00e7\u00e3o sejam preenchidos a partir de crit\u00e9rios de g\u00eanero e ra\u00e7a, a EBC (caso a sua atual diretoria tivesse absorvido a proposta) poderia ser exemplo para os demais \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e at\u00e9 mesmo para as empresas jornal\u00edsticas do Brasil, cujo cen\u00e1rio de exclus\u00e3o de mulheres e negros \u00e9 assustador.<\/p>\n<p>Confira o artigo:<\/p>\n<p><strong>Para Combater a desigualdade: a\u00e7\u00f5es afirmativas na EBC<\/strong><\/p>\n<p>Em di\u00e1logo constante com a sociedade brasileira, a Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC) encontra-se frente ao desafio de incorporar a diversidade brasileira \u00e0 sua estrutura organizacional. No momento em que o governo federal prop\u00f5e a reserva de vagas em concursos p\u00fablicos para pretos e pardos (negros), empregadas e empregados da EBC v\u00e3o al\u00e9m: querem todos os cargos de chefia e dire\u00e7\u00e3o preenchidos de acordo com crit\u00e9rios de g\u00eanero e ra\u00e7a, proporcional ao verificado no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A proposta \u2013 rejeitada pela diretoria da empresa &#8211; constava da pauta de reivindica\u00e7\u00f5es do Acordo Coletivo de Trabalho 2013\/2014 e foi tema de debates nos piquetes de greve, com apoio de representantes do movimento negro.<\/p>\n<p>A EBC aguarda a tramita\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei 6738 que reserva a pretos e pardos (negros) 20% das vagas oferecidas nos concursos do executivo federal, e enquanto o projeto tramita, a diretoria se comprometeu a implementar o Programa Pr\u00f3-Equidade de G\u00eanero e Ra\u00e7a, da Secretaria de Pol\u00edticas para as Mulheres. A ades\u00e3o \u2013 defendida nas duas \u00faltimas pautas de reivindica\u00e7\u00f5es do acordo coletivo \u2013 ocorreu em setembro deste ano.<\/p>\n<p>No momento, a atual estrutura da empresa \u00e9 excludente. A EBC tem apenas uma mulher entre os seus oito cargos de diretoria. A presid\u00eancia, ocupada nos primeiros anos pela jornalista Tereza Cruvinel agora est\u00e1 sob a responsabilidade do jornalista Nelson Breve. Os seis superintendententes, vinculados \u00e0 Diretoria-geral, s\u00e3o homens, assim como os principais gestores da vice-presid\u00eancia. No Rio, levantamento feito com dados do Portal da Transpar\u00eancia, mostra que dos 57 cargos de chefia, somente 15 s\u00e3o ocupados por mulheres (sendo tr\u00eas do quadro funcional). Em S\u00e3o Paulo, de 20 cargos de gest\u00e3o na TV Brasil, 16 est\u00e3o preenchidos por homens.<\/p>\n<p>O problema na estrutura organizacional das empresas de comunica\u00e7\u00e3o e no jornalismo n\u00e3o \u00e9 exclusividade da EBC. Levantamento da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) mostrou que, embora a maioria dos jornalistas seja mulheres, brancas e jovens (64%), elas ocupam posi\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas mais baixas e recebem sal\u00e1rios menores que os homens. J\u00e1 os negros e negras jornalistas somam 23% desses profissionais, o que n\u00e3o corresponde nem de perto ao percentual de 50,74% de pretos e pardos (negros) na sociedade brasileira, segundo o IBGE.<\/p>\n<p>No bojo da cria\u00e7\u00e3o da EBC, em 2008, o pesquisador PHD em Comunica\u00e7\u00e3o e cineasta Joel Zito Ara\u00fajo j\u00e1 alertava para o problema. Estudo coordenado por ele constatou que apenas 8,6% dos apresentadores das emissoras p\u00fablicas de televis\u00e3o eram negros\/negras. Do total de rep\u00f3rteres de v\u00eddeo desses mesmos canais, somente 5,5% eram considerados pretos ou pardos.<\/p>\n<p>O racismo institucional deve ser enfrentado desde os processos seletivos aos programas de progress\u00e3o de carreira, passando pelas regras de acesso \u00e0 empresa, que ainda pro\u00edbe a entrada de empregados ou entrevistados trajando chinelo ou bermuda.<\/p>\n<p>Pesquisas censit\u00e1rias sobre a composi\u00e7\u00e3o do quadro de funcion\u00e1rios e campanhas de esclarecimentos devem acompanhar as pr\u00e1ticas de combate ao racismo e valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade. Dessa forma, a EBC cumprir\u00e1 sua fun\u00e7\u00e3o constitucional de produzir conte\u00fados que promovam os direitos humanos, desconstruam estere\u00f3tipos e garantam a pluralidade.<br \/>\n<em><br \/>\n*Aida Feitosa jornalista integrante da Comiss\u00e3o de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-DF) e Isabela Vieira jornalista da EBC e integrante da Cojira-RJ.<\/em><\/p>\n<p><em>Texto originalmente publicado no Blog do Intervozes na Carta Capital.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados da Fenaj mostram que mulheres ocupam posi&ccedil;&otilde;es hier&aacute;rquicas mais baixas e recebem sal&aacute;rios menores que os homens. 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