{"id":27196,"date":"2012-10-28T18:56:09","date_gmt":"2012-10-28T18:56:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27196"},"modified":"2012-10-28T18:56:09","modified_gmt":"2012-10-28T18:56:09","slug":"equador-rebate-informe-da-sip-e-defende-regulacao-da-midia-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27196","title":{"rendered":"Equador rebate informe da SIP e defende regula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>&quot;No dia em que a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) me felicitar, a&iacute; sim me preocuparei. Se os cachorros ladram, &eacute; sinal de que estamos avan&ccedil;ando. Se a SIP questiona, critica, quer dizer que (&#8230;) est&aacute; sendo inaugurada a verdadeira liberdade de express&atilde;o&quot;, disse neste fim de semana o presidente do Equador, Rafael Correa.<\/p>\n<p>O Equador &#8212; ao lado de Argentina e Venezuela &#8212; est&aacute; no &ldquo;centro das preocupa&ccedil;&otilde;es&rdquo; da SIP, que realizou recentemente sua 68&ordf; Assembleia Geral, em S&atilde;o Paulo. Segundo a resolu&ccedil;&atilde;o da entidade, nesses pa&iacute;ses os presidentes &quot;encabe&ccedil;am uma ofensiva para silenciar os meios independentes&quot;.<\/p>\n<p>Uma reportagem veiculada no programa semanal de presta&ccedil;&atilde;o de contas de Correa mostrou outra vers&atilde;o para os casos citados no encontro e apontou inconsist&ecirc;ncias. O documento menciona, por exemplo, a morte de tr&ecirc;s jornalistas no pa&iacute;s este ano, mas admite que apenas uma pode estar relacionada &agrave; profiss&atilde;o. Segundo a reportagem, o informe falha ainda ao n&atilde;o explicar que o caso n&atilde;o tem liga&ccedil;&atilde;o com o governo.<br \/>Leia mais: Boas raz&otilde;es para a presidente Dilma n&atilde;o ter ido &agrave; SIP<\/p>\n<p>A SIP disse que uma das viola&ccedil;&otilde;es mais graves &agrave; liberdade de express&atilde;o no Equador foi uma a&ccedil;&atilde;o judicial contra quatro observadores da investiga&ccedil;&atilde;o sobre contratos ilegais firmados entre o irm&atilde;o do presidente, Fabr&iacute;cio Correa, e o governo. Eles foram processados por falso testemunho ao conclu&iacute;rem que o presidente sabia dos neg&oacute;cios do irm&atilde;o. A Presid&ecirc;ncia reiterou que os observadores &ldquo;fizeram um relat&oacute;rio baseado em falsidades&rdquo;.<\/p>\n<p>Para a deputada Maria Augusta Calle, do mesmo partido do presidente, o motivo do embate entre governo e meios privados reside em uma concep&ccedil;&atilde;o diferente de comunica&ccedil;&atilde;o social. &quot;O problema fundamental para a SIP n&atilde;o &eacute; a liberdade de express&atilde;o. O problema &eacute; que o governo equatoriano e as leis equatorianas consideram a comunica&ccedil;&atilde;o um servi&ccedil;o p&uacute;blico e que os meios t&ecirc;m que trabalhar em fun&ccedil;&atilde;o dos direitos da maioria e n&atilde;o de uns poucos&quot;, afirmou a Opera Mundi.<\/p>\n<p>Maria Augusta sustenta ainda que o informe cita amea&ccedil;as a jornalistas de meios privados, mas omite a ofensiva contra meios p&uacute;blicos e estatais, que segundo a parlamentar, tamb&eacute;m enfrentam processos e s&atilde;o muitas vezes impedidos de participar de entrevistas coletivas organizadas pelos opositores do governo.<\/p>\n<p>Quanto &agrave;s a&ccedil;&otilde;es na Justi&ccedil;a que o governo move contra jornalistas e meios privados, Maria Augusta avaliou que &eacute; necess&aacute;rio entender que, no Equador, &eacute; proibido atentar contra a dignidade e a honra. &quot;Qualquer pessoa pode expressar o que queira, mas tem que expressar com respeito&quot;, lembrou.<br \/><strong><br \/>Liberdade de express&atilde;o<br \/><\/strong><br \/>O informe da SIP sobre o Equador afirma que no pa&iacute;s &quot;n&atilde;o existe plena liberdade de express&atilde;o e de informa&ccedil;&atilde;o&quot; e que &quot;todos os poderes do Estado est&atilde;o tomando decis&otilde;es que a deterioram.&quot;<\/p>\n<p>O professor da Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Andina Simon Bol&iacute;var, Hernan Reyes, classificou como enganoso o ponto de partida do documento. &quot;A pergunta &eacute;: &quot;existe plena liberdade de express&atilde;o &#8212; e eu destaco a palavra plena &#8211;, em algum pa&iacute;s dos que formam ou dos que s&atilde;o avaliados pela SIP? Existe nos Estados Unidos plena liberdade de express&atilde;o? No Chile?&quot;, questionou. &quot;Nesses pa&iacute;ses o que poderia eventualmente existir s&atilde;o sistemas de menor regula&ccedil;&atilde;o da imprensa privada e do funcionamento do mercado para o livre fluxo de informa&ccedil;&atilde;o. Nada mais.&quot;<\/p>\n<p>O professor acredita a plena liberdade de express&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um horizonte que se busca. &ldquo;Depois de analisar uma s&eacute;rie de fatores, &eacute; poss&iacute;vel determinar, na forma de uma escala, quanta liberdade de express&atilde;o, de informa&ccedil;&atilde;o, de opini&atilde;o ou de imprensa existe em cada pa&iacute;s. Esse &eacute; um exame que a SIP n&atilde;o faz e creio que a maior parte do informe, no caso do Equador, est&aacute; baseada em suposi&ccedil;&otilde;es, em uma s&eacute;rie de mitos&rdquo;, salientou a Opera Mundi.<\/p>\n<p><strong>Regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia<\/strong><\/p>\n<p>Para Reyes, o verdadeiro motivo do protesto dos meios privados n&atilde;o &eacute; a liberdade de express&atilde;o, mas o fato de que o governo equatoriano limitou o alcance da propriedade midi&aacute;tica. Correa aprovou leis que impedem os bancos de terem empresas de comunica&ccedil;&atilde;o e pro&iacute;bem que os donos dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o tenham neg&oacute;cios em outras &aacute;reas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, foram criados meios p&uacute;blicos, que reduzem a penetra&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos privados. &quot;Isso &eacute; o miolo do assunto. Parece que a rea&ccedil;&atilde;o t&atilde;o visceral, crescente e permanente por parte desses meios privados, em conjunto com os pol&iacute;ticos de oposi&ccedil;&atilde;o, &eacute; porque os bolsos est&atilde;o sendo afetados&quot;, defendeu.<\/p>\n<p>Outro aspecto da rea&ccedil;&atilde;o da SIP, para o professor, &eacute; que a credibilidade dos meios vem sendo afetada pelo confronto com o governo. Em redes nacionais obrigat&oacute;rias e no programa semanal de televis&atilde;o, o presidente contesta as reportagens negativas veiculadas na imprensa.<\/p>\n<p>Nesse ponto Reyes faz cr&iacute;ticas ao governo, que construiu um &quot;aparato enorme de vigil&acirc;ncia e monitoramento. Por um lado &ldquo;&eacute; &uacute;til porque revela uma quantidade de falhas e distor&ccedil;&otilde;es que cometem os meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, mas por outro &quot;&eacute; indevidamente centralizado num aparato estatal&rdquo;. Para o professor, os cidad&atilde;os deveriam ser convidados a participar de observat&oacute;rios de imprensa.<\/p>\n<p>Reyes tamb&eacute;m discordou do &ldquo;tom de virul&ecirc;ncia verbal&rdquo; de Correa contra determinados meios privados e jornalistas. &ldquo;Parecem excessivos certos gestos, como o de rasgar publicamente um jornal numa transmiss&atilde;o de presta&ccedil;&atilde;o de contas aos s&aacute;bados&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>O professor observou ainda que apesar de certos avan&ccedil;os, como p&aacute;ginas de &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos na internet, ainda &ldquo;h&aacute; muito descumprimento por parte de autoridades n&atilde;o s&oacute; desse governo, de todos os governos anteriores, do (direito ao) acesso que tem todo cidad&atilde;o &agrave; informa&ccedil;&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p>Recentemente o presidente decidiu que vai responder apenas aos pedidos de informa&ccedil;&atilde;o de parlamentares que forem enviados por meio do presidente da Assembleia Nacional. A medida &eacute; considerada pela SIP como mais uma restri&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Fernando Checa, diretor do Centro Internacional de Estudos Superiores para a Am&eacute;rica Latina (Ciespal) afirmou que a lei de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica n&atilde;o &eacute; cumprida cabalmente nas institui&ccedil;&otilde;es do Estado. &quot;Mas isso acontece em todas as partes do mundo&quot;, contemporizou. Para Checa, n&atilde;o se trata de uma evid&ecirc;ncia de que a liberdade de express&atilde;o est&aacute; amea&ccedil;ada no Equador, como faz parecer o informe.<\/p>\n<p>O diretor do Ciespal tamb&eacute;m considera um erro a proibi&ccedil;&atilde;o do presidente de que ministros deem entrevistas a canais privados considerados &quot;mercantilistas&quot; por Correa. &ldquo;Mas isso amea&ccedil;a a liberdade de express&atilde;o? N&atilde;o, porque esses funcion&aacute;rios est&atilde;o dando declara&ccedil;&otilde;es a outros meios. Por outro lado, os meios privados que reclamam disso s&atilde;o plurais? N&atilde;o, porque h&aacute; restri&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m, n&atilde;o h&aacute; pluralidade de vozes. Eles n&atilde;o gostam que o presidente pro&iacute;ba os funcion&aacute;rios do Estado falar, mas n&atilde;o que hajam listas negras nas reda&ccedil;&otilde;es, que certas pessoas sejam vetadas.&rdquo;<\/p>\n<p>Para o diretor do Ciespal, o informe esconde alguns atores que amea&ccedil;am a liberdade de express&atilde;o: &ldquo;diretores, donos de meios de comunica&ccedil;&atilde;o e anunciantes, que pressionam, limitam, fazem censura e promovem a autocensura.&rdquo;<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; elementos para afirmar que a liberdade de express&atilde;o est&aacute; se deteriorando, defendeu Checa a Opera Mundi. &quot;No Equador todo mundo pode dizer qualquer coisa. &Eacute; uma quest&atilde;o de ver a imprensa privada, por exemplo. H&aacute; dur&iacute;ssimas cr&iacute;ticas, &agrave;s vezes, inclusive grosseiras n&atilde;o s&oacute; contra o presidente, mas contra os funcion&aacute;rios do Estado e parlamentares, com absoluta liberdade.&rdquo;<\/p>\n<p>E conclui: &ldquo;Sou contra a penaliza&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o. A liberdade de express&atilde;o &eacute; um direito universal e n&atilde;o s&oacute; de jornalistas e meios. Mas tamb&eacute;m &eacute; uma obriga&ccedil;&atilde;o. A obriga&ccedil;&atilde;o de assumir esse direito com responsabilidade.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;No dia em que a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) me felicitar, a&iacute; sim me preocuparei. Se os cachorros ladram, &eacute; sinal de que estamos avan&ccedil;ando. Se a SIP questiona, critica, quer dizer que (&#8230;) est&aacute; sendo inaugurada a verdadeira liberdade de express&atilde;o&quot;, disse neste fim de semana o presidente do Equador, Rafael Correa. 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