{"id":27117,"date":"2012-09-11T18:59:59","date_gmt":"2012-09-11T18:59:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27117"},"modified":"2012-09-11T18:59:59","modified_gmt":"2012-09-11T18:59:59","slug":"alem-de-inconstitucional-lei-da-publicidade-favorece-oligopolio-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27117","title":{"rendered":"Al\u00e9m de inconstitucional, lei da publicidade favorece oligop\u00f3lio da m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>A alegada inconstitucionalidade da lei 12.232\/2010, que regulamenta a contrata&ccedil;&atilde;o de publicidade pelos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, &eacute; apenas um dos aspectos que tem suscitado cr&iacute;ticas &agrave; norma jur&iacute;dica. Representantes dos pequenos e m&eacute;dios ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o alegam que a lei prejudica tamb&eacute;m a pluralidade de vozes necess&aacute;ria &agrave; democracia, ao contribuir para a concentra&ccedil;&atilde;o da verba publicit&aacute;ria nos grandes conglomerados de m&iacute;dia. O b&ocirc;nus de volume, que ela institucionaliza, &eacute; parte importante da pol&ecirc;mica.<\/p>\n<p>O ac&oacute;rd&atilde;o 2.062 do TCU j&aacute; apontava, em 2006, a dificuldade de controlar negocia&ccedil;&otilde;es envolvendo bonifica&ccedil;&otilde;es, uma vez que elas s&atilde;o de &acirc;mbito privado. E observava tamb&eacute;m que o b&ocirc;nus &ldquo;favorece a concentra&ccedil;&atilde;o das inser&ccedil;&otilde;es publicit&aacute;rias em poucos ve&iacute;culos&rdquo;. O diretor comercial da revista Caros Amigos, Wagner Nabuco, concorda. &ldquo;O BV s&oacute; refor&ccedil;a o oligop&oacute;lio da m&iacute;dia&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ele, no Brasil, a remunera&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica de uma ag&ecirc;ncia de publicidade decorre da comiss&atilde;o fixa de 20% (conhecida como desconto-padr&atilde;o) sobre o valor despendido na compra de espa&ccedil;os publicit&aacute;rio nos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o; de comiss&atilde;o sobre servi&ccedil;os prestados por terceiros (produtoras de v&iacute;deo, fotografia, eventos, etc); e do b&ocirc;nus de volume. &ldquo;Somente as grandes corpora&ccedil;&otilde;es tem capacidade de abrir m&atilde;o de parcela expressiva das receitas de publicidade e, em muitos casos, pagar o b&ocirc;nus &agrave;s ag&ecirc;ncias antes mesmo dos an&uacute;ncios serem veiculados&rdquo;, acrescenta.<\/p>\n<p>O diretor esclarece que existe tamb&eacute;m a possibilidade da ag&ecirc;ncia receber taxas fixas (fees) pelos servi&ccedil;os que presta. Caso, por exemplo, das que atendem as Casas Bahia, cujo investimento em publicidade, em 2011, foi de R$ 3,37 bilh&otilde;es, o maior do Brasil. Grandes anunciantes como as Casas Bahia tem deixado de pagar o desconto-padr&atilde;o de 20% para remunerar os servi&ccedil;os por fees mensais ou anuais, em geral, muito abaixo dos valores obtidos com o desconto-padr&atilde;o. Na pr&aacute;tica, est&atilde;o impedindo que as ag&ecirc;ncias faturem por comiss&atilde;o duas vezes em cima do dinheiro do anunciante. Como consequ&ecirc;ncia, cresce a import&acirc;ncia do BV no lucro do setor publicit&aacute;rio.<\/p>\n<p>&Eacute; dif&iacute;cil saber qual o peso exato de cada uma dessas modalidades na receita das ag&ecirc;ncias, visto que se trata de dados privados das empresas. Fontes do mercado consultadas pela reportagem estimaram que, atualmente, cerca de 60% ou 70% do faturamento das ag&ecirc;ncias provenham do BV. A Rede Globo &eacute; a maior pagadora do b&ocirc;nus e especula-se que, em 2010, tenha repassado cerca de R$ 700 milh&otilde;es &agrave;s ag&ecirc;ncias por meio deste mecanismo. A Editora Abril, que possui o maior faturamento na m&iacute;dia impressa, teria desembolsado aproximadamente R$ 75 milh&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Crit&eacute;rios t&eacute;cnicos?<br \/><\/strong><br \/>Presidente da Associa&ccedil;&atilde;o dos Di&aacute;rios do Interior (ADI), Margareth Codraiz Freire acredita que, mais do que o b&ocirc;nus de volume, o que ocasiona a concentra&ccedil;&atilde;o de verba p&uacute;blica nos grandes ve&iacute;culos s&atilde;o os crit&eacute;rio adotados para distribui&ccedil;&atilde;o da publicidade. &ldquo;As ag&ecirc;ncias at&eacute; podem preferir anunciar em poucos ve&iacute;culos para terem mais controle sobre o recebimento dos b&ocirc;nus, mas a escolha final &eacute; do cliente&rdquo;, avalia.<\/p>\n<p>Segundo ela, desde o governo Lula, a Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o (Secom) da Presid&ecirc;ncia, respons&aacute;vel pelo maior aporte de verbas p&uacute;blicas em publicidade, aumentou de forma expressiva o n&uacute;mero de ve&iacute;culos aptos a dividir o bolo. Em 2000, eles eram 500. No ano passado, somaram 8.519, dos quais 4.281 foram contemplados com contratos. Entretanto, o percentual que chega aos jornais de pequeno e m&eacute;dio porte varia de 1% a 1,5% das receitas deles. &ldquo;Melhorou muito porque n&atilde;o receb&iacute;amos nada, mas grosso da publicidade ainda fica com os grandes&rdquo;, afirma ela.<\/p>\n<p>A Secom n&atilde;o divulga quanto destina a cada &oacute;rg&atilde;o. Toda a presta&ccedil;&atilde;o de contas &eacute; feita por valores dispensados por campanhas. Mas na p&aacute;gina 42 do Relat&oacute;rio de Gest&atilde;o 2011, h&aacute; uma informa&ccedil;&atilde;o que ajuda a dar a dimens&atilde;o da concentra&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia: &ldquo;25 ve&iacute;culos e grupos de comunica&ccedil;&atilde;o recebem 72% da publicidade do governo&rdquo;. O &oacute;rg&atilde;o destaca que a distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; feita seguindo crit&eacute;rios t&eacute;cnicos, como &iacute;ndice de audi&ecirc;ncia, no caso das TVs, e pre&ccedil;o por cent&iacute;metro quadrado de publicidade, no caso dos impressos.<\/p>\n<p>A lei 12.232 estabelece a op&ccedil;&atilde;o pelos crit&eacute;rios t&eacute;cnicos. Diz que as ag&ecirc;ncias devem conduzir a escolha dos ve&iacute;culos em que v&atilde;o anunciar &ldquo;de acordo com pesquisas e dados t&eacute;cnicos comprovados&rdquo;, que assegurem as melhores condi&ccedil;&otilde;es para falar com seu p&uacute;blico. Nabuco, entretanto, questiona o sistema, dada a ampla subjetividade da atividade publicit&aacute;ria. &ldquo;A audi&ecirc;ncia do Jornal Nacional permanece imbat&iacute;vel e o governo pode alegar isso para comprar espa&ccedil;o da Globo. Mas se o crit&eacute;rio for s&oacute; este, o que o Estado far&aacute; pelas garantias constitucionais de pluralidade de vozes, diversidade, fortalecimento da cultura regional?&rdquo;, indaga.<\/p>\n<p>Margareth endossa. Segundo ela, no interior, s&atilde;o fartos os casos de jornais regionais que adquirem muito mais peso perante a opini&atilde;o p&uacute;blica e at&eacute; tiragens superiores as dos nacionais. Entretanto, ainda assim, o pre&ccedil;o da publicidade costuma ser bem mais baixo.<\/p>\n<p>O diretor da revista ainda questiona a legalidade de se obter BV com dinheiro p&uacute;blico. &ldquo;A verba &eacute; para divulgar determinada a&ccedil;&atilde;o ou campanha e n&atilde;o para ir para o bolso da ag&ecirc;ncia. Se o ve&iacute;culo retornou dinheiro, a ag&ecirc;ncia n&atilde;o deveria reter, deveria voltar aos cofres p&uacute;blicos&rdquo;, aponta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A alegada inconstitucionalidade da lei 12.232\/2010, que regulamenta a contrata&ccedil;&atilde;o de publicidade pelos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, &eacute; apenas um dos aspectos que tem suscitado cr&iacute;ticas &agrave; norma jur&iacute;dica. 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