{"id":27546,"date":"2013-09-11T12:20:59","date_gmt":"2013-09-11T12:20:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27546"},"modified":"2013-09-11T12:20:59","modified_gmt":"2013-09-11T12:20:59","slug":"militante-e-criminalizado-pelo-estado-por-defender-radios-comunitarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27546","title":{"rendered":"Militante \u00e9 criminalizado pelo Estado por defender r\u00e1dios comunit\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p>Toma corpo, em Campinas, mais um cap&iacute;tulo da criminaliza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias no Brasil. Desta vez, o dirigente da sess&atilde;o paulista da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (Abra&ccedil;o), Jerry de Oliveira, pode ser condenado &agrave; pena de 5 anos e 2 meses de pris&atilde;o por resistir &agrave; tentativa de apreens&atilde;o de equipamentos sem mandado e trocar provoca&ccedil;&otilde;es com agentes da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) durante uma discuss&atilde;o. O processo encontra-se em andamento, mas pode ter o martelo batido nas pr&oacute;ximas duas semanas.<\/p>\n<p>O processo corre na 1&ordf; Vara Criminal da Justi&ccedil;a Federal de Campinas (SP). Oliveira &eacute; acusado de resist&ecirc;ncia, cal&uacute;nia, amea&ccedil;a e inj&uacute;ria, ap&oacute;s impedir que agentes da Anatel, acompanhados pela pol&iacute;cia, levassem equipamentos de uma emissora comunit&aacute;ria sem ordem judicial e sem o lacre devido que protege o material. Os respons&aacute;veis pela opera&ccedil;&atilde;o teriam entrado na resid&ecirc;ncia sem permiss&atilde;o e sido surpreendidos pela moradora, acordada pelo barulho. O representante do Movimento Nacional de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (MNRC), avisado sobre o andamento da a&ccedil;&atilde;o, teria chegado ao local e intercedido a favor da manuten&ccedil;&atilde;o dos equipamentos no local.<\/p>\n<p>Oliveira teria tamb&eacute;m procurado o respons&aacute;vel pelas opera&ccedil;&otilde;es da Anatel em Campinas para discutir sobre um caso em que a a&ccedil;&atilde;o dos agentes teria, por conta da tens&atilde;o desses procedimentos, induzido um aborto em uma senhora ligada a uma das r&aacute;dios comunit&aacute;rias. A discuss&atilde;o teria sido marcada por troca de provoca&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O processo criminal se refere a esses dois momentos, de resist&ecirc;ncia e de reivindica&ccedil;&atilde;o de &ldquo;ajustamento de conduta. O promotor de justi&ccedil;a pede pena m&aacute;xima para Jerry de Oliveira, o que significa uma condena&ccedil;&atilde;o com pena de 5 anos e 10 meses de pris&atilde;o. A ONG Artigo 19, que luta pela liberdade de express&atilde;o, afirma que &ldquo;tratam-se de medidas desproporcionais e antidemocr&aacute;ticas que d&atilde;o ensejo a autocensura&rdquo;. Se for julgado como criminoso, ainda que possa responder a pena em liberdade, ser&aacute; retirada a primariedade de Jerry (ele n&atilde;o tem antecedentes criminais), pairando assim sobre ele sempre a amea&ccedil;a e a intimida&ccedil;&atilde;o de que uma nova a&ccedil;&atilde;o possa vir a ser dirigida contra ele, mas a partir de ent&atilde;o na condi&ccedil;&atilde;o de reincidente. <\/p>\n<p><strong>Repress&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong>A forma de atua&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro contra as r&aacute;dios comunit&aacute;rias j&aacute; vem sendo denunciada h&aacute; um longo tempo pelo movimento que luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. O exerc&iacute;cio da radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria sem outorga, por exemplo, geralmente &eacute; julgado no &acirc;mbito penal. No entanto, de acordo com a Conven&ccedil;&atilde;o Americana de Direitos Humanos, da qual o Brasil &eacute; signat&aacute;rio, as responsabiliza&ccedil;&otilde;es deveriam ser, no m&aacute;ximo, na &aacute;rea civil ou administrativa. Em mar&ccedil;o deste ano, a ONG Artigo 19 e a Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (Amarc) levaram &agrave; Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos (OEA) um relat&oacute;rio de viola&ccedil;&otilde;es do direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil em que apresentam alguns desses casos. <\/p>\n<p>Em geral, comunicadores populares e entidades que lutam pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o acusam a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) de representar os interesses dos empres&aacute;rios da radiodifus&atilde;o (TV e r&aacute;dio), de invadir emissoras (ou mesmo casas) acompanhados de policiais, sem mandado, e apreender equipamentos. Cerca de 11 mil r&aacute;dios comunit&aacute;rias foram fechadas nos &uacute;ltimos oito anos.<\/p>\n<p>Os comunicadores populares identificam uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre a criminaliza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios comunit&aacute;rias e o interesse comercial das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o. Segundo Arthur William, da Associa&ccedil;&atilde;o Mundial de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (Amarc-Brasil) &ldquo;os donos da m&iacute;dia entendem as r&aacute;dios comunit&aacute;rias como concorr&ecirc;ncia e n&atilde;o como agentes para a consolida&ccedil;&atilde;o da democracia. Por este motivo, fazem de tudo para calar a voz dos comunicadores populares e garantir seus lucros na contram&atilde;o dos interesses da sociedade&rdquo;.<\/p>\n<p>O professor Tarciso Dal Maso Jardim, membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana que preside o grupo de trabalho que trata da viol&ecirc;ncia contra comunicadores, considera que a criminaliza&ccedil;&atilde;o dos comunicadores populares acontece de forma deliberada. &ldquo;Existe todo um interesse paralelo tentando coibir esse tipo de atividade&rdquo;, afirma. Segundo ele, o caso de Jerry j&aacute; foi encaminhado &agrave; ouvidoria da Secretaria de Direitos Humanos da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e deve ser debatida nas pr&oacute;ximas reuni&otilde;es do grupo de trabalho. O GT produzir&aacute; um relat&oacute;rio em fevereiro com o objetivo de subsidiar a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que protejam comunicadores de atos de viol&ecirc;ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MPF pede pena m&aacute;xima ao dirigente que enfrentou desmando de agentes p&uacute;blicos. Pena pode levar a mais de cinco anos de pris&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[364],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27546"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27546\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}