{"id":27568,"date":"2013-10-08T10:29:49","date_gmt":"2013-10-08T10:29:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27568"},"modified":"2013-10-08T10:29:49","modified_gmt":"2013-10-08T10:29:49","slug":"maioria-dos-brasileiros-acha-que-publicidade-trata-a-mulher-como-objeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27568","title":{"rendered":"Maioria dos brasileiros acha que publicidade trata a mulher como objeto"},"content":{"rendered":"<p>A pesquisa &quot;Representa&ccedil;&otilde;es das mulheres nas propagandas na TV&quot;, realizada pelo Data Popular e Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o e lan&ccedil;ada nesta segunda-feira (30), em S&atilde;o Paulo, revela que uma das principais bandeiras do movimento feminista e dos defensores da democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia agora tamb&eacute;m &eacute; abra&ccedil;ada pela maioria da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. O estudo, que ouviu 1.501 homens e mulheres maiores de 18 anos, em 100 munic&iacute;pios de todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s, mostrou que 56% dos brasileiros e brasileiras n&atilde;o acreditam que as propagandas de TV mostram a mulher da vida real. Para 65%, o padr&atilde;o de beleza nas propagandas &eacute; muito distante da realidade da nossa popula&ccedil;&atilde;o, e 60% consideram que as mulheres ficam frustradas quando n&atilde;o conseguem ter o corpo e a beleza das mulheres mostradas nos comerciais.<\/p>\n<p>A pesquisa mostrou ainda que 84% da popula&ccedil;&atilde;o &#8211; 84% dos homens tamb&eacute;m! &#8211; acham que o corpo da mulher &eacute; usado para promover a venda de produtos. Para 58%, as propagandas de TV mostram a mulher como um objeto sexual, reduzida a bunda e peito. Um dos dados mais interessantes do estudo, no entanto, &eacute; o que aponta que 70% da popula&ccedil;&atilde;o defendem algum tipo de puni&ccedil;&atilde;o para os respons&aacute;veis por propagandas que mostram a mulher de forma ofensiva. Ou seja, de maneira semelhante ao dado da pesquisa da Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, que revelou que 71% dos brasileiros e brasileiras defendem a regula&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, agora, percentual equivalente tamb&eacute;m defende a regula&ccedil;&atilde;o da propaganda, com responsabiliza&ccedil;&atilde;o pela veicula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos machistas e que violem os direitos das mulheres.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o da diretora executiva do Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o, Jacira Melo, a pesquisa ser&aacute; uma ferramenta importante para levar este debate ao conjunto da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. &quot;Uma coisa s&atilde;o nossos argumentos, do movimento feminista. Outra &eacute; uma pesquisa que mostra uma percep&ccedil;&atilde;o contundente e coerente da popula&ccedil;&atilde;o sobre este tema&quot;, disse.<\/p>\n<p>No Brasil, a regula&ccedil;&atilde;o da publicidade cabe ao CONAR, conselho de autorregula&ccedil;&atilde;o do setor, que atua com base no C&oacute;digo Brasileiro de Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria.O C&oacute;digo, em seus artigos 19 e 20, afirma que &quot;toda atividade publicit&aacute;ria deve caracterizar-se pelo respeito &agrave; dignidade da pessoa humana&quot; e que &quot;nenhum an&uacute;ncio deve favorecer ou estimular qualquer esp&eacute;cie de ofensa ou discrimina&ccedil;&atilde;o racial, social, pol&iacute;tica, religiosa ou de nacionalidade&quot;. As cr&iacute;ticas &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do CONAR, no entanto, s&atilde;o in&uacute;meras, da lentid&atilde;o &agrave; n&atilde;o aplica&ccedil;&atilde;o efetiva do C&oacute;digo.<\/p>\n<p>&Eacute; por isso que pa&iacute;ses como a Fran&ccedil;a e a Inglaterra adotam mecanismos de corregula&ccedil;&atilde;o da publicidade. Ou seja, se a autorregula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o funciona, o Estado &#8211; atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o de leis e do funcionamento de &oacute;rg&atilde;os reguladores &#8211; tem o direito e o dever de agir. E a pesquisa do Data Popular\/Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o &eacute; a prova de que as mulheres seguem sendo desrespeitadas nas propagandas de TV no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Falta diversidade<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa lan&ccedil;ada nesta segunda-feira tamb&eacute;m apresenta uma s&eacute;rie de dados que mostram a brutal aus&ecirc;ncia de diversidade na representa&ccedil;&atilde;o da mulher nos comerciais de televis&atilde;o. Na percep&ccedil;&atilde;o da sociedade, as mulheres nas propagandas s&atilde;o majoritariamente jovens, brancas, magras e loiras, t&ecirc;m cabelos lisos e s&atilde;o de classe alta. O problema &eacute; que n&atilde;o &eacute; assim que as mulheres querem se ver representadas.<\/p>\n<p>Enquanto 80% consideram que as propagandas na TV mostram mais mulheres brancas, 51% gostariam de ver mais mulheres negras. N&atilde;o coincidentemente, a popula&ccedil;&atilde;o negra no Brasil &eacute; muito pr&oacute;xima deste percentual. Enquanto 73% consideram que as propagandas na TV mostram mais mulheres de classe alta, 64% gostariam de ver mulheres de classes populares nas propagandas. Enquanto 87% veem mais mulheres magras nas propagandas na TV, 43% gostariam de ver mais mulheres gordas. Enquanto 78% veem mais mulheres jovens, 55% gostariam de ver mais mulheres maduras.<\/p>\n<p>H&aacute; quem possa argumentar: &quot;mas a publicidade nunca trabalhou com representa&ccedil;&atilde;o; sempre vendeu um determinado padr&atilde;o&quot;. A novidade &eacute; que isso n&atilde;o est&aacute; mais colando!<\/p>\n<p>Para Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular, a pesquisa mostra que h&aacute; uma crise de identidade na publicidade e uma incompet&ecirc;ncia do mercado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher. Enquanto as mulheres querem se ver e se reconhecer nas propogandas, os comerciais continuam trabalhando com um padr&atilde;o aspiracional. &quot;A quest&atilde;o &eacute; que a l&oacute;gica da frustra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o serve mais para vender produtos no Brasil. A mulher quer algo que est&aacute; ao seu alcance, e n&atilde;o o imposs&iacute;vel&quot;, afirma.<\/p>\n<p>Ou seja, nem com toda a overdose massacrante dos padr&otilde;es de beleza, que transformaram o Brasil no pa&iacute;s da cirurgia pl&aacute;stica e dos lucros bilion&aacute;rios da ind&uacute;stria dos cosm&eacute;ticos, a mulher brasileira deixou de considerar importante se sentir representada na TV. Isso ficou muito claro na pesquisa. E certamente ser&aacute; um importante instrumento de luta para deixar a televis&atilde;o brasileira com a nossa cara.<\/p>\n<p>A partir dos dados da pesquisa, o Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o lan&ccedil;ar&aacute; um concurso de v&iacute;deos que discutam o tema da imagem da mulher na publicidade. A &iacute;ntegra do estudo pode ser acessada<a href=\"http:\/\/www.agenciapatriciagalvao.org.br\/images\/stories\/PDF\/agenda\/Representacoes_das_mulheres_nas_propagandas_na_TV.pdf\"> aqui<\/a> .<\/p>\n<p><em>* Bia Barbosa &eacute; jornalista, membro do Conselho Diretor do Intervozes e militante feminista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa realizada pelo Data Popular e Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o tamb&eacute;m revela que 70% da popula&ccedil;&atilde;o defende puni&ccedil;&atilde;o aos respons&aacute;veis por propagandas ofensivas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1772],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27568"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27568"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27568\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27568"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27568"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27568"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}