{"id":27592,"date":"2013-11-04T10:36:54","date_gmt":"2013-11-04T10:36:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27592"},"modified":"2013-11-04T10:36:54","modified_gmt":"2013-11-04T10:36:54","slug":"grito-da-liberdade-critica-a-midia-e-a-repressao-policial-nas-ruas-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27592","title":{"rendered":"Grito da Liberdade critica a m\u00eddia e a repress\u00e3o policial nas ruas do Rio"},"content":{"rendered":"<p>Nesta quinta-feira (31\/10), cerca de 2 mil pessoas foram &agrave;s ruas no Rio de Janeiro para uma manifesta&ccedil;&atilde;o intitulada &ldquo;Grito da Liberdade&rdquo;. Infelizmente, n&atilde;o se tratava de uma comemora&ccedil;&atilde;o, e sim do apelo de uma sociedade que, ap&oacute;s um momento epif&acirc;nico de celebra&ccedil;&atilde;o do poder popular, sente o cerco se fechando.<\/p>\n<p>Qual o status da liberdade hoje no Brasil? Quem vem acompanhando as manifesta&ccedil;&otilde;es que v&ecirc;m ocorrendo desde junho sabe que um dos principais catalisadores dos atos p&uacute;blicos foi a solidariedade &agrave;s v&iacute;timas da rea&ccedil;&atilde;o demasiadamente violenta da Pol&iacute;cia Militar (logo, do Estado). Depois da repress&atilde;o truculenta ocorrida em S&atilde;o Paulo no dia 13 de junho, os rios de asfalto e gente entornaram pelas ladeiras, entupiram o meio-fio, em meio a tantos gases lacrimog&ecirc;nios.<\/p>\n<p>De l&aacute; pra c&aacute;, o n&uacute;mero de pessoas diminuiu nas ruas, mas a intensidade da repress&atilde;o aumentou. Seja pela a&ccedil;&atilde;o direta da pol&iacute;cia, sela pela articula&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as conservadoras, nos tr&ecirc;s poderes, para criar leis que ampliem a possibilidade de carimbar o nome &ldquo;criminoso&rdquo; no curr&iacute;culo das pessoas. Exemplo disto &eacute; a chamada Lei do Crime Organizado, que, assinada em 2 de agosto pela presidenta Dilma, foi inaugurada em outubro no Rio de Janeiro com a pris&atilde;o de 84 pessoas durante uma manifesta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, sendo 20 delas adolescentes. Alguns est&atilde;o presos at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>Tudo isso legitimado por uma imprensa que, em vez de colaborar no esfor&ccedil;o para compreender a din&acirc;mica dos acontecimentos, incita o medo e o &oacute;dio, clamando por uma postura mais en&eacute;rgica por parte do Estado &ndash; que, invariavelmente, tem resultado em mais viol&ecirc;ncia nas ruas.<\/p>\n<p>Obviamente, o processo tem suas nuances. O discurso da m&iacute;dia oscila entre a simpatia por um determinado tipo de manifesta&ccedil;&atilde;o (aquela que serve &agrave; politicagem dos donos da m&iacute;dia ou que celebra o narcisismo da classe m&eacute;dia) e a histeria generalizada. O &aacute;pice da criminaliza&ccedil;&atilde;o hist&eacute;rica foi a capa do jornal O Globo do dia 17 de outubro passado, que deu um tratamento de reportagem policial ao ato p&uacute;blico dos profissionais de educa&ccedil;&atilde;o. A manchete &ldquo;crime e castigo&rdquo; estampou fotos dos &ldquo;v&acirc;ndalos&rdquo; na capa do di&aacute;rio e condenou diversos manifestantes que, posteriormente, foram absolvidos pela Justi&ccedil;a &ndash; sem que qualquer tipo de retrata&ccedil;&atilde;o fosse feito pelo Globo na sequ&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Os julgamentos e puni&ccedil;&otilde;es sum&aacute;rias por parte dos grupos de m&iacute;dia e da Pol&iacute;cia Militar (lembrando novamente: do Estado) n&atilde;o t&ecirc;m nada de novo, como atestam os v&aacute;rios Amarildos que n&atilde;o se tornaram not&iacute;cia. O fen&ocirc;meno &ldquo;black bloc&rdquo; nos atos p&uacute;blicos e a tipifica&ccedil;&atilde;o &ldquo;v&acirc;ndalo&rdquo; funcionam, no discurso conservador da m&iacute;dia, de forma semelhante ao que ela faz com o &ldquo;negro&rdquo; (black!) ao tax&aacute;-lo de &ldquo;traficante&rdquo; na favela: culpa a priori. E foi principalmente contra esse tipo de desmando e criminaliza&ccedil;&atilde;o, que acontece nas favelas todos os dias e nas manifesta&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas com frequ&ecirc;ncia, que as pessoas foram &agrave;s ruas nesta quinta-feira.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o apenas. Quem acompanha no notici&aacute;rio o lobby das telecomunica&ccedil;&otilde;es e da radiodifus&atilde;o no Congresso contra a aprova&ccedil;&atilde;o do Marco Civil da Internet sabe que esse cerco n&atilde;o se fecha apenas nas ruas, e o Grito da Liberdade no Rio de Janeiro fez quest&atilde;o de apontar isto tamb&eacute;m. As possibilidades de amplia&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica abertas pelos usos sociais da web observados nos &uacute;ltimos anos, como a cria&ccedil;&atilde;o de canais de informa&ccedil;&atilde;o independentes, que colocaram a nossa m&iacute;dia em cheque nos &uacute;ltimos meses, encontram-se amea&ccedil;adas.<\/p>\n<p>Por meio da internet, a sociedade brasileira foi informada sobre o que acontecia nas ruas durante as manifesta&ccedil;&otilde;es ou nas favelas sob a pol&iacute;tica das &ldquo;tropas de choque&rdquo; e das &ldquo;pol&iacute;cias pacificadoras&rdquo;. Isso desarticulou distor&ccedil;&otilde;es promovidas pelo discurso oficial e midi&aacute;tico. E &eacute; por isso que, agora, h&aacute; muitos interessados em restringir esse canal de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O Grito da Liberdade de quinta-feira foi um reflexo de uma sociedade que j&aacute; sente suas liberdades limitadas cotidianamente e que as v&ecirc; cada vez mais serem v&iacute;timas do conservadorismo dirigido pela fome de lucro e que tem sede de controle. Todos sentimos que o momento &eacute; importante para o pa&iacute;s, por isso muitos t&ecirc;m ido &agrave;s ruas ou celebrado por aqueles que v&atilde;o. N&atilde;o temos, por&eacute;m, certeza de que estamos ganhando essa batalha. Que a liberdade possa falar mais alto.<\/p>\n<p><em>* Bruno Marinoni &eacute; rep&oacute;rter do Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o e doutor em sociologia pela UFPE.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manifesta&ccedil;&atilde;o reuniu 2 mil pessoas nesta quinta-feira para denunciar a repress&atilde;o do Estado e a criminaliza&ccedil;&atilde;o dos manifestantes pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1772],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27592"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27592\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}