{"id":27503,"date":"2013-07-18T18:16:21","date_gmt":"2013-07-18T18:16:21","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27503"},"modified":"2013-07-18T18:16:21","modified_gmt":"2013-07-18T18:16:21","slug":"o-caso-snowden-e-a-espionagem-que-chegou-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27503","title":{"rendered":"O caso Snowden e a espionagem que chegou ao Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O Observat&oacute;rio da Imprensa exibido ao vivo na ter&ccedil;a-feira (16\/07) pela TV Brasil examinou a repercuss&atilde;o das revela&ccedil;&otilde;es do consultor em sistemas de computa&ccedil;&atilde;o Edward Snowden. De acordo com o jornalista Glenn Greenwald, do jornal brit&acirc;nico Guardian, que publicou as informa&ccedil;&otilde;es em primeira m&atilde;o, Snowden tem dados que poderiam causar s&eacute;rios danos aos Estados Unidos. Um m&ecirc;s depois da revela&ccedil;&atilde;o da rede de monitoramento de comunica&ccedil;&otilde;es montada pelo governo dos Estados Unidos h&aacute; dez anos, o esc&acirc;ndalo chegou ao Brasil. Na semana passada, o jornal O Globo teve acesso a documentos que mostram que milh&otilde;es de e-mails e liga&ccedil;&otilde;es telef&ocirc;nicas de indiv&iacute;duos e empresas sediadas no Brasil foram monitorados pela Ag&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a Nacional Americana (NSA, na sigla em ingl&ecirc;s).<\/p>\n<p>O Brasil fica atr&aacute;s apenas dos Estados Unidos, onde 2,3 bilh&otilde;es de telefonemas e mensagens foram rastreados pelo programa, batizado de Prism. E-mails, chats online e chamadas de voz dos servi&ccedil;os da Apple, Facebook, Google, Microsoft, YouTube, Skype, AOL, Yahoo e PalTalk est&atilde;o na mira do monitoramento norte-americano. A Microfoft teria colaborado com a NSA e ajudado a burlar o pr&oacute;prio sistema de criptografia, segundo os dados apontados por Snowden.<\/p>\n<p>Investiga&ccedil;&otilde;es preliminares do Minist&eacute;rio da Defesa e das For&ccedil;as Armadas n&atilde;o encontraram ind&iacute;cios de invas&atilde;o no sistema de criptografia de informa&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas do Brasil. As den&uacute;ncias repercutiram no Congresso Nacional: uma Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito foi criada para investigar o monitoramento e a Comiss&atilde;o de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores e Defesa Nacional do Senado convocou o jornalista Glenn Greenwald para detalhar o processo de vigil&acirc;ncia. O esc&acirc;ndalo levou o governo a pedir que a C&acirc;mara dos Deputados aprecie com urg&ecirc;ncia o Marco Civil da Internet. O texto j&aacute; teve a vota&ccedil;&atilde;o adiada diversas vezes por quest&otilde;es pol&iacute;ticas e interesses empresariais.<\/p>\n<p>Para discutir este tema, Alberto Dines recebeu no est&uacute;dio do Rio de Janeiro o jornalista Jos&eacute; Casado, que assina a cobertura do caso no jornal O Globo. Casado integra a editoria de Opini&atilde;o e &eacute; colunista do vespertino eletr&ocirc;nico para tablets O Globo A Mais. Em S&atilde;o Paulo, o programa contou com a presen&ccedil;a dos jornalistas Bob Fernandes e Caio T&uacute;lio Costa. Bob Fernandes &eacute; editor-chefe da Terra Magazine e comentarista da TV Gazeta, em SP, e R&aacute;dio Metropole, da Bahia. Foi redator-chefe da revista CartaCapital, rep&oacute;rter especial dos jornais Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil. Caio T&uacute;lio Costa &eacute; professor de &Eacute;tica Jornal&iacute;stica e consultor de m&iacute;dias digitais. Trabalhou na Folha de S.Paulo durante 21 anos, onde foi o primeiro ombudsman da imprensa brasileira. &Eacute; um dos fundadores do UOL e foi presidente do iG.<\/p>\n<p><strong>Sem barreiras contra a lupa<\/strong><\/p>\n<p>Antes do debate ao vivo, em editorial, Dines sublinhou o despreparo do Brasil para enfrentar o monitoramento: &ldquo;Nosso pa&iacute;s &eacute; o mais informatizado do sub-continente. Isso explica muita coisa. Por&eacute;m, &eacute; o mais desprotegido e, sobretudo, o mais desregulado. O ministro da Defesa, Celso Amorim, acrescentou uma forte dose de ceticismo no tocante &agrave; nossa vulnerabilidade digital quando declarou que h&aacute; muito tempo n&atilde;o usa a internet para assuntos importantes. A m&iacute;dia est&aacute; agitada, mas apenas na dire&ccedil;&atilde;o da &lsquo;espionagem&rsquo; e xeretagem internacional. Ainda n&atilde;o se deu conta de que, nesta hist&oacute;ria de viola&ccedil;&atilde;o de privacidades e de soberanias, quem est&aacute; sob forte suspeita &ndash; e por muito tempo &ndash; &eacute; o pr&oacute;prio sistema w.w.w que a m&iacute;dia contempor&acirc;nea vem entronizando como a plataforma informativa do futuro&rdquo;.<\/p>\n<p>A reportagem exibida antes do debate ao vivo ouviu a opini&atilde;o do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo. O ministro admite a possibilidade de vazamento e acredita que os Estados Unidos podem ter acessado o conte&uacute;do de conversas. &ldquo;O governo tem redes corporativas seguras, redes onde n&oacute;s transitamos as nossas informa&ccedil;&otilde;es, documentos, atos que precisam ser tomados pelo governo e n&oacute;s n&atilde;o temos problema. Agora, aquilo que n&oacute;s colocamos na rede e a forma pela qual n&oacute;s nos comunicamos, por exemplo, a presidenta Dilma me liga seguidamente e liga no meu celular. Ela, nesse momento, est&aacute; se comunicando com a mesma condi&ccedil;&atilde;o de qualquer cidad&atilde;o. Se todo esse rastreamento est&aacute; acontecendo, ent&atilde;o, &eacute; evidente que essa liga&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m vai ser abrangida&rdquo;, alertou o ministro.<\/p>\n<p>Para Paulo Bernardo, o monitoramento n&atilde;o &eacute; uma surpresa: &ldquo;Essas not&iacute;cias de espionagem, bisbilhotagem e monitoramento em uma escala global, isso &eacute; muito recorrente de sair na m&iacute;dia, seja na m&iacute;dia alternativa ou grandes ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, quem disser que n&atilde;o sabia nada &eacute; porque nunca se interessou pelo assunto. Agora, o governo nunca teve conhecimento de espionagem realizada em territ&oacute;rio brasileiro ou de coopera&ccedil;&atilde;o de empresas brasileiras com isso&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>&Agrave; luz da Lei<\/strong><\/p>\n<p>O especialista em Direito Digital Luiz Moncau ressaltou que as den&uacute;ncias de Snowden evidenciam a urg&ecirc;ncia na tramita&ccedil;&atilde;o dos diversos projetos ligados &agrave; internet que est&atilde;o parados no Congresso Nacional, sobretudo o Marco Civil. &ldquo;Ele tem uma s&eacute;rie de princ&iacute;pios e diretrizes que tratam da prote&ccedil;&atilde;o dos dados pessoais e da privacidade. Um outro Projeto de Lei que tem sido discutido ainda em n&iacute;vel governamental seria o de prote&ccedil;&atilde;o dos dados pessoais. V&aacute;rios pa&iacute;ses hoje em dia j&aacute; possuem n&atilde;o s&oacute; uma legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para proteger os dados pessoais como &oacute;rg&atilde;os legisladores, ag&ecirc;ncias especializadas na prote&ccedil;&atilde;o desses dados pra proteger principalmente o consumidor, o usu&aacute;rio, contra pr&aacute;ticas abusivas de empresas ou de terceiros&rdquo;, destacou Moncau.<\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos exige ordem judicial para qualquer interfer&ecirc;ncia do governo em canais de comunica&ccedil;&atilde;o privada, mas h&aacute; brechas na lei, como o Ato Patriota, criado ap&oacute;s os atentados de 11 de setembro de 2001. &ldquo;Existe a possibilidade de se investigar casos com acesso espec&iacute;fico, em circunst&acirc;ncias pontuais, a canais de telecomunica&ccedil;&atilde;o quando existe a suspeita fundamentada de terror. Se n&atilde;o existe a suspeita fundamentada de terrorismo n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel voc&ecirc; realizar esse tipo de quebra de sigilo em canais de telecomunica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; entendido como um abuso de Direito. O Prism, de certa forma, viola a 4&ordf; emenda [da Constitui&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos], s&oacute; que acaba se apoiando em outros princ&iacute;pios do governo americano para tentar sustentar a sua legalidade. Que &eacute; justamente a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; seguran&ccedil;a nacional ou a pr&oacute;pria seguran&ccedil;a dos meios de telecomunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s&rdquo;, explicou o especialista em Direito Digital Victor Auilo Haikal.<\/p>\n<p>O jornalista Carlos Alberto Teixeira, colunista de Tecnologia do jornal O Globo, comentou que programas de criptografia permitem uma navega&ccedil;&atilde;o mais segura, mas nem todos os usu&aacute;rios tem interesse em codificar os seus dados. &ldquo;Como &eacute; que o cidad&atilde;o pode se proteger, o cidad&atilde;o, a empresa, a institui&ccedil;&atilde;o? Encapsulando esse fluxo de informa&ccedil;&otilde;es como se fosse uma armadura digital. Criptografando, codificando isso de uma forma que quem interceptar a informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consiga ler o que est&aacute; ali, s&oacute; o destinat&aacute;rio consegue ler. &Eacute; o que eles chamam de criptografia por chave p&uacute;blica. Ou seja, o remetente e o destinat&aacute;rio t&ecirc;m uma chave para decodificar aquela informa&ccedil;&atilde;o. Mas quem estiver no meio n&atilde;o consegue. N&atilde;o &eacute; nada complicado usar, n&atilde;o &eacute; nada muito complicado. &Eacute; um pouquinho a mais do que um usu&aacute;rio comum consegue resolver em casa&rdquo;, detalhou o jornalista.<\/p>\n<p>&ldquo;A maioria dos cidad&atilde;os n&atilde;o est&aacute; muito interessada em esconder essas comunica&ccedil;&otilde;es de e-mail, qual &eacute; a sua navega&ccedil;&atilde;o na web. Voc&ecirc; n&atilde;o tem interesse, eu n&atilde;o tenho. Agora, uma corpora&ccedil;&atilde;o, uma empresa, uma institui&ccedil;&atilde;o ou algum terrorista, algu&eacute;m que est&aacute; fazendo mal, t&ecirc;m interesse em esconder isso&rdquo;. Para Carlos Alberto Teixeira, as den&uacute;ncias de Snowden s&oacute; surpreendem os mais ing&ecirc;nuos. &ldquo;A fun&ccedil;&atilde;o dos departamentos de espionagem, as redes de intelig&ecirc;ncia, tanto a NSA, americana, como a Abin, como o Mossad, a fun&ccedil;&atilde;o deles todos &eacute; pegar informa&ccedil;&atilde;o. O que a gente v&ecirc; hoje &eacute; um desdobramento, uma atualiza&ccedil;&atilde;o desse sistema que j&aacute; existe h&aacute; tanto tempo. As repercuss&otilde;es, isso a&iacute; a gente est&aacute; vendo, um terremoto pol&iacute;tico no mundo inteiro. E estamos s&oacute; come&ccedil;ando&rdquo;, alertou o jornalista.<\/p>\n<p><strong>A fragilidade da rede<\/strong><\/p>\n<p>No debate ao vivo, Dines ressaltou que o material coletado por Edward Snowden mostra que toda a web est&aacute; sendo posta em quest&atilde;o e perguntou ao jornalista Jos&eacute; Casado se a equipe que foi montada para esta cobertura &ndash; que inclui os rep&oacute;rteres Roberto Maltchik e Roberto Kaz &ndash; se surpreendeu com a magnitude dos dados revelados pelo consultor em sistemas de computa&ccedil;&atilde;o. Casado contou que, ap&oacute;s avaliar parte das informa&ccedil;&otilde;es entregues por Glenn Greenwald, que vive no Brasil h&aacute; oito anos, a equipe percebeu que tinha em m&atilde;os algo surpreendente.<\/p>\n<p>&ldquo;Por mais que voc&ecirc; possa imaginar, voc&ecirc; n&atilde;o tem ideia da dimens&atilde;o que esse programa americano [de monitoramento] tomou&rdquo;, disse o jornalista. Casado chamou a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que o objetivo do governo dos Estados Unidos, em tese, era proteger a seguran&ccedil;a nacional, mas o limite entre o dever e a invas&atilde;o da privacidade de cidad&atilde;os ao redor do mundo &eacute; t&ecirc;nue. Este &eacute; um assunto para legisladores refletirem e a sociedade tem mecanismos, na opini&atilde;o de Casado, para discutir a quest&atilde;o. Com base nos arquivos coletados por Snowden, a que O Globo teve acesso, Casado assegura que n&atilde;o h&aacute; a menor possibilidade de um cidad&atilde;o estar seguro a respeito da privacidade de seus dados pessoais.<\/p>\n<p>Casado lamentou a situa&ccedil;&atilde;o em que Edward Snwden se encontra desde que decidiu levar a p&uacute;blico os documentos coletados na NSA. Depois de um p&eacute;riplo internacional, o ex-consultor aguarda no aeroporto de Moscou que algum pa&iacute;s conceda asilo pol&iacute;tico. No entanto, de acordo com o jornalista, a maioria dos governos rejeita o visitante inc&ocirc;modo por temer a rea&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos. &ldquo;Voc&ecirc; pode ter duas leituras dentro do bom e velho manique&iacute;smo: a do her&oacute;i e a do traidor. O governo americano o v&ecirc; como um traidor. Nas redes sociais ele se tornou um her&oacute;i&rdquo;, resume.<\/p>\n<p><strong>Exibir vs. esconder<\/strong><\/p>\n<p>Dines comentou que h&aacute; entidades europeias contr&aacute;rias ao Facebook por acreditar que o site de relacionamento n&atilde;o respeita as leis de privacidade. Casado sublinhou que os Estados Unidos s&atilde;o o centro produtor do sistema desvelado por Edward Snowden, mas outros governos tamb&eacute;m promovem espionagem em menor escala e h&aacute; a colabora&ccedil;&atilde;o de empresas privadas. Um exemplo &eacute; o Facebook, que tem contrato com a NSA. As empresas possibilitam o acesso do usu&aacute;rio &agrave; internet e depois entregam as informa&ccedil;&otilde;es para o monitoramento pela ag&ecirc;ncia. &ldquo;Isso &eacute; cobrado. E voc&ecirc;, quando compra determinado produto ou passa a ser usu&aacute;rio, n&atilde;o sabia&rdquo;, alerta Casado. O jornalista ressaltou que a legisla&ccedil;&atilde;o nos Estados Unidos pro&iacute;be a espionagem dom&eacute;stica exceto em casos de terrorismo, ao mesmo tempo em que protege parcerias entre ag&ecirc;ncias de espionagem americanas e empresas privadas instaladas no pa&iacute;s. Este monitoramento teria como foco cidad&atilde;os, empresas e institui&ccedil;&otilde;es estrangeiras e teria se tornado um neg&oacute;cio altamente lucrativo.<\/p>\n<p>Caio T&uacute;lio Costa comentou que a hist&oacute;ria da espionagem no mundo &eacute; antiga, por&eacute;m, a dimens&atilde;o do programa revelado por Edward Snowden &eacute; preocupante e &ldquo;demon&iacute;aca&rdquo;. Para o jornalista, o assunto &eacute; explosivo e o destaque dado pela m&iacute;dia tradicional n&atilde;o foi proporcional &agrave; capacidade de invas&atilde;o que o governo norte-americano demonstrou ter ao montar o programa de monitoramento. &ldquo;Quem se surpreende com isso n&atilde;o tinha atentado para essa voca&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;cia do mundo que os Estados Unidos t&ecirc;m e cultuam de forma obsessiva&rdquo;, sublinhou.<\/p>\n<p>O jornalista explicou que tanto o Facebook quanto o Google t&ecirc;m sistemas que permitem tra&ccedil;ar um perfil de navega&ccedil;&atilde;o do usu&aacute;rio atrav&eacute;s do seu hist&oacute;rico e montar um projeto de publicidade voltado para os interesses espec&iacute;ficos dos internautas. Al&eacute;m de armazenar os dados dos usu&aacute;rios, as empresa os negocia: &ldquo;Isto &eacute; uma invas&atilde;o de privacidade, mas &eacute; consentida porque voc&ecirc;, quando assina o Facebook, se compromete a concordar com os termos de uso onde ele diz que faz isso&rdquo;, criticou Caio T&uacute;lio. Portanto, o ato n&atilde;o &eacute; ilegal, mas &ldquo;acostuma&rdquo; o usu&aacute;rio a ser monitorado. Assim, pode-se perceber que a espionagem n&atilde;o acontece apenas sob os ausp&iacute;cios do governo dos Estados Unidos. Tamb&eacute;m atinge empresas privadas que trabalham em larga escala e que est&atilde;o repassando informa&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de sites de busca ou de relacionamento.<\/p>\n<p><strong>Hist&oacute;ria antiga<\/strong><\/p>\n<p>O jornalista Bob Fernandes disse ficar admirado com as declara&ccedil;&otilde;es de surpresa em torno da espionagem dadas pelo atual governo, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo Congresso Nacional. Entre 1999 e 2004, a CartaCapital publicou oito reportagens de capa detalhando como ag&ecirc;ncias do porte da CIA e do FBI operavam no Brasil. Os pormenores inclu&iacute;am escutas nos pal&aacute;cios da Alvorada e do Itamaraty. Algumas das atividades de espionagem datavam nos anos 1960, como na &aacute;rea de biosseguran&ccedil;a, e ainda est&atilde;o em curso. Al&eacute;m da espionagem &ldquo;por atacado&rdquo; da NSA mostrada por Snowden, h&aacute; tamb&eacute;m atividades de &ldquo;varejo&rdquo; promovidas pela CIA e pelo FBI, que a cada ano precisam disputar verbas or&ccedil;ament&aacute;rias no Congresso Nacional dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; o fim dos 500 anos da Era de Gutenberg e n&oacute;s estamos iniciando e vivenciando uma outra Era que &eacute; essa, sem controle nenhum&rdquo;, sentenciou o jornalista. Para ele, h&aacute; uma grande incompreens&atilde;o a respeito dos poderes e problemas da internet. Enquanto a rede mundial de computadores tem a capacidade de fazer a informa&ccedil;&atilde;o transitar em larga escala, ao mesmo tempo, a velocidade da informa&ccedil;&atilde;o leva a pouca compreens&atilde;o dos temas mais importantes da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Den&uacute;ncias de Edward Snowden revelam que quebra de sigilo de dados da internet pelo governo dos Estados Unidos tamb&eacute;m atingiu o Brasil. Congresso e Governo debatem as medidas que devem ser adotadas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1567],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27503"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27503"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27503\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}