{"id":27470,"date":"2013-06-11T15:39:35","date_gmt":"2013-06-11T15:39:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27470"},"modified":"2013-06-11T15:39:35","modified_gmt":"2013-06-11T15:39:35","slug":"liberdade-de-expressao-e-diversidade-de-opinioes-por-amor-a-vida-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27470","title":{"rendered":"Liberdade de express\u00e3o e diversidade de opini\u00f5es por amor \u00e0 vida das mulheres"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">&ldquo;Mas foi voc&ecirc; mesma que se colocou nesta situa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Essa talvez seja a frase que mais ecoa nas mentes das mulheres desde a inf&acirc;ncia. Diante das situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncias f&iacute;sicas ou ps&iacute;quicas pelas quais as mulheres passam ao longo da vida, a culpa introjetada impede a tomada de decis&otilde;es aut&ocirc;nomas nos rumos da pr&oacute;pria hist&oacute;ria. O crescimento da cultura do estupro &eacute; emblem&aacute;tico desta situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>H&aacute; quase dois meses, ganhou certa notoriedade a atitude est&uacute;pida e violadora do diretor de teatro Geral Thomas que p&ocirc;s as m&atilde;os por dentro do vestido da apresentadora panicat Nicole Bahls durante um evento no Rio de Janeiro. A a&ccedil;&atilde;o se desenrolou na frente do p&uacute;blico presente ao evento e do cinegrafista da equipe da apresentadora, que nada fizeram. Ap&oacute;s um breve rebuli&ccedil;o nas redes sociais e na TV, o sil&ecirc;ncio ecoou. Pode-se perguntar o que acometeu as pessoas presentes ali naquela livraria para que elas nada fizessem diante da situa&ccedil;&atilde;o? Porque a pr&oacute;pria Nicole reagiu constrangida protegendo com as m&atilde;os o vestido e n&atilde;o revidou de maneira mais incisiva? E ainda, por que a produ&ccedil;&atilde;o do programa e o pr&oacute;prio Gerald encararam tudo como uma brincadeira?<\/p>\n<p>O que &eacute; ainda mais revelador e, muitas vezes deixado de lado nas not&iacute;cias sobre estupro, &eacute; que, na grande maioria dos casos, as mulheres ou meninas s&atilde;o abusadas por pessoas conhecidas (parentes, colegas de trabalho ou amigos, por exemplo). Sabe-se que nesses casos a dificuldade das v&iacute;timas em quebrar o ciclo da viol&ecirc;ncia &eacute; enorme. <\/p>\n<p>A m&iacute;dia brasileira estampa nas capas dos peri&oacute;dicos casos e mais casos de estupros cometidos, enquanto propagandeia e vende corpos femininos nos programas de audit&oacute;rio, nos an&uacute;ncios de cerveja, nos reality shows e na teledramaturgia. Cria-se, assim, uma cultura permissiva &agrave; viol&ecirc;ncia contra a mulher e ao estupro e s&atilde;o reproduzidos valores que perpetuam a imagem da mulher como mercadoria.<\/p>\n<p>A frase que abre este texto n&atilde;o foi escolhida por acaso. Ela foi muito recentemente pronunciada em alto e bom som para milh&otilde;es de brasileiros e brasileiras que assistiam &agrave; nova novela da Rede Globo de Televis&atilde;o &ldquo;Amor &agrave; vida&rdquo;. No epis&oacute;dio, que foi ao ar no dia 28 de maio, o personagem de Ant&ocirc;nio Fagundes (m&eacute;dico C&eacute;sar Khoury) ao perceber que estava diante de uma mulher que queria realizar um aborto usou de v&aacute;rios artif&iacute;cios (e quase 5 minutos de programa&ccedil;&atilde;o em TV aberta) para convenc&ecirc;-la a n&atilde;o interromper a gravidez. Ap&oacute;s afirma&ccedil;&otilde;es de que um beb&ecirc; &eacute; a maior prova de que Deus existe, junto ao an&uacute;ncio de um dado (real e pertinente inclusive!) de que a cada tr&ecirc;s mulheres que fazem aborto clandestino no Brasil, uma morre por complica&ccedil;&otilde;es, eis que vem a cereja do bolo: &ldquo;Mas foi voc&ecirc; mesma que se colocou nesta situa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Medo e culpa s&atilde;o mais uma vez ingredientes definidores na tomada de decis&otilde;es da mulher.<\/p>\n<p>Apesar de ser uma obra de fic&ccedil;&atilde;o, sabe-se do papel importante que a teledramaturgia brasileira ocupa na constru&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio social. Vale ainda lembrar que a emissora citada trata-se de uma concess&atilde;o p&uacute;blica que, a priori, deveria fazer valer a pluralidade de opini&otilde;es e cren&ccedil;as conforme a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. Nesse caso, &eacute; urgente a reflex&atilde;o sobre o modelo de regula&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o social que as emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o est&atilde;o submetidas no Brasil. Para que a liberdade de express&atilde;o seja um imperativo. Para que outros discursos ecoem para al&eacute;m do sil&ecirc;ncio imposto. Para que tenhamos uma resposta pertinente quando formos confrontadas com a acusa&ccedil;&atilde;o colocada acima. Por amor &agrave; vida das mulheres.<br \/><strong><br \/>Para expressar a liberdade<\/strong><br \/>O artigo 4&nbsp; do Projeto de Lei de Iniciativa Popular da M&iacute;dia Democr&aacute;tica disp&otilde;e: A comunica&ccedil;&atilde;o social e eletr&ocirc;nica reger-se-&aacute; pelos seguintes objetivos:<br \/>c) promo&ccedil;&atilde;o da pluralidade de ideias e opini&otilde;es na comunica&ccedil;&atilde;o social eletr&ocirc;nica;<br \/>e) promo&ccedil;&atilde;o da diversidade regional, &eacute;tnico-racial, de g&ecirc;nero, orienta&ccedil;&atilde;o sexual, classe social, et&aacute;ria, religiosa e de cren&ccedil;a na comunica&ccedil;&atilde;o social eletr&ocirc;nica, e o enfrentamento a abordagens discriminat&oacute;rias e preconceituosas em rela&ccedil;&atilde;o a quaisquer destes atributos, em especial, o racismo, o machismo e a homofobia.<br \/>J&aacute; assinou? Quer conhecer o projeto? Acesse: <a href=\"www.paraexpressaraliberdade.org.br\">www.paraexpressaraliberdade.org.br<\/a> <\/p>\n<p><em>*A partir deste m&ecirc;s, o Intervozes por meio do seu setorial de mulheres publicar&aacute; um texto mensal nesta se&ccedil;&atilde;o sobre comunica&ccedil;&atilde;o e direitos das mulheres.<\/p>\n<p>Iara Moura &eacute; jornalista e mestranda do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal Fluminense, al&eacute;m de integrante do Coletivo Intervozes <\/em><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto a m&iacute;dia brasileira alimenta a <span class=\"padrao\">cultura da viol&ecirc;ncia  contra a mulher, do estupro e a reprodu&ccedil;&atilde;o da  imagem da mulher como mercadoria, as leis atuais de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o d&atilde;o conta de garantir prote&ccedil;&atilde;o e direitos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[363],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27470"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27470"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27470\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}