{"id":27240,"date":"2012-11-21T19:44:11","date_gmt":"2012-11-21T19:44:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27240"},"modified":"2012-11-21T19:44:11","modified_gmt":"2012-11-21T19:44:11","slug":"cineasta-brasileiro-ve-censura-branca-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27240","title":{"rendered":"Cineasta brasileiro v\u00ea \u201ccensura branca\u201d no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Um cineasta procura patroc&iacute;nio e editais que possam financiar o seu filme de terror. O elenco &eacute; negro e parte da hist&oacute;ria se refere &agrave; escravid&atilde;o colonial. Resultado: recusas e mais recusas. Ele decide arriscar algumas altera&ccedil;&otilde;es e mant&eacute;m o mesmo roteiro com personagens brancos no sul do pa&iacute;s. Resultado: vence o primeiro edital. Para o premiado diretor de cinema Joel Zito n&atilde;o h&aacute; coincid&ecirc;ncia nessa hist&oacute;ria vivenciada por um colega. &ldquo;Existe uma censura branca para filmes com tem&aacute;tica racial e que abordem a quest&atilde;o do racismo no Brasil&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Filho de pai motorista e de m&atilde;e empregada dom&eacute;stica e oper&aacute;ria, Zito, doutor em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), v&ecirc; a persist&ecirc;ncia da ideologia do branqueamento no Brasil, mesmo que hoje esse discurso que um dia j&aacute; foi expl&iacute;cito tenha se tornado impl&iacute;cito. &ldquo;O principal mecanismo pelo qual funciona essa ideologia no cinema &eacute; a associa&ccedil;&atilde;o do branco e do belo, em que o negro e o ind&iacute;gena s&atilde;o associados ao feio, ao crime, ao &ldquo;outro&rdquo;&rdquo;. <\/p>\n<p>De acordo com o cineasta, n&atilde;o se d&aacute; o devido destaque aos negros que participam na sociedade com consci&ecirc;ncia aguda da quest&atilde;o do racismo. Assim, quando aparece um negro protagonista na TV, seja numa fic&ccedil;&atilde;o ou em uma situa&ccedil;&atilde;o cotidiana, o telespectador acostumado com a invisibilidade e subalternidade dessa representa&ccedil;&atilde;o se pergunta &ldquo;de onde foi que ele surgiu?&rdquo;, destaca Zito.<\/p>\n<p>Para o diretor da Casa de Cria&ccedil;&atilde;o Cinema seriam dois os principais mecanismos de censura para negros que pretendem fazer cinema no pa&iacute;s. O primeiro diz respeito a origem de classe da popula&ccedil;&atilde;o negra. &ldquo;Fazer cinema &eacute; muito caro e levantar recursos depende da rede de relacionamentos. Quase todo realizador negro vem da classe C e D. Mesmo os pr&ecirc;mios recebidos contam pouco nessa hora&rdquo;, declara. Dessa forma, as camadas brancas da sociedade, localizadas nas classes A e B teriam acesso privilegiado aos fundos que financiam o cinema, pois j&aacute; nascem dentro da rede que outros setores precisam buscar se inserir e, no caso espec&iacute;fico de indiv&iacute;duos negros e ind&iacute;genas, enfrentar o preconceito racista.<\/p>\n<p>O segundo caso &eacute; mais expl&iacute;cito e diz respeito &agrave; predisposi&ccedil;&atilde;o dos patrocinadores em financiar filmes com tem&aacute;ticas raciais e que abordem o racismo. Zito afirma j&aacute; ter ouvido de uma empresa uma resposta do tipo &ldquo;n&atilde;o quero ver meu produto associado a isso&rdquo;. O cineasta defende que para contrabalan&ccedil;ar essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; preciso definir pol&iacute;ticas afirmativas para produtos audiovisuais com tem&aacute;tica e elenco composto por grupos &eacute;tnicos invisibilizados nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mesmo vendo um lado positivo em experi&ecirc;ncias recentes da produ&ccedil;&atilde;o audiovisual brasileira, em que h&aacute; roteiro, elenco e dire&ccedil;&atilde;o que d&atilde;o conta de um universo em que a popula&ccedil;&atilde;o negra se torna protagonista, o diretor Joel Zito diz sentir certo inc&ocirc;modo com a persist&ecirc;ncia de uma imagem naturalizada do negro subalterno. &ldquo;Temos muitos exemplos de lideran&ccedil;as e personagens contepor&acirc;neos que poderiam quebrar essa vis&atilde;o preconceituosa&rdquo;, defende.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana em que se celebra o Dia da Consci&ecirc;ncia Negra, o diretor Joel Zito aponta a persist&ecirc;ncia do racismo nas telas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1726],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27240"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27240"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27240\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}