{"id":27194,"date":"2012-10-28T18:47:35","date_gmt":"2012-10-28T18:47:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27194"},"modified":"2012-10-28T18:47:35","modified_gmt":"2012-10-28T18:47:35","slug":"precisamos-regulamentar-imprensa-no-brasil-afirma-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27194","title":{"rendered":"Precisamos regulamentar imprensa no Brasil, afirma Lula"},"content":{"rendered":"<p>O ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva est&aacute; na Argentina, onde cumpre intensa agenda pol&iacute;tica: almo&ccedil;ou com a presidenta Cristina Kirchner, na quarta (17) e participa, nesta quinta (18) de um congresso empresarial. Em entrevista ao jornal La Naci&oacute;n, ecoando o amplo debate a respeito da entrada em vigor da lei dos meios naquele pa&iacute;s, Lula foi taxativo ao avaliar a situa&ccedil;&atilde;o do Brasil: &ldquo;aqui precisamos instalar uma discuss&atilde;o pol&iacute;tica sobre um novo marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Lula tamb&eacute;m falou sobre o menor crescimento econ&ocirc;mico do Brasil neste ano e destacou a necessidade de uma reformula&ccedil;&atilde;o no FMI e nos organismos internacionais como a ONU. Com rela&ccedil;&atilde;o ao pol&ecirc;mico julgamento do mensal&atilde;o e a possibilidade de ele tamb&eacute;m ser julgado, &eacute; categ&oacute;rico: &ldquo;eu j&aacute; fui julgado. A elei&ccedil;&atilde;o de Dilma foi um julgamento extraordin&aacute;rio. Um presidente com oito anos de mandato sair com 87% de aprova&ccedil;&atilde;o &eacute; um tremendo julgamento&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Meios de comunica&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong><br \/>Eu penso que poucos l&iacute;deres pol&iacute;ticos do mundo foram e s&atilde;o t&atilde;o criticados pela imprensa como eu. No entanto, n&atilde;o reclamo. Eu nunca tive a imprensa a meu favor, e n&atilde;o &eacute; por isso que deixei de ser presidente com a maior aprova&ccedil;&atilde;o de meu pa&iacute;s. Me parece que devemos acreditar na sabedoria dos leitores, dos ouvintes de r&aacute;dio e dos telespectadores. Eles saber&atilde;o julgar os valores do comportamento de um pol&iacute;tico, e tamb&eacute;m do comportamento da imprensa.<\/p>\n<p>Acredito que no Brasil precisamos instalar uma discuss&atilde;o pol&iacute;tica sobre um novo marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o. A &uacute;ltima regula&ccedil;&atilde;o &eacute; de 1962, n&atilde;o h&aacute; nenhuma explica&ccedil;&atilde;o para que no s&eacute;culo 21 tenhamos a mesma regula&ccedil;&atilde;o que em 1962, quando n&atilde;o havia telefones celulares, nem internet. A evolu&ccedil;&atilde;o que teve nas telecomunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o est&aacute; regulada. Essa briga existe na Argentina, na Venezuela, no M&eacute;xico, onde Ricardo Salinas e Slim est&atilde;o em guerra todo santo dia. E no Brasil preparamos uma confer&ecirc;ncia nacional &ndash; na qual participaram partidos, meios de comunica&ccedil;&atilde;o, telefonia &ndash; e elaboramos uma proposta de regula&ccedil;&atilde;o, que precisa ser discutida com a sociedade. N&atilde;o h&aacute; modelo definitivo, n&atilde;o h&aacute; o modelo de O Globo, da Folha, de Lula ou de Dilma, isso n&atilde;o existe. Ent&atilde;o vamos come&ccedil;ar uma discuss&atilde;o com a sociedade para saber o que &eacute; o mais importante para que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o sejam cada vez mais retransmissores de conhecimento, de informa&ccedil;&atilde;o, cada vez mais livres e sem inger&ecirc;ncia do governo.<\/p>\n<p><strong>Rela&ccedil;&otilde;es internacionais<br \/><\/strong><br \/>O fato de querermos fazer uma reforma nas institui&ccedil;&otilde;es multilaterais n&atilde;o depende da crise. A crise apenas agravou este debate. O Brasil, h&aacute; pelo menos 15 anos luta para que a ONU seja reformada, e que tenha uma representa&ccedil;&atilde;o do mundo geogr&aacute;fico correspondente a 2012 e ao s&eacute;culo 21 e n&atilde;o que represente o mundo de 1948. N&atilde;o h&aacute; explica&ccedil;&atilde;o para que apenas cinco pa&iacute;ses tenham o controle dos assuntos mais importantes do mundo, sem que haja um representante da Am&eacute;rica Latina, da &Aacute;frica, sem um pa&iacute;s de 1 bilh&atilde;o de habitantes como a &Iacute;ndia ou mesmo a Alemanha. Queremos que a ONU e o Conselho de Seguran&ccedil;a sejam representativos da realidade de hoje, e n&atilde;o do passado.<\/p>\n<p>O FMI tamb&eacute;m tem que ser reformado para que possa funcionar como um banco que possa ajudar os pa&iacute;ses em crise e n&atilde;o como um banco para fazer press&atilde;o nas economias dos pa&iacute;ses pobres. Na crise atual dos Estados Unidos e Europa, o FMI n&atilde;o sabe o que fazer. Ningu&eacute;m sequer quer escutar o FMI! &Eacute; como se n&atilde;o servisse para nada! D&aacute; a impress&atilde;o de que foi criado para Argentina, Brasil, Bol&iacute;via ou M&eacute;xico e n&atilde;o para a Alemanha nem Gr&eacute;cia. &Eacute; por isso que n&oacute;s queremos fazer um debate.<br \/><strong><br \/>Integra&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Sonho com a integra&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina. A integra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; um discurso, deve transformar-se em um ato cotidiano de cada cidad&atilde;o e de cada governante. E ainda nos resta muito por fazer.<br \/><strong><br \/>Ir&atilde;<\/strong><\/p>\n<p>Vejamos o caso do Ir&atilde;. Todos os dias vejo not&iacute;cias que dizem que o Ir&atilde; quer construir uma bomba at&ocirc;mica. Eu n&atilde;o acredito nisso. Eu desejo para o Ir&atilde; o mesmo que desejo para o Brasil: utilizar a energia nuclear para fins pac&iacute;ficos. E com esta ideia eu fui ao Ir&atilde;. Os membros do Conselho de Seguran&ccedil;a nunca tinham conversado com [Mahmoud] Ahmadinejad. A pol&iacute;tica foi terceirizada, colocam assessores para conversar e os presidentes nunca conversam. E quando eu disse que ia conversar com Ahmadinejad para que ele se comprometesse a aceitar as regras que eram impostas pela AIEA, disseram que era ing&ecirc;nuo. Fomos ao Ir&atilde;, estivemos dois dias juntos com a Turquia, e conseguimos que o Ir&atilde; se comprometesse com o que os norte-americanos e a Uni&atilde;o Europeia queriam. Para a minha surpresa, quando Ahmadinejad aceitou e n&oacute;s apresentamos um documento assinado, o que aconteceu? Sancionaram o Ir&atilde;. Por qu&ecirc;? Porque n&atilde;o era aceit&aacute;vel que um pa&iacute;s do terceiro mundo tivesse conseguido o que eles n&atilde;o conseguiram.<br \/><strong><br \/>Ch&aacute;vez<br \/><\/strong><br \/>&Eacute; necess&aacute;rio analisar a Venezuela n&atilde;o em compara&ccedil;&atilde;o com o Brasil ou Argentina, nem com a Europa. Tem que analisar a Venezuela de Ch&aacute;vez em compara&ccedil;&atilde;o com a Venezuela antes de Ch&aacute;vez. E melhorou muito a Venezuela. O povo pobre ganhou dignidade. A Am&eacute;rica do Sul ganhou muito com o Ch&aacute;vez. Porque antes at&eacute; os vasos sanit&aacute;rios eram importados dos Estados Unidos. Hoje importa de outros pa&iacute;ses: Brasil, Argentina&hellip; A Venezuela come&ccedil;ou a olhar a Am&eacute;rica Latina e por isso defendi a entrada da Venezuela no Mercosul. Pela import&acirc;ncia estrat&eacute;gica da Venezuela, &eacute; uma das maiores reservas de petr&oacute;leo do mundo e de g&aacute;s, tem um potencial energ&eacute;tico extraordin&aacute;rio. N&oacute;s precisamos, enquanto Unasul, discutir como nos tornar s&oacute;cios dessa riqueza que temos. Por isso penso que Ch&aacute;vez foi importante para a Venezuela. (&hellip;) Com a minha chegada ao poder, a de Kirchner, de Ch&aacute;vez, de Evo Morales, foi que as pessoas come&ccedil;aram a perceber que gostamos de nossos pa&iacute;ses, que come&ccedil;amos a ver nossos pa&iacute;ses a partir de nossa pr&oacute;pria realidade. Isso mudou. Quando cheguei ao governo, a rela&ccedil;&atilde;o comercial entre Brasil e Argentina era de 7 bilh&otilde;es. No ano passado, foi 40 bilh&otilde;es de d&oacute;lares.<br \/><strong><br \/>Mercosul<\/strong><\/p>\n<p>Penso que o que fizemos na Am&eacute;rica do Sul j&aacute; &eacute; muito. O problema &eacute; que &eacute;ramos pa&iacute;ses com uma cultura colonizada, com uma mente colonizada. Fomos doutrinados para que nos v&iacute;ssemos como advers&aacute;rios, como inimigos e os amigos estavam no norte. Quando na verdade, n&atilde;o tem que ter inimigos nem no Norte, nem aqui, temos que construir o que for bom para Argentina e Brasil. Lembro que h&aacute; muito tempo realizamos reuni&otilde;es onde muitos pa&iacute;ses diziam que o Mercosul j&aacute; n&atilde;o interessava, que o Mercosul tinha acabado, e que havia que implementar a Alca. Hoje, nem o governo norte-americano fala da Alca. Sequer eles.<br \/><strong><br \/>Mensal&atilde;o<br \/><\/strong><br \/>N&atilde;o me manifesto sobre esse processo, primeiro porque naquela &eacute;poca eu era presidente da rep&uacute;blica e creio que um ex-presidente n&atilde;o pode opinar sobre a Suprema Corte. Principalmente quando o processo est&aacute; em desenvolvimento. Vamos esperar que termine o processo e ent&atilde;o com certeza poderei emitir minha opini&atilde;o.<\/p>\n<p>Eu j&aacute; fui julgado. A elei&ccedil;&atilde;o de Dilma foi um julgamento extraordin&aacute;rio. Um presidente com oito anos de mandato sair com 87% de aprova&ccedil;&atilde;o &eacute; um tremendo julgamento e n&atilde;o me preocupo com nada. Cada poder: Executivo, Legislativo ou Judicial, tem suas pr&oacute;prias responsabilidades e cada um deve cumprir com a mesma.<br \/><strong><br \/>Economia<br \/><\/strong><br \/>Sejamos sinceros. H&aacute; uma desacelera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica promovida pelo pr&oacute;prio governo. Obviamente h&aacute; problemas com a crise econ&ocirc;mica, mas acontece que em 2010 n&oacute;s crescemos muito, o consumo era exageradamente alto e era necess&aacute;rio diminuir um pouco esse &iacute;mpeto da economia. Essa redu&ccedil;&atilde;o do governo tamb&eacute;m foi afetada pela crise internacional. Houve uma diminui&ccedil;&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es. As exporta&ccedil;&otilde;es da Argentina ca&iacute;ram quase 20%, houve uma diminui&ccedil;&atilde;o importante, e no n&iacute;vel mundial a diminui&ccedil;&atilde;o foi somente 6%. Era necess&aacute;rio controlar a infla&ccedil;&atilde;o. As informa&ccedil;&otilde;es que tenho da presid&ecirc;ncia e do ministro da Fazenda &eacute; que a infla&ccedil;&atilde;o est&aacute; controlada e para o pr&oacute;ximo ano, Brasil voltar&aacute; a crescer mais ou menos 4,5%.<br \/><strong><br \/>Volta &agrave; presid&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Um pol&iacute;tico n&atilde;o pode nunca descartar [esta hip&oacute;tese]. O problema &eacute; que cada vez que fazem esta pergunta&#8230; se eu digo que n&atilde;o o descarto, a imprensa diz: &ldquo;Lula admite que ser&aacute; candidato&rdquo;. Se eu digo o contr&aacute;rio, dizem &ldquo;Lula nunca mais ser&aacute; presidente&rdquo;. Eu sou um pol&iacute;tico, e creio que j&aacute; cumpri minha parte. Toda a minha vida tive vontade de provar que era capaz de fazer o que eu reivindicava, e creio que conseguimos fazer muito mais. Hoje, o principal legado que deixamos para a sociedade brasileira, al&eacute;m dos 40 milh&otilde;es de brasileiros que ascenderam &agrave; classe m&eacute;dia, al&eacute;m do aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo, dos 17 milh&otilde;es de empregos formais criados, o principal legado &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre o Estado e a sociedade. Realizamos 73 confer&ecirc;ncias nacionais. As principais pol&iacute;ticas de meu governo foram decididas em plen&aacute;rios, onde havia debates no &acirc;mbito municipal, estatal e nacional. Eram pol&iacute;ticas de todas as &aacute;reas, tudo foi discutido. Queria provar a mim mesmo que um governante nunca, em hip&oacute;tese alguma, deve ter medo de conversar com a sociedade. N&atilde;o podemos ver em cada pessoa que nos cerca na rua um inimigo. Porque muitas vezes temos que nos perguntar por que &eacute; inimigo agora se votou em mim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva est&aacute; na Argentina, onde cumpre intensa agenda pol&iacute;tica: almo&ccedil;ou com a presidenta Cristina Kirchner, na quarta (17) e participa, nesta quinta (18) de um congresso empresarial. 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