{"id":27028,"date":"2012-07-31T18:28:19","date_gmt":"2012-07-31T18:28:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=27028"},"modified":"2012-07-31T18:28:19","modified_gmt":"2012-07-31T18:28:19","slug":"fndc-publica-balanco-das-politicas-de-comunicacao-no-governo-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=27028","title":{"rendered":"FNDC publica balan\u00e7o das pol\u00edticas de comunica\u00e7\u00e3o no Governo Dilma"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o publicou, nesta sexta-feira (27), um balan&ccedil;o sobre as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o no Governo Dilma. Segundo o documento, as iniciativas da gest&atilde;o t&ecirc;m sido marcadas pela fragmenta&ccedil;&atilde;o, vis&atilde;o administrativa, falta de di&aacute;logo com a sociedade civil e uma &ldquo;espantosa&rdquo; proximidade com os empres&aacute;rios do setor.<\/p>\n<p>A entidade tamb&eacute;m cobrou o lan&ccedil;amento da consulta p&uacute;blica para o novo marco regul&aacute;torio das comunica&ccedil;&otilde;es. Aguardada desde 2009, quando foi realizada a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom), a consulta j&aacute; foi postergada pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es por diversas vezes.<\/p>\n<p>Confira a &iacute;ntegra da nota.<\/p>\n<p><em><strong>Por transpar&ecirc;ncia e di&aacute;logo na constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong><\/em><\/span><span style=\"border-collapse: separate; color: #000000; font-family: &#39;Times New Roman&#39;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; font-size: medium\" class=\"Apple-style-span\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,&#39;MS Sans Serif&#39;,&#39;Sans Serif&#39;; line-height: 13px; font-size: x-small\" class=\"Apple-style-span\"><em style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,&#39;MS Sans Serif&#39;,&#39;Sans Serif&#39;; background-color: transparent\">Iniciativas do Governo Dilma na &aacute;rea s&atilde;o marcadas por fragmenta&ccedil;&atilde;o, vis&atilde;o administrativista, aus&ecirc;ncia de di&aacute;logo com a sociedade civil e espantosa proximidade com os empres&aacute;rios do setor<\/em><\/span><\/span><br \/><span class=\"padrao\"><em><br \/>O F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC) vem a p&uacute;blico manifestar preocupa&ccedil;&atilde;o sobre as &uacute;ltimas not&iacute;cias veiculadas a respeito da regulamenta&ccedil;&atilde;o da radiodifus&atilde;o no pa&iacute;s e mudan&ccedil;as na gest&atilde;o dos processos de outorgas de r&aacute;dio e televis&atilde;o pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es. Os fatos revelam uma espantosa proximidade do Minist&eacute;rio com o empresariado do setor e a preval&ecirc;ncia de uma perspectiva apenas administrativista, sem disposi&ccedil;&atilde;o de enfrentar as mudan&ccedil;as estruturais necess&aacute;rias para ampliar o direito &agrave; liberdade de express&atilde;o e tornar o setor mais plural e diverso. A responsabilidade n&atilde;o &eacute; apenas do Minist&eacute;rio. Notadamente, o centro do governo Dilma tamb&eacute;m impediu o avan&ccedil;o de medidas que poderiam ter papel de deflagrar mudan&ccedil;as necess&aacute;rias e de ampliar o di&aacute;logo com a sociedade civil.<\/p>\n<p>S&atilde;o v&aacute;rios os fatos que demonstram essas op&ccedil;&otilde;es. Desde o in&iacute;cio do governo, a sociedade civil espera o lan&ccedil;amento de uma consulta p&uacute;blica sobre um novo marco regulat&oacute;rio para o setor, baseado nas resolu&ccedil;&otilde;es da I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, realizada em 2009. At&eacute; agora, n&atilde;o houve nenhum movimento p&uacute;blico neste sentido.<\/p>\n<p>Enquanto isso, pol&iacute;ticas t&ecirc;m sido adotadas de forma fragmentada, por meio de decretos e portarias, na maioria das vezes constru&iacute;dos sem transpar&ecirc;ncia ou qualquer mecanismo de di&aacute;logo ou participa&ccedil;&atilde;o social, como consultas p&uacute;blicas. Propostas s&atilde;o discutidas com os empres&aacute;rios, mas a sociedade civil em geral e o movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o s&oacute; t&ecirc;m acesso aos textos pelas vers&otilde;es vazadas pelo notici&aacute;rio especializado (como no caso da proposta de mudan&ccedil;a do regulamento do servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o) ou quando eles j&aacute; est&atilde;o publicados no di&aacute;rio oficial (como nos decretos e portarias que organizaram as licita&ccedil;&otilde;es de outorgas).<\/p>\n<p>Essa proximidade do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es com o empresariado fica ainda mais expl&iacute;cita em outros espa&ccedil;os. Durante o 26&ordm; Congresso Brasileiro de Radiodifus&atilde;o, promovido pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o (Abert), o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es anunciou que os processos de outorgas ser&atilde;o informatizados com o &ldquo;apoio financeiro&rdquo; da Abert, atrav&eacute;s do Movimento Brasil Competitivo.<\/p>\n<p>Segundo o ministro Paulo Bernardo, a iniciativa vai permitir um &ldquo;grande salto de qualidade e efici&ecirc;ncia&rdquo; nas a&ccedil;&otilde;es da pasta. A implementa&ccedil;&atilde;o da automa&ccedil;&atilde;o no Minicom tamb&eacute;m vai ter a participa&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara de Gest&atilde;o, Desempenho e Competitividade da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica (CGDC), presidida pelo empres&aacute;rio Jorge Gerdau. Funcion&aacute;rios de alto escal&atilde;o do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es declararam que o sistema ser&aacute; financiado pelos empres&aacute;rios, pois o governo n&atilde;o consegue arcar com seu custo, e que n&atilde;o veem problemas na rela&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima dos empres&aacute;rios de radiodifus&atilde;o com o Minist&eacute;rio respons&aacute;vel por regular e fiscalizar diretamente o setor.<\/p>\n<p>No mesmo encontro, o ministro garantiu aos associados da Abert que mudan&ccedil;as na regulamenta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica n&atilde;o passar&atilde;o pela quest&atilde;o do conte&uacute;do &ndash; ou pelo &ldquo;comportamento dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como conceituou. O conjunto dos fatos deixa claro porque o presidente da Abert, Emanuel Carneiro, declarou, durante o Congresso da Associa&ccedil;&atilde;o, estar muit&iacute;ssimo satisfeito com o trabalho do Minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Infelizmente, o movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode dizer o mesmo. Desde o in&iacute;cio do governo Dilma, o FNDC vem solicitando ao Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e &agrave; Secretaria Geral da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica a implanta&ccedil;&atilde;o de uma mesa de di&aacute;logo com a sociedade civil e o setor empresarial para discutir o processo de atualiza&ccedil;&atilde;o do marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s &ndash; demanda hist&oacute;rica de setores da sociedade que lutam por uma m&iacute;dia mais plural e democr&aacute;tica. Esse espa&ccedil;o tem sido sistematicamente negado.<\/p>\n<p>A perspectiva limitada em rela&ccedil;&atilde;o ao novo marco regulat&oacute;rio tamb&eacute;m preocupa. A proposta de uma nova lei geral para o setor deveria visar, sobretudo, &agrave; garantia de direitos dos cidad&atilde;os e cidad&atilde;s, especialmente com a amplia&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o e do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, com o objetivo de ampliar o pluralismo e a diversidade. N&atilde;o h&aacute; como fazer isso sem tocar nas quest&otilde;es de conte&uacute;do, justamente para impedir qualquer tipo de censura p&uacute;blica ou privada. Essa &eacute; a op&ccedil;&atilde;o de democracias consolidadas como Reino Unido, Fran&ccedil;a e Portugal, cujos modelos de regula&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica passam por quest&otilde;es de conte&uacute;do e poderiam servir de refer&ecirc;ncia para o Brasil.<\/p>\n<p>A manuten&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica fragmentada, de perspectiva apenas administrativista e sem di&aacute;logo com a sociedade civil revela, em primeiro lugar, um distanciamento com processos de constru&ccedil;&atilde;o coletiva e participa&ccedil;&atilde;o social. Mas ressalta, principalmente, uma indisposi&ccedil;&atilde;o do governo em gerar um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o efetivamente democr&aacute;tico no pa&iacute;s, com a iniciativa apenas de reorganizar determinados processos, &lsquo;modernizar&rsquo; a legisla&ccedil;&atilde;o e assim acomodar os diferentes interesses econ&ocirc;micos em disputa, abrindo m&atilde;o do compromisso hist&oacute;rico com a democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Acreditando na possibilidade de mudan&ccedil;a da l&oacute;gica que, at&eacute; agora, tem prevalecido no campo das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o, o FNDC torna p&uacute;blica sua cr&iacute;tica, ao mesmo tempo em que solicita:<\/p>\n<p>&#8211; Que toda nova norma ou decreto regulat&oacute;rio do Minist&eacute;rio, antes de sua publica&ccedil;&atilde;o, seja colocado em consulta p&uacute;blica, incluindo a atualiza&ccedil;&atilde;o do Regulamento de Servi&ccedil;os de Radiodifus&atilde;o (Decreto 52.795\/63);<br \/>&ndash; Que o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es e a Secretaria Geral da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica instalem o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel uma mesa de di&aacute;logo com o movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s;<br \/>&ndash; Que o Minist&eacute;rio lance a consulta p&uacute;blica, aguardada desde a I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, em 2009, sobre as propostas para o novo marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Esta &eacute; uma quest&atilde;o urgente e estrat&eacute;gica para o desenvolvimento de nosso pa&iacute;s e para a consolida&ccedil;&atilde;o da nossa democracia. N&atilde;o pode, portanto, seguir sendo tratada de forma pouco transparente, atrelada aos interesses dos setores comerciais e sem a participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o brasileira em toda a sua diversidade.<\/p>\n<p>Bras&iacute;lia, 27 de julho de 2012<\/p>\n<p>F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>Coordena&ccedil;&atilde;o Executiva:<\/p>\n<p>CUT &ndash; Central &Uacute;nica dos Trabalhadores (Coordena&ccedil;&atilde;o Geral)<br \/>Abra&ccedil;o &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria<br \/>Aneate &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Nacional das Entidades de Artistas e T&eacute;cnicos em Espet&aacute;culos de Divers&atilde;o<br \/>Arpub &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o das R&aacute;dios P&uacute;blicas do Brasil<br \/>Centro de Estudos da M&iacute;dia Alternativa Bar&atilde;o de Itarar&eacute;<br \/>CFP &ndash; Conselho Federal de Psicologia<br \/>Fitert &ndash; Federa&ccedil;&atilde;o Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifus&atilde;o e Televis&atilde;o<br \/>Fittel &ndash; Federa&ccedil;&atilde;o Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunica&ccedil;&otilde;es<br \/>Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social<br \/><\/em><br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coordena&ccedil;&atilde;o Executiva do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC) lan&ccedil;a nota questionando as pol&iacute;ticas adotadas pelo Governo Federal e a aus&ecirc;ncia de di&aacute;logo com a sociedade civil.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[195],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27028"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27028"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27028\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}