{"id":27439,"date":"2013-05-03T14:58:12","date_gmt":"2013-05-03T14:58:12","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27439"},"modified":"2013-05-03T14:58:12","modified_gmt":"2013-05-03T14:58:12","slug":"projeto-de-lei-da-midia-democratica-o-que-e-isto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27439","title":{"rendered":"Projeto de Lei da M\u00eddia Democr\u00e1tica: o que \u00e9 isto?"},"content":{"rendered":"<p>Uma das coisas a se destacar nas comunica&ccedil;&otilde;es em todo o mundo &eacute; a velocidade das mudan&ccedil;as que sofrem e produzem e a forma como influem na vida de todos. Pode-se dizer, ent&atilde;o, que h&aacute; algo errado quando no Brasil a televis&atilde;o e o r&aacute;dio (o setor chamado de &ldquo;radiodifus&atilde;o&rdquo;) s&atilde;o regulamentados por leis que j&aacute; completaram seus 50 anos e servem para limitar a participa&ccedil;&atilde;o, em vez de ampliar e diversificar o n&uacute;mero de vozes.<\/p>\n<p>H&aacute; tempos que a popula&ccedil;&atilde;o, preocupada com os malef&iacute;cios que a concentra&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o nas m&atilde;os de poucos empres&aacute;rios e pol&iacute;ticos pode causar &agrave; democracia, luta por uma regulamenta&ccedil;&atilde;o atual e que garanta direitos b&aacute;sicos, previstos na Constitui&ccedil;&atilde;o. Todavia, tem se deparado com a resist&ecirc;ncia dos setores que lucram com os privil&eacute;gios desse sistema concentrador, anacr&ocirc;nico e excludente. <\/p>\n<p>Diante disso, a campanha &ldquo;Para expressar a liberdade&rdquo; coordenou a formula&ccedil;&atilde;o de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que mude esse quadro e que discuta com a sociedade brasileira um tema no qual os meios de comunica&ccedil;&atilde;o comerciais evitam tocar, justamente porque questiona a sua domina&ccedil;&atilde;o. Esse instrumento, previsto na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, exige o apoio de 1% da popula&ccedil;&atilde;o eleitoral nacional, por meio de assinaturas, o que abrange cerca de 1,3 milh&atilde;o de ades&otilde;es.<\/p>\n<p>O conte&uacute;do do texto do projeto de lei se baseia fundamentalmente na reflex&atilde;o que uma parcela da sociedade brasileira engajada na luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o vem fazendo ao longo de pelo menos os &uacute;ltimos trinta anos. Esse debate ganhou sua principal sistematiza&ccedil;&atilde;o durante a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, em 2009, que reuniu uma s&eacute;rie de propostas para avan&ccedil;ar na regulamenta&ccedil;&atilde;o e nas pol&iacute;ticas do setor e que foram quase que completamente negligenciadas pelos governos nacionais, estaduais e locais que se sucederam at&eacute; agora. A iniciativa da campanha oferece materialidade por meio de um documento que re&uacute;ne uma s&eacute;rie de pontos destacados pela sociedade civil como de fundamental import&acirc;ncia e que tem a finalidade pr&aacute;tica de servir como lei que regula amplamente um setor. <\/p>\n<p><strong>Pontos fundamentais <\/strong><\/p>\n<p>Alguns eixos gerais podem ser destacados, por abrangerem quest&otilde;es fundamentais que repercutem em pontos espec&iacute;ficos do nosso sistema de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. Alguns atores que participam da formula&ccedil;&atilde;o do texto da campanha &ldquo;Para expressar a liberdade&rdquo; chamam a aten&ccedil;&atilde;o para esses temas que articulam os demais. <\/p>\n<p>Para Jo&atilde;o Brant, do Intervozes, &ldquo;o projeto busca enfrentar o problema da concentra&ccedil;&atilde;o e do combate ao monop&oacute;lio por meio da combina&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas estrat&eacute;gias como: a proibi&ccedil;&atilde;o da propriedade cruzada, os limites &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o de verbas publicit&aacute;rias e a abertura de maior espa&ccedil;o para o sistema p&uacute;blico e comunit&aacute;rio&rdquo;. A proposta teria n&atilde;o se preocuparia com a amplia&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de propriet&aacute;rios, mas tamb&eacute;m com a &ldquo;diversidade de g&ecirc;nero, &eacute;tnico-racial e interna dos ve&iacute;culos, com abertura de espa&ccedil;o para produ&ccedil;&atilde;o regional e independente&rdquo;<\/p>\n<p>Outro ponto de destaque para os integrantes da campanha s&atilde;o os mecanismos que garantem transpar&ecirc;ncia nos processos de distribui&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es e a amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o na defini&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas para o setor. Nesse sentido, Renata Mielli, do Centro de Estudos Bar&atilde;o de Itarar&eacute; destaca a proposta de &ldquo;mecanismos efetivos de participa&ccedil;&atilde;o social na elabora&ccedil;&atilde;o e acompanhamento das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o, como a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Para o professor do curso de comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcos Dantas, o Projeto de Lei de Iniciativa Popular para uma m&iacute;dia democr&aacute;tica apresenta dois aspectos fundamentais. &ldquo;O primeiro &eacute; seu car&aacute;ter inovador que prev&ecirc; a regula&ccedil;&atilde;o do setor por camadas, tendo um &oacute;rg&atilde;o regulando a infra-estrutura e outro focado no conte&uacute;do. O segundo diz respeito &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o em um formato legal das bandeiras, reivindica&ccedil;&otilde;es e princ&iacute;pios hist&oacute;ricos do movimento que luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>O professor Marcos Dantas considera tamb&eacute;m que a regula&ccedil;&atilde;o por camadas, inova&ccedil;&atilde;o que pode ser &ldquo;at&eacute; revolucion&aacute;ria&rdquo; para o Brasil, est&aacute; em &ldquo;total coer&ecirc;ncia com o que se v&ecirc; na maior parte das democracias liberais, principalmente nos pa&iacute;ses europeus.<\/p>\n<p><strong>Texto do projeto<\/strong><\/p>\n<p>O Projeto de Lei de Iniciativa Popular prev&ecirc; a divis&atilde;o do sistema nacional de comunica&ccedil;&atilde;o em privado, estatal e p&uacute;blico, conforme previsto na Constitui&ccedil;&atilde;o, reservando 33% para este &uacute;ltimo, sendo que metade deste n&uacute;mero deve ser utilizado de forma comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p>Outra proposta que consta no projeto &eacute; a da cria&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;Fundo Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica&rdquo; para auxiliar no sustento do sistema p&uacute;blico, que levanta recursos de forma diferente da iniciativa privada. Desse fundo, ao menos 25% ser&atilde;o utilizados para promover a comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p>Um dos cap&iacute;tulos do projeto de lei &eacute; todo dedicado a &ldquo;concentra&ccedil;&atilde;o, o monop&oacute;lio ou o oligop&oacute;lio&rdquo;. O texto restringe a propriedade, n&atilde;o permitindo que se controle mais de cinco emissoras em territ&oacute;rio nacional, e impede a chamada &ldquo;propriedade cruzada&rdquo;, situa&ccedil;&atilde;o em que um mesmo grupo explora mais de um servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o social eletr&ocirc;nica no mesmo mercado ou que possua uma empresa nesse setor e um jornal impresso.<\/p>\n<p>O Projeto de Lei de Iniciativa Popular  pode ser acessado por meio de:<br \/><a href=\"http:\/\/www.paraexpressaraliberdade.org.br\/arquivos-nocms\/plip_versao_final.pdf\">http:\/\/www.paraexpressaraliberdade.org.br\/arquivos-nocms\/plip_versao_final.pdf<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda um pouco da proposta da sociedade civil para mudar as leis de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s e democratizar a m&iacute;dia <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1766],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27439"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27439\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}