{"id":27267,"date":"2012-11-30T18:53:29","date_gmt":"2012-11-30T18:53:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27267"},"modified":"2012-11-30T18:53:29","modified_gmt":"2012-11-30T18:53:29","slug":"ninguem-e-dono-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27267","title":{"rendered":"Ningu\u00e9m \u00e9 dono da internet"},"content":{"rendered":"<p>Onde voc&ecirc; estava quando o Google foi embora? Como voc&ecirc; imaginaria um mundo com a internet fora do ar?<\/p>\n<p>A internet &eacute; um espa&ccedil;o p&uacute;blico, como uma cidade, um parque, o meio ambiente que, apesar de ter surgido num contexto de guerra, tornou-se o que &eacute; hoje por impulso do que o ser humano tem de mais nobre: a criatividade, intelig&ecirc;ncia e voca&ccedil;&atilde;o para socializar, tornando-a uma importante e decisiva manifesta&ccedil;&atilde;o cultural.<\/p>\n<p>E este espa&ccedil;o ainda est&aacute; em estado bruto, sujeito ao poder dos grupos econ&ocirc;micos que veem na internet uma oportunidade infinita de lucros, bem como ao poder dos governos autorit&aacute;rios que encaram este valioso palco para as mais diversas e livres manifesta&ccedil;&otilde;es dos pensamentos e comunica&ccedil;&atilde;o uma amea&ccedil;a aos seus dom&iacute;nios.<\/p>\n<p>&Eacute; neste contexto que nasceu o projeto de lei (PL 2126\/2011) do Marco Civil da Internet, resultado de um debate intenso contando com a participa&ccedil;&atilde;o significativa da sociedade iniciado em 2009 pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, que se deu por interm&eacute;dio de dois processos de consulta p&uacute;blica, at&eacute; chegar &agrave; C&acirc;mara, tendo como relator o deputado Alessandro Molon (PT-RJ).<\/p>\n<p>Pretende-se com o PL o estabelecimento de princ&iacute;pios, garantias, direitos e deveres, bem como a defini&ccedil;&atilde;o de diretrizes para atua&ccedil;&atilde;o dos Poderes P&uacute;blicos para a regula&ccedil;&atilde;o do uso da internet no Brasil.<\/p>\n<p>O PL traz princ&iacute;pios fundamentais para a garantia de que a internet n&atilde;o ser&aacute; apropriada por interesses comerciais e que n&atilde;o servir&aacute; de instrumento para a discrimina&ccedil;&atilde;o social, o cerceamento da livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento e para o desrespeito &agrave; garantia da privacidade.<\/p>\n<p>Sendo assim, &eacute; f&aacute;cil entender o motivo pelo qual as teles t&ecirc;m mobilizado esfor&ccedil;os significativos para impedir a aprova&ccedil;&atilde;o do projeto. E seus esfor&ccedil;os t&ecirc;m sido bem sucedidos, especialmente porque encontram respaldo na atua&ccedil;&atilde;o retr&oacute;grada e marcada pelo vi&eacute;s olig&aacute;rquico que domina o Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Foi assim que no &uacute;ltimo dia 20 de novembro, por uma manobra h&aacute;bil do deputado Eduardo Cunha (PMDB), o deputado Arnaldo Farias de S&aacute; (PTB) se prestou a apresentar requerimento de retirada do PL da pauta de vota&ccedil;&atilde;o pela quarta vez, acolhido pelo voto da maioria dos partidos, menos do PT, PSOL e PCdoB.<\/p>\n<p>O golpe no PL poder&aacute; ter sido decisivo, pois o presidente da C&acirc;mara, deputado Marco Maia (PT-RS), irritado com a manobra, anunciou que a partir daquele momento o projeto deixava de ser uma prioridade, o que significa um retrocesso.<\/p>\n<p>Corremos o risco de deixarmos de ter a &ldquo;Constitui&ccedil;&atilde;o da Internet&rdquo;, como se comentou na imprensa internacional noticiando que o Brasil perdeu a oportunidade de se tornar uma refer&ecirc;ncia geopol&iacute;tica no cen&aacute;rio da regulamenta&ccedil;&atilde;o dos direitos da internet.<\/p>\n<p>O objetivo das teles &eacute; levar a discuss&atilde;o do tema para a pr&oacute;xima reuni&atilde;o da Uni&atilde;o Internacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (UIT), que ocorrer&aacute; em Dubai a partir de 3 de dezembro. Os grandes grupos econ&ocirc;micos pretendem que na UIT &ndash; &oacute;rg&atilde;o marcado pela falta de transpar&ecirc;ncia e sujeito &agrave;s press&otilde;es dos poderosos &ndash; consigam definir orienta&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias ao princ&iacute;pio da neutralidade das redes, de modo que as empresas fiquem autorizadas a discriminar o tr&aacute;fego de pacotes de dados na internet, de acordo com o valor pago pelos consumidores. Traduzindo: quem pagar mais vai ter privil&eacute;gio no tr&aacute;fego.<\/p>\n<p>Outro ponto fulcral para as teles: ao contr&aacute;rio do que estabelece o projeto, querem ter o direito de guardar e usar as informa&ccedil;&otilde;es privadas daqueles que usam suas redes.<\/p>\n<p>Dezenas de entidades da sociedade civil, entre elas a PROTESTE &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o de Consumidores &ndash; enviaram cartas a ANATEL &ndash; que representa nosso pa&iacute;s na UIT &ndash; no sentido de deixar claros os interesses dos cidad&atilde;os brasileiros e as diverg&ecirc;ncias com as pretens&otilde;es das teles. Sabemos que elas hoje t&ecirc;m um poder de influ&ecirc;ncia determinante na ag&ecirc;ncia e seria lament&aacute;vel ver o Brasil defendendo posi&ccedil;&atilde;o retr&oacute;grada quanto ao que foi recentemente reconhecido pelo Conselho dos Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de que, assim como a liberdade de express&atilde;o na internet, o acesso &agrave;s redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m se constitui como direito humano fundamental a ser protegido por todos os pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>No meio dessa forte disputa, saudamos a Uni&atilde;o Europeia que, identificando a manobra dos grupos econ&ocirc;micos, no &uacute;ltimo dia 23 de novembro divulgou uma carta de diretrizes afinadas com os princ&iacute;pios expressos no PL do Marco Civil da Internet, especialmente no que diz respeito &agrave; neutralidade das redes.<\/p>\n<p>Estamos, ent&atilde;o, num momento crucial, pois, no fundo, o que as teles pretendem &eacute; exercer o poder de donas da internet; pretendem confundir infraestrutura com o espa&ccedil;o virtual criado a partir das redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es, sob o falacioso argumento de que n&atilde;o &eacute; justo que empresas de conte&uacute;do como Google, Facebook, Netflix, entre outras , paguem pelo uso da internet o mesmo do que os pequenos consumidores.<\/p>\n<p>Ocorre que, se essas empresas ocupam muito as redes &eacute; porque n&oacute;s consumidores demandamos muitas informa&ccedil;&otilde;es; &eacute; este o maior valor envolvido na quest&atilde;o. Quanto mais as empresas de conte&uacute;do pagarem &agrave;s teles, mais caros ficar&atilde;o os valores dos servi&ccedil;os contratados com os consumidores, trazendo consequ&ecirc;ncias indesej&aacute;veis para a universaliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os ofertados na internet.<\/p>\n<p>A mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil neste momento &eacute; urgente e imprescind&iacute;vel; temos de ser eficientes para que o Congresso Nacional, especialmente a C&acirc;mara dos Deputados, atuem de acordo com os anseios leg&iacute;timos de n&oacute;s que os elegemos, apoiando e fortalecendo os parlamentares comprometidos com o interesse p&uacute;blico e com a aprova&ccedil;&atilde;o do Marco Civil da Internet.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E este espa&ccedil;o ainda est&aacute; em estado bruto, sujeito ao poder dos grupos  econ&ocirc;micos que veem na internet uma oportunidade infinita de lucros, bem  como ao poder dos governos autorit&aacute;rios que encaram este valioso palco  para as mais diversas e livres manifesta&ccedil;&otilde;es dos pensamentos e  comunica&ccedil;&atilde;o uma amea&ccedil;a aos seus dom&iacute;nios.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1732],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27267\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}