{"id":27238,"date":"2012-11-21T19:34:49","date_gmt":"2012-11-21T19:34:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27238"},"modified":"2012-11-21T19:34:49","modified_gmt":"2012-11-21T19:34:49","slug":"estados-unidos-o-controle-do-que-vemos-ouvimos-e-lemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27238","title":{"rendered":"Estados Unidos: O controle do que vemos, ouvimos e lemos"},"content":{"rendered":"<p>Nos &uacute;ltimos anos se produziu nos Estados Unidos um avan&ccedil;o espetacular na monopoliza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. Pode-se tomar como ponto de partida deste processo a Lei de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Telecommunications Act) de 1996. Esta lei suspendeu as restri&ccedil;&otilde;es que existiam sobre a propriedade de esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio. Antes dessa data, uma companhia s&oacute; poderia ser propriet&aacute;ria de duas emissoras de r&aacute;dio AM e duas FM dentro do mesmo mercado e n&atilde;o mais de 40 em escala nacional. Com o fim desta limita&ccedil;&atilde;o se desencadeou una onda de concentra&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Nos seis anos que seguiram-se &agrave; promulga&ccedil;&atilde;o da lei, Clear Chanel Communications, por exemplo,&nbsp; obteve o controle de 1.225 esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio em 300 cidades. Atualmente sua propriedade ou controle se estendeu a mais de 6.600 esta&ccedil;&otilde;es, mais da metade das que existem nos Estados Unidos, incluindo uma rede nacional (Premiere Radio Networks) que produz, distribui ou representa uns 90 programas, serve a cerca de 5.800 emissoras e tem por volta de 213 milh&otilde;es de ouvintes semanais. Inclui tamb&eacute;m Fox News Radio, Fox Sport Radio e Australian Radio Network, entre outras. Sua receita em 2011 alcan&ccedil;ou a cifra de 6.2 bilh&otilde;es de d&oacute;lares.<\/p>\n<p>Eliminadas as restri&ccedil;&otilde;es para a concentra&ccedil;&atilde;o vertical, s&oacute; faltava suprimir as limita&ccedil;&otilde;es que existiam &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o horizontal estabelecidas pela regra da FCC (Federal Communications Commission) de 1975 (cross ownership rule) que proibia ao que possu&iacute;a um peri&oacute;dico a posse de&nbsp; uma esta&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio (ou de televis&atilde;o) e vice-versa no mesmo mercado. O objetivo da regra era impedir que uma s&oacute; entidade se convertesse em voz muito poderosa dentro de uma comunidade. Em 2003 a FCC flexibilizou estas restri&ccedil;&otilde;es, mas o Terceiro Tribunal de Apela&ccedil;&otilde;es bloqueou a implementa&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as. Em mar&ccedil;o de 2010 a Corte suspendeu o bloqueio e ficou aberto o caminho &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o horizontal.<\/p>\n<p>A imprensa, o r&aacute;dio e os ve&iacute;culos televisivos, seguem as agendas que imp&otilde;em os donos. Quando estes s&atilde;o milhares, prevalece a diversidade de informa&ccedil;&atilde;o e opini&atilde;o dentro dos limites que permite o establishment. No entanto, quando a consolida&ccedil;&atilde;o se produz em grande escala, como sucede atualmente, a agenda que domina &eacute; a de uns poucos e poderosos propriet&aacute;rios, e a ideologia que promovem os meios &eacute;, pois, a mais reacion&aacute;ria e ultradireitista. Hoje temos mais canais de televis&atilde;o que nunca, mas uma quantidade substancial deles se dedica ao fundamentalismo religioso, &agrave;s vendas pela televis&atilde;o, ao mais fr&iacute;volo entretenimento ou &agrave; pornografia. No resto, a qualidade desceu ao seu pior n&iacute;vel, o que, unido ao excesso de comerciais, alcan&ccedil;a limites embrutecedores.<\/p>\n<p>Tudo isto &eacute; extremadamente perigoso em uma sociedade que apenas l&ecirc; e que perdeu a capacidade para discernir entre fatos e opini&otilde;es, porque se acostumou &agrave; sele&ccedil;&atilde;o ou apresenta&ccedil;&atilde;o dos fatos em conformidade com crit&eacute;rios pr&eacute;-estabelecidos. Os fatos s&atilde;o ignorados ou deformados para validar opini&otilde;es.<\/p>\n<p>A desregula&ccedil;&atilde;o abriu &agrave; competi&ccedil;&atilde;o desleal todos os mercados de telecomunica&ccedil;&atilde;o, incluindo os de cabo ou sat&eacute;lite e a Internet. Cinco conglomerados midi&aacute;ticos controlam 90% de tudo o que lemos, ouvimos e vemos. O que de estranho tem em que dezenas de milh&otilde;es de norte-americanos aprovem a guerra preventiva, os assassinatos seletivos de presumidos inimigos dos Estados Unidos, a tortura de prisioneiros, as viola&ccedil;&otilde;es de fronteiras com drones (avi&otilde;es n&atilde;o-tripulados) ou os crimes chamados danos colaterais? Ou que ignorem completamente os sofrimentos da popula&ccedil;&atilde;o de Cuba por causa de um bloqueio criminoso de meio s&eacute;culo ou as injustas e cru&eacute;is senten&ccedil;as ditadas contra cinco patriotas cubanos.<\/p>\n<p>A concentra&ccedil;&atilde;o produz meios que n&atilde;o se dirigem a toda comunidade. Os anunciantes proporcionam &frac34; da receita e a eles somente interessa o setor da popula&ccedil;&atilde;o com capacidade para adquirir seus produtos ou seus servi&ccedil;os. Tipicamente, a popula&ccedil;&atilde;o de menor renda n&atilde;o &eacute; de seu interesse. A concentra&ccedil;&atilde;o transforma os cidad&atilde;os norte-americanos em simples consumidores e espectadores.<\/p>\n<p>Atualmente, o livre mercado &eacute; o crit&eacute;rio com o qual se analisa a m&iacute;dia, quer dizer, a opera&ccedil;&atilde;o eficiente e a m&aacute;xima gan&acirc;ncia constituem os objetivos principais ou &uacute;nicos, sem levar em conta o importante papel que devem desempenhar os meios na sociedade e na vida p&uacute;blica. A m&iacute;dia concentrada &eacute; geralmente um grande e complexo conjunto de institui&ccedil;&otilde;es sociais, culturais e pol&iacute;ticas, n&atilde;o s&oacute; econ&ocirc;micas, que exercem uma profunda e negativa influ&ecirc;ncia na sociedade. Se permitimos que controlem o que vemos, ouvimos e lemos, controlar&atilde;o tamb&eacute;m o que pensamos.<\/p>\n<p><em>Artigo publicado na Ag&ecirc;ncia Latinoamericana de Informa&ccedil;&atilde;o &#8211; ALAI-NET: http:\/\/alainet.org\/active\/59555<\/p>\n<p>Tradu&ccedil;&atilde;o Bruno Marinoni<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A desregula&ccedil;&atilde;o nos Estados Unidos abriu &agrave; competi&ccedil;&atilde;o desleal todos os mercados de  telecomunica&ccedil;&atilde;o, incluindo os de cabo ou sat&eacute;lite e a Internet. 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