{"id":27082,"date":"2012-08-30T11:18:57","date_gmt":"2012-08-30T11:18:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27082"},"modified":"2012-08-30T11:18:57","modified_gmt":"2012-08-30T11:18:57","slug":"sob-chavez-cresce-numero-de-meios-audiovisuais-e-competicao-entre-veiculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27082","title":{"rendered":"Sob Ch\u00e1vez, cresce n\u00famero de meios audiovisuais e competi\u00e7\u00e3o entre ve\u00edculos"},"content":{"rendered":"<p>Quem liga a televis&atilde;o na Venezuela tem sempre, ao menos, duas vers&otilde;es antag&ocirc;nicas dos fatos. O canal Globovisi&oacute;n, entre outras empresas privadas de comunica&ccedil;&atilde;o, costuma criticar qualquer coisa que fa&ccedil;a o presidente Hugo Ch&aacute;vez, nos termos mais radicais e geralmente sem qualquer preocupa&ccedil;&atilde;o de ouvir outra vers&atilde;o que n&atilde;o a dos oposicionistas. Seu contraponto &eacute; a estatal VTV, a principal do sistema p&uacute;blico. Ainda que um pouco mais cautelosa que a emissora advers&aacute;ria, sua grade &eacute; dominada pela difus&atilde;o das iniciativas e posi&ccedil;&otilde;es do governo.<\/p>\n<p>Esse ambiente partidarizado n&atilde;o predomina apenas entre os meios audiovisuais. Reflete-se sobre quase todos os ve&iacute;culos impressos ou eletr&ocirc;nicos. A radicaliza&ccedil;&atilde;o da disputa pol&iacute;tica aparentemente levou ao predom&iacute;nio de editoriais e an&aacute;lises sobre a informa&ccedil;&atilde;o. O leitor ou espectador adere ao jornal ou esta&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o de seu gosto pelo mesmo crit&eacute;rio que escolhe o partido no qual vota, ou seja, pela proximidade pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica. Uns s&atilde;o vermelhos. Os outros, azuis. Quem est&aacute; em d&uacute;vida usa o controle remoto.<\/p>\n<p>Apesar da forte polariza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; registros de monopoliza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia pelo governo ou pelos empres&aacute;rios. Ao contr&aacute;rio. As op&ccedil;&otilde;es televisivas, por exemplo, t&ecirc;m crescido. Segundo dados da Conatel (Comiss&atilde;o Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es), em 1998 existiam 40 concess&otilde;es, n&uacute;mero que saltou para 150 em 2012, 75 de sinal aberto e 75 a cabo. Dos canais com sinal aberto, apenas quatro t&ecirc;m alcance nacional, outros 71 s&atilde;o esta&ccedil;&otilde;es regionais privadas, estatais ou comunit&aacute;rias.<\/p>\n<p>No espectro radiof&ocirc;nico, de 331 concess&otilde;es em 1998, o total aumentou para 473 r&aacute;dios privadas e 244 r&aacute;dios comunit&aacute;rias em 2011. Com estes n&uacute;meros, o governo Ch&aacute;vez responde &agrave;s cr&iacute;ticas frequentes &agrave; suposta falta de liberdade de imprensa, usualmente assinadas por organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos ou pelo governo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>Caso RCTV<\/strong><\/p>\n<p>O momento de maior tens&atilde;o contra o governo, nesse terreno, foi quando o canal RCTV (Radio Caracas de Televis&atilde;o), o mais antigo da televis&atilde;o aberta, n&atilde;o teve sua concess&atilde;o renovada, em mar&ccedil;o de 2007. Passou a poder operar apenas a cabo. Para os oposicionistas, essa decis&atilde;o seria castigo pela participa&ccedil;&atilde;o da emissora no golpe contra Ch&aacute;vez em 2002.<\/p>\n<p>Esta tese &eacute; negada pelo governo. &ldquo;H&aacute; liberdade de imprensa total e irrestrita e, gra&ccedil;as a essa liberdade, os meios privados promovem campanhas de desestabiliza&ccedil;&atilde;o do governo&rdquo;, afirma Andr&eacute;s Izarra, ministro de Comunica&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o, recordando do papel das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o na insurg&ecirc;ncia civico-militar que colocou o presidente fora do poder por 48 horas.<\/p>\n<p>&quot;Nenhuma emissora foi punida por esse comportamento. Mas o governo n&atilde;o &eacute; obrigado a renovar concess&atilde;o p&uacute;blica para uma emissora que, al&eacute;m de estar irregular com sua documenta&ccedil;&atilde;o, deixou de cumprir a fun&ccedil;&atilde;o social estabelecida pela Constitui&ccedil;&atilde;o e a lei. A Venezuela fez o que outras na&ccedil;&otilde;es fazem diante de situa&ccedil;&atilde;o semelhante: a concess&atilde;o vence e outra prestadora assume a posi&ccedil;&atilde;o no dial.&quot;<\/p>\n<p>Jesse Chac&oacute;n, atualmente diretor da empresa de pesquisas GISXXI, comandava a pasta da Comunica&ccedil;&atilde;o quando o governo decidiu negar-lhe a renova&ccedil;&atilde;o de sinal. &ldquo;Foi a &uacute;nica empresa televisiva que n&atilde;o teve a concess&atilde;o renovada. Avaliamos que era melhor utilizar o espectro para outra finalidade&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>&quot;No mesmo per&iacute;odo venciam as concess&otilde;es da Televen e da Venevisi&oacute;n, tamb&eacute;m canais privados e oposicionistas, que foram renovadas.&quot; Atualmente ainda est&aacute; em discuss&atilde;o quanto o Estado ter&aacute; de pagar pelo uso dos transmissores da RCTV, cujo sinal agora &eacute; usado pela TVes, canal p&uacute;blico de cultura e esportes.<\/p>\n<p>O ex-ministro analisa que essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; produto do desenvolvimento da televis&atilde;o latino-americana ter seguido o modelo norte-americano e n&atilde;o o europeu. &quot;Nos Estados Unidos, a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; um neg&oacute;cio, tratado pela l&oacute;gica dos interesses comerciais, e esse foi o paradigma seguido pela maioria dos pa&iacute;ses latino-americanos&quot;, ressalta. &quot;Os europeus abordaram a informa&ccedil;&atilde;o como um servi&ccedil;o p&uacute;blico e suas emissoras, ao menos at&eacute; recentemente, n&atilde;o podiam ser monopolizadas por grupos privados.&quot;<\/p>\n<p>Para Ch&aacute;con, esse modelo acaba transformando as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, a partir de concess&otilde;es p&uacute;blicas, em protagonistas empresariais da pol&iacute;tica. &quot;Na Venezuela pr&eacute;-Ch&aacute;vez, sem algu&eacute;m quisesse ser presidente do pa&iacute;s tinha que se colocar de acordo com o grupo Cisneros (dono da Venevisi&oacute;n) ou com a RCTV&quot;, destaca ao se referir aos dois principais canais da &eacute;poca.<\/p>\n<p>Oitenta por cento do espectro televisivo aberto &eacute; explorado, segundo dados do Minist&eacute;rio da Comunica&ccedil;&atilde;o, por empresas privadas. &ldquo;Nas r&aacute;dios, as redes privadas s&atilde;o hegem&ocirc;nicas, o Estado s&oacute; tem uma esta&ccedil;&atilde;o com alcance nacional e tr&ecirc;s esta&ccedil;&otilde;es em localidades estaduais&rdquo;, lista o ministro Andr&eacute;s Izarra.<\/p>\n<p>Para competir com essa hegemonia, o governo Ch&aacute;vez acrescentou uma proposta de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o aprovada pela Assembleia Constituinte de 1999.<\/p>\n<p>Uma s&eacute;rie de leis regulamentou esse tema. As duas mais importantes foram a que normatizou o funcionamento das r&aacute;dios e televis&otilde;es comunit&aacute;rias, de 2002, e a Lei de Responsabilidade Social em R&aacute;dio e Televis&atilde;o, aprovada em 2004 pela Assembl&eacute;ia Nacional e reformada em fevereiro de 2011.<\/p>\n<p>A primeira criou marco regulat&oacute;rio que permitiu expans&atilde;o de emissoras locais, criadas por conselhos comunais, movimentos sociais ou outras entidades associativas. Esses canais, com amplitude limitada de onda, formam uma malha disseminada para difus&atilde;o de programas culturais, debates pol&iacute;ticos e presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>A Lei de Responsabilidade Social em Radio e Televis&atilde;o (tamb&eacute;m chamada de Lei Resorte), por sua vez, obrigou que os canais cumprissem uma cota m&iacute;nima de 50% para produ&ccedil;&otilde;es nacionais em s&eacute;ries e novelas. Estabeleceu par&acirc;metros para classifica&ccedil;&atilde;o dos programas por faixa et&aacute;ria, permitindo multas e puni&ccedil;&otilde;es para abuso de cenas violentas. Tamb&eacute;m criou o Fundo de Responsabilidade Social, que subsidia a compra de equipamentos pelas emissoras comunit&aacute;rias, dando-lhes condi&ccedil;&otilde;es de disputar audi&ecirc;ncia com os grandes grupos em seus bairros.<\/p>\n<p>Apesar de n&atilde;o haver qualquer mecanismo de censura pr&eacute;via nessa legisla&ccedil;&atilde;o, ou mesmo limita&ccedil;&atilde;o ao conte&uacute;do dos notici&aacute;rios, os oposicionistas criticam as regulamenta&ccedil;&otilde;es estabelecidas pelo governo como obst&aacute;culos &agrave; liberdade de imprensa. A resposta do outro lado tamb&eacute;m &eacute; dura. &quot;Uma coisa &eacute; liberdade de imprensa, outra &eacute; libertinagem&quot;, afirma Chacon. &quot;O governo n&atilde;o adotou nem especula adotar qualquer medida que ofenda o direito &agrave; express&atilde;o. Mas as empresas privadas de comunica&ccedil;&atilde;o prestam um servi&ccedil;o p&uacute;blico e devem ser reguladas para garantir que todos os setores possam receber e difundir informa&ccedil;&otilde;es. Tanto os grupos privados quanto o Estado e as comunidades. Acabou a era do monop&oacute;lio privado da m&iacute;dia.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem liga a televis&atilde;o na Venezuela tem sempre, ao menos, duas vers&otilde;es antag&ocirc;nicas dos fatos. 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