{"id":27083,"date":"2012-08-30T11:22:22","date_gmt":"2012-08-30T11:22:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27083"},"modified":"2012-08-30T11:22:22","modified_gmt":"2012-08-30T11:22:22","slug":"correa-defende-asilo-politico-a-assange-e-rebate-criticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27083","title":{"rendered":"Correa defende asilo pol\u00edtico a Assange e rebate cr\u00edticos"},"content":{"rendered":"<p>O presidente do Equador, Rafael Correa, tem uma postura no m&iacute;nimo controversa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade de imprensa. Conhecido por processar ve&iacute;culos e atacar verbalmente a m&iacute;dia de seu pa&iacute;s, na semana passada ele teve que rebater cr&iacute;ticos que o acusavam de hipocrisia por ter concedido asilo ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Em entrevista a Jonathan Watts, do jornal brit&acirc;nico The Guardian [24\/8\/12], Correa defendeu sua atitude em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade de express&atilde;o no Equador alegando ser necess&aacute;ria para controlar propriet&aacute;rios de jornais e emissoras de r&aacute;dio e TV que abusam do poder que t&ecirc;m.<\/p>\n<p>O l&iacute;der equatoriano chegou a comparar suas a&ccedil;&otilde;es com as investiga&ccedil;&otilde;es realizadas nos tabloides da News International no Reino Unido. &ldquo;N&atilde;o vamos tolerar abusos e crimes cometidos diariamente em nome da liberdade de express&atilde;o. Isso &eacute; liberdade de extors&atilde;o e chantagem&rdquo;, disparou. &ldquo;A imprensa equatoriana (e latino-americana) n&atilde;o &eacute; como a europeia ou a americana, que tem &eacute;tica profissional. Ela pensa que est&aacute; acima da lei e faz extors&atilde;o e chantagem. Lamento por boas pessoas, em um n&iacute;vel internacional, que defendem este tipo de imprensa&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Revista censurada<\/strong><\/p>\n<p>Dias antes de o governo ter concedido asilo a Assange e se promovido como defensor da liberdade de express&atilde;o, a pol&iacute;cia equatoriana invadiu os escrit&oacute;rios em Quito de uma das maiores revistas do pa&iacute;s, a Vanguardia,e confiscou computadores. Tamb&eacute;m ordenou que a publica&ccedil;&atilde;o fosse suspensa por uma semana, como &ldquo;puni&ccedil;&atilde;o por viola&ccedil;&atilde;o das leis trabalhistas&rdquo;. Foi a segunda vez em menos de dois anos que a Vanguardia teve seus escrit&oacute;rios invadidos. Seus jornalistas afirmam receber amea&ccedil;as de morte depois de terem sido criticados pelo presidente durante seu programa semanal na TV.<\/p>\n<p>O diretor editorial da revista, Juan Carlos Calder&oacute;n, foi processado por Correa e condenado a pagar R$ 20 milh&otilde;es por &ldquo;danos morais&rdquo;, ap&oacute;s ter sugerido que o presidente sabia que seu irm&atilde;o estava ganhando milh&otilde;es em contratos com o governo. Depois de protestos p&uacute;blicos, o presidente retirou uma a&ccedil;&atilde;o e emitiu um indulto sobre outra. Ainda assim, justificou o direito de ter aberto uma a&ccedil;&atilde;o contra Calder&oacute;n: &ldquo;H&aacute; uma lei escrita proibindo processar um jornalista? Desde quando? Ent&atilde;o ningu&eacute;m deveria processar Murdoch e seus parceiros no crime no Reino Unido?&rdquo;.<\/p>\n<p>Calder&oacute;n j&aacute; havia afirmado ao Guardian que havia se tornado alvo de Correa por ter criticado o governo e acusado o presidente de usar dois pesos e duas medidas. &ldquo;O governo disse que concedeu asilo a Assange porque ele &eacute; perseguido por defender a liberdade de express&atilde;o. Mas o mesmo acontece conosco&rdquo;, disse. &ldquo;Este n&atilde;o &eacute; um pa&iacute;s com uma imprensa livre, como descrito por Correa&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Fa&ccedil;a o que digo, n&atilde;o o que fa&ccedil;o<\/strong><\/p>\n<p>O sentimento de Calder&oacute;n &eacute; compartilhado por outros jornalistas. O observat&oacute;rio da imprensa equatoriano Fundamedios descreveu a situa&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s como uma &ldquo;guerra de baixa intensidade com jornalistas&rdquo; que fica mais forte a cada dia. No ano passado, foram registrados 151 casos de agress&atilde;o f&iacute;sica contra rep&oacute;rteres; em 2009, foram 101. O aumento &eacute;, em grande parte, resultado de inj&uacute;rias constantes a jornalistas feitas por Correa em seu programa semanal de TV, que &eacute; exibido em quase todos os canais do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A Fundamedios tamb&eacute;m observou que 17 emissoras de r&aacute;dio foram fechadas este ano acusadas de desrespeitar regulamenta&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, o governo emitiu, recentemente, novas regras que obrigam servidores de internet a fornecer os endere&ccedil;os de IP de seus usu&aacute;rios para autoridades, mesmo sem ordem de um tribunal. &ldquo;H&aacute; uma grande dist&acirc;ncia entre o que Correa diz sobre a liberdade de imprensa e a realidade&rdquo;, afirma C&eacute;sar Ricaurte, presidente da organiza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Se Assange fosse equatoriano, eu ouso dizer que j&aacute; estaria preso&rdquo;. Grupos internacionais, como o Comit&ecirc; para a Prote&ccedil;&atilde;o dos Jornalistas e a Rep&oacute;rteres Sem Fronteiras, tamb&eacute;m acusaram Correa de tentar depreciar e intimidar cr&iacute;ticos.<\/p>\n<p><strong>Estrat&eacute;gia?<\/strong><\/p>\n<p>Cr&iacute;ticos de m&iacute;dia dizem que a atitude do presidente com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&iacute;dia &ndash; em especial no seu programa semanal &ndash; &eacute; t&atilde;o agressiva quanto a adotada pelo venezuelano Hugo Ch&aacute;vez, mas menos destrutiva. &ldquo;Ch&aacute;vez foi muito mais longe. [No Equador] H&aacute; confronto, mas n&atilde;o houve emissoras de TV fechadas, como na Venezuela&rdquo;, observa Maurice Cerbino, professor da Universidade Andina Simon Bol&iacute;var.<\/p>\n<p>J&aacute; partid&aacute;rios de Correa alegam que o governo est&aacute; tentando reequilibrar a m&iacute;dia, que anteriormente, em sua grande maioria, pertencia a algumas poucas fam&iacute;lias. Quando Correa assumiu o governo, em 2007, havia apenas uma organiza&ccedil;&atilde;o de m&iacute;dia p&uacute;blica, a Radio Nacional. Desde ent&atilde;o, foi ampliado o n&uacute;mero de emissoras de TV e jornais privados e estatais. Hoje, dizem eles, h&aacute; mais oportunidade para organiza&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas &agrave;s autoridades e um maior acesso a funcion&aacute;rios do governo. Os que trabalham na imprensa p&uacute;blica afirmam que o ambiente midi&aacute;tico est&aacute; mais saud&aacute;vel, pois anunciantes t&ecirc;m menos influ&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Segundo Correa, o asilo pol&iacute;tico a Assange &eacute; uma tentativa de apoio a um indiv&iacute;duo amea&ccedil;ado por um estado poderoso. &ldquo;N&atilde;o concordo com tudo o que Assange fez. Mas acredito que ele deva ter um processo legal. Ele nunca roubou informa&ccedil;&atilde;o &ndash; foi entregue a ele pelo soldado Bradley Manning. Ele apenas a distribuiu. Ent&atilde;o por que os jornais que a publicaram tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o penalizados? Assange &eacute; apenas um cidad&atilde;o&rdquo;, disparou.<\/p>\n<p>Alguns aceitaram os argumentos idealistas do presidente. Outros disseram que ele est&aacute; tentando tirar o foco do tratamento que d&aacute; &agrave; m&iacute;dia equatoriana. Outra teoria &eacute; a de que Correa n&atilde;o passa de um oportunista pol&iacute;tico que sabe dos benef&iacute;cios de se envolver em uma briga do alto escal&atilde;o &ndash; neste caso, com o Reino Unido. Dentro do pr&oacute;prio governo houve diverg&ecirc;ncias sobre o caso; alguns acham que a ajuda a Assange pode prejudicar o com&eacute;rcio com a Uni&atilde;o Europeia. J&aacute; nas ruas, parece que Correa tem apoio do p&uacute;blico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente do Equador, Rafael Correa, tem uma postura no m&iacute;nimo controversa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; liberdade de imprensa. 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