{"id":27331,"date":"2013-01-17T14:59:08","date_gmt":"2013-01-17T14:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27331"},"modified":"2013-01-17T14:59:08","modified_gmt":"2013-01-17T14:59:08","slug":"simbolo-da-liberdade-on-line","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27331","title":{"rendered":"S\u00edmbolo da liberdade on-line"},"content":{"rendered":"<p>A morte do cyberativista Aaron Swartz, aos 26 anos, chocou a comunidade da internet e reacendeu um debate sobre o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o na rede. Respondendo a um processo do governo norte-americano em que era acusado de fraude por copiar quase 5 milh&otilde;es de artigos cient&iacute;ficos da rede do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ele se suicidou na &uacute;ltima sexta-feira. Em apoio ao trabalho de Aaron, nomes influentes da web publicaram artigos emocionados, e milhares de internautas demonstraram apoio ao trabalho do g&ecirc;nio precoce.<\/p>\n<p>Ainda adolescente, contribuiu com a cria&ccedil;&atilde;o do Creative Commons e do sistema RSS, que possibilitou modelos como o Google Reader. Mais tarde, o norte-americano deu in&iacute;cio ao site Reddit, uma comunidade de partilhamento de links que abriga o endere&ccedil;o de mais de 3 bilh&otilde;es de p&aacute;ginas. Mas a grande conquista de Swartz foi sua campanha contra as leis Sopa (Lei Contra a Pirataria On-line) e Pipa (Lei de Prote&ccedil;&atilde;o ao IP).<\/p>\n<p>Essa trajet&oacute;ria de sucesso foi interrompida quando Swartz usou sua habilidade para disponibilizar na rede conte&uacute;dos que, em sua opini&atilde;o, deviam ser p&uacute;blicos. Sozinho, ele baixou 4,8 milh&otilde;es de artigos universit&aacute;rios do JSTOR (Journal Storage), um grande sistema on-line de arquivamento de peri&oacute;dicos acad&ecirc;micos. Ele come&ccedil;ou a baixar os arquivos em massa da rede wireless do MIT, depois de desenvolver uma forma de abrir as p&aacute;ginas. Quando o MIT cortou o seu acesso, ele simplesmente entrou em um arm&aacute;rio onde estava guardada a rede da institui&ccedil;&atilde;o e conectou o seu computador para ter acesso aos trabalhos.<\/p>\n<p>Ele foi preso em julho de 2011 e indiciado por 13 crimes, incluindo fraude. O processo poderia lhe custar 35 anos de pris&atilde;o e mais de R$ 2 milh&otilde;es em multas, de acordo com Lei de Fraude e Abuso Computacional norte-americana. O JSTOR retirou as queixas em junho, logo depois que Swartz devolveu os arquivos, mas o governo norte-americano continuou com o processo. Os dois anos de brigas judiciais consumiram todo seu dinheiro, e a promotora respons&aacute;vel pelo caso, Carmen Ortiz, o igualava na m&iacute;dia a um ladr&atilde;o munido de um p&eacute; de cabra.<\/p>\n<p>Em 2007, o rapaz j&aacute; dava sinais de depress&atilde;o em um post na internet. &ldquo;Voc&ecirc; imagina se vale a pena continuar. Tudo o que voc&ecirc; pensa parece sem vida &mdash; as coisas que voc&ecirc; fez, as coisas que voc&ecirc; espera fazer, as pessoas &agrave; sua volta. Voc&ecirc; quer deitar na cama e manter as luzes apagadas&rdquo;, confessou pela web. Cofundador do Reddit, Alexis Ohanian chegou a chamar a pol&iacute;cia quando leu o depoimento, mas Swartz afirmou que estava sofrendo por causa de um problema de sa&uacute;de. Amigos diziam que ele n&atilde;o demonstrou sinais negativos desde ent&atilde;o, e acreditam que a persegui&ccedil;&atilde;o judicial foi demais para ele. Swartz foi encontrado enforcado em seu apartamento em Nova York, dois meses antes do seu julgamento.<\/p>\n<p>Quatro dias antes do suic&iacute;dio, seu advogado e amigo, Lawrence Lessig, recebeu a informa&ccedil;&atilde;o de que todos os arquivos da JSTOR teriam o acesso liberado &mdash; exatamente o que Aaron tentava fazer quando foi investigado. Ele n&atilde;o chegou a receber a mensagem. A JSTOR tamb&eacute;m publicou um coment&aacute;rio sobre o caso em seu site, expressando condol&ecirc;ncias pela morte de Swartz. &ldquo;O caso &eacute; um em que n&oacute;s mesmos nos arrependemos de ter sido arrastados desde o in&iacute;cio, j&aacute; que a miss&atilde;o do JSTOR &eacute; dar acesso amplo ao conhecimento do corpo escolar do mundo&rdquo;, apontou a nota.<\/p>\n<p>O MIT, que n&atilde;o havia se posicionado &agrave; &eacute;poca, deu in&iacute;cio no domingo a uma investiga&ccedil;&atilde;o com &ldquo;o objetivo de entender e aprender com as a&ccedil;&otilde;es tomadas pelo MIT&rdquo;. A a&ccedil;&atilde;o ser&aacute; liderada por Hal Abelson, diretor da Free Software Foundation e do Creative Commons. Horas depois do an&uacute;ncio da investiga&ccedil;&atilde;o, o grupo de hackers Anonymous invadiu o site do instituto e publicou um an&uacute;ncio que classificava o processo a Swartz como &ldquo;um erro grotesco da Justi&ccedil;a&rdquo;. A fam&iacute;lia do ativista responsabilizou o instituto pela trag&eacute;dia e classificou a morte de Aaron como &ldquo;o produto de um sistema de justi&ccedil;a criminal cheio de intitmida&ccedil;&atilde;o e excessos promotoriais&rdquo;. Protestos se espalharam pelas redes sociais.<\/p>\n<p><strong>M&aacute;rtir<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;A rea&ccedil;&atilde;o de grupos diversos, em casos como esse, &eacute; esperada&rdquo;, avalia Silvio Meira, professor de engenharia de software da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para ele, &ldquo;abrir todas as publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, por exemplo, &eacute; um come&ccedil;o. H&aacute; muita coisa nessa dire&ccedil;&atilde;o. E h&aacute; uma discuss&atilde;o muito importante sobre se queremos que &lsquo;conhecimento&rsquo;, a maior parte dele, seja &lsquo;conte&uacute;do&rsquo; ou n&atilde;o&rdquo;, aponta o especialista.<\/p>\n<p>Aos 15 anos, Swartz havia deixado uma esp&eacute;cie de testamento virtual em seu site, caso fosse &ldquo;atingido por um caminh&atilde;o&rdquo;. No texto, ele determinou que todos os arquivos de seus discos r&iacute;gidos sejam tornados p&uacute;blicos na internet, al&eacute;m de doar o copyright de seus c&oacute;digos de licen&ccedil;a p&uacute;blica para a Free Software Foundation.<\/p>\n<p>O trabalho tornado p&uacute;blico &eacute; considerado essencial para a consolida&ccedil;&atilde;o da internet como um espa&ccedil;o sem restri&ccedil;&otilde;es constru&iacute;do pelo usu&aacute;rio. &ldquo;O RSS foi uma quebra de paradigma para a comunica&ccedil;&atilde;o. Pela primeira vez, foi poss&iacute;vel num mesmo espa&ccedil;o agregar not&iacute;cias de v&aacute;rias fontes distintas, e o p&uacute;blico passou a escolher o que quer ver. E ele fez tudo da forma mais plural, isso &eacute; uma quebra de paradigma&rdquo;, avalia o ativista pela liberdade do conhecimento Marcelo Branco.<\/p>\n<p>Para o especialista, a morte de Swartz n&atilde;o somente cria um m&aacute;rtir, como tamb&eacute;m abre um di&aacute;logo que pode manter a sua obra viva. &ldquo;A morte dele traz &agrave; tona esse debate. No Brasil, se discute o Marco Civil da Internet, e uma das pol&ecirc;micas &eacute; a neutralidade da rede, uma das maiores lutas dele. A luta contra a vigil&acirc;ncia e a quebra de privacidade na internet &eacute; constante&rdquo;, afirma Branco.<\/p>\n<p>O marco civil brasileiro, conhecido como o Projeto de Lei 2126\/2011, trata dos direitos e deveres de prestadores de servi&ccedil;o e provedores e do papel do Poder P&uacute;blico sobre a rede. A lei teve a vota&ccedil;&atilde;o adiada seis vezes, mas outros projetos que criminalizam comportamentos na web continuam passando pela C&acirc;mara. &ldquo;Em tal contexto, estamos criando as condi&ccedil;&otilde;es para que um &lsquo;caso Swartz aconte&ccedil;a no Brasil. E isso s&oacute; n&atilde;o vai rolar se houver muito mais a&ccedil;&atilde;o para garantir direitos individuais na rede, em vez de, cada vez mais, restringir seu uso&rdquo;, alerta Branco.<\/p>\n<p><strong>Talento precoce<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo t&atilde;o jovem, Aaron Swartz criou um impressionante legado de conquistas em nome da liberdade de informa&ccedil;&atilde;o na rede. Aos 14 anos, ele ajudou no desenvolvimento do Creative Commons, organiza&ccedil;&atilde;o que cria licen&ccedil;as de registro para compartilhamento de obras. Ainda na adolesc&ecirc;ncia, aos 15 anos, foi um dos autores do sistema RSS 1.0 (Sum&aacute;rio de Sites RDF, na sigla em ingl&ecirc;s), que deu ao internauta a op&ccedil;&atilde;o de receber conte&uacute;do das p&aacute;ginas de sua prefer&ecirc;ncia numa mesma fonte de informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Swartz ainda ajudou a construir o Open Library, um arquivo gratuito da internet. Aos 19 anos, construiu a empresa Infogami, que mais tarde se tornaria o Reddit. O site, hoje um dos mais populares da internet, funciona com uma estrutura relativamente simples: pessoas podem postar links para conte&uacute;dos de qualquer tema, criando uma sele&ccedil;&atilde;o personalizada da internet, e as mais votadas ganham espa&ccedil;o da p&aacute;gina principal.<\/p>\n<p>Em 2010, ele fez parte do Centro de &Eacute;tica de Harvard, quando cofundou o grupo on-line Demand Progress, que liderou a campanha contra as leis de censura &agrave; web. Quando a lei foi apresentada, em setembro de 2010, ainda sob o nome de Coica (Lei de Combate a Infra&ccedil;&otilde;es e Falsifica&ccedil;&otilde;es On-line, em ingl&ecirc;s), Swartz deu in&iacute;cio a uma peti&ccedil;&atilde;o pela rede que superou 300 mil assinaturas em poucas semanas. A campanha levou a uma mobiliza&ccedil;&atilde;o sem precedentes na internet e conseguiu virar a vota&ccedil;&atilde;o das leis Sopa (Lei Contra a Pirataria Online) e Pipa (Lei de Prote&ccedil;&atilde;o ao IP), antes un&acirc;nimes no Congresso norte-americano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte do cyberativista Aaron Swartz, aos 26 anos, chocou a comunidade da internet e reacendeu um debate sobre o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o na rede. 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