{"id":27315,"date":"2013-01-09T17:53:31","date_gmt":"2013-01-09T17:53:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27315"},"modified":"2013-01-09T17:53:31","modified_gmt":"2013-01-09T17:53:31","slug":"comunicacao-2012-um-balanco-nao-foi-facil-e-nunca-sera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27315","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o 2012, um balan\u00e7o: n\u00e3o foi f\u00e1cil, e nunca ser\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>N&atilde;o h&aacute; como ignorar certa monotonia nos balan&ccedil;os de fim de ano do setor de comunica&ccedil;&otilde;es. Sem muito esfor&ccedil;o, um observador atento constatar&aacute; que:<\/p>\n<p>1.Os atores e interesses que interferem, de facto, na disputa pela formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas s&atilde;o poucos: governo, empres&aacute;rios de m&iacute;dia (inclusive operadores de telefonia e fabricantes de equipamento eletroeletr&ocirc;nico) e parlamentares.<\/p>\n<p>H&aacute; que se mencionar ainda o Judici&aacute;rioque, por meio de sua mais alta corte, o Supremo Tribunal Federal (STF), tem interpretado a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 de maneira a legitimar uma inusitada hierarquia de direitos em que prevalece a liberdade da imprensa sobre a liberdade de express&atilde;o e os direitos de defesa e prote&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o (ac&oacute;rd&atilde;o da Argui&ccedil;&atilde;o de Descumprimento de Preceito Fundamental &ndash; ADPF &ndash; n&ordm; 130, de 2009). Aguarda decis&atilde;o, por exemplo, a A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade &ndash; ADI n&ordm; 2404 na qual os empres&aacute;rios de radiodifus&atilde;o, usando a sigla do PTB e representados pelo ex-ministro Eros Grau, pedem a impugna&ccedil;&atilde;o do artigo 254 do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente &ndash; vale dizer, questionam a pol&iacute;tica p&uacute;blica definida pelas portarias 1220\/2006 e 1000\/2007 do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a que estabeleceram as normas para Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa de programas de r&aacute;dio e televis&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o me esqueci da chamada &ldquo;sociedade civil organizada&rdquo; &ndash; movimentos sociais, partidos, sindicatos, ONGs, entidades civis, dentre outros. Todavia, como sua interfer&ecirc;ncia continua apenas perif&eacute;rica no jogo pol&iacute;tico real, prefiro trat&aacute;-la como um n&atilde;o-ator.<\/p>\n<p>2.Alguns atores ocupam posi&ccedil;&otilde;es superpostas, por exemplo: ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es e\/ou parlamentar (poder concedente) &eacute;, simultaneamente, empres&aacute;rio de m&iacute;dia (concession&aacute;rio de radiodifus&atilde;o); e,<\/p>\n<p>3.As principais regras e normas legais s&atilde;o mantidas ou se reproduzem, ao longo do tempo, mesmo quando h&aacute; &ndash; como tem havido &ndash; um processo de radicais mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas.<\/p>\n<p>Essa realidade pode ser verificada, em seus eixos principais, pelo menos desde a articula&ccedil;&atilde;o que levou &agrave; derrubada dos 52 vetos do ent&atilde;o presidente Jo&atilde;o Goulart ao C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; CBT (Lei 4.117\/1962) e que deu origem &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o (Abert), 50 anos atr&aacute;s. Depois disso, no que se refere &agrave;s concess&otilde;es do servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o, mais ou menos a cada dez anos as regras se consolidam: primeiro na Lei 5.785\/1972; depois no Decreto 88.066\/1983 e na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 e, mais recentemente, no Decreto 7670\/2012.<\/p>\n<p>O resultado &eacute; que, ano ap&oacute;s ano, permanece praticamente inalterada a supremacia de determinados grupos e de seus interesses na condu&ccedil;&atilde;o da politica p&uacute;blica de comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Creio que as pol&iacute;ticas de radiodifus&atilde;o no Brasil constituem um exemplo daquilo que, em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica, os institucionalistas hist&oacute;ricos chamam de &ldquo;depend&ecirc;ncia de trajet&oacute;ria&rdquo; (path dependency), isto &eacute;, &ldquo;uma vez iniciada uma determinada pol&iacute;tica, os custos para revert&ecirc;-la s&atilde;o aumentados. (&#8230;) As barreiras de certos arranjos institucionais obstruir&atilde;o uma revers&atilde;o f&aacute;cil da escolha inicial&rdquo; (Levi).<\/p>\n<p>O eventual leitor(a) poder&aacute; constatar esta &ldquo;depend&ecirc;ncia de trajet&oacute;ria&rdquo; nos balan&ccedil;os que tenho publicado neste Observat&oacute;rio desde 2004 (ver &ldquo;Adeus &agrave;s ilus&otilde;es&ldquo;, &ldquo;Balan&ccedil;o de muitos recuos e alguns avan&ccedil;os&ldquo;, &ldquo;Notas de um balan&ccedil;o pouco animador&ldquo;, &ldquo;Balan&ccedil;o provis&oacute;rio de um semestre inusitado&ldquo;, &ldquo;Mais recuos do que avan&ccedil;os&ldquo; &ldquo;Algumas novidades e poucos progressos&ldquo;, &ldquo;O que se pode esperar para 2009? (1)&ldquo;, &ldquo;O que se pode esperar para 2009? (final)&ldquo;, &ldquo;Por que a m&iacute;dia n&atilde;o se autoavalia?&ldquo; e &ldquo;Os avan&ccedil;os de 2011&ldquo;).<\/p>\n<p><strong>2011 versus 2012<\/strong><\/p>\n<p>No fim de 2011, escolhi fazer um breve &ldquo;balan&ccedil;o seletivo&rdquo; registrando fatos que poderiam ser considerados como avan&ccedil;os no sentido da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o (ver &ldquo;Os avan&ccedil;os de 2011&ldquo;). Um ano depois, muito do que se esperava que acontecesse no curto prazo, de fato, n&atilde;o se concretizou. Exemplos:<\/p>\n<p>(a)o marco civil da internet n&atilde;o foi votado pelo Congresso Nacional;<\/p>\n<p>(b)o esperado crescimento e fortalecimento dos movimentos em prol da cria&ccedil;&atilde;o dos conselhos estaduais de comunica&ccedil;&atilde;o social em v&aacute;rios estados da Federa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ocorreu: o movimento prossegue em Bras&iacute;lia; o conselho da Bahia foi instalado, mas funciona precariamente; e o projeto no Rio Grande do Sul ainda n&atilde;o foi encaminhado &agrave; Assembleia Legislativa; e,<\/p>\n<p>(c)a Frente Parlamentar pela Liberdade de Express&atilde;o e o Direito a Comunica&ccedil;&atilde;o com Participa&ccedil;&atilde;o Popular (Frentecom), que havia sido criada em abril e da qual se esperava um papel relevante no encaminhamento de quest&otilde;es relativas &agrave;s comunica&ccedil;&otilde;es na C&acirc;mara dos Deputados, apesar do esfor&ccedil;o de v&aacute;rios de seus integrantes tem sido ignorada pela dire&ccedil;&atilde;o da Casa.<\/p>\n<p>Por outro lado, 2012 poder&aacute; ser lembrado por alguns acontecimentos protagonizados direta ou indiretamente pela grande m&iacute;dia, no Brasil e no exterior.<\/p>\n<p><strong>Inglaterra e Argentina<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro registro h&aacute; de ser para Inqu&eacute;rito Leveson (The Leveson Inquiry) cujo relat&oacute;rio final foi apresentado em novembro. Nele est&aacute; uma descri&ccedil;&atilde;o\/diagn&oacute;stico de pr&aacute;ticas &ldquo;jornal&iacute;sticas&rdquo; que, infelizmente, n&atilde;o ocorrem apenas na Inglaterra. H&aacute; tamb&eacute;m um conjunto de propostas de a&ccedil;&otilde;es institucionais para evitar o desvirtuamento completo da liberdade da imprensa, inclusive a cria&ccedil;&atilde;o de uma inst&acirc;ncia reguladora aut&ocirc;noma, tanto em rela&ccedil;&atilde;o ao governo quanto aos empres&aacute;rios de m&iacute;dia. Independente dos resultados concretos, o relat&oacute;rio Leveson deveria ser lido e discutido entre n&oacute;s (ver, neste Observat&oacute;rio, &ldquo;Um documento com lugar na hist&oacute;ria&ldquo;, &ldquo;Areopag&iacute;tica, 368 anos depois&ldquo; e &ldquo;O vespeiro do controle externo&ldquo;).<\/p>\n<p>O segundo registro &eacute; a batalha judicial que ocorre na Argentina entre o governo e o Grupo Clar&iacute;n. Um projeto que surgiu de amplo debate nos mais diferentes segmentos da sociedade foi submetido ao Congresso Nacional &ndash; onde tramitou, recebeu emendas, foi aprovado e transformado em lei. Mesmo tendo essa origem, a Ley de Medios de 2009 vem enfrentando, por parte de um dos principais oligop&oacute;lios de m&iacute;dia da Am&eacute;rica Latina e de seus aliados, inclusive no Brasil, uma resist&ecirc;ncia feroz, como se constitu&iacute;sse uma amea&ccedil;a &ndash; e n&atilde;o uma garantia &ndash; &agrave; liberdade de express&atilde;o. Como afirmou recentemente o relator especial da ONU para liberdade de express&atilde;o, a Ley de Medios argentina deveria ser estudada como um exemplo de regula&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, protetora da liberdade de express&atilde;o plural e diversa.<\/p>\n<p><strong>Discurso &uacute;nico<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, o ano de 2012 foi dominado pelo discurso &uacute;nico da grande m&iacute;dia &ndash; antes, durante e depois das elei&ccedil;&otilde;es municipais &ndash; em torno do julgamento da A&ccedil;&atilde;o Penal n&ordm; 470 e da CPI do Cachoeira. O macarthismo praticado no tratamento de vozes discordantes confirma <em>ad nauseamo<\/em> papel da grande m&iacute;dia de julgar, condenar e\/ou omitir, seletiva e publicamente, ignorando o princ&iacute;pio da presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia e\/ou a aus&ecirc;ncia de provas.<\/p>\n<p>A defesa corporativa e intransigente de jornalistas envolvidos em pr&aacute;ticas suspeitas, a transforma&ccedil;&atilde;o do julgamento no STF em espet&aacute;culo, o massacre seletivo a determinados pol&iacute;ticos e partidos e a mitifica&ccedil;&atilde;o (ou a execra&ccedil;&atilde;o) p&uacute;blica de ju&iacute;zes, reafirmam o papel pol&iacute;tico\/partid&aacute;rio que a grande m&iacute;dia tem desempenhado em momentos decisivos de nossa hist&oacute;ria, a rigor, desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo 19.<\/p>\n<p>Numa &eacute;poca em que os impressos atravessam uma crise de variadas dimens&otilde;es; jornais e revistas tradicionais s&atilde;o fechados (Jornal da Tarde eNewsweek, por exemplo) e &ldquo;pr&aacute;ticas jornal&iacute;sticas&rdquo; s&atilde;o questionadas (exemplo: o Inqu&eacute;rito Leveson, na Inglaterra), n&atilde;o deixa de surpreender a intoler&acirc;ncia arrogante dos pronunciamentos na reuni&atilde;o anual da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), ocorrida em outrubro, em S&atilde;o Paulo, e manifesta&ccedil;&otilde;es e documentos provenientes dos institutos Millenium e Palavra Aberta (think tankse lobistas do empresariado), como se os donos da imprensa se constitu&iacute;ssem no inquestion&aacute;vel padr&atilde;o &eacute;tico de referencia para a liberdade e a democracia.<\/p>\n<p><strong>In&eacute;rcia governamental<\/strong><\/p>\n<p>O ano de 2012 ficar&aacute; tamb&eacute;m marcado pela inquietante in&eacute;rcia do governo federal em rela&ccedil;&atilde;o ao setor de comunica&ccedil;&otilde;es. Salvo o decreto que regulamentou a Lei de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o (Decreto 7.724, de 16\/05\/2012) e a norma do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es que regulamenta o Canal da Cidadania (previsto no Decreto 5820\/2006 para a transmiss&atilde;o de programa&ccedil;&otilde;es das comunidades locais, e para a divulga&ccedil;&atilde;o de atos, trabalhos, projetos, sess&otilde;es e eventos dos poderes p&uacute;blicos federal, estadual e municipal), n&atilde;o h&aacute; praticamente nada.<\/p>\n<p>Onde est&atilde;o as propostas (mais de seiscentas) aprovadas na 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom) e encaminhadas ao governo federal em dezembro de 2009?<\/p>\n<p>Onde est&aacute; o projeto de marco regulat&oacute;rio elaborado no fim do governo Lula e encaminhado pelo ministro Franklin Martins ao ministro Paulo Bernardo, em janeiro de 2011?<\/p>\n<p>Por outro lado, uma leitura equivocada das normas legais de distribui&ccedil;&atilde;o de recursos publicit&aacute;rios pela Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica (Secom-PR) vem sufocando financeiramente a chamada m&iacute;dia alternativa e consolidando ainda mais a concentra&ccedil;&atilde;o de grupos oligopol&iacute;sticos. A m&iacute;dia alternativa, por &oacute;bvio, n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de competir com a grande m&iacute;dia se aplicados apenas os chamados &ldquo;crit&eacute;rios t&eacute;cnicos&rdquo; de audi&ecirc;ncia e CPM (custo por mil).<\/p>\n<p>Se fossem cumpridos os princ&iacute;pios constitucionais (muitos ainda n&atilde;o regulamentados), o crit&eacute;rio de distribui&ccedil;&atilde;o de recursos deveria ser &ldquo;a m&aacute;xima dispers&atilde;o da propriedade&rdquo; (Edwin Baker), isto &eacute;, a garantia de que mais vozes fossem ouvidas no espa&ccedil;o p&uacute;blico promovendo a diversidade e a pluralidade &ndash; vale dizer, mais liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>E o Parlamento?<\/strong><\/p>\n<p>Al&eacute;m da n&atilde;o vota&ccedil;&atilde;o do marco civil da internet, impedida pelos poderosos interesses das empresas de telecom em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; neutralidade da rede, h&aacute; de se mencionar a reinstala&ccedil;&atilde;o, em julho, do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (CCS), depois de quase seis anos de inatividade il&iacute;cita. A mesa diretora do Congresso Nacional, presidida por Jos&eacute; Sarney, cuja fam&iacute;lia &eacute; historicamente vinculada a concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o, ignorou a Frentecom e articulou a nova composi&ccedil;&atilde;o do CCS fazendo que nele prevale&ccedil;am interesses olig&aacute;rquico-empresariais e religiosos.<\/p>\n<p><strong>Os n&atilde;o-atores<\/strong><\/p>\n<p>Por fim, os n&atilde;o-atores. O destaque &eacute; o lan&ccedil;amento pelo renovado coletivo do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC) dacampanha nacional &ldquo;Para expressar a liberdade &ndash; Uma nova lei para um novo tempo&rdquo;(em abril) e seus v&aacute;rios eventos regionais e locais, incluindo a vinda ao Brasil de Frank La Rue, o relator especial pela liberdade de express&atilde;o da ONU (em dezembro). Apesar do boicote sistem&aacute;tico da grande m&iacute;dia, a aten&ccedil;&atilde;o que a campanha tem recebido na m&iacute;dia alternativa constr&oacute;i um embrion&aacute;rio espa&ccedil;o p&uacute;blico onde circulam informa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o est&atilde;o dispon&iacute;veis nas fontes dominantes.<\/p>\n<p>Registre-se ainda que partidos pol&iacute;ticos &ndash; sobretudo a partir do julgamento da A&ccedil;&atilde;o Penal n&ordm; 470 &ndash; finalmente parecem se dar conta da import&acirc;ncia fundamental das comunica&ccedil;&otilde;es no jogo pol&iacute;tico. Salvo raras exce&ccedil;&otilde;es, todavia, n&atilde;o se tem at&eacute; agora resultados concretos na atua&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria no Congresso Nacional, nem na proposta de projetos e\/ou a&ccedil;&otilde;es junto &agrave; sociedade.<\/p>\n<p><strong>N&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil<\/strong><\/p>\n<p>O mundo n&atilde;o acabou, como muitos acreditavam. Os &iacute;ndices de desemprego nunca foram t&atilde;o baixos e o sal&aacute;rio m&eacute;dio t&atilde;o elevado. A ascens&atilde;o social fez as classes A e B crescerem 54% na &uacute;ltima d&eacute;cada e, nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos, outras oito milh&otilde;es de pessoas ser&atilde;o a elas incorporadas. O Corinthians, patrocinado pela Caixa Econ&ocirc;mica Federal, &eacute; campe&atilde;o mundial de futebol. O n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o do brasileiro nunca esteve t&atilde;o elevado (de acordo com pesquisas do Data Popular, IBGE e Secretaria de Assuntos Estrat&eacute;gicos da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica).<\/p>\n<p>A novela Avenida Brasil dominou as telas de TV ao longo de seis meses com audi&ecirc;ncias m&eacute;dias de 50% (Ibope). A grande m&iacute;dia &ndash; sustentada em boa parte por verbas oficiais (70% dos recursos distribu&iacute;dos nos primeiros 19 meses do atual governo foram destinados a apenas 10 grupos privados, de acordo com a Secom-PR) &ndash; celebra a condena&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;corruptos&rdquo; na A&ccedil;&atilde;o Penal n&ordm; 470; se apresenta como defensora da &eacute;tica p&uacute;blica e das liberdades &ndash; sobretudo da liberdade de express&atilde;o &ndash;; e prossegue na sua obsess&atilde;o seletiva de mobilizar a &ldquo;opini&atilde;o p&uacute;blica&rdquo; contra determinados pol&iacute;ticos e partidos.<\/p>\n<p>As m&eacute;dias de aprova&ccedil;&atilde;o tanto do governo como da presidente Dilma Rousseff batem recordes ap&oacute;s recordes: 62% e 78%, respectivamente, de acordo com a &uacute;ltima pesquisa CNI\/Ibope (dezembro).<\/p>\n<p>Diante desses fatos, sejamos razo&aacute;veis.<\/p>\n<p>Como fazer que uma popula&ccedil;&atilde;o majoritariamente feliz se d&ecirc; conta de que seu direito fundamental &agrave; liberdade de express&atilde;o est&aacute; sendo exercido apenas por uns poucos oligop&oacute;lios que defendem os seus (deles) interesses como se fossem o interesse publico?<\/p>\n<p>Mais ainda: como esperar que um governo em lua-de-mel com a &ldquo;opini&atilde;o p&uacute;blica&rdquo; corra o risco de enfrentar o enorme poder simb&oacute;lico de oligop&oacute;lios de m&iacute;dia, capaz de destruir reputa&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas constru&iacute;das ao longo de uma vida inteira em apenas alguns segundos?<\/p>\n<p>Em 2013 n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil &ndash; como, ali&aacute;s, nunca foi.<\/p>\n<p>A ver.<br \/><em><br \/>Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; jornalista e soci&oacute;logo, pesquisador visitante no Departamento de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica da UFMG (2012-2013), professor de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Comunica&ccedil;&atilde;o da UnB (aposentado) e autor de Pol&iacute;tica de Comunica&ccedil;&otilde;es: um Balan&ccedil;o dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros livros.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como fazer que uma popula&ccedil;&atilde;o majoritariamente feliz se d&ecirc; conta de que  seu direito fundamental &agrave; liberdade de express&atilde;o est&aacute; sendo exercido  apenas por uns poucos oligop&oacute;lios que defendem os seus (deles)  interesses como se fossem o interesse publico?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1567],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27315"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27315"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27315\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}