{"id":27208,"date":"2012-11-05T19:25:07","date_gmt":"2012-11-05T19:25:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27208"},"modified":"2012-11-05T19:25:07","modified_gmt":"2012-11-05T19:25:07","slug":"democratizacao-da-comunicacao-o-que-isso-tem-a-ver-com-a-vida-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27208","title":{"rendered":"Democratiza\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o: o que isso tem a ver com a vida das mulheres?"},"content":{"rendered":"<p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a a&ccedil;&atilde;o da sociedade civil pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, no Brasil, tem se renovado a partir da compreens&atilde;o e de pensar a comunica&ccedil;&atilde;o no campo dos direitos humanos, reconhecendo-a como um importante e influente espa&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e cultura e, nesse sentido, constitui&ccedil;&atilde;o de valores, comportamentos e pr&aacute;ticas sociais. <\/p>\n<p>Para n&oacute;s, mulheres, esse processo passa tanto pela cr&iacute;tica, elabora&ccedil;&atilde;o e proposi&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos midi&aacute;ticos, como pela atua&ccedil;&atilde;o na esfera p&uacute;blica, reivindicando o exerc&iacute;cio da comunica&ccedil;&atilde;o como parte dos nossos direitos humanos, reflexo de nosso lugar de sujeitos da transforma&ccedil;&atilde;o social. Especificamente, a partir de processos do movimento feminista, e outros movimentos sociais, o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m significa ter as condi&ccedil;&otilde;es para materializar, em diversas m&iacute;dias, a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento resultante de sua a&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Assim, afirmar a comunica&ccedil;&atilde;o como direito humano avan&ccedil;a para al&eacute;m do conceito de democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, ampliando o sentido de liberdade de express&atilde;o. Significa reconhecer que &eacute; direito da sociedade participar da produ&ccedil;&atilde;o de sentido (e das disputas que essa participa&ccedil;&atilde;o favorece). Participar tendo autonomia para, discursivamente, se inscrever nas arenas p&uacute;blicas sem a media&ccedil;&atilde;o e instrumentaliza&ccedil;&atilde;o dos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o, mas levando-os em conta.<\/p>\n<p>O feminismo considera que a constru&ccedil;&atilde;o do sujeito implica em criar possibilidades para a&ccedil;&atilde;o criadora das mulheres que lhes &eacute; roubada no cotidiano pelo confinamento dom&eacute;stico, pela dupla jornada de trabalho, pela viol&ecirc;ncia, e por outras formas de opress&atilde;o.<\/p>\n<p>O que se passa no entorno da comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; crucial na forma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de poder. Por isso, n&atilde;o basta monitorar os discursos presentes. &Eacute; preciso observar o que n&atilde;o contam os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social e apontar as aus&ecirc;ncias: de alternativas, mensagens e opini&otilde;es, sobretudo das mulheres e, entre todas, das mulheres negras e ind&iacute;genas, entendendo a ideia de participar como condi&ccedil;&atilde;o para efetiva democratiza&ccedil;&atilde;o institucional, informacional, econ&ocirc;mica e cultural.<\/p>\n<p>Na contemporaneidade, emergem experi&ecirc;ncias alternativas para supera&ccedil;&atilde;o do que se pode chamar &ldquo;o sistema passivo de comunica&ccedil;&atilde;o e democracia&rdquo; sob o qual vivemos, segundo Manuel Castells. Um sistema que isola as pessoas e as agrega em fun&ccedil;&atilde;o dos que controlam o poder.<\/p>\n<p>Apenas as mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas n&atilde;o s&atilde;o suficientes, estruturalmente, para novas formas de comunica&ccedil;&atilde;o mais democr&aacute;ticas. Acreditamos que agregar sujeitos pelo direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; uma das possibilidades de trilhar sa&iacute;das para os impasses da democracia atual, inclusive do ponto de vista socioecon&ocirc;mico. A nosso ver, isso contribuir&aacute; tamb&eacute;m para visibilizar novas formas de atuar politicamente e para supera&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o da pol&iacute;tica estigmatizada. Entre outros aspectos, setores da m&iacute;dia tradicional costumam associar pol&iacute;tica ao bin&ocirc;mio &#39;corru&ccedil;&atilde;o &amp; impunidade&#39; ou, no m&aacute;ximo, &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre &#39;falhas na condu&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &amp; crises econ&ocirc;micas&#39;, de uma forma descontextualizada, sem revelar for&ccedil;as pol&iacute;ticas ou interesses econ&ocirc;micos, como se a a&ccedil;&atilde;o de governantes fosse uma a&ccedil;&atilde;o de &#39;gerentes&#39; neutros.<\/p>\n<p>Fortalecer a atua&ccedil;&atilde;o do movimento de mulheres e demais movimentos sociais pelo direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o &eacute;, portanto, uma contribui&ccedil;&atilde;o fundamental para enfrentarmos o atual cen&aacute;rio de uma generaliza&ccedil;&atilde;o destrutiva sobre a pol&iacute;tica, resgatando o sentido da democratiza&ccedil;&atilde;o do poder, inclusive a partir do campo da comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>No movimento<\/strong><\/p>\n<p>No &acirc;mbito do movimento de mulheres &eacute; preciso constituir experi&ecirc;ncias de atua&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, capazes de viabilizar e fortalecer formas pr&oacute;prias de comunica&ccedil;&atilde;o e para emerg&ecirc;ncia de novas ativistas nesse campo.<\/p>\n<p>Para maior efetividade, acreditamos ser necess&aacute;rio atuar com base em uma elabora&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-pol&iacute;tica sobre o contexto da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil e no mundo, o que nos remete &agrave; necessidade de formular processos que estimulem experi&ecirc;ncias inovadoras, considerando a pluralidade e as singularidades de cada lugar, cada sujeito, e de cada m&iacute;dia (as tradicionais e as mais recentes).<\/p>\n<p>Compreendemos que uma a&ccedil;&atilde;o voltada para refor&ccedil;ar este debate na sociedade, e em particular no movimento de mulheres, precisa colocar em curso iniciativas de forma&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o (a&ccedil;&otilde;es em rede) que contribuam para essa elabora&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-pol&iacute;tica e para a constru&ccedil;&atilde;o de discurso midi&aacute;tico. Al&eacute;m de iniciativas espec&iacute;ficas que fortale&ccedil;am a capacidade de divulga&ccedil;&atilde;o das causas e a&ccedil;&otilde;es das organiza&ccedil;&otilde;es de mulheres e do pensamento feminista, em conex&atilde;o com uma est&eacute;tica cheia de ousadia e criatividade, pr&oacute;prias do feminismo. &nbsp;<\/p>\n<p>Tudo isso na perspectiva de mais mulheres feministas desenvolvendo novas formas de circular informa&ccedil;&atilde;o, e &#8211; pela pr&oacute;pria inser&ccedil;&atilde;o na comunica&ccedil;&atilde;o, e por se firmarem (e serem reconhecidas) como produtoras e agregadoras de novos conte&uacute;dos &ndash; contribu&iacute;rem para mudan&ccedil;as rumo &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mulheres feministas com capacidade para se comunicar de forma mais colaborativa, com possibilidade de inovar, sem se prender a um centro, mas expandindo suas conex&otilde;es por serem tamb&eacute;m construtoras de &ldquo;infovias&rdquo;: caminhos de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. E assim, pelo fortalecimento obtido atrav&eacute;s da comunica&ccedil;&atilde;o, poderem tamb&eacute;m conquistar maior capacidade para sustentar suas organiza&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es coletivas em contextos adversos. Contextos semelhantes ao atual, marcados pelo conservadorismo, recrudescimento do fundamentalismo religioso, restri&ccedil;&atilde;o do acesso aos bens comuns, perda de direitos e de prote&ccedil;&atilde;o social no &acirc;mbito do trabalho, e restri&ccedil;&atilde;o de recursos para a&ccedil;&otilde;es em defesa dos direitos humanos.<\/p>\n<p><strong>Por onde estamos indo?<\/strong><\/p>\n<p>Na sociedade civil mundial, a novidade dos &uacute;ltimos anos &eacute; o fortalecimento da movimenta&ccedil;&atilde;o social a partir de uma multiplicidade de meios que ampliam a comunica&ccedil;&atilde;o em rede, diferenciando-se da &ldquo;comunica&ccedil;&atilde;o de massas&rdquo; pelas possibilidades de intera&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o, descentraliza&ccedil;&atilde;o, desintermedia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Na conjuntura brasileira, como um dos exemplos de a&ccedil;&otilde;es em rede para o fortalecimento desse debate no movimento de mulheres, temos a Carta aberta das mulheres em luta pelo direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, redigida a partir da articula&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es feministas, e que contou com a ades&atilde;o de muitas redes do movimento, o que propiciou sua divulga&ccedil;&atilde;o em boletim do F&oacute;rum Social Mundial. Entre outros conte&uacute;dos, a Carta1 foi um dos subs&iacute;dios retomados na Reuni&atilde;o de Mulheres pela Liberdade de Express&atilde;o e Por Mecanismos Democr&aacute;ticos da Regula&ccedil;&atilde;o dos Meios de Comunica&ccedil;&atilde;o, aberta hoje, em S&atilde;o Paulo, pelo Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o, em parceria com o Intervozes, o Geled&eacute;s e o SOS Corpo.<\/p>\n<p>N&atilde;o temos d&uacute;vida: dessa reuni&atilde;o devem sair algumas boas e novas a&ccedil;&otilde;es em rede, voltadas para expans&atilde;o da campanha por liberdade de express&atilde;o. S&atilde;o as organiza&ccedil;&otilde;es de mulheres buscando igualdade e liberdade no campo da comunica&ccedil;&atilde;o. Participe! Como diz o pessoal do Intervozes: Levante sua voz!<\/p>\n<p><em><br \/>Paula de Andrade &eacute; jornalista, integra o coletivo de comunica&ccedil;&atilde;o da Articula&ccedil;&atilde;o de Mulheres Brasileiras, atua na Rede Mulher e M&iacute;dia.<\/em><\/p>\n<p><em>Este documento foi resultado da Reuni&atilde;o Estrat&eacute;gica sobre Banda Larga e Marco Regulat&oacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es realizada pelo Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o, Geled&eacute;s &ndash; Instituto da Mulher Negra e Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, com o apoio da Funda&ccedil;&atilde;o Ford,&nbsp; nos dias 3 a 5 de junho de 2011, em S&atilde;o Paulo, que teve como objetivo a constru&ccedil;&atilde;o de uma agenda feminista de atua&ccedil;&atilde;o de curto e m&eacute;dio prazo para a incid&ecirc;ncia no debate p&uacute;blico e tamb&eacute;m na 3a Confer&ecirc;ncia Nacional das Mulheres em torno desses dois temas: banda larga e marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es. Essa reuni&atilde;o contou com a participa&ccedil;&atilde;o de ativistas e especialistas de v&aacute;rias regi&otilde;es do pa&iacute;s, de diversas organiza&ccedil;&otilde;es feministas e do movimento pelo direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Veja mais detalhes no site: www.patriciagalvao.org.br <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para n&oacute;s, mulheres, esse processo passa tanto pela cr&iacute;tica, elabora&ccedil;&atilde;o e  proposi&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos midi&aacute;ticos, como pela atua&ccedil;&atilde;o na esfera  p&uacute;blica, reivindicando o exerc&iacute;cio da comunica&ccedil;&atilde;o como parte dos nossos  direitos humanos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1723],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27208"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27208"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27208\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}