{"id":27110,"date":"2012-09-11T18:14:45","date_gmt":"2012-09-11T18:14:45","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27110"},"modified":"2012-09-11T18:14:45","modified_gmt":"2012-09-11T18:14:45","slug":"primeira-transmissao-de-radio-no-brasil-completa-90-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27110","title":{"rendered":"Primeira transmiss\u00e3o de r\u00e1dio no Brasil completa 90 anos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">H&aacute; 90 anos, o dia 7 de setembro de 1922 marcou a primeira transmiss&atilde;o de r&aacute;dio no pa&iacute;s que ocorreu simultaneamente &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o internacional em comemora&ccedil;&atilde;o ao centen&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia do Brasil, inaugurada pelo presidente Epit&aacute;cio Pessoa.<\/p>\n<p>A primeira transmiss&atilde;o radiof&ocirc;nica ser&aacute; revivida hoje em um programa especial das r&aacute;dios da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC) &ndash; R&aacute;dio Nacional e R&aacute;dio MEC &#8211; e da TV Brasil. Transmitido a partir do Parque do Flamengo, na zona sul do Rio, o programa de 52 minutos, come&ccedil;ar&aacute; &agrave;s 12h30, vai recontar o momento hist&oacute;rico, com direito a n&uacute;meros musicais e a dramatiza&ccedil;&atilde;o dos principais personagens do evento. Caber&aacute; ao veterano radioator Gerdal dos Santos, integrante da R&aacute;dio Nacional do Rio de Janeiro, interpretar, devidamente caracterizado, o presidente Epit&aacute;cio Pessoa.<\/p>\n<p>O ent&atilde;o discurso do presidente, em meio ao clima festivo do evento, abriu a programa&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o, tornada poss&iacute;vel por meio de um transmissor de 500 watts, fornecido pela empresa norte-americana Westinghouse e instalado no alto do Corcovado. Apenas 80 receptores espalhados na capital e nas cidades fluminenses de Niter&oacute;i e Petr&oacute;polis acompanharam a transmiss&atilde;o experimental, que teve ainda m&uacute;sica cl&aacute;ssica &#8211; incluindo a &oacute;pera O Guarani, de Carlos Gomes &#8211; durante toda a abertura da exposi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Agrave; frente da iniciativa estava o cientista e educador, Edgar Roquette Pinto, considerado o pai da radiodifus&atilde;o brasileira. &ldquo;Segundo o depoimento do pr&oacute;prio Roquette, praticamente ningu&eacute;m ouviu nada da transmiss&atilde;o, porque o barulho da exposi&ccedil;&atilde;o era muito grande&rdquo;, conta o historiador, Milton Teixeira. &ldquo;Os alto-falantes eram relativamente fracos, mas mesmo assim causou uma certa sensa&ccedil;&atilde;o a transmiss&atilde;o do discurso do presidente Epit&aacute;cio Pessoa e das primeiras m&uacute;sicas&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>A transmiss&atilde;o ocorreu no momento em que as autoridades da &eacute;poca investiram em obras e recursos financeiros para a exposi&ccedil;&atilde;o comemorativa ao centen&aacute;rio da independ&ecirc;ncia, montada no centro do Rio antes ocupada pelo Morro do Castelo. No mesmo per&iacute;odo, a insatisfa&ccedil;&atilde;o dos militares e da nascente classe m&eacute;dia com as oligarquias que dominavam a chamada Rep&uacute;blica Velha resultou na revolta dos tenentes que serviam no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 5 de julho. Meses antes, em 25 de mar&ccedil;o, era fundado o Partido Comunista Brasileiro, em Niter&oacute;i. Em S&atilde;o Paulo, um evento realizado no m&ecirc;s de fevereiro influenciaria de forma definitiva o contexto cultural do pa&iacute;s: a Semana de Arte Moderna.<\/p>\n<p>De acordo com Milton Teixeira, a elite de cafeicultores que comandava o pa&iacute;s soube tirar proveito pol&iacute;tico do centen&aacute;rio. &ldquo;Era uma democracia s&oacute; de fachada e direitos sociais eram coisa que ningu&eacute;m imaginava ainda existir. O pa&iacute;s estava numa crise danada, mas precisava afirmar a nacionalidade&rdquo;, conta.<\/p>\n<p>Especialista na hist&oacute;ria da cidade do Rio, ele lembra que para fazer a exposi&ccedil;&atilde;o foi destru&iacute;do naquele mesmo ano um marco do passado carioca, o Morro do Castelo, primeiro n&uacute;cleo urbano. &ldquo;Ao mesmo tempo era criado nesse ano o Museu Hist&oacute;rico Nacional (MHN), primeira institui&ccedil;&atilde;o dedicada &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico do pa&iacute;s e cuja dire&ccedil;&atilde;o foi entregue ao historiador Gustavo Barroso.&rdquo;<\/p>\n<p>Alguns dos pavilh&otilde;es de pa&iacute;ses, estados e institui&ccedil;&otilde;es erguidos na esplanada do Castelo eram de constru&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida, mas outros, de madeira e gesso, foram feitos para durar apenas o tempo da exposi&ccedil;&atilde;o. Apenas tr&ecirc;s sobrevivem at&eacute; os dias de hoje: o da Fran&ccedil;a (atual sede da Academia Brasileira de Letras &#8211; ABL), o do Distrito Federal (atual Museu da Imagem do Som) e o da Estat&iacute;stica, ocupado pelo Centro Cultural do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. &ldquo;O Pavilh&atilde;o da Inglaterra foi demolido nos anos 70, depois de abrigar por d&eacute;cadas o Museu da Ca&ccedil;a e Pesca, o mesmo acontecendo com o que sediou por d&eacute;cadas o Minist&eacute;rio da Agricultura&rdquo;, conta Teixeira.<\/p>\n<p>Apesar da transmiss&atilde;o durante a celebra&ccedil;&atilde;o do centen&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia, o in&iacute;cio efetivo e regular das transmiss&otilde;es do r&aacute;dio ocorreu somente no ano seguinte, mais uma vez gra&ccedil;as ao esfor&ccedil;o de Roquette Pinto. Ele tentou em v&atilde;o convencer o governo a comprar os equipamentos da Westinghouse, que permitiram a transmiss&atilde;o experimental. A aquisi&ccedil;&atilde;o foi feita pela Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, e assim entrou no ar, em 20 de abril de 1923, a R&aacute;dio Sociedade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A emissora pioneira &eacute; a atual R&aacute;dio MEC, que foi doada pelo pr&oacute;prio Roquette Pinto ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o em 1936. Nesse ano, tamb&eacute;m foi fundada, a princ&iacute;pio como emissora privada, a R&aacute;dio Nacional, que seria incorporada ao patrim&ocirc;nio da Uni&atilde;o na d&eacute;cada de 40.<\/p>\n<p>Para Sonia Virginia Moreira, professora de comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e autora de livros sobre a hist&oacute;ria do r&aacute;dio, a d&eacute;cada de 20 foi o chamado per&iacute;odo experimental do ve&iacute;culo. &ldquo;Era experimental em termos de programa&ccedil;&atilde;o, sobre o que se podia fazer no r&aacute;dio, mas muito interessante em termos de organiza&ccedil;&atilde;o do meio. Como n&atilde;o havia nenhuma hist&oacute;ria, nenhuma mem&oacute;ria do meio, o que se fez num primeiro momento foi organizar as pessoas ou as pessoas se organizarem&rdquo;, destaca.<\/p>\n<p>&ldquo;O resultado foi a constitui&ccedil;&atilde;o de grupos e associa&ccedil;&otilde;es que se reuniam em torno do r&aacute;dio&rdquo;, acrescentou. Esses grupos e associa&ccedil;&otilde;es eram formados por pessoas que emprestavam discos para as emissoras. &ldquo;As r&aacute;dios ficavam poucas horas no ar, porque os transmissores n&atilde;o tinham capacidade de transmitir durante muito tempo&rdquo;, conta a professora.<\/p>\n<p>Nessa fase, o r&aacute;dio n&atilde;o era nem p&uacute;blico e nem comercial, mas sim um meio comunit&aacute;rio. &ldquo;As emissoras se organizavam para suas transmiss&otilde;es experimentais em torno dos chamados r&aacute;dio-clubes&rdquo;, ressalta Sonia Virginia. &ldquo;Por isto, at&eacute; hoje muitas emissoras criadas nessa &eacute;poca, em todo o pa&iacute;s, t&ecirc;m a denomina&ccedil;&atilde;o de R&aacute;dio Clube, porque se constitu&iacute;am, na verdade, em clubes de ouvintes,&rdquo;explica.<\/p>\n<p>A era do r&aacute;dio comercial surge a partir de 1932, quando o presidente Get&uacute;lio Vargas, atrav&eacute;s do Decreto 21.111, autorizou as emissoras a ter at&eacute; 10% de sua programa&ccedil;&atilde;o sob a forma de publicidade. &ldquo;At&eacute; ent&atilde;o, o r&aacute;dio era sustentado apenas por contribui&ccedil;&otilde;es de seus pr&oacute;prios ouvintes, que eram os mesmos que ajudavam a fazer a programa&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>Com a permiss&atilde;o da publicidade, se plantou a raiz do modelo de r&aacute;dio que a partir da d&eacute;cada de 40 se consolidou no pa&iacute;s, o do ve&iacute;culo comercial, conforme a professora. &ldquo;Naquele momento, marcado pela Segunda Guerra Mundial, os americanos passaram a influenciar n&atilde;o s&oacute; a programa&ccedil;&atilde;o como o pr&oacute;prio modelo de r&aacute;dio feito no Brasil, eminentemente comercial, a exemplo do que se fazia nos Estados Unidos&rdquo;, diz a coautora, junto com Luiz Carlos Saroldi, do livro R&aacute;dio Nacional: o Brasil em Sintonia e organizadora da Hist&oacute;ria do Radiojornalismo no Brasil.<\/p>\n<p>Passados 90 anos, a internet permite, de certa forma, um retorno &agrave;s origens do r&aacute;dio. &ldquo;Montar uma web r&aacute;dio hoje &eacute; muito f&aacute;cil, com a vantagem de que voc&ecirc; n&atilde;o precisa se organizar em clubes ou associa&ccedil;&otilde;es. Cada um pode ter sua pr&oacute;pria r&aacute;dio&rdquo;, avalia a professora.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; 90 anos, o dia 7 de setembro de 1922 marcou a primeira transmiss&atilde;o de r&aacute;dio no pa&iacute;s que ocorreu simultaneamente &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o internacional em comemora&ccedil;&atilde;o ao centen&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia do Brasil, inaugurada pelo presidente Epit&aacute;cio Pessoa. 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