{"id":27047,"date":"2012-08-09T18:09:39","date_gmt":"2012-08-09T18:09:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27047"},"modified":"2012-08-09T18:09:39","modified_gmt":"2012-08-09T18:09:39","slug":"o-conselho-do-sarney-toma-posse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27047","title":{"rendered":"O Conselho do Sarney toma posse"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A posse do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social (CCS), nesta quarta-feira, dia 09 de agosto, foi numa sala de uns 100 metros quadrados da presid&ecirc;ncia do Senado. Metade do espa&ccedil;o era reservado para as cadeiras dos 26 conselheiros titulares e suplentes, al&eacute;m de empres&aacute;rios e o senador Fernando Collor de Melo, que viria alternar na solenidade suas conhecidas express&otilde;es faciais compenetradas com sorrisos discretos. A mesa onde o presidente do Senado Jos&eacute; Sarney conduziria a primeira sess&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o, depois de seis anos parado, levava outros dois ter&ccedil;os da &aacute;rea. J&aacute; os muitos profissionais de televis&atilde;o e seus respectivos equipamentos ficaram com toda a parte ao fundo. Nos corredores da sala apinhavam-se umas 25 pessoas, entre familiares, jornalistas, membros do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o da Bahia, e o presidente da EBC, Nelson Breve.<\/p>\n<p>J&aacute; somavam-se 100 pessoas no audit&oacute;rio, e uma funcion&aacute;ria repetia insistentemente: &ldquo;Deixa espa&ccedil;o s&oacute; para o Marco Maia passar&rdquo;. Ao chegar o presidente da C&acirc;mara dos Deputados, abriram-se os trabalhos, e coube a ele o primeiro discurso. A sauda&ccedil;&atilde;o inicial foi para o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, o mesmo que se pronunciou contr&aacute;rio a instala&ccedil;&atilde;o dos Conselhos estaduais. Fl&aacute;vio Lara Rezende, diretor da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores (ABRA), o segundo. Seguiram-se os cumprimentos com aqueles que se retiraram da I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom): Ricardo Pedreira da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais (ANJ); a Globo e a editora Abril foram as &uacute;nicas empresas mencionadas com distin&ccedil;&atilde;o na solenidade.<\/p>\n<p>Quanto as atribui&ccedil;&otilde;es e objetivos do CCS, o ga&uacute;cho Marco Maia (PT) foi sucinto. Lembrou da regulamenta&ccedil;&atilde;o na Lei 8389 de 1991, e recebeu como resposta o sorriso do presidente da Rep&uacute;blica na &eacute;poca, mesmo sem ser mencionado. Depois citou a responsabilidade de orientar e colaborar com o Congresso e a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de temas como utiliza&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos, as concess&otilde;es e a programa&ccedil;&atilde;o. Arriscou dar uma alfinetada no colega: &ldquo;Demoramos um pouco [para empossar], n&eacute; Sarney?!&rdquo; Em seguida amaciou com uma justificativa: &ldquo;Devido a import&acirc;ncia de representar a integralidade da sociedade brasileira&rdquo;. Talvez constrangido pela pequena ousadia, Maia voltou a nomear os setores empresariais envolvidos no CCS, e ao lembrar das organiza&ccedil;&otilde;es sociais n&atilde;o discriminou nenhum sindicato se quer, nem mesmo o presidido pelo seu conterr&acirc;neo, Celso Schroder (FENAJ), que estava a sua frente, com um adesivo da PEC do Diploma, a espera de ser empossado. Ao final Maia rasgou elogios e agradecimentos a Sarney: &ldquo;Ele foi entusiasta deste Conselho. Me ligava quase toda semana para constitu&iacute;-lo&rdquo;<\/p>\n<p>Jos&eacute; Sarney (PMDB) abriu sua exposi&ccedil;&atilde;o com retribui&ccedil;&otilde;es profundas ao colega de Congresso: &ldquo;Nunca tive uma afinidade t&atilde;o grande com um presidente da C&acirc;mara. Foi um bra&ccedil;o direito no processo&rdquo;. Marco Maia foi tomado por um semblante de emo&ccedil;&atilde;o e acariciou o colega, que come&ccedil;ou a ler as atribui&ccedil;&otilde;es constitucionais at&eacute; refor&ccedil;ar as anedotas sobre sua imortalidade, ao lembrar das dificuldades e lideran&ccedil;as envolvidas na formula&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1823. Sarney tamb&eacute;m mencionou os mecanismos de censura &agrave; imprensa via poder dita dorial, econ&ocirc;mico e publicit&aacute;rio, e disse serem coisas do passado: &ldquo;Tudo isso acabou em 1985, quando assumi, em nome de Tancredo Neves, a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica&rdquo;. Nesse momento um jornalista da EBC reclamava do lado de fora por n&atilde;o poder acompanhar a sess&atilde;o: &ldquo;Tenho uma mat&eacute;ria gigantesca para fazer!&rdquo;.<\/p>\n<p>A partir de ent&atilde;o foi iniciada a parte de assinatura de cada um dos integrantes. O representante das empesas de r&aacute;dio, Walter Ceneniva (ABRA), largou o celular e foi o primeiro a receber as honras. Collor voltou a sorrir. Ao chegar no representante dos radialistas, Jos&eacute; Nascimento, foi quebrado o protocolo, ao mencionar a presen&ccedil;a de dois dos membros do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o da Bahia. A sala foi tomada por um frisson, e at&eacute; Collor real&ccedil;ou suas express&otilde;es de seriedade.<\/p>\n<p>Passada essa fase, foi a vez da elei&ccedil;&atilde;o para a presid&ecirc;ncia do Conselho. Arcebispo Dom Orani Jo&atilde;o Tempesta da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi escolhido por unanimidade, o mesmo se deu com seu vice, Fernando C&eacute;sar Mesquita, ex porta-voz de Sarney enquanto presidente da Rep&uacute;blica, e atualmente na&nbsp; Secom do Senado. Aclamados pelo p&uacute;blico, Sarney ficou descontra&iacute;do: &ldquo;Voltamos aos gregos que elegiam por palmas&rdquo;. Ainda deu tempo do presidente do Senado pular alguns s&eacute;culos e demonstrar seu conhecimento a cerca da l&oacute;gica que rege o funcionamento das institui&ccedil;&otilde;es nacionais. Antes de assinar os &uacute;ltimos pap&eacute;is e ouvir as palavras de Dom Orani, brincou mais uma vez: &ldquo;Herdamos dos portugueses a burocracia&rdquo;.<\/p>\n<p>*A viagem para participar da posse foi custeada pelo Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o da Bahia. <\/p>\n<p><em>Pedro Carib&eacute; &eacute; membro do Intervozes e um dos representantes da sociedade civil no Conselho Estadual de Comunica&ccedil;&atilde;o da Bahia<\/em><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Marcos Maia rasgou elogios e agradecimentos a Sarney:  &ldquo;Ele foi entusiasta deste Conselho. 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