{"id":27558,"date":"2013-09-23T09:51:58","date_gmt":"2013-09-23T09:51:58","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27558"},"modified":"2013-09-23T09:51:58","modified_gmt":"2013-09-23T09:51:58","slug":"europa-avanca-na-construcao-de-um-mercado-unico-de-telecomunicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27558","title":{"rendered":"Europa avan\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o de um mercado \u00fanico de telecomunica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>No dia 11 de setembro, o presidente da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, Jos&eacute; Manoel Dur&atilde;o Barroso, anunciou um conjunto de propostas que, se aprovadas, representar&atilde;o um passo decisivo na ado&ccedil;&atilde;o de um mercado &uacute;nico europeu de telecomunica&ccedil;&otilde;es. H&aacute; pontos positivos na proposta, como o fim do roaming internacional dentro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e o refor&ccedil;o da neutralidade de rede. Mas tamb&eacute;m h&aacute; uma aposta liberal de que o mercado ser&aacute; capaz de fixar melhor os pre&ccedil;os para contrata&ccedil;&atilde;o das redes de banda larga.<\/p>\n<p>A proposta &eacute; a mais ousada iniciativa para concretizar o Pilar I (&ldquo;mercado &uacute;nico digital&rdquo;) da Agenda Digital para a Europa que, por sua vez, integra o Europa 2020, um plano de dez anos, definido pela Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, para recolocar o continente no rumo do crescimento econ&ocirc;mico, depois da crise de 2008.<\/p>\n<p>Embora anunciada com estarda&ccedil;alho por Dur&atilde;o Barroso, a iniciativa, na verdade, &eacute; um rec&uacute;o frente &agrave; proposta inicial, defendida pela comiss&aacute;ria para Agenda Digital, Neelie Kroes. Diante da press&atilde;o de alguns estados-membro, a Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia deixou claro que n&atilde;o se trata de criar um &oacute;rg&atilde;o regulador &uacute;nico ou uma licen&ccedil;a pan-europ&eacute;ia para uso do espectro, conforme defendia Kroes.<\/p>\n<p><strong>Principais a&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>A proposta fala em regras de gest&atilde;o do tr&aacute;fego de dados que sejam n&atilde;o discriminat&oacute;rias, proporcionais e transparentes e pro&iacute;be a degrada&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os concorrentes (como o Skype, por exemplo). Mas, permite que sejam vendidos servi&ccedil;os com qualidade superior ao acesso comum.<\/p>\n<p>A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia tamb&eacute;m prop&otilde;e aumentar os direitos do consumidor, com a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre velocidade real de acesso (inclusive em momentos de pico de consumo) e pr&aacute;ticas de gest&atilde;o de tr&aacute;fico adotadas. Os reguladores nacionais devem passar a monitorar a qualidade do servi&ccedil;o e podem impor requisitos m&iacute;nimos de qualidade para o acesso a banda larga.<\/p>\n<p>Mas, o mercado &uacute;nico come&ccedil;aria mesmo pela ado&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica licen&ccedil;a que permitiria a operadora de telecomunica&ccedil;&otilde;es atuar nos 28 estados-membro. Tamb&eacute;m haveria uma harmoniza&ccedil;&atilde;o das regras para licenciamento de espectro, que embora continue ocorrendo em n&iacute;vel nacional, passaria a ser padronizado em todo continente, facilitando que operadoras atuem fora de seus pa&iacute;ses de origem.<\/p>\n<p>A partir de julho de 2014 n&atilde;o haver&aacute; mais a cobran&ccedil;a de roaming para receber liga&ccedil;&otilde;es. E, em 2016, o consumidor, quando em deslocamento, poder&aacute; optar por uma operadora que ofere&ccedil;a planos mais baratos, sem precisar trocar seu SIMcard.<\/p>\n<p>A Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia optou por n&atilde;o impor a regula&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os no atacado para o acesso &agrave;s redes de &ldquo;nova gera&ccedil;&atilde;o&rdquo; de alta velocidade. Sob o argumento de que o mercado europeu convive com diferentes regras que acabam se tornando uma barreira &agrave; concorr&ecirc;ncia, a Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia optou pelo caminho liberal da auto-regula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do mercado.<\/p>\n<p><strong>Estrat&eacute;gia norte-americana<\/strong><\/p>\n<p>Embora o documento em v&aacute;rios momentos cite os benef&iacute;cios para o cidad&atilde;o comum, no fundo sua motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica e se assemelha muito &agrave;quela adotada pelos Estados Unidos, quando da aprova&ccedil;&atilde;o do Telecommunications Act, de 1996.<\/p>\n<p>Em 1981, a justi&ccedil;a norte-americana decretou o desmembramento da AT&amp;T em v&aacute;rias operadoras regionais, que ficavam impedidas de avan&ccedil;ar sobre as &aacute;reas de suas rivais. J&aacute; no come&ccedil;o dos anos 90 nascia a percep&ccedil;&atilde;o de que tais empresas regionais eram pequenas demais para resistir ao avan&ccedil;o de suas concorrentes europ&eacute;ias e japonesas. A estrat&eacute;gia norte-americana, ent&atilde;o, foi derrubar barreiras e permitir o surgimento de grandes operadoras nacionais que pudessem constituir uma barreira a entrada de grupos estrangeiros.<\/p>\n<p>Com a crise europ&eacute;ia, as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es dos pequenos pa&iacute;ses da regi&atilde;o passaram a ter pre&ccedil;os atrativos. O mexicano Carlos Slim Helu, dono no Brasil da Embratel, da Claro e da NET, comprou 24% da Telekom Austria e deve assumir o controle total da holandesa KPN. Comenta-se que a AT&amp;T e a chinesa Hutchison Whampoa estariam de olho na Italia Telecom.<\/p>\n<p>A esperan&ccedil;a da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia &eacute; diminuir barreiras para ver surgir tr&ecirc;s ou quatro empresas de perfil continental. O grande problema &eacute; que todos os estados-membro esperam que suas empresas estejam no lado comprador dessa hist&oacute;ria e n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil compatibilizar tantos interesses. Os pr&oacute;ximos passos dessa iniciativa prometem ser ainda mais pol&ecirc;micos.<\/p>\n<p><em>* Gustavo Gindre &eacute; especialista em regula&ccedil;&atilde;o da atividade audiovisual na Ancine e membro do Intervozes.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Propostas como o fim do roaming internacional entre os pa&iacute;ses do bloco e a garantia da neutralidade de rede fazem parte do plano Agenda Digital para a Europa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1772],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27558"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27558\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}