{"id":27066,"date":"2012-08-24T17:29:59","date_gmt":"2012-08-24T17:29:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27066"},"modified":"2012-08-24T17:29:59","modified_gmt":"2012-08-24T17:29:59","slug":"decreto-vai-incentivar-setor-eletrico-a-oferecer-banda-larga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27066","title":{"rendered":"Decreto vai incentivar setor el\u00e9trico a oferecer banda larga"},"content":{"rendered":"<p>Est&aacute; no forno um documento que pode fazer uma grande diferen&ccedil;a na cobertura de Internet no pa&iacute;s &ndash; uma significativa amplia&ccedil;&atilde;o do papel das redes de energia el&eacute;trica na oferta de conex&otilde;es.<\/p>\n<p>Trata-se de um Decreto, j&aacute; em est&aacute;gio de minuta, que versa sobre compartilhamento de infraestrutura, mas cujo maior potencial est&aacute; na forma de remunera&ccedil;&atilde;o de investimentos. A ideia &eacute; permitir que as el&eacute;tricas capturem 70% das receitas extras, como telecomunica&ccedil;&otilde;es, contra os atuais 10%, cen&aacute;rio considerado de muito pouco est&iacute;mulo.<\/p>\n<p>O setor el&eacute;trico j&aacute; det&eacute;m o principal tronco de telecomunica&ccedil;&otilde;es do Brasil, ou seja, o mais abrangente backbone de fibras &oacute;pticas gra&ccedil;as aos cabos OPGW (do ingl&ecirc;s optical ground wire) que fazem parte do sistema de transmiss&atilde;o de energia. Tamb&eacute;m chamados de p&aacute;ra-raios, esses cabos s&atilde;o largamente utilizados pelas teles, gra&ccedil;as a acordos de aluguel de infraestrutura.<\/p>\n<p>O que pode fazer uma diferen&ccedil;a enorme &eacute; alargar essa l&oacute;gica para o sistema de distribui&ccedil;&atilde;o de energia, vale dizer, para a rede que chega a praticamente todas as resid&ecirc;ncias do pa&iacute;s. No Brasil, n&atilde;o existe servi&ccedil;o mais abrangente. A energia el&eacute;trica alcan&ccedil;a 98% dos lares &ndash; ou mais de 99% quando considerados apenas aqueles em &aacute;reas urbanas.<\/p>\n<p>Originalmente, o mencionado Decreto, cuja minuta est&aacute; sendo redigida pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, era menos ambicioso. Seu objetivo era prever espa&ccedil;o em grandes obras de infraestrutura (rodovias, ferrovias, gasodutos, etc) para a constru&ccedil;&atilde;o de dutos que posteriormente poderiam ser utilizados para a implanta&ccedil;&atilde;o de fibras &oacute;pticas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o Decreto busca um tratamento mais racional para o uso dos postes do setor el&eacute;trico pelas empresas de telecom, tema de constantes conflitos entre as partes. O setor el&eacute;trico tem capilaridade &iacute;mpar, seus postes est&atilde;o espalhados pelas cidades e as teles precisam deles para instalar suas pr&oacute;prias linhas de transmiss&atilde;o. Mas as diverg&ecirc;ncias s&atilde;o comuns.<\/p>\n<p>A principal delas &eacute; o pre&ccedil;o. Quando o tema come&ccedil;ou a ser estudado com mais aten&ccedil;&atilde;o, h&aacute; uns tr&ecirc;s anos, o uso de cada poste podia variar de R$ 1 a R$ 19. Resumindo de forma muito simplificada, o governo decidiu arbitrar um valor, de R$ 2,40 por poste, a ser adotado nos casos de solu&ccedil;&atilde;o de conflitos. Tamb&eacute;m ser&aacute; mandat&oacute;ria a reserva de espa&ccedil;o nos postes para uso das teles.<\/p>\n<p><strong>Modicidade tarif&aacute;ria<br \/><\/strong><br \/>Discutir essa quest&atilde;o, por&eacute;m, esbarrou no ponto mais sens&iacute;vel do setor el&eacute;trico: a regra de remunera&ccedil;&atilde;o dos investimentos. Atualmente, o princ&iacute;pio utilizado pela Aneel &eacute; a raz&atilde;o 90\/10. Isso significa que, al&eacute;m de sua atividade principal, as el&eacute;tricas podem buscar formas extras de receita. Mas de cada R$ 100 arrecadados, R$ 90 devem reverter para a redu&ccedil;&atilde;o das tarifas de energia.<\/p>\n<p>&ldquo;Se mudarmos essa regra da modicidade, podemos criar um forte incentivo&rdquo;, defende o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo. O racioc&iacute;nio &eacute; simples. Da forma atual, simplesmente n&atilde;o h&aacute; est&iacute;mulo para um uso mais eficiente &ndash; do ponto de vista de telecom &ndash; da invej&aacute;vel infraestrutura de eletricidade, visto que apenas 10% das receitas podem ser capturadas.<\/p>\n<p>A proposta que vem sendo costurada com o Minist&eacute;rio de Minas e Energia e a Aneel muda profundamente o cen&aacute;rio. O Minicom defende que a raz&atilde;o da modicidade tarif&aacute;ria seja de 30\/70, permitindo, portanto, que as empresas do setor el&eacute;trico fiquem com 70% das receitas obtidas com outros servi&ccedil;os, notadamente de banda larga.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; uma negocia&ccedil;&atilde;o simples &ndash; e n&atilde;o por capricho do regulador de energia. O Brasil conheceu, da pior maneira, o resultado da falta de zelo com o setor el&eacute;trico, em 2001. Em ess&ecirc;ncia, desestimular atividades paralelas significa dar foco &agrave; gera&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de eletricidade. At&eacute; por isso, a Aneel parece preferir uma raz&atilde;o mais conservadora para a modicidade, 50\/50.<\/p>\n<p>H&aacute;, ainda, outras considera&ccedil;&otilde;es. A Aneel questiona permitir remunera&ccedil;&atilde;o maior em redes que, em muitos casos, j&aacute; foram amortizadas &ndash; a implanta&ccedil;&atilde;o de cabos OPGW, por exemplo, data de mais de uma d&eacute;cada. Al&eacute;m disso, existe uma determina&ccedil;&atilde;o da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica para solu&ccedil;&otilde;es que permitam a redu&ccedil;&atilde;o das tarifas, embora o maior impacto do pre&ccedil;o final seja dos impostos.<\/p>\n<p>Ainda assim, o momento &eacute; prop&iacute;cio. A exemplo de boa parte do planeta, o Brasil precisa dar o pr&oacute;ximo passo no sistema el&eacute;trico: a atualiza&ccedil;&atilde;o para o que se convencionou chamar de smart grid, ou redes inteligentes. E isso &eacute;, basicamente, dotar o sistema de capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o digital de ponta a ponta. Ou seja, acoplar telecomunica&ccedil;&otilde;es &agrave; rede de energia.<\/p>\n<p>Isso j&aacute; come&ccedil;ou. Em 7\/8 &uacute;ltimo, a Aneel aprovou a norma que trata dos novos medidores eletr&ocirc;nicos. A partir de fevereiro de 2014, os consumidores poder&atilde;o exigir das distribuidoras a instala&ccedil;&atilde;o desses novos equipamentos. Os mais simples permitir&atilde;o uma nova forma de cobran&ccedil;a pelo uso da energia, chamada tarifa branca. Para os mais elaborados, o c&eacute;u &eacute; o limite.<\/p>\n<p>A import&acirc;ncia desses novos medidores n&atilde;o pode ser subdimensionada. Sua motiva&ccedil;&atilde;o, como s&oacute;i ao setor el&eacute;trico, &eacute; racionalizar o uso da energia. Com eles ser&atilde;o criadas, pelo menos, quatro faixas de pre&ccedil;os de eletricidade, a depender da hora de consumo. Usar o chuveiro &agrave; tarde ou ap&oacute;s as 21h ser&aacute; mais barato do que na hora de pico.<\/p>\n<p>&ldquo;Tarifa branca &eacute; tipicamente um sistema ganha-ganha. Ganha o sistema, ganha o consumidor, ganha a distribuidora. Reduzindo o aumento excessivo da necessidade de energia el&eacute;trica nos hor&aacute;rios de ponta do sistema, investimentos podem ser postergados, evitando-se &lsquo;Belos-Montes&rsquo; da vida&rdquo;, resume o superintendente de Regula&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Distribui&ccedil;&atilde;o da Aneel, Carlos Mattar.<\/p>\n<p>Mas o potencial dos novos medidores &eacute; mais vasto. J&aacute; est&atilde;o em desenvolvimento aparelhos que servem de roteadores &ndash; um dos principais projetos &eacute; do grupo Cemig\/Light, em parceria com o CPqD e incentivos da Finep. Dito de outra forma, est&atilde;o sendo criadas as condi&ccedil;&otilde;es de usar a capilaridade da distribui&ccedil;&atilde;o de energia para resolver o que em telecom chama-se de &ldquo;&uacute;ltima milha&rdquo;.<\/p>\n<p>H&aacute; a quest&atilde;o do custo. Os medidores mais avan&ccedil;ados poder&atilde;o ser cobrados dos consumidores. Um aparelho comum custa algo como R$ 50. Os novos devem ficar, a pre&ccedil;os de hoje, em m&eacute;dia R$ 250. Os super medidores podem muito bem ultrapassar os R$ 600. At&eacute; por isso, a Ag&ecirc;ncia Brasileira de Desenvolvimento Industrial desenvolve um projeto de fomento &agrave; ind&uacute;stria nacional nesse campo.<\/p>\n<p>Por outro lado, tanto os cabos OPGW quanto os pr&oacute;prios medidores fazem parte das redes a serem beneficiadas com isen&ccedil;&otilde;es de impostos no regime especial do PNBL, tamb&eacute;m em elabora&ccedil;&atilde;o pelo Minicom. &ldquo;Vamos baratear o custo do medidor desde que ele tenha condi&ccedil;&otilde;es de oferecer banda larga&rdquo;, ressalta Laerte Cleto, do departamento de Ind&uacute;stria, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>No conjunto, as iniciativas se aproximam do que o ministro Paulo Bernardo chamou de um plano de universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga e &eacute; nesse contexto que ganha muita relev&acirc;ncia a nova rela&ccedil;&atilde;o de ganhos da modicidade tarifaria. Ou, como explica Cleto, do Minicom, &ldquo;&eacute; uma quest&atilde;o de dar viabilidade econ&ocirc;mica ao uso de uma infraestrutura que j&aacute; est&aacute; instalada. N&atilde;o fazer isso &eacute; um desperd&iacute;cio&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est&aacute; no forno um documento que pode fazer uma grande diferen&ccedil;a na cobertura de Internet no pa&iacute;s &ndash; uma significativa amplia&ccedil;&atilde;o do papel das redes de energia el&eacute;trica na oferta de conex&otilde;es. 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