{"id":27598,"date":"2013-11-07T10:08:28","date_gmt":"2013-11-07T10:08:28","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27598"},"modified":"2015-09-08T01:42:39","modified_gmt":"2015-09-08T01:42:39","slug":"a-telecomunicacao-brasileira-na-mira-da-colonizacao-estrangeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27598","title":{"rendered":"A telecomunica\u00e7\u00e3o brasileira na mira da coloniza\u00e7\u00e3o estrangeira"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 pensou se a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica reservasse ao Brasil um projeto de recoloniza\u00e7\u00e3o, mas de outro tipo, menos \u201cestatal\u201d e mais \u201cprivado\u201d. Os tempos s\u00e3o outros, mas n\u00e3o muito. O mercantilismo das grandes navega\u00e7\u00f5es cedeu lugar ao capitalismo monopolista contempor\u00e2neo das megacorpora\u00e7\u00f5es de telecomunica\u00e7\u00e3o. Saiu de cena a monarquia e o capital financeiro assumiu para si a tarefa de, com as pr\u00f3prias m\u00e3os, ca\u00e7ar mercados e saquear as col\u00f4nias. Portugal Telecom e Telef\u00f3nica protagonizam a nova jornada atrav\u00e9s do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Portugal Telecom, empresa que j\u00e1 havia entrado na OI em 2010 (desmentindo a propaganda do governo Lula sobre a \u201csuper-tele\u201d brasileira, capaz de fazer frente ao capital internacional), anunciou, em outubro, que ir\u00e1 se fundir com a ex-futura campe\u00e3 nacional.<\/p>\n<p>Entre 35 e 40% da multinacional a ser criada (CorpCo) ficar\u00e1 nas m\u00e3os dos acionistas da empresa portuguesa. O resto ser\u00e1 dividido entre diferentes grupos nacionais, incluindo fundos de pens\u00e3o, BNDES, os conglomerados Jereissati e Andrade Gutierrez. O \u201cextrativismo\u201d telem\u00e1tico vai render \u00e0 \u201ccoroa\u201d do capital portugu\u00eas 41,2% da nossa telefonia fixa, 18,7% da m\u00f3vel, 29,2% da banda larga e 5,2% de TV por assinatura. Um quinto (21%) de toda a receita l\u00edquida do setor no Brasil.<\/p>\n<p>E coloniza\u00e7\u00e3o ib\u00e9rica que se preze tem que ter Tratado de Tordesilhas, n\u00e3o \u00e9? Logo, a Telef\u00f3nica, empresa sediada na Espanha \u00e9 pe\u00e7a fundamental na movimenta\u00e7\u00e3o da empresa portuguesa. J\u00e1 estiveram juntas operando a Vivo entre 2002 e 2010, ano em que a espanhola fez um acordo com a Portugal Telecom comprando sua parte no capital social.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a espanhola, que det\u00e9m um quarto da receita l\u00edquida de telecomunica\u00e7\u00e3o no Brasil e 28,7% do mercado de telefonia m\u00f3vel, vem ampliando sua participa\u00e7\u00e3o no controle da empresa italiana que controla a TIM. Esta representa 27,2% do mercado de servi\u00e7os de celulares aqui.<\/p>\n<p>Por fora dessa partilha, bagun\u00e7ando o tratado europeu, corre no p\u00e1reo o magnata mexicano Carlos Slim, detentor do um quarto (25%) restante do mercado brasileiro (!) de telefonia m\u00f3vel e de mais da metade (53%) da TV por assinatura (com s\u00f3cios nacionais, como a Globo).<\/p>\n<p>Nesse imbr\u00f3glio de movimentos de acionistas, fus\u00f5es, participa\u00e7\u00f5es etc., que se refestela no esp\u00f3lio esquartejado do antigo sistema estatal Telebr\u00e1s, praticamente tudo \u00e9 confuso e muito imprevis\u00edvel para n\u00f3s, desconvidados do grande banquete. Ningu\u00e9m sabe, por exemplo, o futuro da TIM (alguns j\u00e1 falam na possibilidade de dividi-la entre as outras tr\u00eas grandes corpora\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Apenas uma \u00fanica coisa parece simples de entender nesse quadro: os poucos participantes tendem a diminuir seu n\u00famero e aumentar seu poder. A balan\u00e7a pende para o lado do capital estrangeiro.<\/p>\n<p><em>Texto originalmente publicado no Blog do Intervozes na Carta Capital.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo &eacute; imprevis&iacute;vel diante do imbr&oacute;glio de acionistas e fus&otilde;es  que  refestela no esp&oacute;lio esquartejado do antigo sistema Telebr&aacute;s. 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