{"id":27186,"date":"2012-10-17T17:40:00","date_gmt":"2012-10-17T17:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27186"},"modified":"2012-10-17T17:40:00","modified_gmt":"2012-10-17T17:40:00","slug":"midia-argentina-tem-ate-7-de-dezembro-para-se-adequar-a-nova-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27186","title":{"rendered":"M\u00eddia argentina tem at\u00e9 7 de dezembro para se adequar \u00e0 nova lei"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\">A legisla&ccedil;&atilde;o que regula os servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisual na Argentina, conhecida como &ldquo;Ley de Medios&rdquo;, foi elaborada pelo Poder Executivo e aprovada h&aacute; tr&ecirc;s anos &ndash; em 10 de outubro de 2009 &ndash; com ampla maioria nas duas casas legislativas do pa&iacute;s. Entre v&aacute;rios aspectos que a lei regula, como a reserva do espectro para organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos, reserva de frequ&ecirc;ncias para r&aacute;dios municipais e universit&aacute;rias e a exig&ecirc;ncia de veicula&ccedil;&atilde;o de programa&ccedil;&atilde;o independente,&nbsp;est&aacute; a limita&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de concess&otilde;es p&uacute;blicas de radiodifus&atilde;o que cada grupo empresarial pode ter: 24 licen&ccedil;as de TV a cabo, 10 emissoras de r&aacute;dio e uma de TV aberta. Segundo o governo argentino, a medida foi pensada para evitar o monop&oacute;lio e concentra&ccedil;&atilde;o em um grupo empresarial, j&aacute; que, apenas o grupo Clar&iacute;n, det&eacute;m mais de 240 concess&otilde;es no sistema de cabo, nove r&aacute;dios AM, uma FM e quatro canais na televis&atilde;o aberta, o que, para o governo argentino, se configura numa verdadeira &ldquo;cadeia nacional ilegal&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Entretanto, o Clar&iacute;n n&atilde;o se mostra nem um pouco disposto a acatar o que a lei determina no que se refere &agrave; limita&ccedil;&atilde;o na propriedade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. O grupo, que s&oacute; no sistema de cabo concentra a propriedade de 70% dos canais, entrou com uma medida cautelar contra o artigo 161 da Ley de Medios &ndash; o artigo que determina que as empresas que estiverem com n&uacute;mero de concess&otilde;es acima do estabelecido pela lei apresentem seus projetos de adequa&ccedil;&atilde;o&nbsp;&ndash; para que ele n&atilde;o entrasse em vig&ecirc;ncia, sob a alega&ccedil;&atilde;o de que viola princ&iacute;pios constitucionais. Mas, em 22 de maio deste ano, a Suprema Corte argentina estabeleceu o dia 7 de dezembro como data limite para que o Clar&iacute;n e outras empresas se adequem &agrave; nova legisla&ccedil;&atilde;o, o que o governo argentino chamou, em v&iacute;deo&nbsp;transmitido nos intervalos das partidas de futebol, que s&atilde;o transmitidas hoje pela TV p&uacute;blica argentina, de &ldquo;7D&rdquo;.<\/p>\n<p>Em resposta ao v&iacute;deo produzido pelo governo argentino,&nbsp;o grupo Clar&iacute;n&nbsp;respondeu com um outro v&iacute;deo, transmitido em suas emissoras, afirmando que no pr&oacute;ximo 7 de dezembro n&atilde;o vai acontecer nada, pois o grupo Clar&iacute;n impugnou judicialmente os artigos 45 e 161 da Ley de Medios por violarem v&aacute;rios trechos constitucionais. &quot;A&nbsp;Justi&ccedil;a editou uma medida cautelar que foi ratificada pela Corte Suprema. Se&nbsp;em 7 de dezembro esse julgamento n&atilde;o estiver terminado, n&atilde;o acontece nada. Pode-se prolongar a medida cautelar, ou pode-se prorrogar por mais um ano julgamento&quot;, afirma a empresa. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><strong>Desafios na implementa&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&ldquo;N&atilde;o &eacute; porque se trata do grupo Clar&iacute;n, mas porque se trata do grupo de comunica&ccedil;&atilde;o mais poderoso da Argentina. Se o grupo mais poderoso n&atilde;o respeita a lei, &eacute; muito dif&iacute;cil estabelecer crit&eacute;rios de autoridade frente aos grupos menores, e nem &eacute; justo&rdquo;, diz a pesquisadora e professora da Universidade de Buenos Aires, Mariana Moyano. Ela destaca que o grupo desrespeita outros aspectos da lei, n&atilde;o reconhece a Autoridade de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisual Argentina (AFSCA), e questiona permanentemente em sua p&aacute;gina a validade da lei o que, para ela, &eacute; uma postura antidemocr&aacute;tica. &ldquo;O grupo tem todo o direito de dizer que n&atilde;o gosta da lei mas, o que n&atilde;o pode fazer, em uma democracia, &eacute; n&atilde;o respeit&aacute;-la. Porque foi uma lei votada com ampl&iacute;ssima maioria nas duas c&acirc;maras, dos deputados e senadores&rdquo;, ressalta Mariana, que tamb&eacute;m &eacute; jornalista da TV p&uacute;blica da Argentina. <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A pesquisadora enfatiza como positivo em todo este processo o amadurecimento que a sociedade alcan&ccedil;ou na discuss&atilde;o do tema. &ldquo;Eu me lembro que, quando est&aacute;vamos discutindo a lei, eu dizia que o mais importante era o debate chegar &agrave; sociedade argentina. E isso se deu incrivelmente com muito amadurecimento republicano porque a argentina se deu conta de que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o um poder enorme. Ent&atilde;o, foi um grande triunfo esta lei&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A lei, no entanto, tem aspectos que podem ser aperfei&ccedil;oados, segundo a professora Moyano. &ldquo;&Eacute; claro que &eacute; uma lei melhor&aacute;vel, tem muitas coisas para mudar. Mas eu creio que mais al&eacute;m, inclusive, da aplica&ccedil;&atilde;o e dos artigos, parece que a sociedade argentina deu um grande salto a ponto de n&atilde;o mais dizer &#39;Isso que est&aacute; na televis&atilde;o &eacute; exatamente tal qual se passou&#39;, porque hoje j&aacute; se sabe que por tr&aacute;s disso h&aacute; interesses, h&aacute; uma propriedade&#8230; Isso me parece que s&oacute; fez acelerar o crescimento da lei e o celebro muit&iacute;ssimo, por mais que se tenha que mudar algum artigo&rdquo;, opina.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O pesquisador e professor da Universidade de Buenos Aires e da Universidade Nacional de Quilmes, Mart&iacute;n Becerra, tem uma vis&atilde;o menos otimista da nova legisla&ccedil;&atilde;o. Ele acredita que o processo de implementa&ccedil;&atilde;o da Ley de Medios argentina avan&ccedil;ou muito pouco, pois a disputa do governo com o Clar&iacute;n estaria sobrepondo outros pontos da lei. <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&quot;O governo, pelo menos at&eacute; agora, foi muito arbitr&aacute;rio na implementa&ccedil;&atilde;o da lei e n&atilde;o prestou aten&ccedil;&atilde;o em aspectos centrais dela. Os ve&iacute;culos sem fins de lucro, por exemplo, que s&atilde;o os destinat&aacute;rios da lei, at&eacute; agora, quase tr&ecirc;s anos depois, n&atilde;o receberam boas not&iacute;cias. O sistema de meios que supostamente a lei quer democratizar at&eacute; agora est&aacute; mais concentrado do que antes da lei. Tudo isso porque o governo, como se enfrenta com Clarin, tolera a concentra&ccedil;&atilde;o de atores menores que este grupo, mas que s&atilde;o igualmente grandes empres&aacute;rios, para que eles tirem mercado do Clarin&quot;, critica Becerra.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O pesquisador afirma que, apesar do reconhecimento importante aos meios comunit&aacute;rios previsto no novo marco legal, eles t&ecirc;m tido dificuldade de ter acesso &agrave;s licen&ccedil;as de funcionamento. &ldquo;A quest&atilde;o do financiamento tamb&eacute;m &eacute; um dos problemas. A lei, sendo muito boa, em muitos aspectos, n&atilde;o colocou a forma de financiar os meios. Na Argentina ainda est&aacute; pendente algum tipo de discuss&atilde;o pol&iacute;tica sobre como se financia os meios que vai ter em teoria, a incorpora&ccedil;&atilde;o de operadores sem fins de lucro&quot;, complementa. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Suprema Corte do pa&iacute;s determinou que os grupos de m&iacute;dia t&ecirc;m at&eacute; 7 de dezembro para se adequarem ao que prev&ecirc; a Ley de Medios; Clar&iacute;n contesta na Justi&ccedil;a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1720],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27186"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27186"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27186\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}