{"id":27151,"date":"2012-09-27T15:42:04","date_gmt":"2012-09-27T15:42:04","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27151"},"modified":"2012-09-27T15:42:04","modified_gmt":"2012-09-27T15:42:04","slug":"regulacao-da-midia-e-tema-recorrente-no-midia-cidada-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27151","title":{"rendered":"Regula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia \u00e9 tema recorrente no M\u00eddia Cidad\u00e3 2012"},"content":{"rendered":"<p>A regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia e a necessidade de um novo marco regulat&oacute;rio para as comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil foram assuntos recorrentes nos debates da VIII Confer&ecirc;ncia Brasileira de M&iacute;dia Cidad&atilde;, que aconteceu nas &uacute;ltimas segunda e ter&ccedil;a (24 e 25 de setembro) na Universidade de Bras&iacute;lia (UnB) sob o tema &ldquo;M&iacute;dia, Cidadania e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas&rdquo;.<\/p>\n<p>No painel central, &ldquo;M&iacute;dia, Cidadania e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas&rdquo;, o professor e pesquisador do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia (LapCom\/UnB) Murilo C&eacute;sar Ramos fez um breve hist&oacute;rico da regula&ccedil;&atilde;o do setor no Brasil e lembrou que a legisla&ccedil;&atilde;o que regula a radiodifus&atilde;o brasileira, a Lei n&ordm; 4.117 de 1962, completa 50 anos neste ano de 2012, destacando que ela precisa ser urgentemente renovada para dar conta de democratizar o setor no Brasil.<\/p>\n<p>&ldquo;Nos anos 70 houve uma primeira tentativa de mudar essa legisla&ccedil;&atilde;o e cerca de dez vers&otilde;es de uma nova lei foram produzidas. Em 88, a disputa &ndash; bonita e tr&aacute;gica &ndash; para a constru&ccedil;&atilde;o do Cap&iacute;tulo da Comunica&ccedil;&atilde;o Social na Constituinte gerou demandas para trazer novas mudan&ccedil;as na legisla&ccedil;&atilde;o. No governo FHC foram produzidas seis vers&otilde;es iniciais de uma nova lei, e no governo Lula, depois da realiza&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Confecom, que mobilizou a sociedade muito mais do que a Constituinte, foi criado um Grupo de Trabalho interministerial que deixou anteprojeto pronto para o governo Dilma e at&eacute; agora nada&#8230; Isso causa espanto: por que essa legisla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sai? A Globo n&atilde;o deixa? As emissoras n&atilde;o deixam? Esse &eacute; um discurso f&aacute;cil. Usar a Rede Globo como bicho-pap&atilde;o para n&atilde;o alterar a lei de radiodifus&atilde;o n&atilde;o d&aacute; mais. &Eacute; pregui&ccedil;a, c&aacute;lculo pol&iacute;tico (do governo) de que &eacute; melhor n&atilde;o mexer&rdquo;, opina o professor.<\/p>\n<p>O professor da UnB tamb&eacute;m lembra que, embora haja certo bloqueio do debate p&uacute;blico sobre o tema por parte das emissoras, isso n&atilde;o &eacute; impeditivo para que a sociedade n&atilde;o se aproprie desse debate. E acrescenta: &ldquo;Esta &eacute; a grande disputa cidad&atilde;, porque o governo criou uma expectativa. Esse escalar de coisas, os quase 20 projetos de lei inconclusos ao longo desses anos, eis o grande desafio&rdquo;.<\/p>\n<p>No painel &ldquo;Comunica&ccedil;&atilde;o e Cidadania na Am&eacute;rica Latina&rdquo;, o professor argentino da Universidade de Quilmes e estudioso do tema, Martin Becerra, tamb&eacute;m refor&ccedil;ou a import&acirc;ncia de se discutir novas legisla&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o para pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina j&aacute; que, segundo o professor, uma nova lei permite pensar uma nova estrutura de propriedade. &ldquo;Ao questionar a estrutura de propriedade estamos falando tamb&eacute;m de cidadania. Na Am&eacute;rica Latina quando falamos em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o para promover a diversidade e pluralismo nos meios estamos falando de propriedade e conte&uacute;do&rdquo;, pontua Becerra, que afirmou tamb&eacute;m que nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina, a l&oacute;gica comercial supera outras partes do mundo, pois n&atilde;o existe uma &#39;compensa&ccedil;&atilde;o&#39; com meios p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>O assessor de programas para a &aacute;rea de m&iacute;dia e liberdade de express&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Ford, Mauro Porto, que tamb&eacute;m estava no painel sobre Am&eacute;rica Latina fez coro as propostas de mudan&ccedil;a na legisla&ccedil;&atilde;o e afirmou que a Funda&ccedil;&atilde;o Ford criou essa linha de financiamento no Brasil por acreditar que a consolida&ccedil;&atilde;o da democracia no pa&iacute;s s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel se ocorrer a democratizar a comunica&ccedil;&atilde;o. &quot;O Brasil enfrenta grandes problemas com a aus&ecirc;ncia de um marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es, por isso apoiamos os movimentos por pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o, para a constru&ccedil;&atilde;o de marcos regulat&oacute;rios que promovam a diversidade, o pluralismo&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>O encerramento da Confer&ecirc;ncia teve como foco a rela&ccedil;&atilde;o entre a m&iacute;dia e os direitos humanos. A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro Liv Sovik defendeu uma profunda mudan&ccedil;a curricular nos cursos de comunica&ccedil;&atilde;o para que os estudantes possam sair da universidade cientes da sua responsabilidade social. &ldquo;Essa mudan&ccedil;a s&oacute; vai acontecer se os pr&oacute;prios estudantes cobrarem das universidades essa altera&ccedil;&atilde;o no rumo do processo de forma&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc;s n&atilde;o podem esperar que os professores fa&ccedil;am isso. Essa nova concep&ccedil;&atilde;o deve partir de voc&ecirc;s&rdquo;, ressaltou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Liv Sovik dividiu a mesa de encerramento com a presidente do Geled&eacute;s &#8211; Instituto da Mulher Negra, Nilza Iraci, para quem a mobiliza&ccedil;&atilde;o no ambiente virtual &eacute; importante, mais ainda demanda ativismo fora das redes. Iraci destacou iniciativas do movimento negro para acionar judicialmente emissoras de r&aacute;dio e TV que transmitem programas com conte&uacute;do racista, machista e lesbof&oacute;bico. &ldquo;Precisamos rever o marco regulat&oacute;rio das radiodifus&atilde;o para garantir que a chamada liberdade de express&atilde;o dos donos da m&iacute;dia n&atilde;o continue preponderando sobre os direitos de mulheres negras. N&atilde;o podemos mais aceitar programas como o Zorra Total, de Rede Globo, que reproduzem um estere&oacute;tipo degradante da mulher negra&rdquo;, afirmou a presidenta do Geled&eacute;s.<\/p>\n<p><strong>O evento<\/strong><\/p>\n<p>Promovida desde 2005 pela Rede Brasileira de M&iacute;dia Cidad&atilde; com o objetivo de reunir universidade, movimentos populares e sociais e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais para &ldquo;discutir as rela&ccedil;&otilde;es entre m&iacute;dia e cidadania e mostrar como a m&iacute;dia ajuda a construir e a desconstruir a mobiliza&ccedil;&atilde;o social&rdquo;, a confer&ecirc;ncia em Bras&iacute;lia contou com a participa&ccedil;&atilde;o de&nbsp; aproximadamente 120 pessoas, entre profissionais dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, pesquisadores da &aacute;rea, integrantes de movimentos sociais, professores e estudantes. Mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o evento deste ano em http:\/\/midiacidada2012.unb.br\/ <br \/><em><\/p>\n<p>*Colaborou J<span>uliana C&eacute;zar Nunes<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a VIII Confer&ecirc;ncia Brasileira de M&iacute;dia Cidad&atilde; em Bras&iacute;lia, especialistas e pesquisadores discutiram a necessidade de uma regula&ccedil;&atilde;o na comunica&ccedil;&atilde;o para garantir a democracia e os direitos da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1606],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27151"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27151\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}