{"id":27211,"date":"2012-11-06T18:44:36","date_gmt":"2012-11-06T18:44:36","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27211"},"modified":"2012-11-06T18:44:36","modified_gmt":"2012-11-06T18:44:36","slug":"empresas-interferem-no-funcionamento-da-anatel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27211","title":{"rendered":"Empresas interferem no funcionamento da Anatel"},"content":{"rendered":"<p>A defini&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) como autarquia lhe coloca em uma posi&ccedil;&atilde;o de relativa autonomia frente ao Poder Executivo. Se por um lado, efetivou-se um afastamento da din&acirc;mica pol&iacute;tica interna e da influ&ecirc;ncia permanente do Governo Federal, por outro, a ag&ecirc;ncia tem sofrido press&atilde;o principalmente por parte de agentes privados do mercado, desde o momento da nomea&ccedil;&atilde;o de conselheiros at&eacute; em seu relacionamento com a sociedade.<\/p>\n<p>Concebida para funcionar com independ&ecirc;ncia administrativa e de financiamento, a Anatel possui um Conselho Diretor com mandato de cinco anos e composto por cinco membros que, embora nomeados pela Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e com aprova&ccedil;&atilde;o do Senado, dirigem a ag&ecirc;ncia sem estar subordinados a uma outra inst&acirc;ncia do Estado. Das formas de relacionamento entre este conselho e o setor privado, a mais evidente &eacute; a incorpora&ccedil;&atilde;o de ex-conselheiros aos cargos de chefia de grandes monop&oacute;lios ou sua origem nessas empresas.<\/p>\n<p>O atual presidente do Conselho Diretor, Jo&atilde;o Batista de Rezende, por exemplo, j&aacute; ocupou o cargo de vice-presidente (2005-2006) da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Concession&aacute;rias de Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado (Abrafix), o que comprova que pelo menos em algum momento j&aacute; foi representante direto das empresas do setor. Segundo Fl&aacute;via Lef&egrave;vre, advogada do PROTESTE (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Defesa do Consumidor), o caso espec&iacute;fico da atual presid&ecirc;ncia da ag&ecirc;ncia, entretanto, estaria mais vinculado &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es com o ministro das comunica&ccedil;&otilde;es e a Casa Civil, embora confirme que o relacionamento da Anatel com o setor privado &eacute; bastante evidente e problem&aacute;tico.<\/p>\n<p>H&aacute; muitos exemplos de ex-conselheiros que sa&iacute;ram direto da fun&ccedil;&atilde;o para a chefia de empresas privadas. S&atilde;o bastante conhecidos os casos de Ant&ocirc;nio Carlos Valente, que foi ser presidente do Grupo Telef&ocirc;nica (Vivo), e de Luiz Francisco Perrone, que passou a ocupar a dire&ccedil;&atilde;o da Brasil Telecom. &ldquo;Ningu&eacute;m nunca saiu da ag&ecirc;ncia para trabalhar em um &oacute;rg&atilde;o de defesa do consumidor&rdquo;, ironiza Lef&eacute;vre.<\/p>\n<p>O ex-presidente da Telebr&aacute;s, um dos coordenadores de sua privatiza&ccedil;&atilde;o, Fernando Xavier Ferreira, pode ser considerado um caso emblem&aacute;tico da forma como se d&aacute; a influ&ecirc;ncia. Ap&oacute;s a privatiza&ccedil;&atilde;o da estatal tornou-se &ldquo;no dia seguinte&rdquo; presidente do Grupo Telef&ocirc;nica e &ldquo;foi por muito tempo presen&ccedil;a constante na Anatel registrada em documentos, como atas de reuni&otilde;es de conselhos&rdquo;, diz a advogada. &ldquo;Esta rela&ccedil;&atilde;o da ag&ecirc;ncia com os agentes privados, de certo modo prom&iacute;scua, a gente sabe que interfere muito na forma que a Anatel regula ou deixa de regular&rdquo;, completa.<br \/><strong><br \/>Participa&ccedil;&atilde;o social<\/strong><\/p>\n<p>Por outro lado, o espa&ccedil;o com uma maior participa&ccedil;&atilde;o de representantes da sociedade civil no interior da ag&ecirc;ncia, o Conselho Consultivo, composto por doze membros, n&atilde;o possui poderes efetivos, desempenhando um papel restrito de press&atilde;o pol&iacute;tica. S&atilde;o consideradas suas atribui&ccedil;&otilde;es opinar sobre pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o, apreciar os relat&oacute;rios anuais do Conselho Diretor, aconselhar em temas relativos &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o no regime p&uacute;blico, requerer informa&ccedil;&otilde;es e propor a&ccedil;&otilde;es. Ainda assim, metade dos seus membros s&atilde;o indicados pelos Poderes Executivo e Legislativo Federal, dois por associa&ccedil;&otilde;es das empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es e outros quatro por entidades representativas dos &ldquo;usu&aacute;rios&rdquo; e da &ldquo;sociedade&rdquo;, sendo que esses &uacute;ltimos termos, pela imprecis&atilde;o, d&atilde;o margem para amplas interpreta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Outras evid&ecirc;ncias da ampla influ&ecirc;ncia do interesse privado sobre a atua&ccedil;&atilde;o da ag&ecirc;ncia surgem no que deveriam ser os demais mecanismos democr&aacute;ticos de participa&ccedil;&atilde;o. Embora tenham ocorrido 32 consultas p&uacute;blicas e 29 audi&ecirc;ncias no ano passado, aumento importante se considerarmos que estas &uacute;ltimas foram apenas 14 em 2010, ainda sim esses instrumentos t&ecirc;m se apresentado extremamente limitados para uma amplia&ccedil;&atilde;o real da participa&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, h&aacute; poucas informa&ccedil;&otilde;es para a popula&ccedil;&atilde;o em geral que possibilite avalia&ccedil;&otilde;es qualificadas dos cen&aacute;rios de inova&ccedil;&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o. Soma-se a isso que a utiliza&ccedil;&atilde;o de linguagem t&eacute;cnica para tratar de discuss&otilde;es tecnol&oacute;gicas e econ&ocirc;micas n&atilde;o permitem uma r&aacute;pida compreens&atilde;o das quest&otilde;es em jogo por parte dos atores sociais.<\/p>\n<p>Nesse quadro, quem n&atilde;o possui capital compar&aacute;vel ao das empresas que investem milh&otilde;es em consultorias, an&aacute;lises e estudos, entra em uma disputa desleal. Em segundo lugar, a sociedade civil organizada n&atilde;o tem sido convidada para se informar antecipadamente sobre determinados temas e iniciativas, sendo pega muitas vezes de surpresa pelas breves &ldquo;consultas&rdquo; do poder p&uacute;blico. &ldquo;O bom andamento destes processos necessita de uma agenda regulat&oacute;ria, fruto de processo decis&oacute;rio amplo, que possa ser acompanhado de maneira simples, p&uacute;blica e em sistema com constante atualiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirma Veridiana Alimonti, advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).<\/p>\n<p>H&aacute;, ainda, o problema da centraliza&ccedil;&atilde;o das audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas em Bras&iacute;lia, o que dificulta uma mobiliza&ccedil;&atilde;o representativa de grupos sociais interessados em participar, enquanto o setor empresarial possui recursos suficiente para levar seus representantes e manter escrit&oacute;rios na capital federal. Conforme um dos membros do Conselho Consultivo, Marcelo Miranda, deveria haver &ldquo;um n&uacute;mero maior de audi&ecirc;ncias, como, por exemplo, uma edi&ccedil;&atilde;o por regi&atilde;o do Brasil, em especial quando o tema for de alta relev&acirc;ncia&rdquo;<\/p>\n<p>Podem ser apontados, por&eacute;m, alguns avan&ccedil;os no sentido da efetiva&ccedil;&atilde;o de direitos na pol&iacute;tica da Anatel. De acordo com a advogada do Idec, h&aacute; &ldquo;medidas positivas recentes tomadas em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; internaliza&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o do consumidor nas atividades da ag&ecirc;ncia&rdquo;, como o Plano de A&ccedil;&atilde;o Pr&oacute;-Usu&aacute;rios, aprovado em 2010.&nbsp; O representante do Instituto Telecom destaca, tamb&eacute;m, a decis&atilde;o de se transmitir as reuni&otilde;es do Conselho Diretor ao vivo pela internet como op&ccedil;&atilde;o importante para a transpar&ecirc;ncia do &oacute;rg&atilde;o. &Eacute; poss&iacute;vel acrescentar ainda a disponibilidade de acesso a dados efetuada no contexto da implementa&ccedil;&atilde;o da Lei de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o, que promove uma outra cultura de rela&ccedil;&atilde;o entre &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e os cidad&atilde;os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estrutura da ag&ecirc;ncia n&atilde;o permite uma ampla participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, favorecendo as empresas do setor. Jo&atilde;o Batista de Rezende, atual presidente da Anatel, j&aacute; foi at&eacute; diretor de associa&ccedil;&atilde;o empresarial.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1722],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27211"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27211\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}