{"id":27209,"date":"2012-11-05T19:43:37","date_gmt":"2012-11-05T19:43:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27209"},"modified":"2012-11-05T19:43:37","modified_gmt":"2012-11-05T19:43:37","slug":"sem-a-net-a-estrategia-da-globo-para-enfrentar-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27209","title":{"rendered":"Sem a NET, a estrat\u00e9gia da Globo para enfrentar o futuro"},"content":{"rendered":"<p>A sa&iacute;da da Globo do controle da NET Servi&ccedil;os deve ser analisada com muito cuidado. Segundo a vis&atilde;o deste blog, trata-se praticamente da conclus&atilde;o de um processo que se iniciou h&aacute; mais de dez anos, quando a Globo entrou em crise, incapaz de pagar suas d&iacute;vidas. A decis&atilde;o, ent&atilde;o, foi manter o controle familiar do grupo (sem ceder participa&ccedil;&atilde;o patrimonial aos credores), mas vender quase tudo o que n&atilde;o estivesse relacionado diretamente com a produ&ccedil;&atilde;o de m&iacute;dia.<\/p>\n<p>Foram vendidas fazendas, uma financeira (Roma), uma construtora (S&atilde;o Marcos) e v&aacute;rios outros neg&oacute;cios, muitos deles ligados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. A Globo deixou o controle da subsidi&aacute;ria da NEC no Brasil, praticamente encerrou as atividades de sua gravadora Som Livre, fechou a distribuidora Globo V&iacute;deo e o varejo da Globo Disk, saiu da Teletrim, da TV portuguesa SIC e da Maxitel (atualmente parte da TIM), vendeu a empresa de telecomunica&ccedil;&otilde;es Vicom e a gr&aacute;fica Globo Cochrane e liquidou o sonho de uma operadora de parques tem&aacute;ticos.<\/p>\n<p>Essa redu&ccedil;&atilde;o implicou, tamb&eacute;m, em desistir do mercado internacional. Embora importante como estrat&eacute;gia de divulga&ccedil;&atilde;o, o lucro com a venda de novelas para outros pa&iacute;ses sempre foi residual no faturamento da Globopar. Ao mesmo tempo, a Globo International jamais ambicionou ser nada al&eacute;m de um canal para brasileiros vivendo fora do seu pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>Concorrentes nacionais<\/strong><\/p>\n<p>Na crise a Globo n&atilde;o esteve sozinha. Praticamente todos os grandes grupos de m&iacute;dia brasileiros tamb&eacute;m reduziram suas ambi&ccedil;&otilde;es neste mesmo per&iacute;odo. Hoje, a Globo tem receita l&iacute;quida anual maior do que a soma de Record, SBT, Grupo Bandeirantes, RedeTV, Folha de S&atilde;o Paulo, Grupo OESP, UOL, RBS e Abril. Advers&aacute;rios como JB e Manchete ficaram pelo caminho. Some-se &agrave; fragilidade e incompet&ecirc;ncia dos outros grupos brasileiros de m&iacute;dia, a atua&ccedil;&atilde;o dos sucessivos governos, que, seja como regulador ou como fomentador, jamais demonstraram vontade de encarar o poderio da fam&iacute;lia Marinho.<\/p>\n<p><strong>Concorr&ecirc;ncia estrangeira<\/strong><\/p>\n<p>Mas, o cen&aacute;rio &eacute; completamente diferente quando se analisa os advers&aacute;rios estrangeiros.<\/p>\n<p>Enquanto vendia a NET Servi&ccedil;os para Carlos Slim, a Globo assistiu a Televisa impedir o mesmo Slim de entrar no mercado mexicano de TV a cabo ao mesmo tempo em que investia no mercado de telefonia celular (Lusacell) e nos consumidores hisp&acirc;nicos que vivem nos Estados Unidos. Mas, os maiores temores da Globo n&atilde;o est&atilde;o na Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia Marinho teve for&ccedil;as para impedir que a TV aberta brasileira se tornasse interativa (mesmo tendo que praticamente banir o uso do middleware brasileiro conhecido como Ginga). Mas, ela n&atilde;o pode lutar contra o fen&ocirc;meno das smartTVs e da chegada do video on demand. Com isso, empresas como Samsung, LG, Sony, Google, Apple e Amazon, que at&eacute; ent&atilde;o atuavam em outros mercados, passaram a disputar a audi&ecirc;ncia brasileira, em um fen&ocirc;meno que s&oacute; tende a crescer nos pr&oacute;ximos anos.<\/p>\n<p>Mas, h&aacute; dois outros advers&aacute;rios ainda mais pr&oacute;ximos. Se &eacute; poderosa no mercado nacional, a Globo n&atilde;o tem porte para enfrentar as operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es e os est&uacute;dios de Hollywood. Incapaz de derrot&aacute;-los em pr&oacute;prio solo brasileiro, a Globo partiu para uma estrat&eacute;gia defensiva-ofensiva.<\/p>\n<p>Por press&atilde;o da Globo, a Lei 12.485 praticamente excluiu as operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es do mercado de m&iacute;dia. Elas n&atilde;o podem ter mais do que 30% de produtoras e programadoras de TV paga e emissoras de TV aberta. E tamb&eacute;m n&atilde;o podem contratar os direitos de eventos de &ldquo;interesse nacional&rdquo; (como o Campeonato Brasileiro de futebol, a Copa do Mundo, as Olimp&iacute;adas e o carnaval da Sapuca&iacute;) ou &ldquo;talentos&rdquo; brasileiros (como artistas, diretores e roteiristas &ndash; exceto quando for para publicidade). Ao mesmo tempo em que constr&oacute;i uma barreira contra as teles, a Globo segue associada ao grupo DirecTV (na Sky brasileira) e &agrave; America Movil (na NET).<\/p>\n<p>A mesma estrat&eacute;gia foi adotada diante das majors norte-americanas. A Globosat mant&eacute;m uma associa&ccedil;&atilde;o com Universal, Paramount, Fox, MGM e Disney nos canais Telecine, al&eacute;m de servir de segunda janela para a Sony-Columbia no Megapix. Mas, mant&eacute;m poder de veto aos canais estrangeiros na Sky e na NET.<\/p>\n<p>Com isso, a Globo busca ser um ponto de passagem obrigat&oacute;rio no mercado brasileiro, tentando se manter como o parceiro ideal para esses grupos transnacionais, ao mesmo tempo em que lhes dificulta a concorr&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>Futuro<\/strong><\/p>\n<p>A estrat&eacute;gia &eacute; inteligente e por enquanto vem dando certo. Mas, at&eacute; quando? Ao mesmo tempo, ela &eacute; sintoma de um duplo fracasso das pol&iacute;ticas (ou da falta delas) para as comunica&ccedil;&otilde;es brasileiras. Exceto pela Globo (e em parte por causa dela), o pa&iacute;s n&atilde;o foi capaz de criar grupos fortes de comunica&ccedil;&atilde;o. E nossa &ldquo;campe&atilde; nacional&rdquo; precisa lan&ccedil;ar m&atilde;o de uma s&eacute;rie de expedientes para impedir a concorr&ecirc;ncia estrangeira.<\/p>\n<p>N&atilde;o se trata nem de demonizar a Globo nem, muito menos, de uma tentativa de salv&aacute;-la dos gigantes internacionais. Mas, de reconhecer que, com Globo ou sem ela, o futuro n&atilde;o &eacute; nada animador para a comunica&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se &eacute; poderosa no mercado nacional, a Globo n&atilde;o tem porte para enfrentar  as operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es e os est&uacute;dios de Hollywood. 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