{"id":27481,"date":"2013-06-27T11:24:29","date_gmt":"2013-06-27T11:24:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27481"},"modified":"2013-06-27T11:24:29","modified_gmt":"2013-06-27T11:24:29","slug":"na-pauta-tambem-uma-outra-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27481","title":{"rendered":"Na pauta tamb\u00e9m, uma outra m\u00eddia!"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Como esta rede de protestos teria crescido tanto em t&atilde;o pouco tempo se n&atilde;o fossem os meios de comunica&ccedil;&atilde;o? Certamente n&atilde;o saber&iacute;amos tantas informa&ccedil;&otilde;es se n&atilde;o estiv&eacute;ssemos constantemente conectados &agrave; internet, assistindo televis&atilde;o, lendo jornal, ouvindo r&aacute;dio. Como estar&iacute;amos vendo e ouvindo as declara&ccedil;&otilde;es de Marcos Feliciano defendendo a proposta da &ldquo;cura gay&rdquo;? Me digam como estar&iacute;amos deixando de ter aula ou saindo mais cedo do trabalho pra assistirmos aos jogos da sele&ccedil;&atilde;o brasileira na Copa das Confedera&ccedil;&otilde;es? Ent&atilde;o, n&atilde;o temos d&uacute;vida alguma do poder da comunica&ccedil;&atilde;o na sociedade.<\/p>\n<p>Mas o que est&aacute; em quest&atilde;o &eacute;: a servi&ccedil;o de que e de quem est&aacute; o poder da m&iacute;dia brasileira convencional? Este quarto (ou primeiro) poder que chega &agrave; maioria do povo brasileiro, que conduz suas opini&otilde;es, que manobra contextos pol&iacute;ticos, constr&oacute;i cen&aacute;rios, elege ou tira do poder governos, partidos, etc. Esta que num dia noticia protestos colocando todas as pessoas envolvidas como &ldquo;v&acirc;ndalos&rdquo; e no outro j&aacute; diz que manifesta&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas sofrem descaracteriza&ccedil;&atilde;o devido a a&ccedil;&atilde;o isolada de pequenos grupos infiltrados. Cad&ecirc; a objetividade, a responsabilidade com a informa&ccedil;&atilde;o, a pluralidade de fontes, tudo t&atilde;o teoricizado nos bancos das faculdades de jornalismo?<\/p>\n<p>A imprensa tem lado, n&atilde;o se engane mais, se voc&ecirc; ainda n&atilde;o sabia.<\/p>\n<p><strong>Uma nova Lei de Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Nestes &uacute;ltimos dias, no Brasil muita gente tem descortinado o olhar para uma s&eacute;rie de problematiza&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias na (re)constru&ccedil;&atilde;o cotidiana de uma sociedade. O povo n&atilde;o estava dormindo, s&oacute; estava esperando uma oportunidade de levantar mais alto as bandeiras, fazer tantos gritos ecoarem mais longe. N&atilde;o venha agora usar as redes sociais pra destilar hipocrisias, comemorar que o povo acordou, se voc&ecirc; esteve dormindo at&eacute; agora e provavelmente nem tenha coragem de ir pra rua com apito e cartaz na m&atilde;o. Quer dizer que n&atilde;o havia mais luta nenhuma? E de onde vieram as conquistas reivindicadas nas ocupa&ccedil;&otilde;es, nas greves, nos enfrentamentos, nas confer&ecirc;ncias, nas negocia&ccedil;&otilde;es? A juventude do pa&iacute;s inteiro estava ap&aacute;tica? N&atilde;o, muita gente sempre esteve acordada, atenta, discutindo, mobilizando, propondo, acordando sempre mais algu&eacute;m e mais algu&eacute;m&#8230; Por&eacute;m, uma vis&atilde;o rom&acirc;ntica da for&ccedil;a das massas j&aacute; n&atilde;o cabe mais, a coopta&ccedil;&atilde;o &eacute; uma estrat&eacute;gia real e eficaz. N&atilde;o se trata ainda de uma revolu&ccedil;&atilde;o. Nem todo mundo sabe o quer, pelo que est&aacute; lutando, at&eacute; onde pode ir, muita gente simplesmente t&aacute; na rua! Mas &eacute; a&iacute; que mora a oportunidade de perceber-se enquanto sujeito maior de uma efetiva mudan&ccedil;a social. Aproveitemos!<\/p>\n<p>Mas e a m&iacute;dia, qual tem sido seu papel frente a todas essas problematiza&ccedil;&otilde;es? A luta por uma comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica tamb&eacute;m sai fortalecida neste contexto de protestos. A m&iacute;dia n&atilde;o &eacute; mais capaz de esconder do povo o jogo de interesses que a conduz, que define suas linhas editoriais. As pessoas enxergam com muita nitidez o que est&aacute; por tr&aacute;s de cada cobertura de protesto, cada programa especial, cada termo usado para reportar os fatos. N&atilde;o entremos aqui no m&eacute;rito do oportunismo dos partidos conservadores, da oposi&ccedil;&atilde;o que quer voltar a reinar sozinha, do populismo escancarado de muitos grupos pol&iacute;ticos ou na insist&ecirc;ncia de grupos que querem dar outro tom &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es. Em se tratando de liberdade de express&atilde;o sa&iacute;mos no lucro. &Eacute; hora de reafirmar, tamb&eacute;m nas ruas, mas n&atilde;o s&oacute;, que precisamos mudar tamb&eacute;m a m&iacute;dia. Que uma nova Lei de Comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; mais do que urgente e que os poderes brasileiros precisam faz&ecirc;-la se cumprir. O monop&oacute;lio e oligop&oacute;lio, a aus&ecirc;ncia da pluralidade de ideias, da diversidade, da produ&ccedil;&atilde;o regional em maior escala, dentre outros elementos, &eacute; que nos faz reprodutores de uma &ldquo;opini&atilde;o p&uacute;blica&rdquo; ditada por poucas fam&iacute;lias\/grupos que controlam os meios de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>Direitos se conquistam<\/strong><\/p>\n<p>Os protestos&#8230; J&aacute; n&atilde;o importa mais de onde partiram, muita gente boa agora t&aacute; &ldquo;colada&rdquo;, fazendo as mais diversas pautas serem ouvidas. Outra coisa: ningu&eacute;m t&aacute; dizendo que a luta &eacute; por um impeachment do governo, se o governo bem souber, pode se sair muito bem. As vozes clamam por um governo melhor! N&atilde;o &eacute; de hoje que as comunidades tradicionais pedem respeito; que as florestas, caatingas, rios, serras agonizam com tanta explora&ccedil;&atilde;o; que as favelas multiplicam-se e com elas a viol&ecirc;ncia, as desigualdades, as opress&otilde;es. N&atilde;o &eacute; de hoje que a juventude (negra principalmente) vem sendo exterminada, como tamb&eacute;m os Comit&ecirc;s que discutem os impactos da Copa n&atilde;o foram criados nestas duas semanas, muito menos come&ccedil;ou agora a atitude repressiva da pol&iacute;cia para com quem se manifesta insatisfeita com o modelo de &ldquo;ordem e progresso&rdquo; atual.<\/p>\n<p>Bom, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; s&oacute; agora que a &ldquo;grande&rdquo; m&iacute;dia criminaliza os movimentos sociais ou qualquer forma de rea&ccedil;&atilde;o popular. Por isso n&atilde;o &eacute; de hoje a movimenta&ccedil;&atilde;o em torno de uma nova Lei para uma M&iacute;dia Democr&aacute;tica. Depois de muitas outras t&aacute;ticas para avan&ccedil;ar nesta luta, foi lan&ccedil;ado o ano passado a campanha &ldquo;Para expressar a liberdade: uma nova lei para um novo tempo&rdquo; e desde o dia 1&ordm; de maio deste ano estamos nas ruas coletando assinaturas para o Projeto de Lei da M&iacute;dia Democr&aacute;tica (Projeto de Iniciativa Popular). Veja informa&ccedil;&otilde;es no site da campanha (http:\/\/www.paraexpressaraliberdade.org.br\/).<\/p>\n<p>Aqui pelas barrancas sertanejas do S&atilde;o Francisco, onde os protestos de rua est&atilde;o se espalhando como as fa&iacute;scas das fogueiras de S&atilde;o Jo&atilde;o, n&atilde;o estamos dormindo n&atilde;o. O F&oacute;rum de Comunica&ccedil;&atilde;o Sert&atilde;o do S&atilde;o Francisco, com apoio da Uneb, vem levantando, desde 2009, esta bandeira.<\/p>\n<p>Porque a &ldquo;comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um direito humano e direitos se conquistam!&rdquo;<\/p>\n<p><em><br \/>&Eacute;rica Daiane Costa &eacute; jornalista, militante do Movimento pelo Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o e integrante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social <\/em><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A luta por uma comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica tamb&eacute;m sai  fortalecida neste contexto de protestos. 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