{"id":27552,"date":"2013-09-17T16:44:05","date_gmt":"2013-09-17T16:44:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27552"},"modified":"2013-09-17T16:44:05","modified_gmt":"2013-09-17T16:44:05","slug":"o-radio-completa-90-anos-no-brasil-ha-motivos-para-comemorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27552","title":{"rendered":"O r\u00e1dio completa 90 anos no Brasil. H\u00e1 motivos para comemorar?"},"content":{"rendered":"<p>H&aacute; nove d&eacute;cadas, a radiodifus&atilde;o come&ccedil;ava no pa&iacute;s. Desde l&aacute;, a tecnologia evoluiu e a cidadania avan&ccedil;ou, mas a democracia continua longe da comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de massa.<\/p>\n<p>O r&aacute;dio nasceu comunit&aacute;rio. Pessoas ligadas &agrave; Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, como Henrique Morize e Edgar Roquette-Pinto, reuniram-se para criar uma emissora com finalidades educativas e culturais. Ap&oacute;s 90 anos, umas das lei que regula a comunica&ccedil;&atilde;o s&oacute; entende comunidade como territ&oacute;rio (de mil metros). Fica de fora a chamada &ldquo;comunidade de interesses&rdquo;, como os pioneiros da R&aacute;dio Sociedade do Rio de Janeiro faziam.<\/p>\n<p>Depois de doar a emissora ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, Roquette-Pinto lutou para criar uma TV educativa. Contudo, as TVs educativas acabaram nascendo descoladas de um projeto de m&iacute;dia p&uacute;blica. Retrato das comunica&ccedil;&otilde;es do Brasil: um amontoado de servi&ccedil;os, definidos por diversas leis, decretos e portarias, que, apesar da quantidade, n&atilde;o conseguem garantir o mais importante para a sociedade, que &eacute; o direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, Roquette-Pinto j&aacute; anunciava muito do que estamos discutindo em tempos de converg&ecirc;ncia. Ele usava diversas m&iacute;dias com o objetivo de educar. Cinema e r&aacute;dio foram as principais plataformas dispon&iacute;veis &agrave; &eacute;poca para explorar o potencial transformador da comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Hoje, as empresas ainda engatinham na comunica&ccedil;&atilde;o multiplataforma. At&eacute; mesmo grupos de natureza convergente, como a EBC, aproveitam pouco sua potencialidade. Por falar nela, a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o perdeu a oportunidade de celebrar o feito de Roquette-Pinto e companhia. Os 90 anos da R&aacute;dio Sociedade (atual MEC AM) foram ignorados pela diretoria da estatal, atualmente respons&aacute;vel pelas MEC AM e FM, R&aacute;dios Nacional do Rio, Bras&iacute;lia, Amaz&ocirc;nia e Alto Solim&otilde;es, al&eacute;m de TV Brasil (antiga TVE), NBR e Ag&ecirc;ncia Brasil.<\/p>\n<p>A EBC tem se aproximado cada vez mais da velha estatal Radiobr&aacute;s e de sua &lsquo;Voz do Brasil&rsquo;, do que da R&aacute;dio Sociedade de Roquette-Pinto, da TVE do Rio ou da R&aacute;dio Nacional da Era do R&aacute;dio. &Eacute; preciso que se torne atrativa, mais p&uacute;blica e menos estatal. Pode fazer isso come&ccedil;ando a aumentar a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade na gest&atilde;o da empresa e garantindo financiamento independente de verbas governamentais. E tamb&eacute;m experimentando mais, fugindo da tenta&ccedil;&atilde;o de copiar f&oacute;rmulas batidas de jornalismo e produ&ccedil;&atilde;o, s&oacute; que com menos dinheiro.<br \/><strong><br \/>Comunica&ccedil;&atilde;o colaborativa<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; bom lembrar que o r&aacute;dio era interativo em seu princ&iacute;pio. Com potencial de ecoar a voz de muitos, limitou-se a R&aacute;dioamador, abrindo espa&ccedil;o para um r&aacute;dio unidirecional, onde apenas um fala e o restante escuta. Essa foi uma imposi&ccedil;&atilde;o da sociedade e n&atilde;o da tecnologia. &Oacute;tima recorda&ccedil;&atilde;o para aqueles que n&atilde;o d&atilde;o import&acirc;ncia para os debates sobre regula&ccedil;&atilde;o de novos servi&ccedil;os, como o Marco Civil da Internet.<\/p>\n<p>A tecnologia, por si s&oacute;, n&atilde;o define o uso do r&aacute;dio, da internet, do jornal e da televis&atilde;o. As leis que regulamentam a Comunica&ccedil;&atilde;o estabelecem como ser&aacute; a m&iacute;dia de um pa&iacute;s. E as diferen&ccedil;as s&atilde;o muitas. Em boa parte da Europa, por exemplo, a maioria das emissoras s&atilde;o p&uacute;blicas. No Brasil, entre os canais de TV 2 a 13, UHF 14 a 69 e do FM 88 a 108 MHz, &eacute; poss&iacute;vel contar nos dedos de uma m&atilde;o as esta&ccedil;&otilde;es do campo p&uacute;blico: quase todas s&atilde;o privadas com fins lucrativos.<\/p>\n<p>Por aqui o quadro ainda &eacute; pior, j&aacute; que o velho modelo de financiamento copiado dos Estados Unidos est&aacute; em crise. Com a concorr&ecirc;ncia de outros meios, a audi&ecirc;ncia da radiodifus&atilde;o diminuiu, reduzindo tamb&eacute;m as verbas publicit&aacute;rias. Por isso, quase todas as r&aacute;dios e TVs alugam suas programa&ccedil;&otilde;es para religi&otilde;es e lojas de varejo que passam o dia inteiro em prega&ccedil;&otilde;es ou mostrando tapetes, rel&oacute;gios e an&eacute;is. Com isso, ficam sem espa&ccedil;o os produtores independentes e a m&iacute;dia alternativa.<\/p>\n<p><strong>Converg&ecirc;ncia e R&aacute;dio Digital<\/strong><\/p>\n<p>A evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica permite a converg&ecirc;ncia entre o r&aacute;dio e outros servi&ccedil;os no chamado r&aacute;dio digital. Os padr&otilde;es dispon&iacute;veis permitem que as atuais esta&ccedil;&otilde;es melhorem a qualidade do &aacute;udio e carreguem novas funcionalidades como v&iacute;deos de baixa resolu&ccedil;&atilde;o, fotos e not&iacute;cias.<\/p>\n<p>Seria a realiza&ccedil;&atilde;o do sonho multim&iacute;dia de Roquette-Pinto. Por&eacute;m, hoje, a mentalidade dos empres&aacute;rios do r&aacute;dio &eacute; mais atrasada daquela dos pioneiros de 1923. Eles parecem n&atilde;o querer o r&aacute;dio digital, mas apenas a migra&ccedil;&atilde;o das emissoras AM para novas frequ&ecirc;ncias de FM. Isso sem falar nas r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Mesmo sendo a maioria das atuais esta&ccedil;&otilde;es, continuam sofrendo os ataques de uma lei criada pelos donos das r&aacute;dios comerciais.<br \/><strong><br \/>Lei da M&iacute;dia Democr&aacute;tica &eacute; solu&ccedil;&atilde;o imediata<\/strong><\/p>\n<p>Muita coisa precisa mudar na comunica&ccedil;&atilde;o de massa que completa 90 anos no Brasil. As ruas pedem pressa, por isso uma das sa&iacute;das imediatas &eacute; a aprova&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei da M&iacute;dia Democr&aacute;tica, organizado por diversos movimentos sociais ligados &agrave; Campanha Para Expressar a Liberdade, promovida pelo FNDC (F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o).<\/p>\n<p>Essa lei, se aprovada, regulamenta importantes artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, garantindo a democracia na Comunica&ccedil;&atilde;o em benef&iacute;cio do cidad&atilde;o e para que os pr&oacute;ximos 90 anos da radiodifus&atilde;o no Brasil sejam de comemora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>*Arthur William integra o Conselho Diretor do Intervozes.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O r&aacute;dio nasceu comunit&aacute;rio. 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