{"id":27046,"date":"2012-08-09T18:01:56","date_gmt":"2012-08-09T18:01:56","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27046"},"modified":"2012-08-09T18:01:56","modified_gmt":"2012-08-09T18:01:56","slug":"sociedade-descartada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27046","title":{"rendered":"Sociedade descartada"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Voc&ecirc; sabia que a t&atilde;o prometida consulta p&uacute;blica para a constru&ccedil;&atilde;o do novo marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica prevista para o primeiro semestre deste ano ser&aacute; mais uma vez adiada e provavelmente lan&ccedil;ada depois das elei&ccedil;&otilde;es de outubro?&nbsp; A proposta elaborada pelo Minicom j&aacute; est&aacute;, inclusive, fechada. No entanto, apesar das in&uacute;meras cobran&ccedil;as dos movimentos sociais, nem eles, nem a maior parte dos cidad&atilde;os brasileiros afetados diretamente por esta regulamenta&ccedil;&atilde;o sabem qual &eacute; ela. Mas um grupo restrito de &ldquo;especialistas&rdquo; convidados pelo Minist&eacute;rio, j&aacute; sabe.<\/p>\n<p>A informa&ccedil;&atilde;o, divulgada no dia 27 de julho numa publica&ccedil;&atilde;o especializada em telecomunica&ccedil;&otilde;es que participou da apresenta&ccedil;&atilde;o, assegura que o t&atilde;o cobrado e aguardado marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es est&aacute; pronto. Lamentavelmente, n&atilde;o &eacute; a primeira vez que o governo privilegia setores na divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es importantes que, por sua pr&oacute;pria natureza, deveriam ser tornadas p&uacute;blicas imediatamente.<\/p>\n<p>O Instituto Telecom considera esse fato grav&iacute;ssimo. Desde o final do governo Lula entidades e representantes da sociedade civil exigem, por meio de of&iacute;cios, manifesta&ccedil;&otilde;es na rede e protestos, a divulga&ccedil;&atilde;o do documento e a abertura de consulta p&uacute;blica. A proposta, uma das principais resolu&ccedil;&otilde;es da primeira Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o realizada em 2009, tem por meta adequar as regras existentes para o setor &agrave; atual realidade da comunica&ccedil;&atilde;o digital e meios convergentes. <\/p>\n<p>A lei brasileira est&aacute; muito atrasada em rela&ccedil;&atilde;o a pa&iacute;ses desenvolvidos e, salvo as diferen&ccedil;as e conflitos de interesses espec&iacute;ficos, j&aacute; &eacute; realidade em pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina como Venezuela (2000), Argentina (2009) e Bol&iacute;via (2011) onde foram aprovadas normas para regulamentar a atividade de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Divulgado de forma n&atilde;o oficial, o documento parece ser organizado em cinco partes: Princ&iacute;pios, Direitos do Cidad&atilde;o, Arranjo Institucional das Comunica&ccedil;&otilde;es, Organiza&ccedil;&atilde;o da Presta&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os e Ordenamento Econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>Nos princ&iacute;pios, entre outros, est&atilde;o a defesa da ampla liberdade de express&atilde;o, proibindo a interfer&ecirc;ncia do poder p&uacute;blico na atividade editorial dos ve&iacute;culos de m&iacute;dia; a preserva&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua e da cultura nacional; est&iacute;mulo &agrave; programa&ccedil;&atilde;o e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente e regional; a promo&ccedil;&atilde;o da diversidade de fontes e de distribui&ccedil;&atilde;o de bens, e servi&ccedil;os culturais que incentivem a livre circula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do. J&aacute; na parte dos direitos, a garantia de inviolabilidade da comunica&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o; o acesso aos servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica com qualidade e regularidade, em todo territ&oacute;rio nacional; liberdade de escolha da prestadora de servi&ccedil;o; prote&ccedil;&atilde;o de sua privacidade, honra e imagem p&uacute;blica de atos que violem os direitos humanos e dignidade da pessoa por parte dos servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica.<\/p>\n<p>Outro dado importante divulgado na mat&eacute;ria &eacute; o adiamento da consulta do novo marco, por conta das elei&ccedil;&otilde;es municipais de outubro. A justificativa &eacute; de que, neste momento de disputa eleitoral entre os partidos, &quot;n&atilde;o h&aacute; ambiente para um debate dessa import&acirc;ncia&rdquo;. Mais uma vez, a l&oacute;gica do interesse coletivo &eacute; invertida e o governo e Congresso se ausentam do papel de mediador entre sociedade e mercado na busca pela solu&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>Para o Instituto Telecom, j&aacute; passou da hora de discutir as comunica&ccedil;&otilde;es e telecomunica&ccedil;&otilde;es brasileiras no contexto da converg&ecirc;ncia. A sociedade deve, e quer, sim, saber o que pensam os candidatos e futuros pol&iacute;ticos e governantes sobre o novo marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es. Assim como tem que estar a par do que o Minicom vem planejando para as comunica&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o d&aacute; para aceitar uma pol&iacute;tica de exclusividade de informa&ccedil;&otilde;es de interesse p&uacute;blico, principalmente quando o assunto &eacute; uma legisla&ccedil;&atilde;o capaz de defender o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. O governo tem que ser o primeiro a agir de acordo com o que defende o marco: meios de comunica&ccedil;&atilde;o regulados de forma equ&acirc;nime, p&uacute;blica e transparente.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc&ecirc; sabia que a t&atilde;o prometida consulta p&uacute;blica para a constru&ccedil;&atilde;o do  novo marco regulat&oacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica prevista para o  primeiro semestre deste ano ser&aacute; mais uma vez adiada e provavelmente  lan&ccedil;ada depois das elei&ccedil;&otilde;es de outubro? <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[456],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27046"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27046"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27046\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}