{"id":27505,"date":"2013-07-23T13:28:19","date_gmt":"2013-07-23T13:28:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27505"},"modified":"2013-07-23T13:28:19","modified_gmt":"2013-07-23T13:28:19","slug":"a-sociedade-acordou-para-a-democratizacao-da-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27505","title":{"rendered":"A sociedade acordou para a democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil viveu nas &uacute;ltimas semanas, um clima que h&aacute; muito tempo n&atilde;o vivia. Chegou-se em determinados momentos, a compar&aacute;-lo com o clima das Diretas, j&aacute;!<\/p>\n<p>Tudo come&ccedil;ou com as manifesta&ccedil;&otilde;es do Movimento Passe Livre, em S&atilde;o Paulo, que tinham como foco o questionamento ao aumento das tarifas de &ocirc;nibus na capital paulista. A forma truculenta, desmedida e despudorada com que a pol&iacute;cia revidou os manifestantes, mostrando em determinados momentos que era proibido se manifestar, criou um clima de insatisfa&ccedil;&atilde;o em todos os cantos do Brasil.<\/p>\n<p>Da noite para o dia, v&aacute;rias pessoas foram &aacute;s ruas mostrar que aquele espa&ccedil;o era p&uacute;blico. E v&aacute;rias pauta, especialmente voltadas para o aspecto pol&iacute;tico e at&eacute; certo ponto gen&eacute;ricas, como &ldquo;mais recursos para a sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;contra a PEC 37&rdquo;, &ldquo;por uma reforma pol&iacute;tica&rdquo;, &ldquo;abaixo a corrup&ccedil;&atilde;o brotaram como grama no pasto&rdquo;.<\/p>\n<p>Os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o tentaram, nos primeiros dias, desqualificar e criminalizar, como de praxe, as manifesta&ccedil;&otilde;es. O discurso do Arnaldo Jabor, feito em hor&aacute;rio nobre no Jornal Nacional &eacute; um dos maiores emblemas desse processo.<\/p>\n<p>Jabor foi para a televis&atilde;o, no hor&aacute;rio nobre concedido a ele pela TV Globo, e fez um discurso chamando os manifestantes de ignorantes pol&iacute;ticos. E disse ainda que os manifestantes vivem no passado de uma ilus&atilde;o e finalizou seu texto afirmando que &ldquo;os revoltosos de classe m&eacute;dia n&atilde;o valem nem R$ 0,20&rdquo;.<\/p>\n<p>Mas de repente, dois dias depois, ocorre uma virada no discurso e a cobertura da imprensa muda de linha. Dois fatos mostram bem essa guinada: a ida do pr&oacute;prio Jabor ao Jornal Nacional, com outro discurso e pedindo desculpas pelas palavras do dia anterior e a capa da Folha de S&atilde;o Paulo, destacando a rea&ccedil;&atilde;o violenta da pol&iacute;cia aos protestos. No meio disso tudo, a repress&atilde;o violenta da pol&iacute;cia n&atilde;o atingiu somente os manifestantes. V&aacute;rios jornalistas foram agredidos, e ai, de uma vez por todas, a imprensa jogou uma p&aacute; de cal no velho discurso e saiu em defesa dos manifestantes.<\/p>\n<p>Toda essa postura dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o chamou a aten&ccedil;&atilde;o daqueles que estavam nas ruas. E, junto com as pautas que implodiram das manifesta&ccedil;&otilde;es, veio a da comunica&ccedil;&atilde;o. V&aacute;rios rep&oacute;rteres, especialmente da Rede Globo que iam cobrir as manifesta&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram a ter sua rotina de trabalho atrapalhada. Sob os gritos de &ldquo;O povo n&atilde;o &eacute; bobo, abaixo a rede Globo&rdquo;, e &ldquo;Ih, fora&rdquo; rep&oacute;rteres como Marcos Losekan, em paris e Caco Barcelos, em S&atilde;o Paulo, n&atilde;o puderam fazer mat&eacute;rias direto das manifesta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Grosseria? Hostiliza&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o!! A rea&ccedil;&atilde;o dos manifestantes &eacute; fruto da pr&oacute;pria postura que esta empresa e tantos outros ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o tiveram durante a cobertura das manifesta&ccedil;&otilde;es e durante a sua trajet&oacute;ria jornal&iacute;stica. Vimos pela primeira vez a pauta da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o surgir de outros atores; de outros agentes que n&atilde;o os acad&ecirc;micos ou especialistas.<\/p>\n<p>E a cada dia que passava, a Rede Globo e outras grandes emissoras se tornaram alvo dos manifestantes. A reivindica&ccedil;&atilde;o pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o virou mais uma das pautas que&nbsp; contaminou as ruas e dizeres de cartazes do povo saia de suas casas pelo simples fato de sair.<\/p>\n<p>O debate sobre a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, que sempre girou em torno de especialistas e acad&ecirc;micos, tinha como grande desafio, at&eacute; bem pouco tempo atr&aacute;s, colocar para a sociedade a necessidade de combater o monop&oacute;lio da m&iacute;dia, j&aacute; que ele &eacute; prejudicial para a democracia e para a sociedade como um todo.<\/p>\n<p>Os manifestantes que foram para as ruas no &uacute;ltimo dia 11 de julho, Dia Nacional de Lutas chamado pelas centrais sindicais e movimentos sociais como o MST e que teve como pauta a Redu&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o das passagens e melhoria na qualidade dos transportes p&uacute;blicos, mais investimentos na sa&uacute;de e na educa&ccedil;&atilde;o, fim dos leil&otilde;es das reservas de petr&oacute;leo, contra o projeto que regulamenta a terceiriza&ccedil;&atilde;o (PL 4330) e reforma agr&aacute;ria, colocaram a democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o como uma das reivindica&ccedil;&otilde;es e a necessidade do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es rever urgentemente sua pauta de a&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>V&aacute;rios cartazes e entidades criticaram e exigiram do governo uma real pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. O projeto de lei de Iniciativa popular, proposto por v&aacute;rias entidades da sociedade civil, ganhou mais musculatura e foi uma das principais bandeiras colocadas pelas entidades no dia 11 de julho.<\/p>\n<p>Soma-se a isso o surgimento de grupos, coletivos e entidades que se apropriaram do processo de constru&ccedil;&atilde;o de comunicar e de difundir a informa&ccedil;&atilde;o, especialmente atrav&eacute;s da internet.<\/p>\n<p>Em S&atilde;o Paulo, o Dia Nacional de Lutas teve transmiss&atilde;o em sua totalidade por smartphones conectados &agrave; 3G e o discurso era um s&oacute;: &ldquo;Abaixo da rede Globo&rdquo;, &ldquo;Abaixo o monop&oacute;lio da midia&rdquo; e por ai foi.<\/p>\n<p>Isso deve ser visto com bons olhos n&atilde;o s&oacute; pelos militantes da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, mas pela sociedade como um todo. &Eacute; uma real demonstra&ccedil;&atilde;o de que o alvo n&atilde;o &eacute; somente o governo, mas as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, que durante muito tempo criaram o discurso dominante e tendencioso durante d&eacute;cadas na sociedade.<\/p>\n<p>&Eacute; importante que as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, especialmente a Rede Globo entenda que agora, elas s&atilde;o os grandes alvos da sociedade brasileira. O gigante acordou para elas.<\/p>\n<p><em>Marcos Urup&aacute; &eacute; Jornalista e advogado e foi diretor da TV Cultura do Par&aacute;. &Eacute; associado do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social e co-autor do livro &quot;Caminhos para a universaliza&ccedil;&atilde;o da Internet banda larga: experi&ecirc;ncias internacionais e desafios brasileiro&quot; (Intervozes, 2012).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute; importante que as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, especialmente a Rede Globo  entenda que agora, elas s&atilde;o os grandes alvos da sociedade brasileira. 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