{"id":27369,"date":"2013-02-15T17:22:19","date_gmt":"2013-02-15T17:22:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27369"},"modified":"2013-02-15T17:22:19","modified_gmt":"2013-02-15T17:22:19","slug":"a-tv-e-um-pouco-a-expressao-desse-politicamente-correto-mal-entendido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27369","title":{"rendered":"&#8220;A TV \u00e9 um pouco a express\u00e3o desse politicamente correto mal entendido&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Pedro Arantes &eacute; um dos tr&ecirc;s vencedores do pr&ecirc;mio Pitching da TV C&acirc;mara por seu document&aacute;rio &ldquo;O riso dos outros&rdquo;, que trata do humorismo feito no Brasil na atualidade, com destaque para a stand up comedy. Premiado por um dos melhores audiovisuais entre 70 propostas concorrentes, o realizador considera que a repercuss&atilde;o do seu filme tem sido bastante positiva, especialmente considerando-se que foi feito com poucos recursos. <\/p>\n<p>Diretor de s&eacute;ries de humor como &ldquo;As Ol&iacute;vias&rdquo;, do canal Multishow, e &ldquo;Vida de Estagi&aacute;rio&rdquo;, da TV Brasil, Pedro Arantes diz ver na TV brasileira a express&atilde;o do que seria o &ldquo;politicamente correto mal entendido&rdquo;: o moralismo conservador. Discutindo os limites entre a com&eacute;dia e a ofensa, o filme &ldquo;O riso dos outros&rdquo; entrevista humoristas, cartunistas, militantes, parlamentares e especialistas, apresentando v&aacute;rias perspectivas sobre o tema.<\/p>\n<p>Formado pela Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes da Universidade de S&atilde;o Paulo (ECA-USP), o documentarista defende que a linguagem veicula estere&oacute;tipos e que os humoristas n&atilde;o est&atilde;o isentos de tomarem posi&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas, ainda que n&atilde;o sejam conscientes disso. Arantes afirma crer, por&eacute;m, que o humor pode servir para quebrar estere&oacute;tipos e que excessos devem ser regulados de forma democr&aacute;tica.<\/p>\n<p><strong>Por que fazer um document&aacute;rio sobre humor? O que lhe motivou a trabalhar com essa tem&aacute;tica espec&iacute;fica?<\/strong><br \/>J&aacute; era uma &aacute;rea na qual eu trabalhava. Meu trabalho de conclus&atilde;o de curso na faculdade foi um filme de com&eacute;dia. Eu e o pessoal daqui da produtora sempre gostamos muito de trabalhar com a linguagem humor&iacute;stica. &Eacute; o tipo de linguagem que a gente gosta de trabalhar e que consegue comunicar muita coisa. &Eacute; muito popular e as pessoas gostam. Quando come&ccedil;ou toda essa discuss&atilde;o do &ldquo;humor politicamente incorreto&rdquo;, foi uma coisa que eu fiquei pensando sobre e a gente discutia bastante. A gente v&ecirc; bastante humor brasileiro e gringo tamb&eacute;m. A gente tem bastante refer&ecirc;ncia. Ent&atilde;o, era uma discuss&atilde;o que a gente j&aacute; estava um pouco imerso nela.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; considera &ldquo;O Riso dos outros&rdquo; um sucesso?<\/strong><br \/>Dentro das minhas expectativas, sim. A medida do sucesso &eacute; meio relativa, porque depende de onde voc&ecirc; queria chegar e de onde voc&ecirc; partiu. Acho que para um filme feito com um edital pequeno, da TV C&acirc;mara, falando de um tema que &eacute; meio &aacute;rido, praticamente s&oacute; com gente falando, de discuss&atilde;o, eu considero que a repercuss&atilde;o que ele tem tido &eacute; um sucesso sim.<\/p>\n<p>Grande parte desse sucesso tem a ver com a relev&acirc;ncia do tema. J&aacute; era um tema quente. N&atilde;o fui eu quem inventou essa discuss&atilde;o. Ela j&aacute; tava pautada. Tem bastante disso: de uma atualidade da coisa. E, por outro lado, eu acho que o filme consegue ampliar um pouco o debate.<\/p>\n<p><strong>As piadas contribuem para refor&ccedil;ar estere&oacute;tipos e exercer uma viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica?<\/strong><br \/>A disputa pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica se d&aacute; essencialmente na linguagem. A linguagem &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o das coisas que a sociedade pensa, acredita e pratica. Ent&atilde;o, se voc&ecirc; diz: a piada serve pra refor&ccedil;ar o estere&oacute;tipo&#8230; na verdade, a piada, a linguagem, o que se diz, &eacute; a pr&oacute;pria manifesta&ccedil;&atilde;o do estere&oacute;tipo, entende? &Eacute; uma forma de o estere&oacute;tipo se manifestar. Outra forma &eacute; voc&ecirc; sair batendo nas pessoas. Outra forma s&atilde;o discursos de &oacute;dio. Outra forma &eacute; o parlamentar passar legisla&ccedil;&otilde;es que restringem direitos. Se voc&ecirc; entende a linguagem como manifesta&ccedil;&atilde;o real das coisas, ent&atilde;o uma piada nunca vai ser &ldquo;s&oacute; uma piada&rdquo;, entende? Porque toda linguagem &eacute; tamb&eacute;m um posicionamento pol&iacute;tico. Toda comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o de mundo. E essa vis&atilde;o, seja no humor, seja num discurso de &oacute;dio, ela est&aacute; construindo essa vis&atilde;o de mundo, entendeu? Nesse sentido, eu n&atilde;o acredito que possa haver nada imparcial, pois se toda linguagem &eacute; a coloca&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o, toda linguagem &eacute; parcial. Por outro lado, o discurso humor&iacute;stico pode servir para quebrar com esses estere&oacute;tipos.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; acha que o humor deve ter limites?<\/strong><br \/>Quando a gente fala limites, parece tudo sempre meio pejorativo. At&eacute; porque a gente vive num mundo que tem uma coisa um pouco: &ldquo;a liberdade &eacute; um grande valor!&rdquo;, &ldquo;a vida sem limites!&rdquo;. A sociedade meio que prega isso. Por exemplo, publicidade de carro: &ldquo;N&atilde;o tenho um limite. Comprei um carro, sou livre&rdquo;, n&eacute;? Um pouco essa ideia dessa liberdade. Ent&atilde;o, quando a gente fala de limites, sempre tem uma conota&ccedil;&atilde;o meio pejorativa. &ldquo;Ah, t&aacute; querendo botar limites na minha liberdade!&rdquo;. Eu acho que a vida em sociedade &eacute; um pouco estabelecer limites para tudo. Existe um limite que todos n&oacute;s concordamos ou compartilhamos: o de que n&atilde;o se pode matar algu&eacute;m. &Eacute; um limite socialmente acordado e legalmente colocado. Tem consequ&ecirc;ncias claras para o caso de esse limite ser ultrapassado. Um pouco de viver em sociedade &eacute; isso: negociar sempre esses limites. Ent&atilde;o, sim, esses limites v&atilde;o ser acordados e estabelecidos idealmente pela maioria.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; defende que esses limites t&ecirc;m que ser expressos em leis? <\/strong><br \/>Por que se precisa de uma lei dizendo que racismo &eacute; crime? Porque a sociedade &eacute; racista, e precisou o legislador ir l&aacute; e escrever isso na lei e punir esse comportamento para talvez mudar isso. A lei &eacute; um acordo da maioria da sociedade de que deve haver limites para tais e tais coisas. Acho que a lei ajuda um pouco a transformar essa realidade.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; v&ecirc; uma diferen&ccedil;a entre o humor feito no teatro, em que a pessoa sai de casa e paga um ingresso para assistir, e o que &eacute; transmitido pela televis&atilde;o aberta, que &eacute; uma concess&atilde;o p&uacute;blica e que chega direto &agrave; casa das pessoas?<\/strong><br \/>Tem diferen&ccedil;a, sim. No Brasil, parece que a plateia que pagou o show &eacute; obrigada a rir, e n&atilde;o o comediante que &eacute; obrigado a fazer a plateia rir. Tu j&aacute; vai com aquela disposi&ccedil;&atilde;o. Essa discuss&atilde;o &eacute; interessante porque existe muito mais diferen&ccedil;a moral, mas eu n&atilde;o vejo tanto uma diferen&ccedil;a pol&iacute;tica. Por exemplo, na TV voc&ecirc; n&atilde;o pode falar palavr&atilde;o porque moralmente n&atilde;o &eacute; muito aceito. No teatro, voc&ecirc; pode falar palavr&atilde;o, que a&iacute; a plateia acha engra&ccedil;ad&iacute;ssimo. Na TV, voc&ecirc; n&atilde;o pode ofender um anunciante, o que no teatro &eacute; meio liberado. Existe muito posicionamento moral na televis&atilde;o e pouco posicionamento pol&iacute;tico. <\/p>\n<p>Quando a gente come&ccedil;ou a fazer o filme, muitos comediantes colocavam no mesmo saco fazer piada com negro, fazer piada com gay, fazer piada com banc&aacute;rio ou falar palavr&atilde;o, como se tudo isso fosse: &ldquo;Ah, a patrulha do politicamente correto que n&atilde;o deixa fazer piada com nada!&rdquo;. E acho que o filme tenta colocar que o ponto n&atilde;o &eacute; bem esse. O banc&aacute;rio nunca foi uma categoria explicitamente oprimida e perseguida. O palavr&atilde;o n&atilde;o &eacute; um problema. Todo mundo fala palavr&atilde;o, o palavr&atilde;o faz parte da vida e da linguagem. O problema &eacute; quando voc&ecirc; est&aacute; refor&ccedil;ando o estere&oacute;tipo desses grupos explicitamente desfavorecidos. Acho que a TV &eacute; um pouco a express&atilde;o desse politicamente correto mal entendido: n&atilde;o pode falar palavr&atilde;o, n&atilde;o pode dizer piada que ofenda o anunciante, n&atilde;o pode ofender a moral e os bons costumes, mas tudo bem fazer piada de bicha. Porque fazer piada de bicha n&atilde;o ofende a moral e os bons costumes. Fazer piada de mulher sendo assediada ou estuprada no metr&ocirc; n&atilde;o ofende a moral e os bons costumes. <\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; acha que deveria haver uma diferen&ccedil;a no comportamento do humorista da TV e do teatro?<\/strong><br \/>Eu acho que deveria haver uma diferen&ccedil;a nesse posicionamento, porque aquilo que voc&ecirc; fala em privado &eacute; diferente do que voc&ecirc; fala em p&uacute;blico. As esferas alteram um pouco seu entendimento. Eu estou num mesa de bar com amigos que me conhecem, sabem quem eu sou, de repente eu posso fazer uma ironia que pode ser ironicamente refor&ccedil;ando o estere&oacute;tipo e todo mundo saber que eu n&atilde;o compartilho com aquilo, que a for&ccedil;a da pr&oacute;pria ironia &eacute; afirmar uma coisa quando ela quer afirmar o seu contr&aacute;rio. Isso &eacute; uma coisa para fazer na mesa de bar. O uso da ironia, por exemplo, que &eacute; uma ferramenta maravilhosa do humor, para p&uacute;blicos amplos &eacute; cada vez mais complicado, porque o entendimento &eacute; um entendimento complexo. Ele depende de ter compartilhado uma s&eacute;rie de c&oacute;digos que permitam que voc&ecirc; entenda aquilo corretamente. Ent&atilde;o, sim. Acho que quanto mais aberto o escopo, mais voc&ecirc; vai tendo que ir para uma linguagem que seja, digamos, mais universal. No sentido que trabalhe com c&oacute;digos que voc&ecirc; acredita que a maioria das pessoas domina. E, sim, os humoristas fazem isso, eles sabem disso. Os caras s&atilde;o comunicadores e n&atilde;o s&atilde;o idiotas. Eles sabem que determinadas piadas v&atilde;o funcionar no teatro porque eles j&aacute; est&atilde;o sentindo o p&uacute;blico e eles sabem mais ou menos o p&uacute;blico que vai. Se eles fizerem na TV, talvez eles n&atilde;o sejam bem compreendidos porque um p&uacute;blico mais amplo n&atilde;o vai dominar aquele repert&oacute;rio que eles est&atilde;o ativando ao fazer aquela piada.<\/p>\n<p>Acho que voc&ecirc; &eacute; igualmente respons&aacute;vel pelo que voc&ecirc; fala em qualquer lugar. O que voc&ecirc; fala &eacute; o que voc&ecirc; &eacute;, o que voc&ecirc; acredita, enfim, o que voc&ecirc; faz. Uma coisa &eacute; o cara estar no teatro e dizer: &ldquo;beleza, eu aguento essa responsabilidade e vou falar mesmo que o neg&oacute;cio caia pra cima de mim&rdquo;. Outra coisa &eacute; a emissora, que &eacute; uma concess&atilde;o p&uacute;blica, e teoricamente, ao conquistar a concess&atilde;o, aceita uma s&eacute;rie de responsabilidades que inclusive est&atilde;o previstas em lei. <\/p>\n<p><strong>O que voc&ecirc; acha do humor engajado? Pode se pensar em termos de um &ldquo;humor pol&iacute;tico&rdquo; e de um &ldquo;humor apol&iacute;tico&rdquo;?<\/strong><br \/>N&atilde;o. N&atilde;o pode. Eu n&atilde;o cobro que se fa&ccedil;a um humor engajado&#8230; Tem que ser bom! Tem que ser engra&ccedil;ado! Se o lance &eacute; fazer piada, tem que conseguir. Mas eu n&atilde;o acho que exista um humor pol&iacute;tico e um humor apol&iacute;tico. Essa distin&ccedil;&atilde;o que hoje em dia se faz, cada vez mais, &eacute; um empobrecimento de debate que &eacute; muito complicado. As pessoas falam: &ldquo;ah, eu n&atilde;o mexo com pol&iacute;tica&rdquo;, &ldquo;eu n&atilde;o quero saber de pol&iacute;tica&rdquo;; porque pol&iacute;tica virou um pouco redu&ccedil;&atilde;o &agrave; coisa institucional, &agrave; pol&iacute;tica partid&aacute;ria, que &eacute; vista com uma vis&atilde;o bem moralista como um neg&oacute;cio sujo. Estar na vida, se relacionar em sociedade, &eacute; um ato pol&iacute;tico. Voc&ecirc; decide fazer as coisas na sua vida pelo que voc&ecirc; acredita, pelo que voc&ecirc; quer. As pessoas todas decidindo juntas v&atilde;o criando o que &eacute; a sociedade naquele per&iacute;odo hist&oacute;rico. Ent&atilde;o, n&atilde;o d&aacute; para falar de um humor apol&iacute;tico. Voc&ecirc; agir no mundo &eacute; voc&ecirc; colocar um posicionamento. E voc&ecirc; se colocar &eacute; uma atitude pol&iacute;tica. Voc&ecirc; pode fazer isso de uma maneira consciente ou inconsciente. Pode estar naturalizando suas atitudes e estar inconscientemente fazendo as coisas ou voc&ecirc; pode saber de onde vem e para onde vai. De onde vem essa piada e ao que ela leva, o que ela refor&ccedil;a, o que ela representa, o que ela quebra, para onde ela aponta. &Eacute; o sujeito tendo consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica. Quando voc&ecirc; come&ccedil;a a pensar nessas quest&otilde;es, voc&ecirc; come&ccedil;a a fazer escolhas: &ldquo;isso eu quero falar, isso eu n&atilde;o quero, porque isso eu acho legal dizer e isso eu n&atilde;o acho legal&rdquo;. Ent&atilde;o voc&ecirc; est&aacute; agindo politicamente de maneira consciente, enquanto voc&ecirc; diz que est&aacute; agindo apoliticamente voc&ecirc; s&oacute; est&aacute; agindo politicamente de maneira inconsciente. Ent&atilde;o, voc&ecirc; me pergunta: voc&ecirc; tem prefer&ecirc;ncia por arte engajada? N&atilde;o, mas tenho prefer&ecirc;ncia pela arte que parte de premissas pol&iacute;ticas nas quais eu acredito. O realismo socialista eu acho uma arte meio ruim, uma arte meio feita de cima para baixo. Acho que esse tipo de manifesta&ccedil;&atilde;o politicamente engajada tinha muito pouco valor como arte e muito mais valor como pol&iacute;tica. J&aacute; o Laerte ou o Bill Hicks s&atilde;o bons no que eles se prop&otilde;em, s&atilde;o bons em fazer um bom humor.<\/p>\n<p><strong>O humor pode ser transformador?<\/strong><br \/>Acho que sim. Fazer humor, ainda mais fazer humor como profiss&atilde;o, &eacute; agir no mundo e agir no mundo &eacute; transformador. N&atilde;o acho que um comediante vai subir no palco e quando ele descer as pessoas v&atilde;o sair de l&aacute; e fazer uma passeata, mas o cara pode subir no palco e as pessoas v&atilde;o pra casa um pouco pensando naquilo ou rindo daquilo, ridicularizando os poderosos, quem oprime, e n&atilde;o quem &eacute; oprimido. E isso vai um pouco mudando a cabe&ccedil;a das pessoas. E isso &eacute; transformador. De repente ningu&eacute;m acha mais engra&ccedil;ado fazer a piada da &ldquo;bichinha&rdquo;, entendeu? Quer dizer que ningu&eacute;m mais acha engra&ccedil;ado rir dos homossexuais, porque n&atilde;o &eacute; defeito ser homossexual. Foi transformador, entendeu? S&atilde;o mudan&ccedil;as de mentalidade, que demoram muito tempo pra acontecer.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretor do document&aacute;rio &quot;O riso dos outros&quot;, Pedro Arantes v&ecirc; excesso de moralismo conservador na TV e defende que nenhum humor &eacute; imparcial.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1752],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27369"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}