{"id":27285,"date":"2012-12-12T10:39:40","date_gmt":"2012-12-12T10:39:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27285"},"modified":"2012-12-12T10:39:40","modified_gmt":"2012-12-12T10:39:40","slug":"o-que-a-argentina-necessita-e-o-triunfo-da-democracia-sobre-os-interesses-corporativos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27285","title":{"rendered":"\u201cO que a Argentina necessita \u00e9 o triunfo da democracia sobre os interesses corporativos\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Mart&iacute;n Sabbatella teve uma das semanas mais intensas de sua carreira pol&iacute;tica. Permaneceu at&eacute; meia-noite do 7D no edif&iacute;cio da Autoridade Federal de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisual (Afsca), apesar da decis&atilde;o da C&acirc;mara Civil e Comercial, que prorrogou a medida cautelar do <em>Grupo Clar&iacute;n<\/em>, impedindo o in&iacute;cio da aplica&ccedil;&atilde;o plena da Lei de Meios, sancionada a tr&ecirc;s anos. De bom humor e com poucas horas de sono, Sabbatella prefere fincar o p&eacute; na metade cheia do copo, em vez de deixar-se levar pelo gosto amargo da resolu&ccedil;&atilde;o judicial. Numa extensa entrevista ao P&aacute;gina\/12, ressalta que mesmo depois de conhecida a decis&atilde;o da C&acirc;mara, sete grupos apresentaram seu plano de adequa&ccedil;&atilde;o, entre eles <em>Telefe<\/em>, o <em>Grupo Prisa<\/em> e <em>Cadena 3<\/em>. &ldquo;A decis&atilde;o da C&acirc;mara foi contra o esp&iacute;rito da Corte e a desobedece&rdquo;, assegura o titular da Afsca, que deposita suas expectativas em uma breve decis&atilde;o do tribunal superior.<\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; a sensa&ccedil;&atilde;o depois de ter depositado tanta expectativa no 7D?<\/strong><\/p>\n<p>O 7D &eacute; um dia muito importante para a aplica&ccedil;&atilde;o da lei, apesar da resolu&ccedil;&atilde;o vergonhosa da C&acirc;mara. Todos os grupos, menos o <em>Clar&iacute;n<\/em>, apresentar&atilde;o seus planos de adequa&ccedil;&atilde;o. O objetivo do 7 de dezembro era que todos os grupos o fizessem antes desse dia e se cumpriu o objetivo, salvo por um pequeno grupo. &Eacute; um reconhecimento da lei e da Afsca como autoridade executiva. E &eacute; uma coisa &oacute;bvia, mas &eacute; o reconhecimento do conjunto dos empres&aacute;rios, da imensa maioria, de que a lei &eacute; igual para todos e que ningu&eacute;m pode ter privil&eacute;gio. At&eacute; o s&oacute;cio mais importante do <em>Clar&iacute;n<\/em>, <em>Fintech Advisory<\/em>, se apresenta e diz que n&atilde;o quer ser arrastado at&eacute; a ilegalidade. Ademais, se p&ocirc;s em andamento o primeiro canal mapuche (etnia ind&iacute;gena sulamericana) em Bariloche, que expressa a ess&ecirc;ncia da lei: que todos possamos usar da palavra, que se expressem todas as tradi&ccedil;&otilde;es e culturas do nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>O que vai ser agora dos grupos que n&atilde;o tem cautelar?<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o temos uma resolu&ccedil;&atilde;o. At&eacute; agora temos trabalhado na an&aacute;lise dos planos de adequa&ccedil;&atilde;o. O esp&iacute;rito da Afsca sempre foi que n&atilde;o haja diferen&ccedil;as e as regras sejam iguais para todos. Esperamos que a Corte resolva isto rapidamente porque nos parece sinceramente uma barbaridade o que tem se passado na C&acirc;mara. Essa situa&ccedil;&atilde;o ratifica o que v&iacute;nhamos dizendo: a coniv&ecirc;ncia de uma parte da Justi&ccedil;a com grupos econ&ocirc;micos corporativos. E tamb&eacute;m demonstra uma quest&atilde;o mais profunda, que uma grande parte da Justi&ccedil;a n&atilde;o est&aacute; preparada para enfrentar as corpora&ccedil;&otilde;es porque est&aacute; colonizada por elas. Quando N&eacute;stor Kirchner disse que n&atilde;o ia deixar as convic&ccedil;&otilde;es na porta da Casa Rosada estava dizendo que as decis&otilde;es s&atilde;o tomadas na Casa do Governo. Por tanto, as toma o povo atrav&eacute;s de seus representantes e n&atilde;o o CEO de una empresa ou um diretor executivo de um organismo internacional em Washington.<\/p>\n<p><strong>Diferentes atores do Poder Judicial tem colocado a exist&ecirc;ncia de press&otilde;es por parte do Governo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Esta &eacute; uma lei que est&aacute; promulgada h&aacute; tr&ecirc;s anos e n&atilde;o se pode aplicar. Qual &eacute; a press&atilde;o do Governo? Quem pressiona &agrave; Justi&ccedil;a? O que &eacute; evidente &eacute; que houve uma quantidade de medidas que travaram a aplica&ccedil;&atilde;o da lei fruto da press&atilde;o das corpora&ccedil;&otilde;es. Quando falam de nega&ccedil;&atilde;o de justi&ccedil;a, a quem se negou o direito de ter justi&ccedil;a? &Agrave; sociedade argentina que n&atilde;o pode ter uma lei que democratiza a palavra e garante o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se pode p&ocirc;r em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es o Estado e uma lei da democracia com um grupo que desafia a lei e o Estado de direito e quer permanecer por cima. O que a Argentina necessita &eacute; o triunfo da democracia sobre os interesses corporativos.<\/p>\n<p><strong>Que expectativa t&ecirc;m a respeito da Corte Suprema?<\/strong><\/p>\n<p>O ideal seria que a Corte resolvesse a quest&atilde;o de fundo. H&aacute; dois pedidos, um que fez a Afsca, pedindo que assuma o tema da nulidade da prorroga&ccedil;&atilde;o da cautelar e outro que fez a Chefia de Gabinete pedindo o <em>per saltum<\/em>. Assim n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel seguir. Toda lei &eacute; constitucional at&eacute; que haja uma senten&ccedil;a firme que diga o contr&aacute;rio, sen&atilde;o n&atilde;o h&aacute; ordem jur&iacute;dica poss&iacute;vel.&nbsp; Se cada vez que um senador ou deputado perde uma vota&ccedil;&atilde;o vai &agrave; Justi&ccedil;a, a instabilidade institucional seria a regra. Seria imposs&iacute;vel governar.<\/p>\n<p><strong>A oposi&ccedil;&atilde;o diz que, se a Corte decide a favor do <em>Clar&iacute;n<\/em>, o Governo &ldquo;vai contra a Corte&rdquo;&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o tenho nenhuma d&uacute;vida da constitucionalidade da lei e de que isto termina com sua aplica&ccedil;&atilde;o. Assim esperamos que a Corte resolva rapidamente. Se pede &agrave; Corte, que gerou muitas expectativas com sua renova&ccedil;&atilde;o, que esteja &agrave; altura das demandas das institui&ccedil;&otilde;es da democracia. Ademais, a Corte falou primeiro de um tempo razo&aacute;vel para a cautelar, depois se deu conta de que isso n&atilde;o chegava e lhe deu um limite concreto. Inclusive disse que n&atilde;o h&aacute; risco para a liberdade de express&atilde;o e que se aplique a lei al&eacute;m da resolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o de fundo. A C&acirc;mara foi contra o esp&iacute;rito da Corte e a desobedece. Isso &eacute; grav&iacute;ssimo. A Justi&ccedil;a tem que colocar-se e liberar-se das press&otilde;es corporativas, porque nossa democracia o necessita.<\/p>\n<p><strong>Indo &agrave;s cr&iacute;ticas que se colocam sobre a lei, tanto na sua aplica&ccedil;&atilde;o como no seu texto, se v&ecirc; o caso de <em>Telefe<\/em>. Al&eacute;m da quest&atilde;o meramente jur&iacute;dica, se a <em>Telef&ocirc;nica da Espanha<\/em> controla a <em>Telef&ocirc;nica da Argentina<\/em> e tamb&eacute;m controla a <em>Telefe<\/em>, por mais que estas &uacute;ltimas n&atilde;o estejam vinculadas entre si, n&atilde;o atenta contra o esp&iacute;rito da lei que excluiu prestadores de servi&ccedil;os p&uacute;blicos do mercado da comunica&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>No caso da <em>Telefe<\/em> n&oacute;s lhe colocamos tr&ecirc;s temas. Um vinculado aos capitais estrangeiros, no que se remetem &agrave; lei de bens culturais, que esclarece especificamente que as empresas constitu&iacute;das antes de sua san&ccedil;&atilde;o est&atilde;o isentas desse requisito. Outro tema &eacute; a respeito da cota de mercado de 35 por cento, no que reconhecem que est&atilde;o excedidos e apresentar&atilde;o sua proposta de adequa&ccedil;&atilde;o. Agora, a respeito do tema de servi&ccedil;o p&uacute;blico, para definir a incompatibilidade, a lei pede que haja rela&ccedil;&atilde;o controladora\/controlada. A <em>Telef&ocirc;nica da Argentina<\/em> n&atilde;o tem essa rela&ccedil;&atilde;o com a <em>Telefe<\/em>. Algu&eacute;m pode opinar que a lei teria que esclarecer que, se compartilham o mesmo fundo de investimento, j&aacute; deveria ser um caso de incompatibilidade, mas n&atilde;o o faz. E nosso papel &eacute; aplicar a lei. Temos que ver se os planos de adequa&ccedil;&atilde;o de cada um dos grupos cumpre ou n&atilde;o os requisitos. A Afsca tem 120 dias para analisar, dentro desses, h&aacute; 10 dias para corre&ccedil;&otilde;es e observa&ccedil;&otilde;es que a Afsca fa&ccedil;a ao grupo. E depois tem at&eacute; 180 dias de prazos de execu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Acredita que a lei poderia n&atilde;o ser aplicada antes de terminar o governo de Cristina Fern&aacute;ndez?<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o tenho nenhuma d&uacute;vida de que a estrat&eacute;gia do <em>Clar&iacute;n <\/em>&eacute; n&atilde;o cumprir a lei, sustentar sua situa&ccedil;&atilde;o de privil&eacute;gio e seguir ferindo o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Para isso buscam qualquer estrat&eacute;gia para consegui-lo. Construir cen&aacute;rios pol&iacute;ticos para fazer isto. Esse &eacute; o acordo concreto que t&ecirc;m com o arco opositor, ainda que seja evidente que tenham um problema grave, que &eacute; que todo esse arco opositor n&atilde;o se constituir como alternativa no pa&iacute;s porque n&atilde;o tem um projeto. A &uacute;nica coisa que os une &eacute; opor-se. Muitas vezes esse arco opositor termina expressando a defesa dos interesses corporativos, vergonhosamente, porque em muitos casos contradizem sua pr&oacute;pria historia, sua identidade constitutiva.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Titular da Afsca argentina, diz que , &ldquo;tirando um pequeno grupo&rdquo;, a Lei de Meios teve um grande reconhecimento. &ldquo;Esperamos que a Corte resolva rapidamente&rdquo;, assinala.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1736],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27285"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27285\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}