{"id":27537,"date":"2013-08-30T19:45:12","date_gmt":"2013-08-30T19:45:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27537"},"modified":"2013-08-30T19:45:12","modified_gmt":"2013-08-30T19:45:12","slug":"deputados-sao-pressionados-por-operadoras-de-telecom-para-acabar-com-a-internet-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27537","title":{"rendered":"Deputados s\u00e3o pressionados por operadoras de telecom para acabar com a Internet livre"},"content":{"rendered":"<p>O projeto de lei (PL), que prev&ecirc; a cria&ccedil;&atilde;o do Marco Civil da Internet (2.126\/2011), foi apresentado pelo governo federal como umas das principais respostas &agrave;s den&uacute;ncias de que o governo dos Estados Unidos teria montado um esquema de espionagem que incluiria a intercepta&ccedil;&atilde;o de dados em diversos pa&iacute;ses, inclusive no Brasil.<\/p>\n<p>No entanto, a disputa em torno do PL do Marco Civil vai al&eacute;m das quest&otilde;es de espionagem. O lobby das empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; que s&atilde;o, inclusive, acusadas de participar do esquema de monitoramento do governo americano &ndash; pretende acabar com o modelo de Internet historicamente constitu&iacute;do e consolidado, sobretudo, nos acessos fixos.<\/p>\n<p>Internet livre, neste caso, significa que os usu&aacute;rios t&ecirc;m direito a contratar o servi&ccedil;o, podendo navegar &agrave; vontade na velocidade que escolheram, sem nenhum tipo de interfer&ecirc;ncia ou limitador. Essa garantia ficou conhecida como &ldquo;neutralidade de rede&rdquo;. Ou seja, a rede n&atilde;o deve dar tratamento diferenciado a ningu&eacute;m.<\/p>\n<p>Fazendo um paralelo com uma estrada, a operadora estaria proibida de cobrar ped&aacute;gio de uns e n&atilde;o de outros. Pois &eacute; exatamente o que prop&otilde;em as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Elas querem ter total controle sobre o tipo de conte&uacute;do que trafega na Internet. Isso atenta contra uma caracter&iacute;stica fundamental da rede, coloca o poder de escolha do acesso nas m&atilde;os das operadoras e traz dois tipos de preju&iacute;zos.<\/p>\n<p>O primeiro &eacute; mais direto para o usu&aacute;rio. Seriam criadas &ldquo;classes&rdquo; de clientes conforme um volume de dados, n&atilde;o pela velocidade. Quem usar mais (para baixar m&uacute;sicas, v&iacute;deos) paga mais. Os pacotes mais baratos (e mais acess&iacute;veis &agrave; grande maioria dos internautas) teriam poucos aplicativos, e-mails e acesso a sites, entre outras coisas. Seria como fazer da Internet uma TV a Cabo, voc&ecirc; conseguiria acessar o que o seu poder aquisitivo permitir.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a cria&ccedil;&atilde;o de &ldquo;franquias de dados&rdquo; poderia fazer com que as empresas de infraestrutura segurassem investimentos. Quando a rede estiver saturada, a velocidade cai. Esse modelo freia o desenvolvimento do pa&iacute;s. Em um cen&aacute;rio no qual a empresa tem que assegurar o tr&aacute;fego em uma velocidade contratada, sem limite de dados, ela precisa ampliar a rede para poder vender mais pacotes. Isso evita o risco de &ldquo;apag&otilde;es&rdquo; e melhora a qualidade do servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Essa mudan&ccedil;a patrocinada pelas operadoras feriria o princ&iacute;pio de que o direito de escolha do que acessar &eacute; do usu&aacute;rio. Poderia, ainda, trazer aumento do pre&ccedil;o dos pacotes com mais capacidade de uso. O Brasil iria na contram&atilde;o do mundo, que caminha para assegurar um acesso na web cada vez maior e com mais velocidade.<\/p>\n<p>O segundo preju&iacute;zo &eacute; para a democracia. As operadoras poderiam discriminar os sites, facilitando a visualiza&ccedil;&atilde;o de uns em detrimento de outros. Com isso, os grandes conglomerados de m&iacute;dia, que tivessem dinheiro para fazer acordos com as empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o, teriam acesso &ldquo;facilitado&rdquo;. Por exemplo: a pessoa preferiria acessar o portal Terra, e n&atilde;o um blog, porque o primeiro demoraria menos tempo para baixar. Ou optaria pelo Gmail, e n&atilde;o por um provedor local, porque o primeiro seria mais r&aacute;pido.<\/p>\n<p>As empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o pressionam agora o governo e os parlamentares para incluir a franquia de dados no artigo 9&ordm; do substitutivo do deputado Alessandro Molon (PT-RJ), relator da mat&eacute;ria. Querem colocar uma garantia de mercado em algo que deveria ser a carta de princ&iacute;pios da Internet no pa&iacute;s. Com o modelo de neg&oacute;cios, amea&ccedil;am a Internet em um de seus pilares mais fundamentais. E avan&ccedil;am sobre o controle da rede, o que, como as den&uacute;ncias de Edward Snowden j&aacute; mostraram, abre espa&ccedil;o para a invas&atilde;o da privacidade dos usu&aacute;rios.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a campanha &#39;Banda Larga &eacute; um Direito Seu&#39; cobra do governo, do relator e de deputados a necessidade de assegurar a neutralidade de rede no texto que vai &agrave; vota&ccedil;&atilde;o. Uma luta dif&iacute;cil e que precisa do apoio de quem quer continuar a acessar a Rede Mundial de Computadores sem ter que pagar ped&aacute;gios (vis&iacute;veis ou n&atilde;o).<\/p>\n<p>Quer saber como come&ccedil;ar? Divulgue que a nossa Internet est&aacute; em risco. E cobre do seu parlamentar o apoio ao Marco Civil com a neutralidade de rede.<\/p>\n<p><em>* Jonas Valente &eacute; membro do Conselho Diretor do Intervozes e mestre em Comunica&ccedil;&atilde;o Social<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A disputa em torno do PL do Marco Civil vai al&eacute;m das quest&otilde;es de espionagem. 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