{"id":27479,"date":"2013-06-25T16:58:06","date_gmt":"2013-06-25T16:58:06","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27479"},"modified":"2013-06-25T16:58:06","modified_gmt":"2013-06-25T16:58:06","slug":"coletivos-independentes-vao-as-ruas-cobrir-atos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27479","title":{"rendered":"Coletivos independentes v\u00e3o \u00e0s ruas cobrir atos"},"content":{"rendered":"<p>A cobertura das manifesta&ccedil;&otilde;es que v&ecirc;m sendo feita no Brasil pelas grandes empresas comerciais de comunica&ccedil;&atilde;o revela a conformidade da m&iacute;dia na forma de lidar com os temas. H&aacute; pouca diversidade na apresenta&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o dos assuntos, apesar da variedade de grupos e bandeiras existentes nesses grandes atos p&uacute;blicos. N&atilde;o se aprofundam os temas e tudo parece se resumir &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o entre manifestantes pac&iacute;ficos e os chamados &ldquo;v&acirc;ndalos&rdquo;. Em contraponto a esse tom conservador e manique&iacute;sta dos grupos que concentram a propriedade, pequenos coletivos v&ecirc;m se organizando ou voltando sua aten&ccedil;&atilde;o para o processo por que passa o pa&iacute;s atualmente, na busca de produzir informa&ccedil;&otilde;es relevantes e diversificar pontos de vista. <\/p>\n<p>No geral, s&atilde;o grupos que j&aacute; existem ou que surgiram no contexto das mobiliza&ccedil;&otilde;es que tomaram o Brasil nas &uacute;ltimas semanas e que encontram lacunas na cobertura que vem sendo feita pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa tradicionais ou que mesmo buscam se contrapor a eles. S&atilde;o, na maioria dos casos, iniciativas bem recentes. Em alguns casos, n&atilde;o chegaram nem mesmo a divulgar os seus primeiros &ldquo;produtos&rdquo;, embora possam ser vistos atuando nas manifesta&ccedil;&otilde;es ou sistematizando informa&ccedil;&otilde;es relativas a estas. <\/p>\n<p>O mais conhecido talvez seja o &ldquo;Narrativas Independentes, Jornalismos e A&ccedil;&atilde;o &#8211; NINJA&rdquo;, que ganhou repercuss&atilde;o por sua atua&ccedil;&atilde;o na cobertura dos protestos que aconteceram em S&atilde;o Paulo. Coordenado pelo jornalista Bruno Torturra, que trabalha tamb&eacute;m para a revista Trip, o grupo faz transmiss&atilde;o por celular, divulga fotos e utiliza laptops para se comunicar por meio de redes sociais com os interessados em receber informa&ccedil;&otilde;es direto do &ldquo;front&rdquo; das mobiliza&ccedil;&otilde;es. Segundo ele, a M&iacute;dia Ninja tem uma &ldquo;&eacute;tica&rdquo; menos&nbsp; de &ldquo;analista&rdquo; e mais de &ldquo;participante&rdquo;. <\/p>\n<p>O &ldquo;Hackday&rdquo; &eacute; outra iniciativa nesse sentido de escapar &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es da &ldquo;grande m&iacute;dia&rdquo; e buscar informa&ccedil;&otilde;es dentro do que se poderia chamar de &ldquo;&eacute;tica hacker&rdquo;, em que o &ldquo;c&oacute;digo-fonte&rdquo; da pol&iacute;tica deve ser aberto. A proposta acontece em capitais como S&atilde;o Paulo e Porto Alegre. No Rio de Janeiro, foi impulsionada por membros dos grupos &ldquo;Transpar&ecirc;ncia Hacker&rdquo; e do &ldquo;Mais Democracia&rdquo; que fizeram um convite para demais interessados em levar &agrave; frente &ldquo;uma tentativa de reassumir nossa pr&oacute;pria centralidade nos processos em que somos colocados &agrave; margem (como a decis&atilde;o do aumento da passagem)&rdquo;, explica Nat&aacute;lia Mazotte, uma das pessoas que propuseram a cria&ccedil;&atilde;o do Hackday na capital carioca. <\/p>\n<p>O Hackday no Rio de Janeiro re&uacute;ne-se na Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro e encontra-se em fase de apura&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e posteriormente ir&aacute; definir os seus canais para distribui&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos. Para Mazotte, as redes sociais s&atilde;o uma ferramenta importante para comunicar o que tem acontecido no pa&iacute;s. &ldquo; Mais interessante do que bater na tecla da &#39;m&iacute;dia golpista&#39;, PIG e coisas do g&ecirc;nero, a meu ver, &eacute; notar a incr&iacute;vel cobertura colaborativa que est&aacute; sendo feita de tudo isso. Um amigo que n&atilde;o esta no Brasil comentou entusiasmad&iacute;ssimo no Facebook que estava h&aacute; horas acompanhando os acontecimentos em seu feed, como se fosse um jornal&rdquo;, defende.<br \/>&nbsp;<br \/>Tamb&eacute;m do Rio de Janeiro, outra iniciativa com perfil diferente da anterior se interessou por fazer a cobertura do que est&aacute; acontecendo na cidade. Os &ldquo;Comunicadores Populares&rdquo; existem h&aacute; cerca de quatro anos como f&oacute;rum permanente, criado durante o &ldquo;Encontro Popular pela Vida e por Outra Seguran&ccedil;a P&uacute;blica&rdquo;. Seu alvo principal tem sido combater e se contrapor &agrave; &ldquo;viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica&rdquo; exercida pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o tradicionais. Segundo Gizele Martins, moradora do Complexo da Mar&eacute; e participante do grupo, &ldquo;nossas coberturas t&ecirc;m como proposta ir al&eacute;m dos fatos e colocar em pauta o povo, a vers&atilde;o do povo, a vers&atilde;o dos movimentos sociais e o que estes j&aacute; discutem e colocam em pauta h&aacute; anos. Estamos nos articulando para tentarmos melhorar a nossa cobertura em rela&ccedil;&atilde;o aos protestos, propostas como sites, jornais, e at&eacute; coberturas em tempo real s&atilde;o sugest&otilde;es do grupo&rdquo;.<\/p>\n<p>Em Fortaleza, a Nig&eacute;ria Audiovisual busca fazer um trabalho &ldquo;independente&rdquo;, considerado por um de seus criadores uma poss&iacute;vel &ldquo;tend&ecirc;ncia de parte do jornalismo mundial&rdquo; e tem como refer&ecirc;ncia o que vem sendo feito pela Ag&ecirc;ncia P&uacute;blica. Com uma exist&ecirc;ncia de quatro anos, o coletivo parte da necessidade &ldquo;de uma comunica&ccedil;&atilde;o que dialogasse e fortalecesse&nbsp; outros setores organizados que aparentemente n&atilde;o interessam a grande m&iacute;dia&rdquo;,&nbsp; explica Yargo Gurj&atilde;o. As &uacute;ltimas manifesta&ccedil;&otilde;es teriam, ent&atilde;o, apenas provocado um aumento da intensidade do trabalho, focada agora nos protestos. &ldquo;O que fizemos nessas manifesta&ccedil;&otilde;es foi mobilizar toda a nossa equipe para uma cobertura intensiva, at&eacute; porque j&aacute; acompanh&aacute;vamos temas como a Copa&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>A forma de atua&ccedil;&atilde;o da Nig&eacute;ria consiste &ldquo;no caso das manifesta&ccedil;&otilde;es que acontecem agora em Fortaleza, em ir para a linha de frente do confronto, registrando imagens e colhendo depoimentos, desde o menino da periferia que se confronta com a pol&iacute;cia, at&eacute; o jovem classe m&eacute;dia que ergue a bandeira do Brasil pedindo paz&rdquo;, afirma Gurj&atilde;o. O jornalista Pedro Rocha, que tamb&eacute;m participa do grupo, virou not&iacute;cia nos grandes jornais do Brasil ao ter sido atingido no olho por uma bala de borracha disparada pela Pol&iacute;cia Militar enquanto realizava a cobertura de uma das manifesta&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima ao est&aacute;dio do Castel&atilde;o no dia 19 de junho (quarta).<\/p>\n<p>Em Recife, foi criado o blog &ldquo;<a href=\"http:\/\/vempraruarecife.wordpress.com\/\">Vem pra rua Recife<\/a> &rdquo;&nbsp; que se apresenta como &ldquo;coletivo de estudantes, ativistas e cidad&atilde;os organizados para realizar a cobertura midi&aacute;tica dos protestos contra aumento das passagens&rdquo;. Segundo D&eacute;bora Britto, uma das coordenadoras do grupo, &ldquo;a ideia &eacute; dar voz e visibilidade ao maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de representa&ccedil;&otilde;es presentes nos protestos. Em aten&ccedil;&atilde;o &agrave; violenta repress&atilde;o policial em S&atilde;o Paulo e no Rio de Janeiro, nos propomos, tamb&eacute;m, a acompanhar a atua&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia militar antes, durante e ap&oacute;s os protestos&rdquo;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das dificuldades decorrentes da caracter&iacute;stica espec&iacute;fica desses coletivos de serem geralmente desprovidos de fundo para financiamento, os grupos enfrentam outros obst&aacute;culos como a cultura jornal&iacute;stica a que alguns est&atilde;o ligados. &ldquo;A cobertura acr&iacute;tica e superficial dos ve&iacute;culos tradicionais de comunica&ccedil;&atilde;o motivou a cria&ccedil;&atilde;o do Vem Pra Rua &#8211; Recife. No entanto, ap&oacute;s o primeiro dia de manifesta&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o s&oacute; a configura&ccedil;&atilde;o at&iacute;pica do &quot;protesto&quot; mas tamb&eacute;m o tipo de organiza&ccedil;&atilde;o e consci&ecirc;ncia pol&iacute;tica do grupo contribu&iacute;ram para o resultado ser bastante aqu&eacute;m dos objetivos iniciais do coletivo.&nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Destoando do discurso fechado da m&iacute;dia que contrap&otilde;e atos pac&iacute;ficos e vandalismo, tratando superficialmente as bandeiras sociais, pequenos grupos d&atilde;o voz &agrave; diversidade de atores.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1185],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27479"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27479"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27479\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}