{"id":27115,"date":"2012-09-11T18:40:52","date_gmt":"2012-09-11T18:40:52","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27115"},"modified":"2012-09-11T18:40:52","modified_gmt":"2012-09-11T18:40:52","slug":"entidades-acionam-ministerio-publico-contra-publicidade-preconceituosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27115","title":{"rendered":"Entidades acionam Minist\u00e9rio P\u00fablico contra publicidade preconceituosa"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Diversas entidades de direitos humanos pernambucanas ir&atilde;o ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico de Pernambuco nesta quarta-feira (5 de setembro) para entregar uma representa&ccedil;&atilde;o contra o Instituto Pr&oacute;-Vida e a Folha de Pernambuco. A entidade auto-denominada crist&atilde; publicou no jornal, nesta segunda-feira, um an&uacute;ncio de rodap&eacute; em que comparava a homossexualidade (por eles chamada de &lsquo;homossexualismo&rsquo;) e a prostitui&ccedil;&atilde;o &agrave; pedofilia e &agrave; viol&ecirc;ncia sexual contra crian&ccedil;as. Completava com o slogan &ldquo;Pernambuco n&atilde;o te quer&rdquo;, em refer&ecirc;ncia ao mote &ldquo;Recife te quer&rdquo;, utilizado pela propaganda oficial da secretaria de Turismo do munic&iacute;pio.<\/p>\n<p>&ldquo;A liberdade de express&atilde;o &eacute; um princ&iacute;pio constitucional, n&atilde;o um direito absoluto. Quando disp&otilde;e-se a falar o que quiser, o sujeito tem que estar disposto a responder pelo que diz. Nesse caso espec&iacute;fico, s&atilde;o co-respons&aacute;veis. O jornal tem a prerrogativa de negar an&uacute;ncios se achar que n&atilde;o condizem com a pol&iacute;tica da empresa &ldquo;, informa Ivan Moraes Filho, do Centro de Cultura Luiz Freire.&nbsp; &ldquo;Vale lembrar que o termo &ldquo;homossexualismo&rdquo; foi extinguido na d&eacute;cada de 80, quando a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de deixou de considerar uma patologia o desejo pelo mesmo sexo. Tamb&eacute;m a prostitui&ccedil;&atilde;o de homens e mulheres adultos, no Brasil, n&atilde;o &eacute; crime. Ou seja: compar&aacute;-la com a explora&ccedil;&atilde;o a crian&ccedil;as ou a pedofilia &eacute; um ato de preconceito absurdo&rdquo;<\/p>\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o teve uma grande repercuss&atilde;o nas redes sociais durante toda esta ter&ccedil;a-feira (5\/09), sendo reproduzida por diversos sites e blogs em todo o Brasil. No Facebook e no twitter, choveram cr&iacute;ticas &agrave; institui&ccedil;&atilde;o que assina a campanha e &agrave; empresa de comunica&ccedil;&atilde;o que permitiu a publica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A Folha consegue ser t&atilde;o rid&iacute;cula quanto o Pr&oacute;-Vida, se n&atilde;o pior. Ganha dinheiro vendendo espa&ccedil;o no jornal pra uma propaga&ccedil;&atilde;o de &oacute;dio, ou seja, recebeu pra promover um crime&rdquo;, escreveu a publicit&aacute;ria Mele Dornelas em seu microblog. Fernando Oliveira, tamb&eacute;m no twitter, corroborou: &ldquo;O jornal incentiva a propaga&ccedil;&atilde;o do &oacute;dio por meros trocados. Faltou compromisso com o leitor.&rdquo;<\/p>\n<p>A pr&oacute;pria prefeitura da cidade do Recife tamb&eacute;m n&atilde;o gostou de ver seu slogan transformado em nome da homofobia. Em nota, a secretaria de Turismo afirmou que &ldquo;o posicionamento homof&oacute;bico da institui&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel pelo an&uacute;ncio n&atilde;o reflete a realidade vivenciada pelos turistas que nos visitam. (&hellip;) deixamos um recado para todas as cores, religi&otilde;es, op&ccedil;&otilde;es e diversidades: o Recife te quer sempre!&rdquo;<\/p>\n<p>O barulho foi tanto que a empresa respons&aacute;vel pelo peri&oacute;dico tentou redmir-se utilizando tamb&eacute;m a internet. Primeiro com tweets em que dizia que o an&uacute;ncio &ldquo;autorizado e pago pelo Instituto Pr&oacute; Vida PE n&atilde;o reflete a opini&atilde;o do jornal&rdquo;. Algumas horas depois, com uma nota publicada em seu blog, a Folha de Pernambuco pediu desculpas e afirmou tratar-se de um &ldquo;erro que n&atilde;o mais se repetir&aacute;&rdquo;. Disse tamb&eacute;m que &ldquo;ao longo dos seus 14 anos, construiu um hist&oacute;rico de respeito aos seus leitores, focado na promo&ccedil;&atilde;o aos direitos humanos, inclusive da comunidade LGBT&rdquo;.<\/p>\n<p>A resposta da empresa de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi considerada satisfat&oacute;ria pelos ativistas que se reunir&atilde;o no Minist&eacute;rio P&uacute;blico. &ldquo;N&atilde;o basta um pedido de desculpas num blog ou no twitter. &Eacute; preciso que o jornal assuma seu erro tamb&eacute;m nas p&aacute;ginas impressas, chamando a mesma aten&ccedil;&atilde;o que foi chamada pelo an&uacute;ncio homof&oacute;bico&rdquo;, afirma J&ocirc; Meneses, da ONG Gestos. Para Patr&iacute;cia Carvalho, uma das organizadoras da Marcha das Vadias, a resposta pode vir do setor de jornalismo. &ldquo;Eu quero mesmo que eles fa&ccedil;am um caderno inteiro defendendo a diversidade, talvez assim eu fique mais mansa com eles&rdquo;, brincou &ndash; s&eacute;ria.<\/p>\n<p>Para Ivan Moraes Filho, &eacute; preciso reconhecer que os jornalistas da Folha n&atilde;o s&atilde;o respons&aacute;veis pela publicidade. Mas o jornal &eacute;. &ldquo;O conte&uacute;do do jornal &eacute; o conjunto de suas mat&eacute;rias e seus an&uacute;ncios e a empresa &eacute; respons&aacute;vel pelos dois, afinal de contas, o produto que ela &lsquo;vende&rsquo; &eacute; sua credibilidade. Ou seja: a empresa deseja que os leitores acreditem tamb&eacute;m nos an&uacute;ncios que publica&rdquo;.<\/p>\n<p>O presidente do Pr&oacute;-Vida PE, M&aacute;rcio Borba, n&atilde;o pareceu preocupar-se com a m&aacute; recep&ccedil;&atilde;o de seu an&uacute;ncio. &ldquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o permite o direito &agrave; liberdade de express&atilde;o, pensamento, culto, religi&atilde;o e opini&atilde;o&rdquo;, afirmou ao blog Hall Social e mostrando desconhecimento sobre a legisla&ccedil;&atilde;o vigente sobre difama&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da lei municipal contra a homofobia, que data de 2004 e que prev&ecirc; multas para atitudes semelhantes a esta.<\/p>\n<p><strong>Conveni&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio do que algu&eacute;m possa imaginar, os jornais n&atilde;o s&atilde;o obrigados a publicar an&uacute;ncios que n&atilde;o achem condizente com as pol&iacute;ticas da empresa. O recurso de se negar a publica&ccedil;&atilde;o de an&uacute;ncios muitas vezes &eacute; utilizado quando peri&oacute;dicos preferem n&atilde;o envolver-se em lit&iacute;gios ou quando acreditam que os conte&uacute;dos podem trazer problemas legais para a empresa. &ldquo;Se o an&uacute;ncio fosse ofensivo a outro grupo social, digamos, os judeus, ser&aacute; que publicariam?&rdquo;, questiona o jornalista e cientista social Rafael Fortes.<\/p>\n<p>Recentemente, o Sindicato dos Servidores do Minist&eacute;rio P&uacute;blico de Pernambuco teve a publica&ccedil;&atilde;o de uma nota p&uacute;blica negada pelo Diario de Pernambuco. Para o mesmo texto, a Folha de Pernambuco utilizou de outro expediente para deix&aacute;-lo de fora. Demorou seis horas para definir o or&ccedil;amento e acabou pedindo R$ 25 mil para coloc&aacute;-lo em seu jornal de domingo em um quarto de p&aacute;gina, inviabilizando a publica&ccedil;&atilde;o. Para se ter uma ideia do sobrepre&ccedil;o, a nota acabou publicada no Jornal do Commercio, no mesmo dia, por R$ 9 mil.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Diversas entidades de direitos humanos pernambucanas ir&atilde;o ao Minist&eacute;rio  P&uacute;blico de Pernambuco nesta quarta-feira (5 de setembro) para entregar  uma representa&ccedil;&atilde;o contra o Instituto Pr&oacute;-Vida e a Folha de Pernambuco. <\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[291],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27115"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27115"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27115\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}