{"id":27084,"date":"2012-08-30T11:25:39","date_gmt":"2012-08-30T11:25:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27084"},"modified":"2012-08-30T11:25:39","modified_gmt":"2012-08-30T11:25:39","slug":"lei-da-tv-a-cabo-motiva-crescimento-do-mercado-de-audiovisual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27084","title":{"rendered":"Lei da TV a cabo motiva crescimento do mercado de audiovisual"},"content":{"rendered":"<p>Depois de 50 anos dedicados quase que exclusivamente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de filmes, entre eles alguns cl&aacute;ssicos das diversas fases do cinema brasileiro, a produtora LC Barreto (leia-se Luiz Carlos Barreto), em Botafogo, acaba de montar um departamento dedicado a projetos para a televis&atilde;o. N&atilde;o muito longe dali, no Largo do Machado, a Giros, h&aacute; mais de 15 anos produzindo quase que exclusivamente programas de TV e v&iacute;deos institucionais, precisou aumentar a equipe em 30% nos &uacute;ltimos 12 meses.<\/p>\n<p>A movimenta&ccedil;&atilde;o nas duas empresas est&aacute; relacionada &agrave; entrada em vigor, no pr&oacute;ximo domingo, da Lei 12.485, que obriga as operadoras de TV a cabo a veicular, em sua primeira fase, uma hora e dez minutos por semana de conte&uacute;do independente nacional em hor&aacute;rio nobre. &Eacute; preciso preencher os espa&ccedil;os abertos nas grades de programa&ccedil;&atilde;o das emissoras, que poder&atilde;o lan&ccedil;ar m&atilde;o das linhas de fomento do audiovisual.<\/p>\n<p>&mdash; H&aacute; uma febre de desenvolvimento de projetos para a TV paga. Muita gente vinha trazer ideias aqui mas, como n&atilde;o t&iacute;nhamos uma estrat&eacute;gia para a &aacute;rea, acab&aacute;vamos deixando passar muitas ofertas. Foi essa nova demanda que nos estimulou a colocar em pr&aacute;tica uma velha vontade da empresa, a de montar um n&uacute;cleo s&oacute; para desenvolver projetos para a televis&atilde;o &mdash; explica Daniel Tendler, um dos diretores do novo departamento da LC Barreto.<\/p>\n<p><strong>Giros: de dez para 35 projetos anuais<\/strong><\/p>\n<p>Belis&aacute;rio Franca, diretor art&iacute;stico da Giros, conta que quadruplicou a produ&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento de conte&uacute;do ao longo dos &uacute;ltimos 12 meses.<\/p>\n<p>&mdash; Tivemos que contratar mais pessoal para atender a demanda. Costum&aacute;vamos desenvolver e produzir uma m&eacute;dia de dez produtos por ano; hoje temos cerca de 35, em diferentes est&aacute;gios de realiza&ccedil;&atilde;o &mdash; diz ele, que est&aacute; desenvolvendo a segunda temporada da s&eacute;rie &ldquo;Detetives da Hist&oacute;ria&rdquo; para o History Channel, entre outros programas. &mdash; Acho que, em fun&ccedil;&atilde;o da lei, a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do independente no pa&iacute;s vai passar das 400 horas (anuais) para tr&ecirc;s mil.<\/p>\n<p>Alimentado pela lei, que em 2014 prev&ecirc; que as emissoras tenham que aumentar a cota para tr&ecirc;s horas e meia semanais de programas nacionais, em hor&aacute;rio nobre, o aquecimento do mercado audiovisual est&aacute; provocando mudan&ccedil;as de h&aacute;bitos e padr&otilde;es em empresas estabelecidas, e estimulando o crescimento de outras. A LC Barreto, por exemplo, respons&aacute;vel por cl&aacute;ssicos do cinema nacional como &ldquo;Vidas secas&rdquo; (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e &ldquo;Dona Flor e seus dois maridos&rdquo; (1976), de Bruno Barreto, est&aacute; se adaptando para produzir conte&uacute;do com prazos mais longos. Uma das principais atra&ccedil;&otilde;es da nova linha &eacute; &ldquo;Rondon, o grande chefe&rdquo;, docudrama em cinco epis&oacute;dios sobre a vida e a obra do sertanista Marechal C&acirc;ndido Rondon (1865-1958), interpretado por Rui Ricardo Dias.<\/p>\n<p>&mdash; Produzimos o &ldquo;Oncot&ocirc;&rdquo;, para a TV Brasil, e o &ldquo;Vampiro carioca&rdquo;, para o Canal Brasil, mas nunca trabalhamos para a televis&atilde;o de forma continuada &mdash; diz Tendler. &mdash; O &ldquo;Rondon&rdquo; talvez seja o primeiro feito dentro da lei das TVs a cabo. Mas tamb&eacute;m j&aacute; fechamos um programa de cinco cap&iacute;tulos sobre os h&aacute;bitos dos homens do sub&uacute;rbio, chamado &ldquo;Homem de verdade&rdquo;, e outro de perfil feminino, o &ldquo;Ela disse, ele disse&rdquo;, inspirado no livro da Talita Rebou&ccedil;as.<\/p>\n<p><strong>Efeitos chegam ao sul do pa&iacute;s<\/strong><\/p>\n<p>Tendler acredita que o entusiasmo pela abertura do mercado seja maior nas cidades fora do eixo Rio-S&atilde;o Paulo, onde, segundo ele, &ldquo;era muito mais complicado entrar no setor das TVs a cabo, por n&atilde;o terem um mercado publicit&aacute;rio forte&rdquo;. Os efeitos j&aacute; foram sentidos no extremo sul do pa&iacute;s, na Casa de Cinema de Porto Alegre, ber&ccedil;o de um gera&ccedil;&atilde;o inteira de cineastas e publicit&aacute;rios.<\/p>\n<p>&mdash; As pessoas que trabalham com audiovisual aqui em Porto Alegre est&atilde;o muito otimistas, criando sem parar. &Eacute; um momento legal, h&aacute; uma gurizada vindo com muitos projetos, mas que precisam ser amadurecidos &mdash; comenta a diretora Anna Luiza Azevedo, uma das s&oacute;cias da produtora ga&uacute;cha, que j&aacute; tem parcerias estabelecidas com a Rede Globo, o Futura e o Canal Brasil.<\/p>\n<p>&mdash; Aqui, na Casa, temos percebido uma demanda maior de projetos, mas todos ainda em negocia&ccedil;&atilde;o. Aumentaram tamb&eacute;m as proposta de licenciamento de t&iacute;tulos do nosso cat&aacute;logo de filmes, inclusive os curtas-metragens, como &ldquo;Ilha das Flores&rdquo;, &ldquo;3 minutos&rdquo; e &ldquo;O oitavo selo&rdquo; &mdash; enumera Anna.<\/p>\n<p><strong>Capacita&ccedil;&atilde;o para um mercado que se expande<\/strong><\/p>\n<p>Beneficiados por um recorte da Lei 12.485, que determina que 30% do conte&uacute;do sejam produzidos por empresas, t&eacute;cnicos e artistas das regi&otilde;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o emergente polo do Recife se articula para abocanhar a sua fatia. A Funda&ccedil;&atilde;o Joaquim Nabuco est&aacute; fazendo a sua parte, criando cursos de capacita&ccedil;&atilde;o para o mercado que se expande.<\/p>\n<p>&mdash; As produtoras do Brasil inteiro est&atilde;o se reconfigurando para isso &mdash; observa Jo&atilde;o Vieira Jr., da Rec, a maior produtora de cinema do Recife, respons&aacute;vel por filmes como &ldquo;Cinema, aspirinas e urubus&rdquo;, de Marcelo Gomes, e &ldquo;Baixio das bestas&rdquo;, de Cl&aacute;udio Assis.<\/p>\n<p>Num primeiro instante, os t&iacute;tulos do cat&aacute;logo da produtora j&aacute; foram requisitados por emissoras a cabo. Mas a Rec tamb&eacute;m trabalha com encomendas novas em dramaturgia, que apontam para uma linguagem h&iacute;brida entre cinema e TV, ainda em fase de negocia&ccedil;&atilde;o. Um deles tem o t&iacute;tulo provis&oacute;rio de &ldquo;Contos brasileiros&rdquo;, s&eacute;rie idealizada a partir de textos curtos de autores nacionais pouco conhecidos.<\/p>\n<p>&mdash; O roteirista de todos os epis&oacute;dios do programa &eacute; o Hilton Lacerda, que participou de quase todos os filmes da Rec. Vamos trabalhar com tr&ecirc;s contos de cada contista n&atilde;o consagrado, de diferentes cidades do pa&iacute;s, do Rio Grande do Sul &agrave; Amaz&ocirc;nia &mdash; adianta Vieira Jr. &mdash; A ideia &eacute; jogar luz sobre a obra desses escritores e defender a cultura brasileira, dot&aacute;-la de universalidade.<\/p>\n<p><strong>Temor de centraliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A GP7 Cinema, do Paran&aacute;, n&atilde;o atua no eixo Rio-S&atilde;o Paulo e n&atilde;o se beneficia da norma que defende algumas regi&otilde;es. Produz teledramaturgia com alguma regularidade para a RPC, filiada da Rede Globo, desde 2009, mas reage de forma moderada diante do impacto da obrigatoriedade da lei.<\/p>\n<p>&mdash; Estamos tendo oportunidade de criar uma ind&uacute;stria audiovisual. Mas tenho receio de que as produtoras independentes n&atilde;o tenham know-how para suprir a demanda, e isso possa ser usado pelas TVs a cabo para derrubar a lei, ou ignor&aacute;-la, como fizeram com a lei do curta nos cinemas (de 1975, que institu&iacute;a a exibi&ccedil;&atilde;o de um curta nacional em toda sess&atilde;o de longa estrangeiro) &mdash; pondera Guto Pasko, diretor da GP7, tamb&eacute;m diretor de articula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e de integra&ccedil;&atilde;o da ABD (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Documentaristas e Curtas-metragistas) nacional.<\/p>\n<p>Pasko teme ainda que os recursos destinados &agrave; lei acabem concentrados, &ldquo;mais uma vez, no eixo Rio-S&atilde;o Paulo, nas m&atilde;os dos mesmos&rdquo;:<\/p>\n<p>&mdash; Quem garante que a cota m&iacute;nima dos 30% para os estados perif&eacute;ricos ser&aacute; cumprida? A LC Barreto nunca se preocupou com a TV, agora tem uma divis&atilde;o s&oacute; para ela. Fernando Meirelles, da O2, disse que j&aacute; recebeu dezenas de projetos s&oacute; para atender a cota. As TVs acabam procurando quem j&aacute; tem experi&ecirc;ncia na &aacute;rea, que pode entregar trabalhos de qualidade dentro do prazo &mdash; alerta o produtor.<\/p>\n<p>Andrea Barata, da O2, confirma o desenvolvimento de quatro projetos: &ldquo;Contos de Edgar&rdquo;, s&eacute;rie baseada em textos de Edgar Allan Poe, &ldquo;Pontos de vista&rdquo;, programa que aborda temas pol&ecirc;micos variados, ambos para a Fox, &ldquo;4ever young&rdquo;, s&eacute;rie de 13 epis&oacute;dios, para o GNT, e &ldquo;Destino SP&rdquo;, para a HBO, sobre o impacto de estrangeiros na capital paulista. Meirelles, que avisa que ainda h&aacute; &ldquo;mais uma d&uacute;zia de projetos na marca do p&ecirc;nalti&rdquo;, levanta a bandeira branca e analisa:<\/p>\n<p>&mdash; N&atilde;o creio que o n&iacute;vel dos programas ser&aacute; comprometido. TV vive de audi&ecirc;ncia, a briga a&iacute; &eacute; de foice. Ningu&eacute;m ser&aacute; maluco de p&ocirc;r qualquer coisa em hor&aacute;rio nobre apenas para cumprir a lei. Seria como dar tiro no p&eacute;. Minha expectativa &eacute; que, em dez anos, nossa TV esteja muito renovada, gra&ccedil;as a essas mudan&ccedil;as.<\/p>\n<p><strong>Entenda a lei:<\/strong><\/p>\n<p><strong>San&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Projeto de lei de iniciativa parlamentar, a lei 12.485, conhecida como lei da TV a cabo, teve sua vers&atilde;o final aprovada pelo Senado em agosto de 2011, e sancionada pela presidente Dilma Rousseff no m&ecirc;s seguinte.<\/p>\n<p><strong>Regras<\/strong><\/p>\n<p>O dispositivo, que entra em vigor no dia 2 de setembro, obriga as operadoras de TV paga a veicular uma hora e dez minutos por semana de produ&ccedil;&atilde;o nacional em hor&aacute;rio nobre. Em 2014, esta cota subir&aacute; para tr&ecirc;s horas e meia.<\/p>\n<p><strong>Recorte<\/strong><\/p>\n<p>Na lei, h&aacute; um recorte que determina que 30% desse conte&uacute;do destinado &agrave;s TV por assinatura sejam produzidos por empresas, t&eacute;cnicos e artistas das regi&otilde;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de 50 anos dedicados quase que exclusivamente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de filmes, entre eles alguns cl&aacute;ssicos das diversas fases do cinema brasileiro, a produtora LC Barreto (leia-se Luiz Carlos Barreto), em Botafogo, acaba de montar um departamento dedicado a projetos para a televis&atilde;o. 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