{"id":27407,"date":"2013-03-21T18:32:15","date_gmt":"2013-03-21T18:32:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27407"},"modified":"2013-03-21T18:32:15","modified_gmt":"2013-03-21T18:32:15","slug":"governo-esta-em-divida-com-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27407","title":{"rendered":"&#8220;Governo est\u00e1 em d\u00edvida com a sociedade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O PT manifestou no in&iacute;cio de mar&ccedil;o apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es, capitaneado pelo FNDC. Em entrevista, o presidente do partido, Rui Falc&atilde;o, lembra que a regula&ccedil;&atilde;o foi resolu&ccedil;&atilde;o de confer&ecirc;ncia nacional e que discutir o marco regulat&oacute;rio representa ampliar a democracia. Para ele, o governo tem uma d&iacute;vida com a sociedade.<\/p>\n<p>Logo ap&oacute;s a divulga&ccedil;&atilde;o, no in&iacute;cio de mar&ccedil;o, da nota p&uacute;blica do Partido dos Trabalhadores (PT) intitulada &ldquo;Democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia &eacute; urgente e inadi&aacute;vel&rdquo;, os ve&iacute;culos que comp&otilde;em o monop&oacute;lio da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil trataram a iniciativa do partido como censura. Em entrevista ao FNDC, o presidente do partido, Rui Falc&atilde;o, destaca que discutir o marco regulat&oacute;rio representa exatamente o contr&aacute;rio: ampliar a democracia. Para ele, o governo mant&eacute;m uma d&iacute;vida com a sociedade ao n&atilde;o adotar a regula&ccedil;&atilde;o definida pela Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom).<\/p>\n<p>O presidente do partido destacou, ainda, que a legenda pede o cumprimento dos artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o que pro&iacute;bem a exist&ecirc;ncia de monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios e a aplica&ccedil;&atilde;o da complementaridade, ou a conviv&ecirc;ncia de tr&ecirc;s tipos de sistema de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para Falc&atilde;o, a resist&ecirc;ncia &agrave; regulamenta&ccedil;&atilde;o ser&aacute; vencida por meio da forma&ccedil;&atilde;o do conjunto da sociedade sobre o tema, e que as a&ccedil;&otilde;es dos movimentos sociais pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o devem dialogar com a popula&ccedil;&atilde;o e conseguir assinaturas para o projeto de Lei de Iniciativa Popular &#8211; esclarecendo a opini&atilde;o p&uacute;blica sobre as mudan&ccedil;as &ldquo;dif&iacute;ceis&rdquo;, pois &ldquo;mexem com interesses poderos&iacute;ssimos e que hoje est&atilde;o interditando o debate pol&iacute;tico mais livre na sociedade&rdquo;.<\/p>\n<p>Leia abaixo a entrevista.<br \/><strong><br \/>FNDC &ndash; Por que precisamos de um novo marco regulat&oacute;rio no Brasil?<br \/>Rui Falc&atilde;o &ndash; <\/strong>Todos os pa&iacute;ses t&ecirc;m algum tipo de regula&ccedil;&atilde;o sobre os meios eletr&ocirc;nicos e n&atilde;o &eacute; cerceamento, ao contr&aacute;rio, procuram corresponder ao fato de que o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, &agrave; liberdade de express&atilde;o, &eacute; tamb&eacute;m um direito individual. Mas, com os meios modernos de comunica&ccedil;&atilde;o, com a converg&ecirc;ncia das m&iacute;dias, cada vez mais esse direito &eacute; interativo, coletivo e social. &Eacute; preciso que o Estado, em nome da sociedade, fixe par&acirc;metros e regras que n&atilde;o implicam a restri&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do, mas normas de funcionamento para esses meios, que s&atilde;o cada vez mais poderosos, formam opini&otilde;es e difundem interesses. Em todos os pa&iacute;ses h&aacute; alguma regulamenta&ccedil;&atilde;o para os meios eletr&ocirc;nicos.<\/p>\n<p>No Brasil, a Constitui&ccedil;&atilde;o fixou algumas regras para os meios de comunica&ccedil;&atilde;o: os artigos 220, 221,222 e 223. O que temos defendido &eacute; que o marco regulat&oacute;rio deve se restringir ao que est&aacute; escrito na Constitui&ccedil;&atilde;o e carece de regulamenta&ccedil;&atilde;o. Sei que na sociedade h&aacute; propostas que extravasam isso. Esse debate foi feito na Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, que estabeleceu uma s&eacute;rie de compromissos para o governo, voc&ecirc; tinha a Lei de Imprensa, de 1969, que foi derrubada pelo Supremo, tem o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, que j&aacute; completou mais de 50 anos e &eacute; de uma &eacute;poca em que n&atilde;o havia nem internet. At&eacute; para atualizar a legisla&ccedil;&atilde;o voc&ecirc; precisaria de um marco regulat&oacute;rio.<br \/><strong><br \/>FNDC &#8211; O que o PT defende na pr&aacute;tica?<br \/>Rui Falc&atilde;o &ndash; <\/strong>Primeiro, que se cumpram os artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o que pro&iacute;bem a exist&ecirc;ncia de monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios e a aplica&ccedil;&atilde;o da complementaridade, a conviv&ecirc;ncia de tr&ecirc;s tipos de sistema de comunica&ccedil;&atilde;o: o privado, que predomina no Brasil e n&atilde;o vai ser desapropriado, nem seus conte&uacute;dos ser&atilde;o cerceados; o estatal e o setor p&uacute;blico, que tamb&eacute;m deveria conviver nessa tr&iacute;ade. &Eacute; preciso estimular o surgimento de um setor p&uacute;blico, ter novas normas e leis que protejam as r&aacute;dios comunit&aacute;rias para que n&atilde;o aconte&ccedil;a como atualmente, em que boa parte funciona ilegalmente. A pr&oacute;pria normatiza&ccedil;&atilde;o das TVs abertas exige um percentual de conte&uacute;do nacional e, para isso, precisa produzir um conte&uacute;do que atenda &agrave; complexidade do pa&iacute;s, as culturas, os sotaques.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&iacute;dia impressa, n&atilde;o h&aacute; nenhuma interfer&ecirc;ncia do marco regulat&oacute;rio, a n&atilde;o ser a discuss&atilde;o se &eacute; necess&aacute;rio ou n&atilde;o uma lei espec&iacute;fica para o direito de resposta, que n&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o direta com o marco regulat&oacute;rio. A revoga&ccedil;&atilde;o da Lei de Imprensa deixou um vazio jur&iacute;dico. Pessoalmente, entendo que dever&iacute;amos ter uma lei espec&iacute;fica que n&atilde;o jogasse sobre o jornalista e sim sobre as empresas a responsabilidade sobre repara&ccedil;&otilde;es financeiras. Tamb&eacute;m seria importante os jornalistas apoiarem esse movimento, que significa mais empregos e melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e permitiria estabelecermos um c&oacute;digo de &eacute;tica que fosse aceito nas empresas com direito de obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia &#8211; o jornalista n&atilde;o ser obrigado a fazer determinadas mat&eacute;rias que violem suas convic&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>E &eacute; importante enfatizar cada vez mais que isso n&atilde;o diz respeito a nenhum cerceamento de liberdade de express&atilde;o, n&atilde;o estamos propondo orientar as mat&eacute;rias que os jornalistas produzem e nem suprimir a oposi&ccedil;&atilde;o pela regulamenta&ccedil;&atilde;o dos meios. Se pode haver algum tipo de restri&ccedil;&atilde;o, &eacute; aquilo que est&aacute; previsto na Constitui&ccedil;&atilde;o.<br \/><strong><br \/>FNDC &#8211; O secret&aacute;rio-executivo do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, Cesar Alvarez, disse que o governo n&atilde;o discutir&aacute; o marco regulat&oacute;rio. Como fazer para o governo mudar de opini&atilde;o?<\/strong><br \/><strong>Rui Falc&atilde;o &ndash;<\/strong> Na reuni&atilde;o do diret&oacute;rio no in&iacute;cio de mar&ccedil;o, fizemos um apelo ao governo para que reconsidere essa decis&atilde;o. E o pr&oacute;prio Congresso Nacional, se quisesse, poderia regulamentar os artigos da Constitui&ccedil;&atilde;o independentemente do Executivo. Mas n&atilde;o parece ser esse o quadro no Congresso, tanto que tivemos, um dia depois da nossa decis&atilde;o de apoiar a iniciativa popular da CUT e do FNDC de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular, um dirigente do PMDB dizendo que &eacute; totalmente contr&aacute;rio a esse tipo de pol&iacute;tica que defendemos. H&aacute; setores do Congresso que se op&otilde;em a essa regula&ccedil;&atilde;o e por isso n&atilde;o se faz. H&aacute; propostas, por exemplo, de que pol&iacute;tico n&atilde;o seja propriet&aacute;rio de meio de comunica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; evidente que se isso fosse lei voc&ecirc; precisaria de um tempo para que o pol&iacute;tico ou desistisse do mandato ou transferisse para outra pessoa a propriedade. Porque o argumento &eacute; que quem autoriza e renova concess&atilde;o, no caso dos meio eletr&ocirc;nicos, n&atilde;o pode conceder pra si mesmo, mas sabemos que h&aacute; resist&ecirc;ncia.<br \/><strong><br \/>FNDC &#8211; E como se vence essa resist&ecirc;ncia?<\/strong><br \/><strong>Rui Falc&atilde;o &ndash;<\/strong> Atrav&eacute;s da press&atilde;o da sociedade. &Eacute; uma luta de muitos anos que vem sendo travada por dezenas de entidades e acho que ganhou novo impulso porque parece que h&aacute; o desejo de grandes entidades de levarem essa campanha pra rua. E &eacute; bom que se diga, ningu&eacute;m vai mexer com o futebol na TV, ningu&eacute;m vai acabar com as novelas. Ao contr&aacute;rio: em vez de acabar com o futebol, tem que democratizar a possibilidade de mais gente transmitir as partidas.<\/p>\n<p>S&atilde;o coisas assim de senso comum, mas acho que a campanha da CUT, do FNDC, do Intervozes, das dezenas de blogueiros e entidades que lutam pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m de dialogar com a sociedade e conseguir assinaturas e ganhar opini&atilde;o p&uacute;blica para essas mudan&ccedil;as que s&atilde;o dif&iacute;ceis, mexem com interesses poderos&iacute;ssimos e que hoje est&atilde;o interditando o debate pol&iacute;tico mais livre na sociedade.<\/p>\n<p>Estamos vivendo o per&iacute;odo mais longo de democracia no Brasil e h&aacute; mudan&ccedil;as que s&atilde;o urgentes e inadi&aacute;veis, e uma delas &eacute; o alargamento da liberdade de express&atilde;o. Estamos h&aacute; anos falando da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e fica parecendo que n&atilde;o vamos conseguir isso t&atilde;o cedo, mas a press&atilde;o da sociedade e a influ&ecirc;ncia das m&iacute;dias digitais, a sociedade em movimento, uma grande ascens&atilde;o social pode mudar a cabe&ccedil;a das pessoas. Por isso a import&acirc;ncia dessa campanha ir pra rua, pedir assinaturas, porque cada assinatura requer uma informa&ccedil;&atilde;o, &eacute; a sociedade fazendo pol&iacute;tica.<br \/><strong><br \/>FNDC &#8211; Qual a avalia&ccedil;&atilde;o que o senhor faz a partir dos governos Lula e Dilma sobre o interesse em democratizar a comunica&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/><strong>Rui Falc&atilde;o &ndash; <\/strong>Primeiro, de que n&atilde;o h&aacute; repress&atilde;o sobre jornalistas e imprensa. N&atilde;o h&aacute; uma atividade de censura, uma invas&atilde;o de empresa jornal&iacute;stica, um jornalista perseguido. Segundo, aprovamos a Lei de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o, que &eacute; um passo importante para democratizar a comunica&ccedil;&atilde;o oficial, que sempre foi muito fechada. Terceiro, a veicula&ccedil;&atilde;o de publicidade oficial se espalhou bastante. Essa tamb&eacute;m &eacute; uma postura que favorece ter mais liberdade de express&atilde;o no Brasil. Diminuiu muito a persegui&ccedil;&atilde;o &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias, algumas TVs tiveram autoriza&ccedil;&atilde;o para funcionar, como a TVT, que est&aacute; prestes a conseguir instalar uma antena na Paulista e poder&aacute; atingir toda a regi&atilde;o metropolitana. Houve a cria&ccedil;&atilde;o da TV Brasil. S&atilde;o avan&ccedil;os ainda insuficientes, mas que, comparados ao per&iacute;odo anterior, s&atilde;o avan&ccedil;os. Como a realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional da Comunica&ccedil;&atilde;o que, apesar da oposi&ccedil;&atilde;o de setores da grande imprensa, foi um sucesso. Uma das propostas era, inclusive, a constru&ccedil;&atilde;o de um marco regulat&oacute;rio. E isso o governo est&aacute; devendo, sua pr&oacute;pria delibera&ccedil;&atilde;o.<br \/><strong><br \/>FNDC &#8211; Em evento recente da CUT, o presidente Lula defendeu que os movimentos sociais se articulassem para a constru&ccedil;&atilde;o de uma m&iacute;dia pr&oacute;pria. Mas como &eacute; poss&iacute;vel vencer esse gargalo se os crit&eacute;rios t&eacute;cnicos de publicidade federal acabam ainda beneficiando os monop&oacute;lios e o acesso &agrave;s concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV por essas organiza&ccedil;&otilde;es ainda &eacute; muito dif&iacute;cil?<br \/>Rui Falc&atilde;o &ndash; <\/strong>Quanto mais o campo popular puder reunir suas publica&ccedil;&otilde;es, seus ve&iacute;culos eletr&ocirc;nicos para ter conte&uacute;do semelhante, eu acho positivo. Mas n&atilde;o creio que esse seja o caminho alternativo &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um marco regulador. Cada publica&ccedil;&atilde;o e cada ve&iacute;culo tem sua linha, representa seus segmentos, representa categorias profissionais, fica dif&iacute;cil ter pauta unificada. Quanto mais sinergia puder haver entre esses ve&iacute;culos, melhor, mas n&atilde;o creio que isso seja um contraponto ao monop&oacute;lio. Eu acho que deveriam ser revistos os crit&eacute;rios para termos a possibilidade de novas concess&otilde;es, e &eacute; preciso reorientar, sem favorecer, os crit&eacute;rios de veicula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista ao FNDC, o presidente do Partido dos Trabalhadores Rui Falc&atilde;o fala sobre o apoio do partido &agrave;s mobiliza&ccedil;&otilde;es da sociedade e a necessidade de mudan&ccedil;as na comunica&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1761,1762],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27407"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27407"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27407\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}